A Voz Do Trovão

1 1- Uma vida quase normal


Notas iniciais
Um pequeno resumo da vida de Felipe, um capitulo para conhecer o personagem principal e seu fiel amigo.

Bem, meu nome é Felipe, tenho doze anos de idade. Minha mãe diz que é nessa idade que começa a “arborescência”, como ela diz. Não sei oque ela quis dizer com isso, e nem tive o trabalho de tentar descobrir, pois ultimamente tem se passado muitas coisas de uma vez na minha cabeça. Sempre fui uma pessoa difícil de se enturmar, resumindo, sou oque seus pais devem falar de pessoas que sempre estão envolvidas em confusões, acho que chamam de “má influência”. Mas enfim, desde pequeno tive certos probleminhas que não sei explicar... Muitos acham que tenho problemas mentais, eles estão certos, pois meu médico disse que tenho déficit de atenção e alucinações. Sempre estudei em umas escolas que são feitas para pessoas especiais, e quando digo especiais quero dizer que é para as crianças que os pais não suportam, ou são doidas mesmo... No meu caso, eu acho que sou especial. Porque pelo que minha mãe diz, ela me ama. Espero que ela não esteja mentindo, pois também a amo muito. Vou dizer algumas coisas que tem que saber dela e de toda minha família.

O nome da minha mãe é Annita, idade de uma dama não é revelada, ela tem cabelos curtos na altura do ombro, eles são da cor preta, seus olhos parecem são tão pretos quanto seus cabelos, sua pele clara lembra neve. Além de ser linda, ela é a pessoa mais doce que conheço, lembro que quando fico em casa nas férias com ela, ela sempre trazia peças de quebra-cabeça para eu e ela juntos montar de pouco em pouco, eu amo as férias por isso, e também por que saio um pouco do inferno da minha “escola”.

Minha mãe tem um apartamento na cidade de Nova Iorque, no quinto andar. Lá ela mora com meu tio, que se chama Arnaldo, ele é um homem largado, nunca foi nada e continuará a ser um nada. Não tenham dó dele, ele só bebe, come e dorme. Ele tem uns quarenta anos nas costas, só não mora com meus avós, pois infelizmente eles faleceram. A aparência dele não é uma das mais agradáveis, ele tem careca, é gordo, cheira a cerveja, e só reclama de tudo, como se as reclamações dele iriam mudar o planeta, mas não, só faz o apartamento ficar mais fedido com seu bafo de túmulo.

Essa é minha enorme família, uma família grande e feliz. Bem, tem outros parentes espalhados pelo país, mas não são muito próximos, a ultima vez que os vi, foi no aniversário do meu primo de segundo grau, isso foi há muito tempo. Mas e meu pai? Bem, eu não sei. Não queria saber, pois se ele me abandonou tão facilmente, é por que não me quer por perto.

As aulas na minha escola estão quase no fim, não vejo a hora de rever minha mãe!

A minha escola se chama “Centro de ensino para jovens especiais”. O próprio nome resume como é minha escola. Ela é chata, os alunos que não são idiotas são briguentos, o intervalo é resumido em brigas e gritaria. Nunca me envolvi em brigas naquela escola, pois minha mãe diz que essa escola é a mais perto de casa e a mais em conta. Me seguro muito para não esmurrar a cara daqueles idiotas que acham que são o dono da escola. Bem, no intervalo fico com meu amigo, o menos anormal de todos dessa escola. Ele se chama Jake, é baixinho, gordinho, seus cabelos caracolados são castanhos e seus olhos também. Ele tem problemas de musculatura, os meninos vivem zombando dele por isso. Acho ridículo, discuto verbalmente e sempre ganho, não quero me gabar com isso, mas eles são mais burros que eu. Isso significa que é muito burro!!!

-Então Felipe, você viu oque eles estão servindo na cantina hoje? –Perguntou Jake-.

-Cara, a preguiça não deixa! –Me espreguicei e fiz cara de cansado-.

-Por favor! Você sabe que se aqueles meninos me virem vão encher meu saco por causa das minhas pernas! Quebra essa para seu melhor amigo? –Ele olhou com uma cara tão fofa, que tive que ir-

-O.k Jake, se tiver peço uma porção de alface para você. Sei que é suas preferidas!

-Só depois da Coca-Cola!

Dei risada e sai do banco da arquibancada que fica na quadra de futebol, lá não tinha ninguém pois ficava trancada, só abria nas aulas de educação física. Entravamos por uma passagem que encontramos e assim ninguém perturbava as nossas conversas. Fui em direção à cantina. Ergui meu capuz da minha roupa e continuei a andar, esperando que ninguém me veja.

Quando cheguei na cantina, a moça que serve a comida perguntou:

-Oque vai querer coisa linda? –ela deu um sorriso-.

-Só um prato de salada! Sem cebola, por favor! –dei um sorriso forçado-

Ela foi para a cozinha, quando voltou estava com o prato cheio de verduras.

-Aqui anjinho, fala que mandei “Olá” para o Jake! –Ela disse-

-Pode deixar tia! Obrigado! –Me virei e fui em direção à passagem secreta-

-Olha lá gente, a ovelha negra da escola! Felipe, Felipe, onde vai com tanta pressa? –Gritou o líder dos encrenqueiros-

-Vou ir ao banheiro! estou apertado, fui!-Sai correndo e virei no corredor mais próximo que tinha-.

-Vai comer no banheiro? Que estranho! Vamos lá ver galera, tenho certeza que ele está armando uma de suas bagunças!

Entrei na minha passagem, e por sorte eles não me viram. Subi na arquibancada e entreguei o prato com salada para o Jake.

-Cara, essa salada tem que estar muito gostosa, por que eu tive que correr para fugir daqueles moleques! –Falei meio sem folego-

Ele de boca cheia disse:

-Isso está muito bom! Obrigado Felipe!

-Nada não, amigos são para isso. Pegar comida e sair correndo de todos!-Disse para Jake-

-Você e suas piadinhas! Você é especial cara! –Ele soltou um sorriso-.

-Com certeza!-Dei risada-

O sinal do fim do intervalo tocou. Saímos da quadra de futebol e fomos para a sala de aula.

Notas finais
Em breve postarei mais. Boa leitura!