A Volta dos Retardados

8 O Guia do Mochileiro do Olimpo


Notas iniciais
Olá, minhas pessoas queridas! Capítulo dedicado para Carol Stair, que me pediu para que não esfregasse na cara dela o fato de que ela ainda não leu O Guia do Mochileiro das Galáxias. E adivinhem sobre o que é o capítulo? Guia do Mochileiro das Galáxias, yeah. Espero que gostem! (Inspirado no vídeo do Parafernalha: http://www.youtube.com/watch?v=PxkqfEKTu8o&hd=1)

Eis o que diz a Enciclopédia Olimpiana sobre o Acampamento Meio-Sangue: “O único lugar seguro para semideuses gregos, onde podem descansar, treinar e ter momentos de lazer”. O Guia do Mochileiro do Olimpo também faz algumas afirmações sobre esse lugar tão belo, dizendo que “o Acampamento Meio-Sangue é um lugar maravilhoso, a menos que você seja um semideus. Parece confuso, mas essa é a lógica. Qualquer mortal ficaria fascinado com este lugar, mas os semideuses que vivem lá sabe como é. Muito quente, com pessoas chatas e a possibilidade de encontrar um filho de Ares raivoso. Terrível.

Mas essa não é a história do Acampamento Meio-Sangue.

Estamos aqui para falar sobre como, em uma quarta-feira comum e qualquer, quase três mil anos depois de um idiota começar uma guerra por causa de uma Helena, uma jovem garota compreendeu o que deu errado todo esse tempo e como o mundo poderia ser um lugar bom e feliz. Desta vez, tudo daria certo, e ninguém ia precisar começar guerra nenhuma por Helena nenhuma.

Infelizmente, antes que ela pudesse escrever sua ideia em algum lugar, começou a passar Sherlock na televisão e todos os pensamentos produtivos que estavam em sua cabeça sumiram.

Essa é a história dessa garota e sobre como ela salvou duas pessoas.

Também é a história do Guia do Mochileiro do Olimpo – um livro que não é do Mundo Mortal, nunca foi publicado no Mundo Mortal e, até o dia em que os pensamentos produtivos da garota sumiram, nenhum mortal nunca tinha ouvido sequer falar dele.

Apesar disso, é um livro realmente extraordinário.

Além dele ser ligeiramente mais barato que a Enciclopédia Olimpiana, o principal motivo para esse ser um livro tão popular é que, em sua capa de couro, ele traz as palavras NÃO ENTRE EM PÂNICO em letras garrafais e amigáveis.

Mas a história daquela quarta-feira terrível e idiota, a história da garota que esqueceu de seus pensamentos revolucionários sobre dos semideuses e monstros por conta de um otário com um casaco longo, tudo isso teve um começo realmente muito simples.

Começou com uma festa do pijama.

** *

POV. Carol Peruzzo

– Então! – Astrid falou feliz pulando no sofá da casa de Lyanna – Noite das garotas! Estou tão feliz! Vamos fazer as unhas, conversar...

– Ver uma maratona dos nossos programas favoritos? – sugeriu Lyanna.

– Só vim comer – falei enfiando pipoca na boca – Quer dizer, a noite das garotas é só isso, não?

– Estou preparando limonada, queridas – Sra. Harper disse na porta da cozinha – Querem mais alguma coisa? Bolo? Brownies? Sushi? Oh, desculpe-me, Carol.

– Não, obrigada – Astrid sorriu.

– Porque ela não é legal assim quando não temos visitas? – Lyanna murmurou enquanto mudava o canal da TV.

Anthony Moore, o meio irmão de Lyanna, desceu as escadas e pegou seu casaco, que estava pendurado na porta. Corei e abaixei a cabeça.

– Estou de saída – Anthony deu um beijo na testa da mãe e um peteleco no ouvido da irmã – Volto logo. Ah, olá Murray. Olá, Carol.

* Enquanto isso, no cérebro da Carol *

Chefe: AI MINHA ZEUSA, ELE FALOU OLÁ!

Funcionário esperto: VAMOS MORRER!

Funcionário ainda mais esperto: OH, É O FIM!

Funcionário burro: Ei, porque não ficamos calmos e só respondemos um olá?

Claro que ninguém o ouviu.

*De volta à Casa dos Harper*

– Olá – falei com a minha voz mais sedutora. Mas com certeza saiu mais como um guincho.

Ele mal olhou na minha cara e saiu pela porta. É, essa foi a conversa mais normal que tivemos durante toda a nossa relação e casamento [Calada, Lyanna. É claro que eu casei com o seu meio-irmão. Tão claro quanto o sorriso de Apolo]

Astrid desligou a luz, nós nos ajeitamos nas poltronas e colocamos na BBC. A televisão da casa da Lyanna é a melhor televisão de todas, porque além de eu poder usá-la de graça, pega praticamente todos os canais graças a um favor que Hermes nos deve.

Então comecei a pensar, o que não é uma coisa que geralmente fato (não sou burra, sou preguiçosa. É diferente). Se Hermes me deve um favor, significa que eu fui boa para ele, então ele está retribuindo agora. E se isso acontecesse com todas as coisas no Universo? E se...

– Olha, vai começar! – Lyanna disse animada.

Aí qualquer coisa produtiva no meu cérebro sumiu. Puff. Simples assim. Meu cérebro é bem prático excluindo coisas inúteis, como o segredo para a paz mundial ou o nome das pessoas [Claro, Astrid, seu sobrenome? Zabini, claro.]

Lyanna pigarreou e se levantou.

– Vou pegar refrigerante na geladeira, já volto – e entrou na cozinha.

A porta da frente se abriu de novo e Anthony subiu as escadas correndo. Certo, deve ter esquecido alguma coisa diva e linda, como ele [Pare de me interromper, Lya! Seu irmão é um gato e irei falar isso quantas vezes eu quiser!].

Então um grito veio da cozinha seguido do som de um copo se partindo no chão. Astrid e eu corremos para lá, e chegamos a tempo de ver duas dracaenas aladas (ah, claro, muito comum uma dessas pragas aladas) segurando Sra. Harper e Lyanna. A garota se debatia, mas sua mãe estava desmaiada – sorte dos monstros não termos um facão aqui, Sra. Harper é boa com eles.

– Ssse quiserem ssalvá-lass, noss ssigam... – os monstros sibilarem – Ssse puderem!

E saíram voando pela a noite. Quando saíram, deixaram cair um cartão branco. Peguei-o, nele havia as palavras “Olimpo — Brooklyn”.

– O Olimpo não fica no Brooklyn – afirmei.

– Elas devem falando o outro Olimpo – Astrid falou e encarei-a confusa – Sabe, a melhor boate olimpiana?

– Ér... Não.

– Nossa, em que mundo você vive?!

– De qualquer modo – revirei os olhos – Porque os monstros as levariam para uma boate?

– Carol, já foi em uma boate? É quente, abafado, lotado com pessoas esfregando as axilas suadas na sua cara e música quase explodindo seus miolos. Creio que é o mais próximos que as dracaenas têm do Mundo Inferior.

Anthony desceu as escadas, assustado.

– Por Merlin, o que aconteceu?! – exclamou.

– Sua mãe e irmã foram raptadas e levadas para uma boate – dei de ombros – Tudo bem.

– Ainda tem seu carro? — Astrid perguntou.

– Como sabe que tenho um carro? – Tony franziu a testa.

– Eu já o roubei uma vez.

– ENTÃO AQUELE ARRANHÃO FOI ISSO?

– Sem tempo para drama! – levantei as mãos – Tony, pode nós levar até essa boate?

– Certo, onde exatamente é esse lugar? – perguntou ele.

Ficamos em silêncio por um minuto. O Brooklyn era enorme e dificilmente o endereço estaria no Google Maps.

– Podemos tentar o livro – mordi o lábio inferior.

– Nem sabemos onde Lyanna o guarda – Astrid respondeu.

Então nós duas encaramos o único bruxo presente que poderia realizar feitiços com permissão do Ministério. Subi as escadas até o quarto de Lyanna e após quase vomitar por conta da arrumação impecável do lugar, me virei para Tony.

– Certo, diga exatamente isso – falei – Accio Guia do Mochileiro do Olimpo.

Ele tirou sua varinha do bolso do casaco e recitou o feitiço. Um dos milhares de livros saiu das prateleiras e o acertou na cara, jogando-o no chão com um gemido de dor. Astrid simplesmente pegou o livro.

Na capa de couro preto se lia “Guia do Mochileiro do Olimpo”, junto com as palavras “Não entre em pânico” em letras grandes e garrafais. Podia parecer um livro extremamente fino qualquer, mas quando se abria, uma tela de computador surgia.

– O que é isso? – Tony sentou-se estregando a testa.

– A resposta para qualquer pergunta sobre o mundo dos deuses e monstros – Astrid respondeu sábia.

Tirei o livro de suas mãos e escrevi “Porque Loki é tão quente?”. Ela bateu a mão na testa.

Gregos, Peruzzo, gregos.

– Oh.

Digitei “Boate Olimpo – Brooklyn – Estados Unidos”. E o artigo apareceu.

** *

A Boate Olimpo foi a segunda melhor jogada de marketing dos deuses olimpianos. A melhor foi vender a história de que Atena era virgem. Todos acreditam nisso. A Boate Olimpo se localiza no Brooklyn, Estados Unidos, na Rua Baker Street (boatos dizem que Zeusa deu esse nome em homenagem ao endereço de seu abençoado favorito). Alguns críticos são contra o uso de monstros gregos como empregados do lugar, mas Ares resolve o problema explodindo a todos de uma forma prática.

Alguns estudiosos fizeram uma petição para fechar o lugar após a diretoria da boate dizer que Apolo faria shows de strip tease. Parte porque era uma avacalhação com o deus da medicina e música, mas principalmente porque eles nunca eram convidados para essas festas.

** *

E, quinze minutos depois, lá estávamos nós. Anthony, vestido com um suéter azul e jeans. Eu, com meus pijamas do Procurando Nemo. E Astrid, com seus pijamas do Flynn Rider.

A Boate Olimpo era enorme, com luzes néon piscando, seguranças na porta e música fazendo o chão vibrar. Astrid tirou um cartão do bolso e o mostrou para o segurança, uma manticora amigável. Ele nos deixou entrar na hora.

– O que é isso? – perguntou Anthony, que parecia terrivelmente nervoso. Aparentemente, ele conseguia ver através da Névoa e não gostava nada disso.

– Um cartão de identificação – a filha de Hermes mostrou-o – Aqui diz que sou filha de Zeusa. Roubei do Blaise no último dia de aulas.

O lado de dentro da boate era o Mundo Inferior na Terra. A música era I Want Your Bite, no último volume, mas esse lado positivo desapareceu quando percebi que teríamos que passar por todas aquelas pessoas suadas e fedidas para achar Lyanna e sua mãe.

– Ah, eu não posso fazer isso – bati a mão na testa – Meu pijama é novo!

– Temos que procurar os diretores da boate – Tony segurou minha mão – Não podemos nos perder nesse labirinto de pessoas.

Então só voltei à plena consciência quando chegamos à Área VIP do lugar. Eu até descreveria todas as borboletas no meu estomago quando ele segurou minha mão ou sobre como minhas bochechas coraram, mas a primeira coisa que falei foi:

– AI MEU ZEUS, ALGUÉM SUADO ENCOSTOU EM MIM!

Comecei a ter um chilique, mas Astrid me ajudou como toda melhor amiga ajuda – me dando um tapa na cara.

– Se concentre na missão, otária! – que boa amiga tenho.

– Ali, quem são? – Tony perguntou apontando – Quem é aquela mulher?

A mulher, na verdade, era Zeusa. A Rainha do Olimpo conversava com Hades, que tomava algo vermelho – acho que não é suco de morango. Então uma voz chegou aos meus ouvidos assim como um soco na cara.

– Heeey, filhona!

Me virei para encontrar um homem de cabelos escuros e bronzeado usando uma camisa azul, vários anéis e relógios e uma corrente dourada com as palavras “Sexy Beast”.

– Poseidon? – meu queixo caiu.

– Em água e osso, docinho! – ele sorriu para meus amigos – Astrid, olá! E... Você é o Draco Malfoy?

Tony, chocado por ver um deus grego funkeiro pela primeira vez, negou com a cabeça.

– Mas você não estava saindo com o Malfoy? – Poseidon me perguntou.

– Não – respondi.

– Eu pensei que você estava com o Malfoy.

– Pensou errado.

– Então você não é namorada dele?

– Não.

– Nem um pouquinho?

– Não.

– Nem está saindo com ele?

– Não.

– Afrodite disse que você estava saindo com ele.

– POR ZEUS! – bati na minha testa para não bater na cara dele – Estamos aqui para achar Lyanna e a Sra. Harper. Se não puder ajudar, some.

Poseidon fez uma cara ofendida.

– Eu só quis ser um pai legal!

– Não conseguiu – saí andando puxando Astrid e Tony até Zeusa – Precisamos de ajuda.

Zeusa abaixou os óculos de festa cor-de-rosa e me encarou com um olhar de desprezo.

– Primeiro, meu amor – ela disse jogando o cabelo loiro e sedoso para trás – Quem você pensa que é?

– Sua abençoada – mostrei minha mão esquerda, onde a cicatriz em forma de coração brilhava.

– Oh, Carol! – ela pulou de pé e me deu um beijo em cada bochecha – Tudo bem, flor? Ah, agora você está com esse aqui? – ela piscou para Tony – Que gato.

Tony apenas piscou confuso.

– Precisamos de ajuda – Astrid disse – Essa boate é enorme e não temos como achar duas pessoas.

– Quem procuram, divos viajantes?

– Lyanna e Melanie Harper.

Zeusa pigarreou e saiu rebolando pela boate. Por onde ela passava, as pessoas abriam espaço e a deixavam passar. Como a seguíamos de perto, não tivemos contato com pessoas suadas e nojentas. Foi ótimo.

– Não entendo – Anthony sussurrou para mim – Zeusa e Zeus... Não são a mesma pessoa?

– Olhe no Guia – dei de ombros.

Tony tirou o Guia do Mochileiro do bolso e o abriu.

** *

Zeusa, para os gregos, é conhecida como a Rainha do Olimpo, deusa do brilho e do glitter, Imperatriz do Tumblr e Mãe de Unicórnios. Ela é a deusa mais poderosa do Olimpo e é uma das personalidades de Zeus, Rei do Olimpo. Sabe aquele ditado, “de dia é Maria e de noite é João”? É ao contrário. De dia, Zeus reina sobre o Olimpo com sabedoria e paciência.

De noite, Zeusa vai para a balada destruir inimigas.

A lenda conta que essa segunda personalidade de Zeus surgiu nos anos rebeldes da adolescência do deus. Durante uma batalha contra monstros vorazes, eles colocaram a música Beijinho no Ombro para tocar. O cérebro de Zeus entrou em colapso e, quando estava à beira da morte, seu corpo reagiu de um modo diferente.

Ao invés de morrer por conta de todo aquele recalque, Zeus levantou-se decidido a acabar com isso. Mas ele não era mais Zeus. Agora era Zeusa, a Rainha do Olimpo.

Apesar da forma “normal” de Zeus ser casado com Hera, publicamente conhecida como a maior recalcada de todos e Inimiga Número 1 de Tudo que é Bom e Purpurinado, Zeusa e Hera são inimigas mortais. Conta-se que o fim do mundo acontecerá quando as duas se enfrentarem na pista de dança.

** *

– Isso é tão bizarro... – murmurou Tony chocado com o que ele.

– Só vou até aqui – Zeusa parou de andar e apontou o dedo com um lindo esmalte prateado – Meu poder brilhoso acaba nesta fronteira. Daqui para frente, meus caros, vocês estarão no Reino de Hera. Tenham cuidado. Sua amiga e a mãe dela estão logo à frente.

Agradecemos a ela, que estalou os dedos, murmurou “Zeusa out” e foi embora rebolando. Encarei o lado escuro da boate. Emitia um frio sinistro, do tipo de gelar os ossos, e um ruído não identificado vinha do fundo.

– Nós vamos conseguir – Astrid engoliu em seco.

– Preciso salvar minha mãe – Tony disse erguendo o queixo – E, é, a Lyanna também.

– Esperem! – uma voz veio – Vou ajuda-los!

Poseidon sorriu para nós, ainda usando a mesma roupa de antes, mas agora segurava também um copo de refrigerante.

– Não precisamos da sua ajuda – cruzei os braços.

– Carol, fui negligente por treze anos – ele disse olhando fundo nos meus olhos.

– EU TENHO QUINZE!

– Tanto faz.

– Chega de drama familiar – Astrid fez um gesto irritado com a mão – Vamos, perdedores.

Poseidon ergueu o queixo e seu copo de refrigerante e deu um passo para frente. Estremeceu de leve, o recalque deve ser muito forte. Respirei fundo. Se tivermos que entrar nesse lugar, que seja.

Nós seguimos caminho.

** *

O Guia do Mochileiro das Galáxias têm um capítulo bem específico para Hera.

Hera, em grego καταστολή, é a deusa grega do casamento, das vacas e da família. Sim, ninguém se importa com isso. O que somente semideuses sabem é que a deusa também representa o recalque, a inveja e o desgosto por tudo que brilha e é belo.

O recalque está em todos os lugares, e onde o recalque vai, Hera o segue. E que lugar melhor que isso que uma boate? Zeusa, o oposto de Hera (vide capítulo 2330, “Zeusa”), concordou que a deusa poderia ter uma pequena parte da Boate Olimpo se não causasse muitos problemas.

Evidentemente, a deusa não cumpriu sua promessa.

** *

Meu plano era penetrar no esconderijo de Hera de forma rápida, furtiva e elegante. Tony e Astrid concordavam plenamente. Mas, infelizmente, meu pai não.

– HERA! – Poseidon pulou no meio da Área VIP do Recalque, onde Hera conversava com os mais recalcados (dei até um oi para o Octavian) – SOLTE A GAROTA E A IDOSA!

Sra. Harper, amarrada em uma cadeira, começou a gritar coisas muito poucos gentis, que envolviam Poseidon e sobre como a mãe dele era uma meretriz. Ninguém deu muita atenção para ela.

– Vocês caíram na minha armadilha, seus tolos! – Hera ficou de pé e abriu os braços – Vocês estão no lugar mais recalcado desta cidade! Não podem fazer nada brilhoso, pois divas são proibidas aqui!

– Nada brilhoso? Então veja isso, sua bruxa! – Astrid gritou.

– Uh... Astrid, nós somos bruxas.

– Ah, claro – ela pigarreou – Então veja isso, sua bruxa DA LUFA-LUFA!

– ALGUM PROBLEMA COM A LUFA-LUFA, SUA NOJENTA? – uma garota gritou e começou a discutir com a Astrid.

Hera sorriu.

– Vê? – ela disse – Uma discussão. Que deselegante. Agora só temos três de vocês. Poseidon... Há, é tão fácil te fazer ficar recalcado.

– Não, não é – meu pai disse orgulhoso.

Hera se aproximou, se inclinou e sussurrou uma única palavra.

– Sushi.

Poseidon deu um grito de horror e escondeu o rosto nas mãos.

– COMO ALGUÉM PODE FAZER ISSO? – e saiu correndo e gritando.

Hera olhou para mim de soslaio.

– Todo mundo gosta mais do seu irmão – falou. Uh, golpe baixo. Um abraço dela teria me deixado menos recalcada que isso.

Caí no chão, fraca demais. É isso que o recalque faz com as pessoas brilhosas. Nos deixa fracos, sem poderes e... Recalcados. É um terror.

A deusa do recalque encarou os olhos de Tony. Lyanna observada tudo, amarrada em uma cadeira ao lado da mãe, com uma expressão de medo. A Sra. Harper ainda praguejava.

– Sua família gosta mais da sua irmã – Hera sorriu confiante.

– Eu sei – Tony deu de ombros.

Hera franziu a testa, perplexa. Toda a presunção do seu rosto sumiu.

– Me desculpe? – perguntou chocada – Sabe que toda a sua família gosta muito mais da sua irmã?

– Sei, sei sim – Tony revirou os olhos – O que não é muito, é? Minha família é basicamente Lyanna, minha mãe e eu. Se minha mãe prefere minha irmã, ótimo. Meu pai é um otário, assim como a maioria dos meus primos. Não que eu realmente precise do apoio deles. Já tenho um emprego garantido no Ministério da Magia por conta da minha inteligência. Tudo está perfeitamente bem. Não me importo.

– Como assim não se importa?! – ela exclamou – Todos se importam com algo!

– Eu não – Tony explicou irritado – Agora, se você já acabou com toda essa palhaçada, preciso levar as duas Harper ali para casa. Tenho mais o que fazer e olhar para essa sua cara feia enrugada não ajuda nada.

Hera colocou a mão sobre o coração, como se tivesse dores.

– Você é... Anti-recalque! – ela cobriu a boca, como se a palavra fosse uma maldição.

– Anti-recalque?

** *

Bem, o Guia do Mochileiro das Galáxias definitivamente têm um artigo sobre os anti-recalque.

Há milhares de anos atrás, quando Hera assumiu seu lado recalcado e jurou destruir cada pedacinho de felicidade e diveza sobre a Terra, Zeusa reagiu na hora. De anos em anos, escolheria algumas crianças que teriam um gene anti-recalque.

Como você sabe, todo ser humano têm 46 cromossomos. Com os semideuses também é assim. Mas com as crianças escolhidas por Zeusa é totalmente diferente. Estas crianças possuem 69 cromossomos – uma coisa que influenciam estas pessoas a serem mais maliciosas naturalmente.

Claro, a criança tem os 46 cromossomos normais dos pais, porém os 23 adicionais são as chaves para o brilho eterno. Estas escolhidas e especiais crianças são chamadas Anti-recalque e não podem ser afetadas por Hera. Pelo contrário, essas crianças têm o essencial para vencê-la: Sarcasmo e insolência.

** *

– Certo, não dou a mínima para o que isso quer dizer – Anthony revirou os olhos e deu a mão, ajudando-me a levantar (is this real life?) – Hera, você é patética. Todos aqui são. Quer dizer, esse vestido com esses sapatos? Garota, você está parecendo um palhaço.

Hera começou a chorar. Seus guardas recalcados vieram consolá-la, então corri para Lyanna e Sra. Harper e as soltei.

– Vocês estão bem? – perguntei. Elas não responderam, porque estavam encarando Anthony acabar com a autoestima dos raptores.

– O que é essa decoração? – perguntou ele para Hera, que soluçava – Isto é um circo? Bem, explicaria porque estou vendo a mulher barbada. Olá, Pansy, querida! Como vai seu plano de tentar dar o golpe da barriga no Draco? Um pequeno aviso, meu amor, ele não curte o seu tipo!

Pansy Parkinson também chorava em um canto. Lyanna colocou a mão no ombro do irmão.

– Tony, acho que já chega – falou, sábia como sempre.

– Claro – ele limpou a poeira de seu suéter – Acho que...

Lyanna o abraçou com força. Ele pareceu querer resistir, mas acabou retribuindo o abraço.

– Obrigada, Tony.

– Não foi nada, Lya.

Seria uma cena totalmente fofa, se a Sra. Harper não tivesse achado um facão e dado seu grito de guerra.

– AGORA TODOS VOCÊS MORREM! – ela berrou para os monstros que tinham sequestrado as duas.

Para poupá-los dessa cena de morte, violência e caos, vou somente dizer que aqueles monstros vão ficar bastante tempo no Tártaro.

** *

O Guia do Mochileiro do Olimpo também adverte: Nunca deixe a Melanie Harper perto de um facão. Nunca. Nunca mesmo.

** *

– Só não entendi uma coisa – Lyanna disse enquanto saímos da boate – Porque aqueles monstros nos raptaram, para começo de história?

– É a propaganda do lugar, dã – Astrid falou como se fosse óbvio.

– Como é? – perguntou Sra. Harper indignada.

– Vocês não leem não? – Astrid respondeu impaciente – Veja ali no letreiro!

Pior que era verdade. Logo abaixo do letreiro verde aonde vinham as palavras Boate Olimpo, vinha “Se for raptado por dracaenas e trazido para cá, você pode tomar um sorvete de flocos grátis!”.

– Ridículo – Tony bateu a mão na testa.

– Carol, Carol! – Poseidon saiu correndo da boate e veio até mim – Carol! Certo. Fui um otário.

– Você sempre é um otário.

– Mas fui um otário maior ainda, quero compensar isso – ele sorriu – Quer ir pescar?

Assim, nós dois acabamos em barquinho, às três horas da manhã, ele vestido como um funkeiro e eu usando meus pijamas do Procurando Nemo, pescando.

Certo, essa foi uma noite terrivelmente estranha.