A Volta de Go Mi Nam
9 Um acidente inesperado
Notas iniciais
Go Mi Nam afastou-se devagar dela, ela permanecia congelada, aquilo foi um choque para ela. Yoo He Yi não conseguia se mexer, ela nunca esperava por aquela atitude que ele havia tomado naquele momento. Ao vê-la em choque, ele sentiu como um peso na consciência. Não sabia o que fazer agora. Ele apenas coçou sua nunca e colocou seu capuz de volta.
–Go Mi Nam... — ela murmurou quase sem voz. Seu olhar desceu para o chão e percebia-se facilmente que ela estava corada. Ela sentiu-se estranha, ninguém nunca havia a deixado daquela forma antes.
–Acho que nós devemos ir para casa. Eu tenho um show hoje à noite e é melhor nós voltarmos agora.
–Está bem, vamos — ela estava murmurando. Go Mi Nam não fazia ideia do que aquilo significava, se ela começando a ficar confusa ou se estava incomodada pelo que ele havia feito.
Quando ele chegou ao estúdio, os garotos estavam ensaiando uma música nova composta por Tae Kyung. Assim que ele entrou na sala, os olhares reprovadores lhe foram lançados. Tae Kyung olhou fixamente para ele e disse com seu famoso olhar sério:
–Você está atrasado. Nós temos que ensaiar uma música nova e o presidente disse que você vai abrir o show cantando “Without Saying”. Então, vá para o seu lugar.
Go Mi Nam abaixou o capuz e ergueu seu olhar, ele não podia ir contra o líder da banda. Ficou de frente ao seu teclado, em cima dele estavam as notas da nova música que iriam tocar à noite. Ele tirou a foto de sua mãe de dentro do bolso da blusa de frio e colocou ao lado da letra da música. Ele sentiu em seu coração novamente aquele poder de que aquilo era feito para ela. Ela foi a inspiração dele para chegar até ali e agora ele iria continuar até o fim.
Os meninos começaram a tocar. Go Mi Nam os estava acompanhando com eficiência. Tae Kyung cantava docemente, era uma música de um coração que foi partido e sentia no fundo que nunca ia se recuperar daquilo. O ensaio estava agradável e o show também. Go Mi Nam havia aprendido a tocar a música, mesmo com pouco tempo de ensaio. O presidente Ahn tinha razão, ele era mesmo um garoto muito talentoso.
No dia seguinte, Go Mi Nam acordou mais tarde que todos. Go Mi Ja levou seu café da manhã na cama. Ela estava sendo estranhamente atenciosa com ele. Abriu as cortinas do quarto, ele resmungou, pois havia bebido após o show e estava de ressaca.
–Mi Nam acorde, você tem que fazer uma entrevista hoje à noite.
–Não! Eu estou bem aqui. Tudo o que eu preciso é um dia de folga.
–Ah, pare com isso menino — ela deu-lhe um tapa no bumbum, mas não adiantou nada, ele estava muito cansado. — Mi Nam, eu estou precisando de um dinheiro pra comprar umas coisinhas.
–Se eu te der você vai me deixar em paz?
–Sim, mas você tem mesmo que ir fazer essa entrevista.
Ele pegou sua carteira e tirou um cartão de lá de dentro. Era seu cartão ilimitado, que tinha conseguido há pouco tempo. Ele saiu muito empolgada, mas quando cruzou a porta, ela observou aquele cartão e como ele havia ganhado dinheiro desde que havia voltado para o seu devido lugar. Por mais que quisesse gastar bastante, ela resolveu voltar e fazer a coisa certa.
–Mi Nam pegue seu cartão de volta — ele resmungou, faziam muitos anos que ele não bebia tanto.
–Você não disse que ia parar de me atormentar?
–Eu disse, mas... não acho que seja certo esbanjar seu dinheiro dessa forma. Ah, Mi Nam — ela sentou-se à beira da cama — eu vi que você sempre está pegando a moto do Jeremy emprestada, por que você não compra uma para você, ou um carro?
Ele descobriu sua cabeça. Por mais que estivesse com dor de cabeça, aquela ideia era ótima. Ele estava ganhando muito dinheiro e o mínimo que ele poderia se dar era comprar algo grande para ele. Go Mi Nam sorriu animado e disse:
–Prepare-se tia, vamos fazer compras em uma hora.
–Vo... você está falando sério? Você é mesmo um ótimo sobrinho.
Go Mi Nam se arrumou e bebia água o tempo todo para melhorar, Tae Kyung havia lhe ordenado praticamente a seguir a sua receita contra a ressaca. Ele resolveu levar seus amigos para lhe ajudarem a escolher o melhor carro ou moto. Estranhamente todos estavam se dando bem naquele dia e estavam se divertindo juntos. Go Mi Ja estava ali de prova de que aquele dia um dia existiu.
Foram no carro de Tae Kyung, ele parou em frente a concessionária, os garotos desceram e foram direto olhar os novos modelos de carros e motos. Haviam de todos os tipos e modelos. Shin Woo e Tae Kyung estavam empolgados com os carros, os dois amavam carros. Enquanto Jeremy e Go Mi Nam estavam mais empolgados com as motos.
–Já decidiu se você quer um carro ou uma moto? — perguntou Tae Kyung com as mãos na cintura.
–Eu quero uma moto.
–É isso aí, Go Mi Nam — gritou Jeremy empolgado, os dois bateram as mãos em um high five. — Venha que eu vou te mostrar os melhores modelos.
Os dois saíram observando as motos, uma mais linda e uma mais moderna que a outra. Shin Woo aproveitou que os dois saíram para conversar com Tae Kyung.
–Ela já te ligou?
–Ainda não — ele respirou fundo enquanto desviava o olhar. — Droga, eu estou começando a ficar preocupado, por que ela não me ligou até agora?
–Será que ela ligou para o Go Mi Nam?
–Não, eu perguntei pra ele antes de virmos pra cá, mas nada.
–Será que aconteceu alguma coisa?
–Duvido, aquela porcoelho que só sabe me dar trabalho. Ela sempre arranja um jeito de me deixar preocupado com ela, será que ela não percebe o quanto isso me irrita?
–Eu estou feliz.
–Feliz?
–Você realmente se importa com ela. Acho que meus dias de protetor acabar...
–Achamos! — os dois gritaram juntos muito empolgados. O povo da concessionária começou a rir dos dois.
–Espero que não tenham fotógrafos por aqui — Tae Kyung cobriu seu rosto enquanto Shin Woo tocou seu ombro rindo. Não sabia quem estava o divertindo mais.
Assinaram contrato e Go Mi Nam resolveu sair dali mesmo pilotando a sua moto. Eles foram a diversos lugares juntos para aproveitar o dia. Faltava somente algumas horas para a entrevista dele. Eles chegaram em casa com várias sacolas. A estilista já estava lá para preparar Go Mi Nam para a sua entrevista.
–Que estranho, vocês quatro saindo juntos, como foi que isso aconteceu?
–Nós ainda não sabemos — respondeu Shin Woo com um belo sorriso nos lábios.
–Go Mi Nam você ainda está com dor de cabeça? — perguntou Go Mi Ja.
–Estou, mas acho que eu já estou bem melhor...
–Vou pegar outra aspirina para você.
A barulheira continuava na sala. Fazia um longo tempo que aquela casa não tinha tantas pessoas felizes e preocupadas dentro dela. Jeremy resolveu ligar a televisão, ele raramente assistia televisão, mas estranhamente naquele momento ele queria ver.
Quando ligou estava passando o noticiário, aquele não era o horário daquele noticiário, então aquilo só poderia ser urgente. A repórter dizia o seguinte: “Conseguimos salvar alguns sobreviventes depois da queda do avião, mas ainda não se sabe as causas de sua queda...”. Ele ficou desconfiado, mas resolveu pegar o celular e pesquisar sobre esse avião. Ele não queria acreditar no que estava lendo, resolveu ler em voz alta para que os outros que estavam rindo e brincando, também ouvissem:
–“Hoje no dia cinco de setembro de dois mil e nove tivemos a queda de um avião que partiu da Coreia do Sul rumo a África do Sul. Esse avião partiu às nove da manhã no aeroporto de Seul e caiu no mar quando estava perto de seu destino. Ainda não se sabe quantos sobreviveram, o que se sabe é que muitos não conseguiram resistir e o impacto da queda, pode sim trazer a eles muitas sequelas...”.
–Jeremy — começou Tae Kyung preocupado — me diz pelo amor de Deus que isso que você acabou de ler é uma pegadinha.
–Eu queria, mas... parece que é mesmo o avião que a Mi Nyu pegou.
–Não, isso não pode ser verdade!
Todos estavam em choque, o ambiente pesou e aquela vontade de sorrir, estava se transformando em uma vontade desesperadora de chorar. Uma vontade de que aquele dia fosse apagado para sempre de suas vidas. Aquela vontade de voltar ao dia anterior e amarrá-la para que ela não fosse embora. O medo de que ela não estivesse em meio aos sobreviventes era enorme. Era assustador pensar que ela não pudesse ter sequer uma chance de se despedir deles.
Go Mi Nam pegou o controle da televisão e pra onde ele mudava falava-se somente desse maldito acidente. Ele sentou-se no sofá para se recuperar do choque, suas pernas tremiam tanto que era possível ele cair ali mesmo no chão. Ele não podia aceitar perder mais alguém de sua família. Aquele susto com aquela noticia o pegou tão forte que a sua dor de cabeça triplicou, “Eu deveria estar lá, meu dever é protege-la. Ela não merecia aquele acidente” — era o que ele repetia para si mesmo a todo instante.
Tae Kyung ainda não conseguia pensar. Para ele aquilo não poderia ser possível. Uma dor invadiu seu peito de uma forma que ele não conseguia sequer controlar sua respiração ofegante. Seus olhos estavam queimando e seu peito doía tanto que ele não estava conseguindo aguentar aquela dor. Ele não conseguia parar se culpar por tê-la deixado ir, agora ele sequer sabia se ela iria voltar.
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