A Volta de Go Mi Nam
10 Agonia
Notas iniciais
Os garotos passaram a tarde toda procurando saber notícias dos sobreviventes do acidente. Tae Kyung preparou sua viagem para o local e pediu para que os garotos ficassem lá esperando respostas do que tinha acontecido à Go Mi Nyu. Ele partiu às sete do dia seguinte, Shin Woo não queria deixá-lo ir sozinho por medo de que ele piorasse durante a viagem. Ele realmente estava muito mal, mal conseguiu dormir. Go Mi Nam aceitou ficar quando percebeu como ele estava passando mal por causa dessa agonia. Mesmo que estivesse longe, ele ia descobrir o que tinha acontecido, ela não poderia estar morta, aquela não era uma opção.
Go Mi Nam estava em casa sentado no sofá, com as mãos em frente a boca preocupado. O empresário Ma que estava lá desde que eles souberam do que aconteceu, resolveu se sentar para conversar com o rapaz.
–Mi Nam, não se preocupe, nós vamos encontrá-la.
–Eu sei, mas... e se ela não estiver... — ele não conseguiu evitar as lágrimas, aquela incerteza o massacrava seu coração sem dó. — Empresário Ma, por que eu fui deixar a minha irmã ir embora? Eu tinha que estar lá pra protegê-la. Que tipo de irmão eu sou?
–Calma, Mi Nam — ele tocou seu ombro com firmeza — não se preocupe tanto. Eu sinto lá no fundo que ela estará bem, você vai ver, vamos ter fé.
Ele não conseguia controlar as lágrimas. E a animação de ter comprado a moto no dia anterior havia se esvaído. Todos estavam tristes e ninguém estava se animando nem sequer a comer. Em todos os jornais o acidente era descrito e sempre com uma pista nova do que aconteceu. Mas eles nem sequer se importavam com isso, queriam somente que aquilo nunca tivesse acontecido. Doía muito neles, e por mais que fosse de certa forma egoísta, eles estavam muito preocupados com o fato de ela estar lá dentro.
Alguém bateu à porta. Go Mi Nam rezou para que não fosse alguém querendo uma entrevista sobre o assunto. Ele se levantou e atendeu a porta. Era Yoo He Yi com uma cesta com vários doces. O empresário Ma não deixou que Go Mi Nam a visse, ele saiu e fechou a porta e na frente da casa, ele resolveu conversar com ela.
–Yoo He Yi você veio para ver o Mi Nam?
–Sim — ela estava séria, e seu olhar não era de indiferença. — Eu soube o que aconteceu com a irmã dele e que o Tae Kyung foi pra África atrás de notícias. Eu vim pra poder ser de alguma ajuda.
–Senhorita He Yi, você realmente se importa?
–Eu também achei que não me importaria e se fosse há um tempo atrás eu poderia ficar até feliz, mas eu não consigo.
–Ah, então você está mesmo começando a aceitar os Go no seu coração.
–Eu não disse isso... — irritou-se.
–Ele está lá dentro, vá lá falar com ele.
Ela resolveu não questionar, realmente a sua vontade de chamar a atenção de todos, aquela vontade de enganar seus fãs e até mesmo de destruir as pessoas que atrapalhavam seus objetivos estavam desaparecendo, estava ficando irritada consigo mesma. Nem sequer se entendia mais.
Passou pela sala e ouviu passos de alguém subindo as escadas, provavelmente era ele. O empresário Ma se ofereceu para ir chamá-lo, mas ela preferiu subir. Go Mi Nam estava tão mal que ela preferiu não exigir que ele fosse cordial e lhe fizesse companhia apenas por ser uma visita.
Subiu as escadas e bateu à porta, mas ninguém respondeu. Ela abriu vagarosamente a porta e encontrou-o sentado em uma cadeira diante da janela.
–Go Mi...
Ele ergueu a mão com a palma aberta. Ela parou de falar no mesmo instante. Ele moveu os dedos chamando-a para perto, ela fechou a porta e se aproximou.
–Você está feliz? — perguntou ele, sua voz estava engasgada e dava para sentir que doía perguntar aquilo. Talvez também, estivesse com medo da resposta.
–Eu...
–O Tae Kyung sempre me disse que você odiava a minha irmã e queria destruí-la. Acho que talvez por um golpe do destino, seu caminho fique livre com o Tae Kyung...
–Não diga isso! —ela ficou nervosa. — Eu sempre a odiei e não sei se vou gostar dela um dia, mas eu nunca desejaria algo tão perverso a ela. É assim que você me vê Go Mi Nam?! —Ele virou-se para fitá-la. — Eu realmente pensei que você via diferente dos outros. Eu nunca desejaria algo assim pra alguém, mesmo alguém que eu odeie.
Ela jogou a cesta de doces na parede, fazendo com que vários o acertassem. Ele assustou-se com tal atitude. Nunca esperava uma reação daquelas. Ele se levantou ficando diante dela. Ambos estavam com os rostos vermelhos, mesmo embora não estivessem com os mesmos sentimentos.
–Eu realmente não imaginava ouvir isso de você! — ela virou-se de costas para fugir.
–Yoo He Yi! — ela parou depois de alguns passos, estava tão nervosa que não queria ouvir explicações, mas ela ainda sabia que o que ele estava passando não era fácil. — Me desculpe! Eu não acredito que você seja assim, eu só estou com medo de que o pior aconteça, ela é muito importante pra mim.
Ela respirou fundo, por um instante não estava se reconhecendo mais. Tinha uma vontade estranha de consolá-lo. Ela caminhou vagarosamente em direção a ele, que permanecia com o olhar baixo. Aproximou-se cada vez mais, quando estava a poucos centímetros de distância, ela ergueu seus braços e enlaçou-os volta do pescoço dele e puxou-o contra o seu corpo para apertá-lo firme. Os olhos dele se arregalaram por um instante, aquela não era a Yoo He Yi que ele havia conhecido. Ele a estava estranhando cada vez mais e por mais que o abraço fosse inesperado, foi acolhedor e ele iria se sentir mais calmo enquanto ela continuasse fazendo aquilo. Fechou os olhos e passou seus braços em volta da cintura dela, daquela forma, ela não iria poder fugir.
No dia seguinte, Jeremy acordou era oito da manhã. Percebeu que Go Mi Nam e Shin Woo ainda dormiam. Ele resolveu descer para comer alguma coisa leve antes de verificar se Tae Kyung havia ligado. Antes de descer as escadas, ele percebeu que o quarto de Tae Kyung estava com a porta aberta e sua cama estava desfeita, nada ali estava simétrico. Ele ficou preocupado, mas não queria pensar em algo tão bobo naquele momento. Quando chegou à cozinha quase caiu no chão de susto quando viu Yoo He Yi usando avental e com uma forma de biscoitos nas mãos.
–O que você está fazendo aqui?!
–Que tipo de recepção é essa?! Eu vim aqui fazer companhia para vocês...
–Não precisa — ele levantou-se rapidamente e um pouco desajeitado ele continuou: — nós estamos bem. Por favor não nos torture de novo — implorou.
Ela ficou realmente irritada com aquele apelo, mesmo quando ela tentava ser gentil eles já imaginavam que tinha algo ruim por trás. Aquilo não poderia ser diferente, afinal, ela nunca havia tratado o A.N.Jell realmente bem.
–Eu não vou torturar vocês — disse cerrando os dentes.
–Então você realmente está tentando se redimir?
–Talvez.
–É sério?
–Sim.
–Isso é pelo Tae Kyung ou pelo Go Mi Nam?
Ela fechou a cara novamente, aquele tipo de pergunta a estava deixando cada vez mais irritada, levantou uma colher de pau que estava na mão e encarou-o com um olhar ameaçador. Jeremy deu um passo para trás se sentindo intimidado, não pela colher de pau, mas pela mulher com ela ser Yoo He Yi.
–Sente-se! — ela ordenou com firmeza. Ele sentou-se no banco, resmungando baixinho e desconfiado sem que ela percebesse. — Você vai ser o primeiro a provar meus biscoitos.
Ele queria recusar, mas sempre acordava com muita fome e eles estavam com um cheiro ótimo. Ele pegou um devagar, ele queria atrasar aquele momento o máximo possível. Perguntava-se o tempo todo se eles estavam envenenados. Assim que o biscoito chegou perto de seus lábios, ele não evitou morder, fechou os olhos esperando o pior. De repente abriu-os de uma vez, dizendo espantado:
–Eles estão ótimos!
–É sério?! — ela sorriu animada. Jeremy ainda tinha medo daquele sorriso. Ele nunca sabia o que poderia vir após.
–Go Mi Nam! Você já levantou! — disse ela sorrindo, mas do nada ela escondeu o sorriso olhando para os biscoitos. Ele estava de pijama e com o cabelo completamente desalinhado, mas estava mexendo constantemente nele para arrumá-lo e estava funcionando.
–Yoo He Yi... você ainda está aqui — sua voz soou um pouco rouca. Ele caminhou em direção ao balcão e sentou-se ao lado de Jeremy que comia seu segundo biscoito ferozmente.
–Você acha que não foi uma boa ideia?
–Claro que não, foi uma ótima ideia.
–Prove! — ergueu a forma para ele com um sorriso escondido.
Ele pegou cuidadosamente, pois ainda estavam quentes e mordeu. Assim como Jeremy, aprovou, mas não sentia tanta fome quanto o outro. Seu celular começou a tocar e ele parou de comer para atendê-lo. Antes, ele olhou para o display e saber quem era.
–Quem é, Go Mi Nam? — perguntou Jeremy, eufórico.
–É o Tae Kyung... — ele respirou fundo e continuou. — Acho que chegou a hora de sabermos o que aconteceu com a minha irmã.
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