Notas iniciais
Desculpa a demora de novo D: Espero que gostem!!

Viajamos por cerca de meia hora. Meia hora de silêncio, meia hora olhando para o chão. Peguei meu celular diversas vezes do bolso, esperando que algo me distraia. “Foi só um sonho, sua idiota”, disse para mim mesma. Mesmo assim, por que eu insistia em não querer olhar para Clint? Ele não conseguia ler mentes, ou algo do tipo. Mesmo assim, permaneci em silencio, com a cabeça abaixada.

- AH, PAREM DE FALAR, POR FAVOR – Tony gritou, colocando as duas mãos em concha nas orelhas. Dei um pulo de susto no banco e olhei assustada para ele. – O que foi?

- Eu que pergunto! – respondi – por que gritou?

- Você sabe, aliás, todos sabem, que eu não sou uma pessoa calma. Sou uma pessoa agitada e impulsiva. Sendo assim, não estou aguentando todo esse silêncio. Alguém fale alguma coisa! Você nunca fecha a matraca Emma, por que está tão quieta?

- Eu não falo demais! – respondi. Pensei por algum momento, e me virei para Steve, que percebi que estava rindo – eu falo demais?

- É... bom... – ele pigarreou – quer dizer... um pouco, talvez.

- Mas continua sendo adorável – Percebi que a voz não saiu da boca de Steve. Olhei para frente, e Clint estava me olhando, com a sobrancelha arqueada e um sorriso no canto da boca. Eu fui cara de pau a minha vida inteira, por que não agora?

- Ei Clint posso fazer uma pergunta? – perguntei. Ele assentiu, com uma cara um tanto desconfiada – Você e Natasha estão juntos?

Ele se mexeu no acento do jato. Pelo canto do olho, vi que meu pai me olhava com a mesma cara desconfiada que Clint e até mesmo Steve me olhava.

- Ela finalmente resolve abrir a boca, e pergunta isso – Tony disse, rolando os olhos.

- Ahm – Clint pigarreou, era óbvio que estava desconfortável com a pergunta. Continuei olhando para ele pacientemente – Nós tivemos um relacionamento, há um bom tempo atrás. Mas agora, eu realmente não sei.

FINALMENTE pousamos. O jato pousou em um enorme edifício com área de pouso do topo. Um homem vestido de terno e gravata, e um óculos escuro no rosto, estava nos esperando. Sem dizer uma palavra, ele fez um gesto com a mão, para que nós o acompanhássemos.

Pegamos o elevador e descemos até o térreo. Seguimos o homem pela movimentada Times Square. Pelo canto do olho, vi pessoas cochichando assim que viam Tony Stark, ou o Capitão América. Ri da situação. Se eles soubessem o que estava acontecendo, se soubessem que estava correndo perigo, não se incomodariam em fofocar quando vissem super-heróis em ação. Bom, super-heróis e eu.

O agente nos guiou até um beco, que não estava muito limpo, nem com um cheiro muito agradável. Torci o nariz e sussurrei um “eca”. Steve escutou e riu. Andamos por alguns minutos, e o beco não aprecia mudar. Sempre as mesmas paredes de tijolos sem pintura, o mesmo cheiro, e lixo por toda parte. Até um mendigo em um sono profundo nós encontramos ali.

- Que lugar agradável, não? – meu pai assoviava e cantarolava enquanto andávamos pelo beco. Estava para nascer alguém mais irônico que Tony Stark. Sendo filha dele, herdei essa facilidade para o sarcasmo. Mas parecia que o botão de ironia do meu pai ficava ligado o tempo todo.

Finalmente, o homem (que eu não ouvi a voz em momento algum) parou na frente de uma porta pequena e enferrujada. Fez um gesto com a mão para nós entrarmos. A escuridão lá dentro era total. Com a maior cara de pau, abracei o braço musculoso de Steve enquanto nós mergulhávamos na escuridão do cômodo. Ele riu, e se soltou, logo em seguida, passou o braço pela minha cintura, de modo que eu me sentisse mais segura. Funcionou. Meu pai resmungou alguma coisa ao homem, que eu não consegui entender. Mas eu estava feliz por ele ter parado de cantarolar. Ele pode ser um gênio, bilionário, e sei lá mais o que, mas ele não sabia cantar. E não era eu que ia fizer isso a ele.

O homem fechou a porta, ficando do lado de fora. Fiquei apreensiva esperando que algo acontecesse. Não sei direito quanto tempo ficamos ali, parados, no escuro, sem os comunicarmos. Não sei como meu pai conseguiu ficar com a boca fechada esse tempo todo.

Após alguns minutos, o que pareceu uma eternidade, vimos uma pequena bolinha azul e brilhante à frente. Imaginei que fosse uma ilusão de ótica, por ter ficado tanto tempo no escuro, mas aquilo começou a se expandir. No começo aos poucos, ficamos tão atordoados com aquilo, que senti a mão de Steve afrouxar na minha cintura. De repente, a pequena bolinha explodiu em luz. Enterrei meu rosto no peito de Steve, afim de bloquear a luz que ofuscou meus olhos. Imediatamente, ele me abraçou com os dois braços, e senti que ele colocou o rosto no topo da minha cabeça. Ficamos desse jeito até escutarmos uma voz.

- Vamos logo, meus companheiros – demorou um pouco para minha visão se acostumar com a luz, mas assim que ocorreu, vi Thor, com sua roupa clássica, e a capa vermelha. Ele estava no local onde a bolinha surgiu. Ele gesticulava com a mão, para que nos apressássemos. – Vamos logo, o tempo voa em Asgard.

Notas finais
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