A Volta dos Retardados

7 Sempre tenha um Mariachi


Notas iniciais
Olá, pessoal! Bem, tenho algumas notícias. Como minhas férias estão acabando (* cry *), escrever a fic ficará um pouco mais difícil para mim. Então, a partir de agora, os capítulos serão postados de quatorze em quatorze dias. Ou seja, uma semana tem uma capítulo novo, a outra não. Me desculpem, pessoal, mas é necessário! Espero que gostem desse capítulo!

POV. Lyanna Harper

O problema dos feriados é que a maioria das pessoas fica feliz demais. Claro, ter alguns dias para descansar é ótimo, mas não quando vira uma zona sem limites. E, obviamente, a culpa foi a Grifinória, a casa daqueles que vivem para a zona sem limites.

– CAROL! – gritei para ela enquanto entrava na biblioteca – O QUE, EM NOME DE DIONÍSIO, É ISSO?

– NÃO É MINHA CULPA! – ela gritou de volta – EU PRECISO TERMINAR UMA REDAÇÃO DE POÇÕES, MAS OS WEASLEYS...

Não consegui escutar o resto por conta do barulho. Pelo visto, Fred e George chamaram a escola inteira para uma festa na biblioteca, para comemorar o dia de folga que Dumbledore nos deu por causa do Halloween. Mereço. Quer dizer, o Halloween é amanhã, não hoje!

Suspirei, bati o punho no alarme de incêndio e todos pararam de dançar e cantar. Alguém desligou a música. O único som era a sirene de incêndio.

– Obrigada! – agradeceu Hermione feliz com um livro nas mãos.

– Isso é uma biblioteca – sussurrei – Vocês não podem fazer uma festa aqui.

– Bem, isso é o que as pessoas FAZEM! – berrou Jim Moriarty.

– Quem o trouxe aqui? – perguntou Carol franzindo a testa.

– Ele é legal – Harry deu de ombros.

– Você – apontei para Carol – Me siga. E... O que estão fazendo aqui?!

– É uma festa – disse Draco – Onde tem festas, tem sonserinos.

– Me sigam também!

Assim, Carol, Astrid, Blaise e Draco me seguiram para fora da biblioteca. Sinceramente, parece que são crianças que não sabem se comportar!

– Oh, Halloween! – Malfoy comentou — Minha época favorita do ano!

– É a época em que você sai de casa com toda a sua feiura e ninguém te julga, Malfoy? – Carol sorriu.

– Calada.

– Você, para o seu Salão Comunal terminar sua lição de casa – joguei um livro de Poções na mão de Carol – Sonserinos... Vão fazer o que sonserinos fazem.

Sabe o que sonserinos fazem? – Astrid ergueu as sobrancelhas.

Revirei os olhos.

– Só... Não causem mais problemas – suspirei.

– Quem você pensa que é para mandar em mim, Harper? – Draco exclamou.

– Penso que sou filha do deus da loucura e da selvageria. Se você não para o seu Salão Comunal agora, vou te mostrar porque dizem que Dionísio é um dos deuses mais sanguinários.

Ele encolheu os ombros e foi embora. Astrid fez uma cara impressionada para mim.

– Que medo – disse Blaise – Da próxima vez que quiser ameaçar alguém, vou chamar a Lyanna.

Dei um meio sorriso e fui para a Torre da Corvinal. Todas essas pessoas se comportando como idiotas me irritam, sinceramente. Infelizmente, idiotas é algo que não falta em Hogwarts.

– Alunos, atenção, por favor! – Prof. Flitwick estava em cima de vários livros para poder olhar para todos os alunos — Dumbledore deu para cada casa um tema para se vestirem nesse Halloween.

Era o que me faltava.

– E qual o tema da Corvinal? – perguntou Cho.

– Hm... Seriados televisivos trouxas.

– EU SOU A RIVER SONG E NINGUÉM ME SEGURA! – gritou uma menina do segundo ano. Lancei um olhar sinistro para ela, que se encolheu.

– Professor, o senhor sabe quais são os temas das outras casas? – perguntei por curiosidade.

– Bem, Srta. Harper, acho que sim... – ele leu o pergaminho que tinha em mãos – Oh, aqui. O tema da Lufa-Lufa é “Cantores Famosos”. O da Sonserina, “Contos de fada”. E, por fim, o da Grifinória é “Mariachi”.

Meus cálculos dizem que isso vai dar terrivelmente errado.

**

31 de outubro. Sete horas da noite. Halloween.

Desci as escadas em direção ao Salão Principal, onde a festa acontecia. Meu cabelo, agora perfeitamente cacheado e cheio, caia na frente do rosto. River Song arrasa, pessoal.

– River Song? Que falta de criatividade – disse uma voz ao meu lado – Não que eu esperasse mais de você, mesmo.

Revirei os olhos e encarei meu meio-irmão mortal e otário, Anthony Moore, vestido como o Príncipe Encantado.

– Príncipe Encantado? A sua fantasia que é ridícula – afirmei enquanto ele começava a me acompanhar na direção do Salão Principal.

– É o tema que Dumbledore deu para a Sonserina – ele fez uma careta – Patético.

A festa já estava animada. As mesas haviam sido retiradas, deixando espaço para uma grande pista de dança. No lugar onde antes havia a mesa dos professores, agora havia um grande palco com DJ e tudo. Pessoas dançavam e a música soava alta. Foi estranho ver princesas, príncipes, mariachis, personagens de filmes e cantores famosos em um lugar só. Até vi a Madonna.

Uma sensação ruim se formou em meu estomago, como se fosse um pedaço de gelo gigante. Aquela sensação que dá quando se reprime algum instinto natural. Meu instinto natural, como filha de Dionísio, seria ir até a pista de dança e acabar com todos os recalcados. Infelizmente, isso não será possível, se não irei explodir metade do castelo (já aconteceu).

– Lyanna! Lyanna! – Carol chegou saltitante, mas parou quando viu meu irmão – Ah...

– Já vou indo – ele sorriu sarcástico para mim – Boa festa, maninha.

Carol ficou encarando-o enquanto ele se afastava. Ela seria menos óbvia se carregasse um cartaz escrito “Hey, Anthony Moore, você é lindo”. Não que ela precisasse disso para chamar atenção. Ela estava vestida como um mariachi, com direito ao bigode.

– Gostei do bigode – elogiei.

– Obrigada – ela sorriu – Fred e George arrumaram um bigode para todo o grifinório que quisesse um.

– Vamos procurar a Astrid – falei.

A música que tocava era For Your Entertainment. Astrid estava dançando com o Blaise (se ela ficar grávida, não digam que eu não avisei). Ela era a Branca de Neve, ele era o Flynn Rider.

– Hey! – Blaise nos cumprimentou – Que bigode é esse?

– Inveja do meu bigode, Zabini? – Carol acariciou o esquilo morto que ela chamou de bigode – Sei que ele é totalmente fabuloso.

Olhei para os professores. Dumbledore (com um terno rosa chocante único e botas vermelhas) e McGonagall eram mariachis também, Flitwick era Tyrion Lannister e Professora Sprout era a Lady Gaga. Não havia nenhum sinal de Snape.

– Onde está o Snape? – perguntei.

– O QUE? – Astrid gritou por causa a música.

– CADÊ O SNAPE? – gritei.

– NÃO GRITA COMIGO, SUA MAL EDUCADA! – ela berrou, bati a mão na testa – NÃO SEI ONDE O SEBOSO ESTÁ!

Continuei olhando para os lados, procurando alguma coisa. Notei agora que os professores conversavam entre si, parecendo preocupados.

– Tem alguma coisa acontecendo – murmurei, mas ninguém ouviu.

Puxei Carol, Astrid e Blaise para um canto onde não fazia tanto barulho.

– O que foi, criatura? – Carol perguntou delicadamente.

– Snape sumiu – falei – Alguma coisa errada está acontecendo.

– Bem, você pode ter razão – Blaise concordou – Snape está sumido desde hoje de manhã.

E, nesse maravilhoso momento, as portas do Salão Principal foram escancaradas. Alguém parou a música. Todos ficaram imóveis. Várias figuras encapuzadas estavam parados e na frente deles, um mariachi com terno rosa chocante e botas vermelhas.

– Voldemort – sussurrei aterrorizada.

– Por Zeus, o que é aquilo? – Carol ofegou.

– Aparentemente, Comensais da Morte que vão nos torturar até a perda da nossa sanidade e, enfim, nos matar cruelmente – Astrid deu de ombros — Vou tomar um pouco do ponche.

O silêncio reinava. Dumbledore avançou e parou, encarando Voldemort. A multidão formou um círculo em volta dos dois. Os Comensais continuavam parados, aterrorizantes. Ninguém ousava se mexer ou falar.

– Voldemort? – Dumbledore perguntou.

– Dumbledore? – ele respondeu, no mesmo tom chocado.

– Por Merlin, essa batalha será horrível! – Harry murmurou bebericando seu ponche. Ele também estava vestido como um mexicano com um grande bigode escuro.

– Por quê? – Astrid sussurrou.

– Olhe bem, Murray! – Hermione respondeu — Eles estão... usando a mesma roupa!

* Uma pequena nota *

O Guia do Mochileiro do Olimpo, o livro mais lido por semideuses, espíritos, deuses e monstros há milhares de anos, define “usar a mesma roupa que seu inimigo mortal” como uma das ofensas mais graves do mundo. A primeira vez em que dois inimigos usaram a mesma roupa foi quando Menelau encontrou Páris. E, bem, isso resultou na Guerra de Troia.

*Fim da pequena nota *

Voldemort e Dumbledore continuaram a se encarar ferozmente. Olhos vermelhos encarando olhos azuis. A eletricidade no ar era praticamente visível.

– Você é o Eleito – sussurrei para Harry – Faça algo!

– Fazer o que? – ele respondeu – Não há nada que possamos fazer!

– Eles vão começar a duelar e vão destruir o salão! – Rony disse.

– Temos que tirar a atenção deles – Blaise coçou o queixo e sorriu – Carol, ativar o Plano M.

– M? – perguntei, com medo da resposta.

Mariachi.

Os grifinórios correram para o palco. Hermione, Harry e Ron pegaram seus instrumentos e Carol ficou com o microfone (não acho que seja uma boa ideia).

– Olá, pessoal! – a filha de Poseidon gritou no microfone atraindo olhares do salão inteiro – Hey, Voldy!

– Oi, Carol! – o Lord das Trevas acenou alegremente para ela.

– Para comemorar que nossos... ér... bons amigos vieram comemorar conosco, nós iremos agitar essa festa! – ela sorriu – Vamos lá, gente!

O Trio de Ouro começou a tocar seus instrumentos musicais. Carol agarrou o microfone.

Donde estas, donde estas, Yolanda?
Que paso, que paso, Yolanda?
Te busque, te busque, Yolanda
Y no estas, y no estas Yolanda!

Sério mesmo que ela está cantando “Donde Estas, Yolanda?”. Alguém, por favor, me belisque para eu ter certeza que isso não é um pesadelo.

O pior foi que as pessoas realmente gostaram a música e começaram a dançar. Para incentivar os outros, Blaise tirou Astrid para dançar (e também porque eles são um casal, claro). Logo toda Hogwarts dançava ao som dos mariachis grifinórios.

Até os Comensais da Morte estavam curtindo. Bellatrix Lestrange e Voldemort estavam no centro da pista de dança. Lucius Malfoy fazia passos de dança bem elaborados, deixando Draco com uma vontade imensa de pular da Torre de Astronomia. E então, notei que um dos Comensais estava deixando o Salão, em silêncio, numa atitude muito suspeita.

La luz de tu mirada
El fuego de tus labios
Flecharon a mi pecho y de ti me enamore

Aproximei-me da figura encapuzada e, reunindo toda a minha coragem, puxei seu capuz para baixo. A figura que surgiu na minha frente foi tão medonha que não quero descrevê-la, sabe, para não traumatizar os leitores.

O Comensal da Morte encapuzado era o Snape. Até aí não é tão horrível. Ele estava fantasiado de acordo com o tema da Sonserina, Contos de Fada. Isso também não é terrível. Mas... Bem, ele estava fantasiado de Rapunzel. Vestido roxo, peruca loira, coroa de flores. Tinha até um camaleão de plástico no ombro.

Eu ia soltar um grito de horror, mas ele tampou a minha boca com a mão.

– Uma palavra disso, Harper, e eu tiro todos os pontos da Corvinal – ele ameaçou.

Respirei fundo e tirei sua mão.

– Tudo bem – sorri de canto – Eu não vou falar nada, mas não posso responder pelo Sr. Zabini e pela Srta. Murray.

– Como é?!

Me dicen que paseabas
En un carro Yolanda
Muy guapa y arrogante
Y todos te silbaban.

Snape se virou e deu de cara com Blaise, segurando uma máquina fotográfica, e Astrid quase morrendo de tanto rir. O professor deu um uivo de raiva e saiu perseguindo os dois sonserinos. Isso explica duas histórias: Como eles conseguiram a foto mais feia já tirada e como Astrid desenvolveu um medo inexplicável da Rapunzel.

Donde estas, donde estas, Yolanda
Que paso, que paso, Yolanda
Te busque, te busque, Yolanda
Y no estas, y no estas Yolanda

A música acabou e todos aplaudiram. Carol sorriu e acenou. O ego dela é tão grande que dá para vê-lo da Lua.

– Amo vocês! – a grifinória disse ao microfone – A maioria das pessoas agradeceria ao pai ou a mãe, mas o meu pai é um deus grego otário e a minha mãe nunca nem olhou na minha cara direito. Então quero agradecer ao meu pônei, meu irmão Percy, meu irmão Tyson, ao Oliver Wood por ser excepcionalmente lindo, a Zeusa, ao meu cachorro, ao mendigo que mora no porão do Chalé 3, ao...

– Já deu, sai do palco! – gritou Malfoy.

Ela começou a soltar palavrões e os seguranças (vulgo Comensais da Morte) tiveram que tirá-la do palco.

– E para nossa próxima música... – Harry começou a dizer.

– Chega de mariachis! – Dumbledore subiu no palco com Voldemort – Quero cantar uma música com o meu melhor amigo nesse mundo inteiro!

E nós ficamos lá, observando como otários, enquanto os dois bruxos mais poderosos da atualidade, pegavam microfones e começavam a cantar Oath.

Yo, my best friend, best friend 'till the very end
Cause best friends, best friends don't have to pretend
You need a hand, and I'm right there right beside you
You in the dark, I'll be the bright light to guide you

Novamente, peço que alguém tenha a bondade de me dar um tapa na cara, só para eu ter certeza de que não é um pesadelo.

E no fim, o Halloween daquele ano acabou como sempre acabava: Eu, Carol, Blaise, Astrid, Malfoy, Harry, Hermione e Rony comendo pizza na biblioteca. Nenhum de nós sabe por que o Malfoy está aqui, mas como foi ele que trouxe a pizza, ninguém reclamou.

Sério, um dia desses, as festas ainda vão acabar com essa escola (se isso ainda puder ser chamado de escola).