A Yullen Horror Story

3 A 13ª badalada. Parte 1.


Notas iniciais
Olha só! Nem demorei tão infinitamente assim dessa vez! *milagre*
De agora em diante, tendo em vista que as semanas mais desesperadoras já passaram e outras mais loucas estão por vir, eu vou tentar postar mais rápido.
Um agradecimento especial a leitora: O mesmo mundo outra realidade, pela primeira recomendação da fic! Sério, você me deu inspiração para concluir esse cap.
E falando nele, resolvi dividir esse cap em duas partes pelo simples fato de que eu queria deixar algumas cenas mais marcantes, então... Só espero que gostem!
Boa leitura!

Suspirei cansado me sentando em um tronco de árvore numa sombra refrescante. Eu havia ficado responsável por conseguir informações com os moradores do local e proximidades, enquanto o Kanda, alegando não ter a mínima paciência pra isso, foi investigar a parte antiga da cidade, que era o cenário da carta. Não que meu trabalho fosse ruim, aliás as pessoas do vilarejo eram bastante simpáticas, o problema era que era só eu tocar no assunto calamidade/maldição que de repente elas tinham algum compromisso urgente, comida esquecida no fogo, criança sozinha em casa....

Seria um longo dia.

Mas por outro lado eu também não poderia reclamar, tendo em vista que só de imaginar o Kanda no meio daquelas construções velhas e assustadoras eu tinha arrepios na espinha.

– Moço... – Uma vozinha meiga e frágil me chamou. Virei pra trás e vi que pertencia a uma garotinha escondida atrás da árvore. Usava um vestido branco com laçinhos e tinha os longos cabelos negros soltos.

– Oi? – Respondi sorrindo gentilmente.

– Você queria saber sobre a maldição, não é? – Questionou incerta.

– Sim. – Me virei de frente para a pequenina figura que estava escondida.

Não só por cortesia, mas algo me dizia que era alguém a quem eu não deveria dar as costas.

– Não deveria falar disso por ai. A calamidade pode voltar...

– Meu trabalho é impedir que isso aconteça. – Assegurei ouvindo-a soltar um risinho baixo.

Há algo errado com essa garota...

– Eu sei de alguém que sabe. Ele mora na floresta perto do rio, é fácil de achar.

– Ah, muito obrigada.

Tem algo estranho ai...

Essa sensação... Essa presença...

– Mas, o moço me promete uma coisa? – Perguntou saindo vagarosamente de trás da árvore.

– O que? – Perguntei sentindo um breve arrepio.

Ela ainda permanecia de costas, estava prestes a virar.

– Não conte nada pro papai, ok? – Ela se virou brevemente de frente pra mim antes de ir embora saltitando.

Continuei paralisado por alguns minutos até que me lembrei de respirar.

Seus olhos eram vermelhos... Vermelho sangue.

“O jovem médico possuía uma bela família constituída por uma esposa meiga e carinhosa e duas lindas filhas gêmeas de cinco anos de idade. Era fato conhecido por toda a comunidade que sua mulher havia tidos sérios problemas para engravidar, os mais religiosos até chegavam a comentar que talvez não fosse a vontade de Deus. Mas mesmo diante de todas as dificuldades, a moça que já estava quase a desistir do seu sonho de ser mãe, foi repentinamente tomada por um inesperado entusiasmo e resolveu tentar uma última vez.

Por mais estranho que pareça, sua ultima tentativa dera certo. Certo até demais. Já que a gestação ocorrera perfeitamente, sem nenhum susto ou risco de interrupção. Mas estranho ainda era o fato de que, de um casal onde ambos eram loiros de olhos claros, as duas meninas haviam nascido com o cabelo negro como piche, pele assustadoramente pálida e olhos negros ligeiramente avermelhados.

Diante do espanto da população, o médico explicou que talvez elas tivessem herdado um gene de algum outro ancestral da família de um dos dois. Devido aos fatos devidamente explicados, ninguém questionou a estranheza da aparência das meninas em relação à aparência dos pais, afinal, ele era um doutor não? Quem questionaria?

Porém, foram poucos os que notaram o olhar inseguro e assombrado do médico ao explicar a história.”

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Depois de surtar interminavelmente com o encontro de hoje de manhã, e sinceramente, eu ainda estava assustado; comecei a procurar a casa do tal homem.

Avançava cada passo com todo o cuidado do mundo, olhando em todas as direções e pronto para atacar, afinal, e se no fim das contas fosse uma armadilha?

E por falar em armadilha, como estaria Kanda?

Será que ele achou alguma coisa? Ou... Foi achado por alguma coisa?

Oh droga...

– Ok, Allen, respira... Kanda não é nenhum garotinho indefeso... Quando você chegar em casa ele vai estar lá fazendo algo pro jantar e te chamando de medroso e...

– Ei garoto... – Uma mão, saída do nada, de repente agarrou meu pulso quase fazendo meu coração abrir um caminho pelas minhas costelas e fugir do meu peito com o susto.

– AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH ASSOMBRAÇÃO MALDITAA!!!! – Me virei pra acertar a criatura, mas encontrei apenas um velho, porém distinto, senhor com uma manta negra sobre os ombros.

– Ah... Me desculpe. – Murmurei sem graça vendo-o apenas rir gentilmente.

– Tudo bem, até eu me assusto sozinho andando por aqui. – Comentou divertido se apoiando melhor na bengala. – Está perdido, meu jovem?

– Não, estou procurando uma pessoa. O senhor sabe onde fica uma casa próxima ao rio? – aproveitei pra perguntar, até porque aquela historia podia nem ser verdadeira.

– Sim, eu moro lá. – Respondeu simpaticamente. – Me chamo Kevin Yeegar, em que posso ajudar?

– Me chamo Allen Walker, vim em nome da Ordem Negra como exorcista, e queria perguntar sobre a maldição que se abateu sobre a vila há anos atrás.

Ao invés de inventar uma desculpa e sumir, como todas as pessoas que eu já tinha perguntado, ele apenas me convidou até sua casa onde me ofereceu uma xícara de chá.

– O senhor tem talento. – Comentei experimentando o chá realmente delicioso.

– É só uma questão de ofício, como já deve ter percebido, sou alquimista. – Falou se sentando de frente pra mim.

De fato a casa dele era repleta de estantes com os mais variados e diferentes ingredientes, vários papeis com desenhos de círculos de transmutação espalhados e misturados com livros enormes, e alguns animaizinhos esquisitos dentro de uma gaiola.

– Fascinante. Provavelmente é por isso que vive afastado da vila, não é? – Comentei intrometido olhando ao redor. – Digo, os moradores de lá parecem ser bastante conservadores.

– Pois é, quando eu era mais novo me acusaram de bruxaria. – Respondeu rindo como se essa lembrança fosse engraçada. – Mas tem algo que quero lhe perguntar, não veio sozinho nessa missão veio? – Falou parecendo preocupado.

– Não. Ultimamente a ordem esta evitando missões solo, é que meu companheiro está investigando a outra parte de cidade. – Respondi sentindo meu coração apertado. Droga, eu quero vê-lo logo.

– Hm... Parabéns pela união. – Comentou simplesmente me fazendo engasgar com o chá.

– QUÊ?! – Que cara rápido!

– Sua cara deixa bem óbvio. – Respondeu entre risinhos.

– Er... Fazer o que né... – Eu devia estar vermelho feito um tomate.

– Mas isso é bom, se você tivesse vindo sozinho já estaria morto. Não é a primeira vez que alguém de fora tenta solucionar o problema da vila, a maioria não durou um dia.

– Entendo o porquê. – Murmurei me lembrando do incidente de “boas vindas” logo quando chegamos em casa.

– É bom que tenham mandado exorcistas dessa vez, afinal, um pouco dessa história toda tem a ver com vocês.

Ainda bem que o chá era de camomila.

– Então realmente tem uma inocência aqui? – Perguntei sentindo minhas chances de ir embora logo irem pelo ralo.

– Eu venho estudado há um tempo a história da vila para tentar compreender essa tal maldição e descobri algo interessante vasculhando alguns documentos. A esposa do médico era uma compatível.

Apenas o encarei com os olhos a ponto de saltar das orbitas.

– Mas não para por ai. Você sabe que a inocência, além poder ser usada como arma, possui também uma enorme quantidade de energia, que geralmente é liberada pelo usuário, mas devido a essa sua propriedade, em tempos remotos ela era usada em alguns rituais satânicos.

– Não me diga que... – Comecei ainda chocado com a informação e com o modo com que ela se encaixava nesse mistério.

– Se conhece bem a historia, já tem uma boa dica de como a mulher do médico engravidou.

Terminei de tomar minha xícara de chá sentindo um enjôo repentino. É nessas horas que eu nem sei se quero mesmo chegar até o final disso tudo.

– Que horror. – Sussurrei me lembrando da garota de hoje cedo. – As garotinhas... A mãe delas... O médico. Tem algo entre esses três que fez a maldição se espalhar, não é? – Indaguei imaginando como algo de proporções tão assombrosas como a calamidade que se abateu sobre a vila pôde ser desencadeado.

– Eu também pensei a mesma coisa. E foi assim que eu descobri algo interessante sobre esses rituais.

– O quê?

– Quando se invoca um demônio, ele tenta perpetuar sua permanecia na terra. E pra isso é preciso um hospedeiro, e um sacrifício. E naquela época foram...

– O médico e a mulher. – Completei sentindo um frio na espinha.

Que só foi intensificado com o som que veio a seguir.

Uma badalada.

A igreja estava abandonada, quem estaria tocando o sino?

Duas badaladas.

Eu e Yeegar nos encaramos assombrados.

Três badaladas.

–Impossível... De novo... – Começou Yeegar

Quatro badaladas.

– O que? – Perguntei confuso.

Cinco badaladas.

Ele olhou pela janela e eu segui seu olhar, já estava escurecendo.

Seis badaladas.

– Allen...

Sete badaladas.

– Sim...?

Oito badaladas.

– Seu companheiro...

Nove badaladas.

– ... Onde ele está?

Dez badaladas.

De imediato senti uma dor lancinante no peito que fez minha visão escurecer por alguns segundos.

Onze badaladas.

– Não... Não pode ser...

Doze badaladas.

Me levantei o mais rápido que pude e sai correndo loucamente pela floresta escura.

Kanda... O que aconteceu?

Treze badaladas.

“Naquela noite sinistra, o relógio da igreja bateu treze vezes.

Mesmo esta estando vazia.”

Notas finais
Bem, como eu falei, esse cap foi dividido em dois, e eu vou postar o próximo segunda-feira SEM FALTA (ou antes dependo da resposta ao cap).
MAAAAASSSS..... E ai? O que acharam? O que houve com o Kanda?
hehehehhehehehe
Vejo vocês nos reviews!
Kissu~