A Volta dos Retardados
5 Um Estudo em Nutella
Notas iniciais
POV. Carol Peruzzo
Essa é a história sobre como um pato foi preso por atacar o diretor de Hogwarts. Antes que você diga que eu sou idiota, espere um segundo. O único idiota aqui é o Malfoy, o dono do pato.
Tudo começou em uma calma tarde de sábado, quando Lyanna, Astrid e eu fazíamos nossas lições de casa nos jardins de Hogwarts. O céu era perfeitamente azul, o sol brilhava e a grama era de um verde magnífico.
– Para o Hades com essa tarefa! – Astrid praguejou jogando seu pergaminho no chão – Eu sou sonserina! Snape deveria me dar um desconto nas lições de casa!
– E os direitos iguais? – perguntei.
– Sou sonserina. “Direitos iguais” não costuma estar no nosso dicionário.
Lyanna revirou os olhos e suspirou.
– Olhem! – falei apontando – Aquilo... é um pato?
– Aham – Astrid respondeu jogando o cabelo para trás do ombro – A coruja do Malfoy morreu, então ele escreveu uma carta para os pais dele pedindo outra. Só que eles mandaram um pato, por alguma razão além da minha frágil compreensão. Como o pato não pode ficar no Corujal, ele fica voando por aí.
– Isso é ridículo – Lyanna falou – Lucius Malfoy não sabe a diferença entre um pato e uma coruja?!
– São bem parecidos – afirmei.
As duas me encararam descrentes. Levantei os olhos inocentemente do meu pergaminho. Astrid ia me xingar de alguma coisa, mas nesse momento um grito de congelar o sangue cruzou Hogwarts.
– PELAS BARBAS DE MERLIN! – era, sem dúvida, McGonagall.
Saí correndo para a origem do som, sem querer perder nenhum detalhe do possível barraco. Os estudantes estavam reunidos dentro da sala de Transfiguração, em volta de alguma coisa. McGonagall estava chorando loucamente em um lenço, Snape parecia chocado.
Abri caminho no meio das pessoas até o centro, então ofeguei.
– Minha Zeusa – murmurou Astrid.
Dumbledore estava jogado no chão, sem respirar e de olhos fechados, e com um pote aberto de brigadeiro a alguns centímetros de sua mão.
– Ele está morto? – sussurrei chocada.
– Não, só inconsciente – Snape falou – Quem fez isso?
– Não havia ninguém aqui, senhor – uma garota da Lufa-Lufa disse – Eu estava falando com a professora McGonagall e, quando entramos aqui, Dumbledore estava jogado no chão.
– Vão embora, não precisamos de curiosos! – Snape espantou os alunos.
Os estudantes foram embora e os únicos que ficaram ali foram Snape e McGonagall, que eram adultos sérios e responsáveis, Astrid, Lyanna e eu, porque nós também somos adultas sérias e responsáveis (ou pelo menos, Lyanna é) e, por algum motivo além da minha compreensão, Pansy Parkinson.
– O galinheiro é do outro lado da escola – falei.
– Há há, hilária – ela respondeu. Demos olhares mortais uma para a outra. Sabe, coisas normais de gente que se odeia.
Lyanna se ajoelhou ao lado de Dumbledore, tirou uma lupa do bolso e começou a observar.
– O que, por Merlin, seria isso? – McGonagall perguntou secando os olhos.
– Shh! – a corvina mandou – Estou investigando!
– Investigando o que? – perguntou Astrid – É óbvio que Dumbledore estava aqui comendo brigadeiro escondido, teve um ataque de pelancas e caiu.
– Não, não! – ela ficou de pé irritada – Astrid, eu sei que o seu cérebro é do tamanho de uma noz, mas tente pensar! As evidências aqui são tão claras que estão dando tapas na cara de todos!
– Eu não sinto nada – Snape levantou as sobrancelhas.
– Dumbledore estava aqui escondido, tropeçou e caiu – Pansy presumiu.
– Brilhante impressão, Pansy – a filha de Dionísio disse.
– Sério?
– Sim, brilhante impressão de idiota. Obrigada pela sua interrupção – e fechou a porta na cara da recalcada.
Controlei-me para não bater palmas.
– Conseguiu encontrar algo? – McGonagall perguntou.
– Sim, vejam – Lyanna apontou as evidências – A janela está aberta e as janelas das salas de aula sempre ficam trancadas aos finais de semana, então alguém a abriu. A boca de Dumbledore está suja de doce, mas as mãos não. E, também, temos isso.
Ela empurrou a barba de Dumbledore para o lado, mostrando as letras PAT escritas com chocolate.
– Ele deixou essa mensagem antes de desmaiar – sussurrei.
– Pat? – Snape perguntou – Um apelido para Patrick?
– Não, ele estava escrevendo “afago” em inglês – Lyanna revirou os olhos – Claro que é um apelido para Patrick. Só precisamos achar esse garoto.
Ela olhou para McGonagall.
– Onde está a colher? – perguntou.
– Não havia colher nenhuma, Srta. Harper.
– O que? Tem que haver uma colher! – a corvina ficou de pé – Os dedos de Dumbledore não tem traços de saliva, ou seja, ele usou uma colher para comer. Ela tem que estar aqui, ou...
Lyanna prendeu a respiração, sorriu, examinou a boca de Dumbledore mais uma vez e soltou uma gargalhada.
– Deuses! – e saiu correndo da sala.
– Lyanna! – chamou Astrid saindo da sala – O que foi?!
– Mande a Carol ir até a biblioteca e procurar o nome de todos os Patricks de Hogwarts. O criminoso cometeu um erro! – a corvina riu feliz – Um erro estúpido!
– E qual seria?
Lyanna se virou e gritou:
– NUTELLA!
E depois continuou correndo, deixando todos com cara de paspalho. Dei de ombros e fui em direção à biblioteca. No corredor, Pansy Parkinson estava apoiada na parede com os braços cruzados, tentando parecer ameaçadora, mas parecia que estava com dor de barriga ou algo assim.
– Você sabe por que ela está aqui? – Parkinson perguntou — Ela não ganha pontos para a Corvinal nem nada. Ela gosta. Ela se afunda nesses casos. Quanto mais estranho o crime, mais ela se afunda. E você sabe o quê? Um dia apenas resolver não será suficiente. Um dia, nós vamos estar em pé em torno de um corpo e Lyanna Harper vai ser a pessoa o colocou lá.
– Isso não faz o menor sentido – falei – Ela é só uma nerd boazinha que, por um estranho acaso, também é filha de Dionísio. Podemos perdoá-la por ser um pouco louca.
– Cuidado, Peruzzo – Pansy disse – Nunca confiei muito na Harper.
* * *
– Será possível que metade dos alunos de Hogwarts se chamem Patrick? – resmunguei enquanto saía carregando uma pilha enorme de pergaminhos.
Enquanto procurava os malditos Patricks, pensei no que Parkinson disse. Não faz sentido. Lyanna sempre foi a pessoa mais pacífica que eu conheço, as únicas vezes em que ela fica um pouco louca é quando (a) toma suco de uva ou (b) tem a oportunidade de se mostrar inteligente. Coisa de corvino, acho.
– Quer ajuda? – perguntou uma voz.
– Não precisa, eu... – ergui a cabeça para ver através da pilha de pergaminhos — ... Oh.
Era um garoto alto, loiro e com olhos verdes usando uma gravata da Sonserina. Era um aluno do último ano, carregando um guarda-chuva preto em uma das mãos (?). Ah, claro que ele pode me ajudar!
– Claro – sorri – Seria ótimo.
Ele retribuiu o sorriso e pegou os pergaminhos com só uma dos braços. Forte e bonito. Ótimo.
– É Carol Peruzzo, não é? – perguntou – Ouvi dizer que está ajudando Lyanna Harper no caso de Dumbledore.
– Aham – confirmei – Ela me pediu para pegar esses pergaminhos.
– Se conhecessem a tão pouco tempo e já investigam crimes? Fica leal com muita facilidade, Peruzzo.
– Na verdade, Lyanna e eu nos conhecemos a cinco anos e...
– Tanto faz – seu olhar simpático sumiu – Sou o mais próximo de um amigo que Harper pode ter.
– Que seria?
– Um inimigo, é claro – ele sorriu irônico agora – Você e Astrid Murray podem ser amigas dela, mas os corvinais quase não a suportam. Ela é arrogante e esnobe.
– Desculpe, mas nós ainda estamos falando de Lyanna Harper? – perguntei. Lyanna é a pessoa mais doce do mundo!
– Um último conselho, Peruzzo – ele jogou meus pergaminhos no chão (que filho de Hera!) – Fique longe de Lyanna Harper, caso não queira sofrer as consequências.
E foi embora, girando o guarda-chuva ao lado do corpo.
Por que todo cara bonito que eu conheço é idiota assim?
* * *
– Trouxe o que você queria – coloquei os pergaminhos em cima de uma das mesas de estudo no Salão Comunal da Corvinal.
Antes de qualquer pergunta sobre como consegui entrar, digamos que subornei o Michael Corner. Se alguém perguntar, sou inocente.
– Obrigada – a filha de Dionísio agradeceu.
– Hoje conheci um dos seus amigos.
– Amigos?
– Um inimigo.
– Oh. Qual deles?
– Sério, Lyanna, o que é isso? – perguntei – Te conheço desde que entramos em Hogwarts, agora descubro que você tem inimigos e é um gênio do crime! Quem é esse cara que encontrei hoje?!
– Uma das pessoas mais perigosas que já conheci, mas isso não importa agora – ela me encarou – Olha, sou bem mais discreta do que você e a Astrid. Os outros corvinais não gostam de mim porque... Bem, gosto de provar as minhas teorias, por mais loucas que sejam.
– Mas todos gostam de você!
– Não, não gostam – disse um garoto sentado na mesa ao lado.
– Enfim – suspirei – Já conseguiu alguma coisa sobre o caso do Dumbledore?
– Sim, mas preciso provar isso – ela levantou-se, pegou seu casaco e se dirigiu para a saída do Salão Comunal – Você vem?
– Espere – falei – Aquele garoto... Ele disse que te seguir seria perigoso.
Ela parou por um segundo.
– Ele disse perigo, e aqui está você – a loira sorriu e saiu andando.
– Droga – coloquei minha bolsa no ombro e a segui.
* * *
– Falei com a Astrid – Lyanna falou enquanto corríamos pela trilha até Hogsmeade – Claro, ela está um pouco chateada por ter sido trocada, nas palavras dela, “por uma idiota que não sabe nem que o Bruce Wayne e o Batman são a mesma pessoa”.
– Eles são?!
– Deixa para lá – ela acenou com a mão – Como Astrid possue espiões por toda Hogwarts, ela identificou um garoto chamado Patrick, da Lufa-Lufa, que foi visto perto da sala de Transfiguração pouco antes do corpo de Dumbledore ser achado.
– Vamos entrevistá-lo – presumi ofegante da corrida — Posso ser o policial ruim?
– O que?
– Todo interrogatório tem o policial bom e o ruim. Quero ser o ruim.
– Ah, tudo bem, tanto faz.
Já era noite quando chegamos em Hogsmeade, segui Lyanna para dentro de uma lanchonete. O tal Patrick era um garoto baixinho, rechonchudo, com cara de bebê e bochechas rosadas. Precisei de todo o meu auto-controle para não apertar aquelas bochechas.
– Patrick Williams? – Lyanna perguntou.
– Sim, quem são vocês?
– Viemos conversar – ela se sentou na cadeira na frente do garoto, eu me sentei na outra – Nos conte o seu dia desde o começo.
– E É MELHOR CONTAR DIREITO! – berrei batendo a mão na mesa – OU AS COISAS VÃO FICAR FEIAS AQUI, MEU FILHO!
– Esquece esse negócio de policial ruim!
– Tudo bem...
Patrick engoliu em seco e respirou fundo.
– Bem, eu acordei, fui ao banheiro, troquei de roupa, tomei banho, escovei os dentes...
– Pode pular para a parte interessante – revirei os olhos.
– Sim, tudo bem – ele se ajeitou na cadeira – Eu estava voltando das estufas de plantas, estava fazendo minha tarefa de Herbologia, entendem? Enquanto passava perto da sala de Transfiguração, vi um garoto suspeito andando lá por perto. Ele segurava um pato. Patos são suspeitos. Ele me viu, se assustou, jogou o pato para cima e saiu correndo.
– Hm – falei anotando em um bloco de papel – Então temos um tarado por patos que se assustou com a sua cara, algo mais?
– Ele não se assustou comigo – Patrick fez uma cara ofendida – Isso foi muito rude.
– Ela é muito rude sempre – Lyanna sorriu gentil e o garoto relaxou. Oh, então é assim que ela trabalha? É gentil com as pessoas? Estranho – Depois do garoto com o pato, viu mais alguma coisa?
– Não, eu... – ele arregalou os olhos e apontou para a janela – ALI, O GAROTO DO PATO!
Olhamos pela janela. Uma figura olhou assustada para nós e depois saiu correndo. Levantei e saí da lanchonete correndo, Lyanna me seguiu. Começamos a correr atrás do possível criminoso. Ele estava correndo pela trilha que levava para a escola, então é um dos estudantes.
Peguei a minha varinha, apontei para ele e gritei:
– Flipendo!
A pessoa caiu de cara no chão e Lyanna e eu o alcançamos. A loira pegou sua varinha e a ergueu.
– Nox!
Então vimos o rosto do fugitivo.
– Malfoy?! – exclamei – Qual seu problema mental, idiota?!
– Vocês que começaram a me perseguir! – ele ficou de pé – Sou inocente!
– Até que se prove o contrário – ameacei.
– Espere – Lyanna fez um sinal para que eu não o matasse ou algo assim – Draco, se você correu, é porque é culpado. Por que jogou o pato para cima para quando viu Patrick Williams?
Essa foi a pergunta mais estranha que eu já ouvi na minha vida.
– Ele me assustou – Draco disse – Eu estava levando Patovaldo...
– Seu pato se chama Patovaldo?
– Calada, Peruzzo. Enfim, estava levando Patovaldo para nadar no Lago Negro quando vi aquele lufano. Claro que fiquei com vergonha daquele idiota ver o meu pato e pensar que eu sou um babaca...
– Você é um babaca.
– Cale a boca!
– Foi isso que aconteceu? – Lyanna questionou – Depois que jogou Patovaldo para cima, para onde ele voou?
– Acho que para dentro da sala de Transfiguração, não sei.
Lyanna sorriu, o que nos assustou um pouco.
– Obrigada, Malfoy, você ajudou muito!
– Eu sempre ajudo – ele sorriu irônico para mim.
Revirei os olhos e segui Lyanna de volta para Hogwarts.
– Já sei, já sei! – ela disse animada – É tudo tão claro!
– É?
– Sim!
* * *
Dumbledore queria comer Nutella escondido de todos, se não teria que dividir. Ele abriu uma janela da Sala de Transfiguração, entrou e começou a comer. Comeu com uma colher, pois seus dedos estavam limpos. Draco, do lado de fora da sala, jogou seu pato para cima. O pato voou para dentro da sala de Transfiguração, assustou Dumbledore, que caiu desmaiado. Depois, o pato foi embora.
* * *
– Mas isso não explica tudo – falei – Como o pote de brigadeiro foi parar lá? Onde está a Nutella e a colher?
– É isso que quero responder.
Quando chegamos a Hogwarts, Lyanna correu até a sala de Transfiguração. O céu estava salpicado de estrelas e a lua brilhava. A corvina foi até a única janela aberta no lugar e olhou para baixo.
– Otários... – sorriu.
Ela se debruçou na janela e pegou alguma coisa. Ela me mostrou. Uma colher suja de Nutella e um pote vazio do doce.
– Como? – perguntei.
Lyanna não respondeu de imediato. Ela saiu correndo mais uma vez, e praguejei contra tudo e todos enquanto corria mais uma vez atrás dela. Já excedi minha cota de exercícios por hoje. A loira só parou de correr quando chegou à enfermaria, onde McGonagall e Snape estavam ao lado do corpo de Dumbledore.
– Descobrimos! – ela exclamou – Já sabemos como tudo aconteceu!
* * *
Dumbledore queria comer Nutella escondido de todos, se não teria que dividir. Ele abriu uma janela da Sala de Transfiguração, entrou e começou a comer. Comeu com uma colher, pois seus dedos estavam limpos. Draco Malfoy, do lado de fora da sala, jogou seu pato para cima. O pato voou para dentro da sala de Transfiguração, assustou Dumbledore, que caiu desmaiado. O pato pegou o pote de Nutella e comeu todo o conteúdo, depois o jogou do lado de fora da sala. Colocou brigadeiro perto de Dumbledore, para todos pensassem que ele estava comendo aquilo.
O erro letal do criminoso foi levar a colher junto. Ele pensou que não teria importância, mas, sim. Teve muita importância.
* * *
– Então – Lyanna concluiu, satisfeita – Prendam Patovaldo, o pato de estimação de Draco Malfoy.
– Isso foi a coisa mais bizarra que já ouvi em toda a minha vida – McGonagall disse – Mas você é da Corvinal. Deve ser verdade.
– Ah, sabe – pigarreei – Eu ajudei também. Ganho pontos para a minha casa?
– Não, ninguém gosta da Grifinória – Snape disse – Nem a McGonagall gosta. Vocês são insuportáveis.
(silêncio constrangedor on)
Assim, Patovaldo foi mandado para Azkaban. Não por atacar Dumbledore, mas por roubar Nutella, que é um dos crimes mais graves no Mundo Bruxo. Nosso diretor, caso você queira saber, está bem. Vai sobreviver, acho.
– Sabe, esse seu lado aventureiro é demais – falei para Lyanna enquanto saímos da enfermaria – Deveria ser assim mais vezes.
– Não deveria não, sério – ela riu – Só é legal fazer loucuras de vez em quando. Todo dia é entediante.
Refleti sobre aquelas palavras.
– Não faz o menor sentido.
– Deixa para lá.
– Oh, vejam só – uma voz atrás de nós falou – Sherlock Holmes encontrou seu Watson.
Era aquele garoto gato da Sonserina que jogou meus pergaminhos no chão. E ele ainda carregava um guarda-chuva.
– Ah, você – Lyanna franziu o nariz – Não tem mais o que fazer?
– Me preocupo constantemente com você, Lya.
– Não deveria. Sou mais inteligente do que você alguma vez será, Tony.
– Não vamos brigar na escola, vamos? Mamãe ficaria decepcionada.
– Com nós dois brigando? Ela não ficaria exatamente surpresa.
– Espera, espera – falei – Mamãe? Quem é mamãe?
– Minha mãe, nossa mãe – Lyanna disse – Esse é meu meio-irmão mortal e otário, Anthony Moore. E sim, Carol, ele é solteiro.
– Eu não...
– Suas pupilas estão dilatadas e seu pulso – ela tocou meu pulso – está elevado. Vou logo avisando, Anthony ronca.
O meio-irmão de Lyanna revirou os olhos e saiu andando com dignidade. Praguejei contra toda a linhagem de Dionísio.
– Como é que eu nunca soube que você tinha um meio-irmão mortal? – perguntei.
– Eu não falo dele, ele não fala de mim, nós ficamos felizes assim.
Então, é isso. Talvez Lyanna Harper seja mesmo o Sherlock Holmes de Hogwarts.
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