A Vizinha

4 Você, eu e elas


Antes de ir até a casa de Nami, para levá-la pra passear pelos templos, Robin deu uma passada na festa que o seu chefe proporcionou para os amigos num hotel. Ela prometeu para Nami que chegaria antes da meia-noite sem falta.

A morena estava já se despedindo de todos, e recusando diversos convites para continuar na festa, ela mantinha o sorriso calmo de sempre nos lábios enquanto dizia não aos conhecidos e desconhecidos também. Robin já estava de saída quando ouviu seu nome ser chamado. Ela se virou, olhando a figura da mulher vindo até ela toda animada, tendo dificuldade para caminhar com aquela roupa apertada. Já fazia um bom tempo que não se arrumava para uma festa de ano novo japonesa.

— Surpresa. — A mulher abriu os braços, agarrando a morena, num abraço bem apertado.

— Kori, eu achei que você não viesse. — Robin retribuiu o abraço, bastante surpresa com a presença dela ali.

— Senti saudades de casa, e em nenhum outro lugar no mundo da pra vestir essa roupa sem se parecer com um extraterrestre. As pessoas ficam olhando e apontando. Querendo tirar fotos.

— É porque eles não estão acostumados em ver uma gueixa ruiva. — Robin sorriu, passando as mãos nos cachos avermelhados da amiga, que caiam em cascata sobre os ombros. — Eu estou indo aos templos, não quer vir também?

— Claro, já que eu me arrumei toda. Preciso me mostrar para o mundo.

— Antes vou passar na casa de uma pessoa, para levá-la também. Acho que a família dela também vai.

— Uma amiga? — Kori deu um sorrisinho sapeca, piscando o olho. — Eu conheço?

— Não, mas já falei de você para ela.

— Espero que ela não tenha ficado com ciúmes.

— Nami-chan não é uma menina ciumenta. — Robin pediu para um rapaz da recepção do hotel chamar um táxi. Ainda era dez da noite, e ela tinha que atravessar a cidade para chegar à casa de Nami. — Foi para ela que eu comprei aquele quimono. O que você me ajudou a escolher.

— Nami-chan. Uma menina sortuda. Fiquei curiosa. — Kori entrou no táxi, reclamando um pouco da sandália que usava. Robin já estava acostumada com aquelas reclamações, então nem se dava o trabalho de responder. — Essa Nami, ela tem quantos anos?

— Hmm. Vai completar dezoito anos.

— Sei.

— O quê? — Robin percebeu um tom estranho vindo da amiga.

— Nada não. — Kori ficou olhando a cidade, já fazia muito tempo que não passeava por ali.

Nami estava ajudando Bellemere com a comida. Elas prepararam tudo até que rápido e serviram na mesa. Nojiko deu uma saidinha rápida para encontrar o namorado antes do Ano Novo, como estavam trabalhando acabavam ficando sem tempo para se verem. E a garota preferia ficar em casa com a mãe nessa data, a mesma coisa o rapaz, ficava com a família, e no outro dia eles costumavam sair juntos. Eles namoravam há quase cinco anos. Nami tinha certeza que ia dar casamento, assim ela teria o quarto somente para ela. Mas esse dia em especial, o namorado de Nojiko veio passar a noite com a família dela. O que deixou Nami mais certa de que logo o quarto ia ser só dela.

Mariko chegou com Mizuki, a sua mãe. Elas levaram algumas coisas também para comer.

Toda a rua estava em comemoração, e como os vizinhos eram bem próximos um dos outros, elas acabaram indo para o lado de fora.

— Você fica mais bonita sem os óculos Mariko. — A ruiva arrumou uma mecha do cabelo loiro da amiga, que se desprendeu do arranjo floral que tentava segurar os fios repicados.

— É um saco usar lente, mas achei que ia ser pior ficar de óculos, não combina.

— Para de reclamar, combina sim.

— Você fala isso porque não usa óculos.

— Uso óculos escuros.

— Você tá muito estranha. — Mariko observou, e Nami perguntou por quê. — Até ontem estava parecendo um gato abandonado, com fome. Hoje não para de rir.

— Quer parar de ficar botando olho gordo da minha felicidade?

— Eu não estou fazendo isso, sua chata.

Elas discutiram mais um pouco, até um táxi parar na frente da casa de Robin. Nami logo se virou para ver quem poderia ser, já que Robin não estava em casa, ou vai ver era ela mesma voltando da tal festa. Mas uma outra mulher saiu primeiro do carro, não dava para ver quem mais estava lá dentro. Mariko inclinou a cabeça, para olhar também quem tinha descido do táxi, e viu a mulher de cabelos longos e vermelhos pagar o taxista. Logo depois, Robin também saiu do carro, parecia ter demorado mais porque estava falando ao celular.

Nami piscou os olhos devagar, respirando fundo, perguntando-se quem era aquela mulher com Robin. Mariko pensou a mesma coisa.

— Quem é ela?

— Não sei. Deve ser do trabalho, né? — Nami apertou as mãos na manga do quimono, curiosa. Mas havia prometido para a mãe que não ia ficar mais deprimida, e se deixasse o ciúme tomar conta dela, choraria em cima da cama, quebrando a promessa.

— Ela é bonita. Tá vestindo um quimono parecido com o seu. Olha.

— Não é parecido.

— Claro que é. — Mariko falou mais baixo. — Olha as mangas, douradas, o tecido só é de cor diferente. O dela é rosa.

— E daí? É só uma coincidência.

— Vai saber. A Robin-san pode ter dado de presente pra ela também. Deve ter ficado com preguiça de escolher um modelo diferente. — Mariko falou sarcástica, rindo depois que Nami mandou ela calar a boca. Mas parou quando Robin se aproximou delas, assim que cumprimentou Bellemere e Mizuki.

— Nami-chan, Mariko-san. Feliz Ano novo. — Nami a cumprimentou sorridente, e Mariko deu um oi. A ruivinha ficou esperando que Robin apresentasse de uma vez a amiga. — Lembra-se que eu disse que tinha uma amiga arqueóloga? É ela, a Kori. — A morena fez as devidas apresentações.

— Então essa é a famosa Nami-chan. Você parece mais velha do que a Robin me falou.

— Ela falou de mim? — De repente o ciúme pareceu ter evaporado. — Mais velha? Você acha mesmo? — Nami ficou um pouco corada. Ao lado dela, Mariko não achava a menor graça aquilo.

— Robin não para de falar de você. Na expedição toda ela mandava eu tirar fotos pra você ver. No dia que fomos comprar seu quimono, ela passou quatro horas tentando se decidir pela cor.

— Ah. É? — Talvez fosse cedo para o ciúme ir embora de vez.

— Viu, Nami? Eu disse que eram iguais. — Mariko cutucou a amiga.

Nami ficou sem graça, pedindo para ela não falar aquelas coisas, mas Kori não se importou. Claro que não, porque ela era maior, mais bonita e ficava perfeito nela aquela roupa. Nami se sentiu uma tampinha perto da mulher. Até os cabelos dela pareciam, e eram mais velhos. Tudo era mais bonito.

Nami sentiu vontade de sair correndo dali, mas não ia quebrar a promessa que fizera pra Bellemere. Ela ficou repetindo isso a todo tempo.

Mariko estava adorando a presença de Kori ali, perguntou um monte de coisas para ela sobre a viagem. Coisas que não tinha nem vontade antes de saber quando Robin quis contar.

— Vocês duas se conhecem há muito tempo? — Mariko perguntou para Kori, quando Robin foi até a casa dela por um minuto.

— Desde a faculdade. Dividimos o quarto por quatro anos. Depois eu viajei e ela ficou.

— Nossa, então vocês se conhecem há muito tempo. Legal isso, né Nami? Nós também podemos dividir o quarto quando formos para a faculdade.

Nami não prestou atenção no que Mariko dizia, estava já com a cabeça girando de tanta coisa que imaginou naqueles minutos de conversa. Se Kori era assim tão amiga, por que Robin nunca falou nada? Alguma coisa tinha de errado nessa historia.

— Eu esqueci que tenho um presente para entregar a Robin-san. Vou pegar e levar lá.

Nami pediu licença e entrou em sua casa, correu como pôde até o quarto e procurou na gaveta a caixinha que fizera pra guardar o presente. Ela foi para a casa de Robin em seguida. Bellemere pediu para que ela não demorasse porque logo ia dar meia noite. Nami acenou com a mão dizendo que voltava logo.

Ela abriu a porta da casa de Robin, e tirou as sandálias. Chamou-a pelo nome, procurando na cozinha, no escritório, até ir logo para o quarto. Robin acabara de sair do banheiro, arrumando o cabelo que antes estava preso num coque, igual o dela. Mas agora estava solto.

— Eu não gosto muito de manter meu cabelo preso. — A morena se olhou no espelho, gostando mais daquela aparência. — Já estava voltando para lá.

— Queria ficar um pouco a sós com você. — Nami entrou no quarto, e estendeu os braços, mostrando a caixinha forrada com papel de presente. — Não deu para comprar um presente como os que você me dá, mas eu achei que ia gostar.

— Não precisava.

— Precisava sim. Você me dá tantas coisas. É justo eu retribuir.

Robin pegou o presente, mas realmente achava que não precisava. Explicou para Nami que dava os presentes porque aquilo a deixava feliz. Não percebeu que aquilo magoava a garota. Ela abriu a caixinha e tirou lá de dentro uma pulseirinha dourada. Poderia não ser de ouro, não era, mas era muito bonita. Robin agradeceu colocando-a no braço.

— Eu adorei.

— Gostou mesmo?

— Muito. Mais ainda porque foi você quem me deu.

Robin abraçou Nami, fazendo um carinho no rosto dela, antes de beijá-la. Nami ficou com as mãos nos braços da morena, que a afastou um pouco para poder ver melhor como ela havia ficado bonita com aquele quimono.

— A sua amiga tem um igual.

— Kori tem bom gosto, ela me ajudou, e quis ficar com o rosa, não vi problema nisso. Eu nem sabia que ela ia vir pro ano novo.

— É, mas...

— Nami, ela é minha amiga. Só isso. Tudo bem?

A ruivinha balançou a cabeça, concordando, mas ainda não engolindo os anos de faculdade no mesmo quarto e... Deixa pra lá.

— Você também esta bonita.

— Obrigada. — Robin segurou a mão dela, beijando-a no rosto, o que desapontou a garota. — Vamos, todos devem estar nos esperando.

Nami não queria ir lá fora, porque não poderia ficar daquele jeito com Robin. A morena riu, apertando o queixo dela bem forte. Nami fez uma careta, mas logo depois fechou os olhos porque Robin a segurou pela cintura, erguendo um pouquinho o corpo dela, dando-lhe um beijo de verdade.

Robin levou uma das mãos até a nuca de Nami, como se não quisesse deixar que ela escapasse nem para respirar se fosse necessário. O coração de Nami disparou, e as pernas dela ficaram moles, ela se segurou com as duas mãos no pescoço de Robin que a prendeu junto ao seu corpo, sem deixá-la cair.

Ela também queria ficar ali, mas naquele momento era impossível. Qualquer pessoa poderia ir lá. Então Robin desacelerou o beijo, e foi soltando suas mãos do corpo de Nami devagar, até ela ficar firme no chão. Ainda de olhos fechados e buscando ar pela boca.

Robin perguntou se estava tudo bem, Nami respondeu baixinho que sim, passando as mãos no rosto, deveria estar vermelha. Ela esperou um pouquinho mais até poderem sair, já ia dar meia noite.

Nami correu para perto da mãe, e Nojiko também, elas três nunca ficaram separadas no ano novo e em nenhuma outra data comemorativa.

Da rua dava para ter uma visão bonita do céu colorido pelos fogos de artifício.

Kori assistiu à queima de fogos animada, porque estava sempre em lugares tão afastados nessas datas que sempre perdia.

— Vamos indo ao templo? — Ela perguntou para Robin, que pediu para aguardar mais um pouco para que todo mundo ficasse pronto pra ir. — Você já falou com a Nami-chan sobre sua mudança?

— Eu ainda não encontrei um momento apropriado para dizer a ela.

— Você não vai esperar para a última hora, não é? — Kori direcionou os olhos para a garota que conversava com Mariko mais a frente. — Odeio quando faz isso. Não gosta de despedidas e acaba magoando as pessoas.

— Aquela vez foi diferente. — Robin piscou para a amiga, achando engraçado da cara feia que ela fazia.

— Não sei do que você está rindo. Eu me senti abandonada, que mulher gosta disso? Ainda mais uma menina. — Kori falou mais baixo quando Mariko e Nami a chamaram para irem logo. — Não faça isso com ela.

— Pode deixar. Eu não vou fazer.

As ruas estavam movimentadas e a cada momento tinha um novo show de fogos de artifícios iluminando o céu. Robin passou o resto do passeio pensando no que Kori havia dito. E não sabia como contar para Nami que iria deixar o país por conta do trabalho. Era uma oportunidade única que não poderia deixar passar. Mas mesmo que seu trabalho fosse a coisa mais importante da sua vida, Nami também era importante.

Robin tinha certeza de que poderia ser apenas algo passageiro para a garota, afinal ela ainda era tão jovem e tinha muita coisa para viver. Mas queria fazer parte daquele momento.

Nami trouxe uma trufa de café para a morena, pedindo desculpas para Kori porque ela não tinha dinheiro o suficiente para comprar mais coisas.

A ruiva mais velha sorriu, entendendo o porquê de Robin gostar tanto daquela menina.

— Eu vou rezar pro meu ano ser maravilhoso e eu encontrar um tesouro perdido. Quer vir comigo, Mariko? — Kori estendeu a mão para a garota. — Vou te ensinar um jeito de fazer chover homem bonito o ano todo.

— E dá certo? — Mariko estreitou os olhos, não existia nada daquilo ali.

— Não sei ainda se é porque sou bonita ou pelo ritual, mas nunca faltou.

Nami acenou para Mariko quando a loira deu um tchauzinho para ela, indo com Kori para o templo.

— A sua amiga é engraçada. — Nami procurou pela mãe dela e a de Mariko, mas não encontrou, provavelmente as duas deviam estar fumando em algum lugar afastado, e Nojiko tinha ido comprar alguma coisa com o namorado. — Ela tem vários namorados mesmo?

— Sim, ela se entedia rápido.

Nami não entendeu o que aquilo significava. — Você também?

— Ah. Não. Eu não sou tão animada como ela. — Robin comeu a trufa de café e pediu para Nami mostrar onde ela havia comprado para pegar mais.

— Quando você vai viajar?

— Eu ainda não tenho certeza, talvez dia dois, mas pode ser que os planos mudem.

— Por quê? Você vai ficar aqui? — Nami aceitou o saquinho de trufas que a morena lhe deu e elas foram caminhando. Já estava ficando bem tarde e era melhor voltar. Mas antes tinham de encontrar todas as outras.

— Eu gostaria de falar sobre isso com você. — Robin olhou para os lados, procurando algum lugar que pudesse levar Nami. Elas se afastaram mais das outras pessoas, onde não havia tanto barulho para atrapalhar a conversa. — Não é a hora certa para dizer isso, mas eu recebi uma proposta importante para viajar.

— Outra viagem? Quanto tempo vai ficar fora?

— Essa viagem não é temporária, Nami.

— Não?

— Eles querem que eu more lá, porque é mais viável para todos, eu tenho que estar disponível, e viver aqui acaba sendo prejudicial, é longe e mais caro.

— Mas você disse que o seu chefe não liga de pagar as coisas. — Nami ouviu mais fogos de artifícios serem lançados no céu, mas não olhou.

— Dessa vez é diferente, eu não posso recusar esse pedido, vou trabalhar diretamente com tudo o que sempre quis.

Nami desviou o olhar, não queria mais falar sobre aquele assunto, ela sentia a cabeça rodar, o chão parecia que fugia debaixo de seus pés. Sentiu uma dor no peito, e uma vontade imensa de ir embora.

— Vou procurar minha mãe e a minha irmã. — Ela saiu andando.

— Espera Nami. Me desculpe.

— Tudo bem. Você não precisa pedir desculpas pra mim. — Nami virou-se e olhou mais uma vez nos olhos de Robin, segurando as lágrimas. — Eu vou pra casa, estou cansada.

Mariko e Kori estavam há uma certa distância delas, procurando-as. Quando a loira viu a amiga andar mais rápido na frente de Robin, teve certeza de que alguma coisa havia acontecido. Ela se despediu de Kori e foi atrás de Nami.

— O que aconteceu, Robin? — Kori perguntou.

— Eu contei a verdade.

— Você contou direito? — A ruiva pôs a mão nos ombros da amiga. — Às vezes a sua verdade é muito na lata, tem que amaciar antes o bichinho pra não assustar. Deve ter dito pra ela que nunca mais ia voltar.

— E do que adianta eu iludir ela dizendo que vou voltar? — Robin passou a mão nos cabelos, jogando-os para trás. — Foi melhor assim, ela vai superar isso. Daqui uns meses nem vai mais se lembrar de mim quando for pra faculdade. Vai ter a vida dela.

— Ficou maluca? É capaz daquela garota nunca te esquecer. — Kori pegou o celular, e discou o número da empresa de táxi que salvou na agenda mais cedo enquanto pagava o motorista. — Vamos para a festa, lá você vai se distrair.

— Eu não quero. Vou para casa. Você não se importa, não é?

— Tudo bem. Eu vou com você então.

— Não precisa, eu quero ficar sozinha. Pode ir se divertir.

— E quem diz que eu vou me divertir sabendo que você esta péssima?

— Você sempre acaba arrumando um jeito para se divertir mesmo em momentos ruins.

Kori não podia retrucar, era verdade. Então ela resolveu deixar Robin na casa dela e depois voltar para a festa que com certeza deveria estar bem animada. Antes de ir, ela ainda fez um último convite para a amiga, que recusou.

— Tudo bem. Então enquanto você fica aí chorando pela vizinha bonitinha, eu vou beber com nosso chefe. — Ela mandou um beijo para Robin, e fechou o vidro do carro, que foi embora em seguida.

Robin pegou as chaves de dentro da bolsinha que carregava, e abriu a porta, ela já ia fechando quando alguém empurrou pedindo para conversar com ela.

A arqueóloga ficou surpresa com a presença de Mariko ali, aquela hora. Já era para ela estar dormindo, ou próximo a isso.

— Algum problema? Com a Nami. — Só poderia ser isso para fazer Mariko bater na porta da casa dela.

— É, tem um problema sim. — Mariko perguntou se poderia entrar porque estava começando a fica muito frio ali fora, e aquela roupa não ajudava muito. Robin abriu a porta e ela entrou.

— Quer beber algo quente?

— Não. Não quero nada. — Robin deixou a bolsinha em cima de um móvel e mesmo que Mariko não quisesse nada quente, ela queria. Precisava na verdade de alguma coisa mais forte que chá. Mas a bebida havia acabado. — Eu só preciso de um minuto para falar o que vim falar.

— Pode falar.

— Eu quero que você me ouça e preste atenção em mim. — Mariko parecia mais séria. Robin então parou diante a porta da cozinha, prestando atenção nela. — A Nami, ela... Ela é uma idiota. Acha que tá vivendo um sei lá o que com você, e vive no mundo da lua. Eu já tentei acordar ela, mas não consigo. Esse ano que a conheci, estava tudo indo bem enquanto você sumiu, mas só foi voltar a mandar carta e foto, que ela voltou a ficar maluca. Eu não sei se você tem prazer em machucar as pessoas, mas está fazendo isso.

— Não é minha intenção magoá-la. Sei que você gosta dela.

— Eu não gosto dela. — Mariko esbravejou.

— Certo. Sei então que vocês são boas amigas. É compreensível que queira protegê-la.

— Ela me disse que você vai embora para sempre, então já que é assim. Vai. Não volte para magoar ela.

— Quem vai decidir isso é ela.

— Ótimo. Então vamos ver o que ela vai decidir. — A loira saiu da casa de Robin rapidamente, antes que sua mãe desse por falta dela no quarto.

Robin fechou a porta e coçou os olhos. Ficou até feliz por Mariko ir ali, assim ela ficava mais tranquila de saber que Nami tinha uma amiga que a defendia daquela forma.

Ela preparou um chá preto, e foi para o quarto. Tirou a roupa e vestiu um roupão por cima da lingerie. Foi pra cama, levando um livro. Estava sem sono, e não queria pensar em mais nada naquela noite.

Já passava das cinco horas da manhã, quando Robin ouviu um barulho na janela. Ela se levantou e acendeu a luz do quarto para ver se poderia ser o vento batendo na madeira, acontecia muito isso. Precisava abrir de novo e fechar com jeito, para que não se mexesse mais. Quando Robin abriu, ela assustou-se com o intruso que invadia seu quintal.

— Calma, sou eu. — Antes da arqueóloga tomar alguma atitude, ela ouviu a voz de Nami.

— O que você está fazendo aí? — Perguntou ajudando-a entrar pela janela.

— Pulei a cerca. Derrubei umas coisas sem querer. Não era pra fazer barulho. Desculpe.

— Não poderia ter usado a porta da frente?

— Minha mãe esta na sala, assistindo televisão. Ela não sabe que eu estou aqui.

Nami esfregou os braços com frio, vestia um pijama de tecido fino. Robin fechou a janela rapidamente, mandando-a sentar na cama. Pegou um casaco do armário e colocou sobre os ombros dela.

— Sua mãe não vai gostar de saber que você esta aqui.

— Eu não me importo. A única coisa que eu quero agora é ficar com você. Não me mande embora.

Robin jamais mandaria ela embora. Será que precisava responder?