A Vizinha

1 Sempre presente


Notas iniciais
Eu adoro a Robin. E claro, a nami adora a Robin tb. Nunca brigou com ela, como briga com todos os outros sempre xDMas aqui, ahh é a mesma coisa hehe.Espero que gostem, achei fofa a historia.

— Robin-san! Robin-san, está em casa?

A jovem de cabelos ruivos passou pelo portãozinho de madeira, e andou pelo caminho de pedrinhas brancas até a porta da casa da vizinha, chamando-a até que a porta fosse aberta.

— Nami-chan. Aconteceu algo? — Pelo jeito que era chamada, Robin achou que havia acontecido um incêndio. Ou algo grave.

— Sim, aconteceu. — Nami respirou fundo, colocando uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Preciso de ajuda com o meu trabalho de história.

Robin sorriu, inclinando a cabeça para o lado, pedindo para Nami entrar em sua casa.

Nami tinha dezessete anos e era estudante do primeiro ano. Ela era bem espertinha, e estudiosa, mas quando precisava de ajuda, corria para a casa ao lado. Assim, Robin sempre estava disposta a ajudá-la. Ela poderia ir a uma biblioteca, ou até mesmo procurar na internet. Mas nada disso era comparado ao que Robin lhe proporcionava.

Quer dizer, ela era uma mulher mais velha, treze anos pra ser exato. E sabia muitas coisas. Era como uma enciclopédia ambulante. Falando assim não parece tão atraente. Mas, Nami não conseguia ainda explicar melhor o que sentia ao estar na companhia daquela mulher.

Robin procurou na estante de livros, o que seria ideal para o trabalho de história. Ela achou alguns bons livros com o tema que Nami precisava e entregou à jovem.

Nami sentou-se no chão da sala, e pôs-se a ler os livros. Robin foi até a cozinha e preparou um chá para as duas. Levou também um pedaço de bolo de limão que fizera mais cedo, e a ajudou na pesquisa sobre a era Edo.

— Obrigada, Robin-san, se não fosse você, acho que não ia conseguir. — Ela suspirou, fechando o último livro e colocando em cima da mesinha baixa de madeira que ficava no centro da sala. — Posso levar pra casa?

— Claro. Se quiser pode ficar com eles, estou arrumando a minha prateleira, e tem algumas coisas que não vou usar mais.

— Mas não vai usar esses livros?

— Eu os já conheço muito bem. Praticamente os decorei. — Ela sorriu, levando as xícaras para a cozinha, e depois de lavá-las retornou para a sala. — Pode escolher o livro que quiser, eu te dou.

Os olhos de Nami brilharam. Ela adorava ler, e Robin possuía os livros mais variados que ela já vira fora da biblioteca ou de uma livraria. Ficou mais de uma hora olhando a prateleira repleta de títulos variados, até separar dois, fora os de história que já havia ganhado.

— Por que está me dando os livros? — Nami se virou, olhando a mulher trazer uma sacola. — Quero dizer, sempre venho aqui e nunca me ofereceu um. Está enjoada de me ver sempre pedindo ajuda para você?

Robin viu o bico crescer nos lábios da garota, e achou aquilo bonitinho. Aliás, ela era bonita demais. Os cabelos curtos e lisos sempre soltos, os olhos cheios de curiosidade, o corpo mesmo magro, já tinha suas curvas e um sorriso que desmontava qualquer pessoa que visse.

— Eu vou viajar a trabalho, não sei por quanto tempo. — Nami deu um passo para frente, um pouco surpresa, e triste com aquela novidade. Ela não gostou de ouvir aquilo. Mas o que poderia fazer? Pedir para ela não ir? Aquilo não fazia sentido algum, mas em sua cabeça poderia até ser um bom motivo para que Robin ficasse.

Talvez a mulher fosse achar que ela era uma interesseira, que só queria a vizinha ali para poder ajudar nos trabalhos escolares.

— Vai para onde?

— Vou para o Egito. De lá visito alguns outros países da África. É uma expedição arqueológica. Uma oportunidade única. — Robin guardou os livros que dera a Nami na sacola, e entregou para ela. — Vou alugar minha casa nesse tempo. Assim ela não fica abandonada.

— Se quiser eu cuido dela. — Nami sentiu-se boba de ter dito aquilo, mas cuidaria com muito carinho do jardim que Robin cultivava no pequeno quintal.

— Não é preciso, eu já tenho até uma pessoa interessada na casa, ele trabalhou comigo um tempo. Mas ele não é bom em história, ou em outras matérias. Então melhor nem pedir ajuda, a não ser que queira aprender a usar espadas. — Ela sorriu, fazendo uma pose com as mãos.

Nami riu constrangida, mas ela sabia que era brincadeira. Pelo menos parecia.

— Deve ser legal, viajar assim, para conhecer lugares diferentes e descobrir coisas perdidas. — ela rodopiou pela sala, batendo a perna na mesa. — Ai, droga.

— Cuidado. — Robin a ajudou sentar no sofá. — Viajar é ótimo, quem sabe um dia eu te levo para uma expedição.

— Jura? Me levaria mesmo? Porque eu aceitaria na hora.

— Sim. — A arqueóloga sorriu, o entusiasmo saltava dos olhos da garota, deixando Robin excitada com aquela animação toda. Empolgava-se junto com aquela menina, que sorria como se fosse viajar daqui cinco minutos com ela. — Quando tiver idade, podemos viajar.

— Ah, vai demorar. — O bico voltou, e Robin apertou o queixo de Nami, pedindo para ela não ficar triste.

A viagem era dali três semanas, e durante os dias que se seguiam, Nami ficou um pouco apreensiva. Assim que chegava da escola, corria para o quarto. De sua janela dava para ver a casa de Robin. Ela ficava ali às vezes olhando a movimentação. Não era muita. Aliás, era pouca demais.

Algumas vezes queria ir lá na casa da vizinha, mas não sabia muito bem o que falar. Hesitava. Já era bem batida a desculpa do trabalho escolar. Ninguém iria acreditar que todos os dias o professor de história passava um trabalho, e os temas começavam a acabar, pelo menos os que ela conhecia.

Nami estava no quintal de casa, sentada no balanço preso na árvore. Ela não percebeu, mas era observada. Do outro lado da cerca, que dividiam as casas, Robin segurava o regador para molhar as flores do quintal.

A arqueóloga viu a jovem desanimada, movendo-se bem devagar no balanço, com a cabeça inclinada para o lado, tocando a testa na corda que sustentava o peso dela.

Foi impossível Robin não sentir-se um pouco mal pela viagem sem data para retorno. Ela gostava muito da companhia de Nami, e sentiria saudades daquela garota e toda sua empolgação diante os assuntos que conversavam. Falavam de tudo, mas principalmente do trabalho dela. Nami adorava ouvir histórias antigas de quando Robin era pequena e vivia com os pais em expedições, foi daí que herdaram o prazer pelo passado. Mas Robin também tinha tempo de saber como era a vida de Nami, geralmente a ruiva falava mais da escola e de alguns cursos extracurriculares que fazia.

— Nami-chan. — chamou-a, fazendo a garota levar um susto enorme, quase caindo para trás no chão. — Desculpe, eu não queria te assustar.

— Tudo bem. — Nami se levantou, ajeitando os cabelos.

— Se não tiver nada pra fazer, quer ir comigo até aquela doceria nova que abriu aqui perto?

— Claro! — Nami retribuiu o sorriso, correndo em direção a porta de casa. — Espera um minuto pra eu pegar um casaco?

Robin concordou, indo para dentro de casa buscar sua bolsa, e depois se encontrando com Nami na calçada.

Elas foram à doceria, e depois numa sorveteria que Nami adorava. Acabaram sentadas numa pracinha, as crianças que brincavam no parquinho já estavam indo embora pelo horário, começava a ventar um pouquinho. Mas Nami assegurou que não estava com frio, e também não queria ir pra casa.

— Aconteceu alguma coisa? Hoje pela manhã encontrei Bellemere-san saindo para fazer compras. Achei que estivesse tudo bem na sua casa.

— E está. Esse mês as coisas melhoraram bastante. Mas, não é por isso que eu não quero ir para casa. — Nami estava sentada no banco ao lado de Robin, com um saquinho de balas de goma na mão. Ela vivia com a mãe adotiva e a irmã mais velha, Nojiko.

— Então, por que não quer ir para casa? — Robin perguntou, encostando as costas no banco, olhando o parquinho já completamente vazio.

— Falta só dois dias para você partir. — Nami respondeu com a cabeça baixa, apertando o saquinho de balas.

— Sim, está tudo pronto já. Amanhã vou verificar o passaporte e as passagens. Mas já está tudo pronto. — Robin olhou para os cabelos de Nami, que caíam na frente do rosto dela, conforme a garota se curvava ainda mais. — Você está triste porque vou embora?

— Um pouco.

— Vai sentir minha falta? — A morena deu um sorriso, mexendo nos cabelos de Nami, tentando fazê-la olhá-la nos olhos.

— Eu acho que vou. — Nami ergueu o tronco de uma vez, virando-se para Robin com os olhos marejados de lágrimas. — Quando eu penso nisso, sinto uma dor aqui no peito. — Ela levou uma das mãos até o coração.

— Nami, minha querida. — A arqueóloga passou um dos braços por cima dos ombros da garota e a trouxe mais para perto. Ventava um pouquinho mais forte, e o céu já começava a escurecer. — Prometo que vou enviar vários cartões-postais para você. De todas as cidades que eu visitar. — Parecia que a promessa da morena não surtia efeito nas lágrimas de Nami. Ela então secou o rosto molhado da garota com a ponta da manga da blusa que vestia e deu um beijo na testa dela.

— Tô me sentindo uma idiota. Você deve estar dando graças para todos os deuses que existem no mundo por ficar longe de mim esse tempo todo. Eu sou uma chata.

— Não, você não é chata. Eu vou sentir sua falta também. Muita.

Nami esfregava os dedos nos olhos, tentando impedir que as lágrimas caíssem mais. Ela suspirou, olhando novamente para Robin.

— Você é muito gentil para concordar que eu sou chata. Está tentando me agradar.

— Eu não sou de falar mentiras, sabe. Gosto da verdade, é sempre melhor que a mentira. Mesmo que seja para agradar alguém.

— Então você não mente?

— Não minto. Posso omitir algum fato, mas não minto para meus amigos.

Nami piscou os olhos devagar, sentindo-se tão boba com aquela frase. Então Robin a considerava uma amiga, aquilo era bom, muito bom. Deixava seu coração mais tranquilo.

— Eu vou esperar ansiosa os cartões-postais. — Ela animou-se novamente, fazendo Robin sorrir. — E quero fotos suas nas pirâmides.

— Pode deixar, eu vou tirar um monte de fotos.

Já havia escurecido, e então as duas decidiram voltar para suas casas. Robin acompanhou Nami até a casa dela, e conversou um pouco com Bellemere na sala, enquanto a ruiva ajudava a irmã mais velha a terminar o jantar e servir na mesa. Naquela noite, Robin jantou ali, e prometeu que faria no outro dia um jantar para retribuir. Mas na noite seguinte, Nojiko tinha um encontro com o namorado, iam ao cinema, e Bellemere tinha que trabalhar. Ela trabalhava em dois empregos diferentes alternando os dias de folga de um e de outro, então, somente Nami pôde ir na casa de Robin.

Ela chegou com uma torta de laranja para a sobremesa. Passou a tarde toda cozinhando a torta e a decorando para ficar perfeita. Robin atendeu a porta, estava usando um vestido curto de malha, lá dentro estava quentinho por causa do aquecedor. Nami entregou a torta para a vizinha e tirou os sapatos entrando na casa.

— Achei melhor comer na sala, eu arrumei tudo aqui, já que vai ser somente nós duas.

— Legal. — Nami sentou-se numa almofada no chão, olhando a mesa com os pratinhos.

— Eu não sou uma cozinheira, então, fui até o restaurante do outro bairro e encomendei esses pratos. Espero que você goste, o cozinheiro é um amigo meu, e me garantiu que são gostosos.

— Tudo bem, eu já tô ficando com fome só de sentir o cheiro. Parece bom.

— Então, não vamos esperar muito, senão esfria tudo. — Robin se sentou do outro lado da mesinha.

Havia uma música tocando no aparelho de som. Robin tinha uma coleção de discos de vinil, ela gostava mesmo de coisas antigas, pensou Nami. A música não era muito conhecida da ruiva, parecia uma mistura de clássico com new age, a cantora tinha até uma voz suave. Mas não era o tipo de música que a jovem gostava de ouvir.

Ela olhou para Robin, que levava a comida até a boca com os hashi. Sentia-se tão pequena ao lado daquela mulher, era diferente quando estava junto com outras mulheres. As amigas da mãe, por exemplo, Nami não se sentia tão introvertida na presença delas. Mas com Robin, ela tinha medo e vergonha de fazer alguma coisa idiota, e sempre fazia. Ficando tão vermelha como um tomate, depois. Mal sabia ela que a arqueóloga achava aquilo tão bonitinho quando acontecia. Robin costumava segurar o riso, para não deixá-la mais constrangida.

— Que tal comer a torta agora? Aposto que esta uma delícia. — A morena se levantou, indo buscar a torta e dois pratinhos com colheres para que elas pudessem comer na sala mesmo. Nami também foi e ajudou a cortar as fatias da torta. — Você aprendeu a cozinhar com sua mãe, não é?

— Sim. Ela cozinha muito bem. Depois que ela começou a trabalhar nessa fábrica de sucos de laranja em caixinha, nós acabamos inventando um monte de receitas com as laranjas que ela ganha. — A ruiva lavou a faca que cortou a torta e pegou o pratinho, na expectativa, querendo saber se Robin ia gostar.

A morena comeu um pedacinho e depois outro, sem falar nada. Nami cresceu mais os olhos em cima de Robin, esperando uma reação.

— Está maravilhosa essa torta. Acho que foi a melhor que comi na minha vida.

— Ai, que mentira. — Nami ficou corada.

— Lembra que eu não minto para meus amigos?

— Ah é.

Elas decidiram arrumar a sala e a cozinha, Robin lavava a louça e Nami secava, deixando tudo em cima da mesa, para que a arqueóloga pudesse guardar depois.

Robin explicou que iria alugar a casa com os móveis e tudo lá dentro, porque confiava no amigo que iria morar ali. E também não tinha onde deixar tantas coisas assim. Nami terminou de secar a louça, enquanto a morena trocava o disco, dessa vez colocou uma música que a garota já conhecia, era parecida com as que sua mãe adotiva ouvia.

— Eu vou gravar um cd com musicas do Kato Kazuki para você ouvir. Vai amar ele.

Ela foi atrás de Robin, que não estava na sala. Entrou no quarto que era usado como escritório e viu mais uma pilha de livros na estante. Depois andou um pouco mais no corredor estreito e empurrou a porta para ver se achava Robin. Lá estava ela.

— Eu ouvi meu celular tocar. Era uma mensagem do hotel que vou ficar hospedada. Queriam confirmar a data.

Nami murchou no mesmo instante, até tinha se esquecido que Robin iria embora no outro dia. Ela tentou parecer contente, mas era evidente que não estava. E achou que não precisava mentir para Robin, já que ela dizia que não mentia. Seria justo.

— Robin-san, será que... — Nami olhou para a cama de casal, bem organizada, com os lençóis brancos esticadinhos e dois travesseiros postos na cabeceira. Ela não queria olhar nos olhos da morena, seu sangue já fervilhava por dentro, alguma coisa dizia que ela já devia estar totalmente vermelha, denunciando sua reação por dentro.

— O que é, Nami-chan? Pode falar. — Robin sentou-se na cama, causando uma desordem mínima naquela organização toda. — Você está bem diferente, parece que quer me dizer algo e não consegue.

Nami apertou os lábios, sentindo as mãos suarem e uma vertigem. Achou melhor sentar-se também, mas fez isso com cuidado, porque não queria desarrumar a cama. Ela esfregou as mãos por sobre a calça jeans que vestia, a fim de secá-las do suor.

— Tem uma coisa sim, eu acho. — Começou, mas sem saber exatamente o que ia falar. — Eu não sei o que é na verdade. Mas queria falar.

— Me diz então o que está pensando.

Nami a olhou de uma vez, e depois virou o rosto, tampando-o com as mãos.

— Não consigo.

— Por que não? É algo tão ruim assim? — Robin tocou a mão no ombro da jovem, e novamente fez com que ela a olhasse nos olhos, virando o rosto dela devagar com a mão.

— Eu tenho vergonha de falar o que penso. — Nami não era assim tão tímida na presença de outras pessoas, mas novamente, ela ficava mais introvertida quando estava sozinha com Robin.

— Vergonha? — Robin inclinou a cabeça para o lado, com um sorriso nos lábios. — Então vamos fazer assim. Se você falar o que pensa, eu falo o que estou pensando também.

— E como vou saber se você ainda não tá pensando na torta que eu fiz? Aí não é justo. — Ela emburrou, cruzando os braços. Robin tinha que relevar, afinal, ela era jovem ainda.

Esse era um bom momento para pensar nisso, mas...

— Já que você tocou no assunto, eu estava mesmo pensando na torta. Depois vou comer mais um pedaço.

Nami a olhou, zangada, mas Robin só fez aquilo para implicar com a garota. Deu certo. A ruiva era bem esquentadinha.

— Se não parar de pensar na torta, eu não falo o que estou pensando. — Ela ainda estava com os braços cruzados, e o rosto virado para a parede recém pintada. Lembrava-se que ali havia uma pintura bonita, um desenho de flores, por que será que ela pintou? Talvez o amigo não gostasse de flores. Pode ser isso.

— Não consigo parar de pensar na torta. — Robin se mexeu na cama, sentando-se mais próxima de Nami, fazendo o colchão se mexer um pouco. Ela levou as mãos até os cabelos curtos, enrolando a mecha entre os dedos.

— Por quê? Estava tão boa assim minha torta? — Nami sentiu os dedos de Robin agirem em seus cabelos, e fechou os olhos, sentindo uma corrente elétrica correr todo o seu corpo. Ela deu um saltinho sobre a cama, afastando-se mais da morena. Foi intencional, apenas achou que era melhor ficar afastada.

— Estava ótima sim, mas também porque foi você quem fez.

Era difícil para Robin rejeitar aquela sensação boa que sentia quando estava junto de Nami. Nas últimas semanas talvez fosse mais complicado para a arqueóloga. Ela se deu conta de como sentiria a falta dela. Deu-se conta de coisas demais. Estava tão acostumava a viver sozinha, que aquele sentimento a pegou desprevenida. Fazia anos que aquilo não acontecia, e não tinha acabado com um final feliz. Agora então, nem um começo seria feliz. Sequer dava para imaginar um começo.

Robin já estava certa de que era uma bobagem passageira, poderia estar assim apenas pela viagem. Mas com Nami ali, ao lado dela, não parecia nenhuma bobagem o que sentia.

— Robin-san, é melhor eu ir embora. — Nami se levantou, e Robin fez o mesmo. — Eu, tenho que fazer algumas coisas que minha mãe pediu. — A garota saiu do quarto, indo apressadamente para a sala.

— Nami, espere um minuto. — Robin foi atrás dela, a alcançando na porta da sala. — Me desculpe, que não quis fazer nada errado.

— Não, tudo bem. Não fez nada não.

— Porque você se afastou. — Nami deu um passo para trás, encostando-se na porta. — Viu? Você está fazendo de novo.

— O quê?

— Fugindo de mim, mas eu não vou fazer nada.

— Eu sei, eu sei. — Nami balançou a cabeça e as mãos.

— Então por que você ainda está com medo?

— Não estou. — ela estava com os ombros duros, e o corpo todo travado. Robin podia perceber isso só de olhar pela forma que apertava os dedos.

— Você não quer me falar o que queria, antes de ir embora? Amanhã cedo eu tenho que ir para o aeroporto, então, hoje é a nossa despedida.

Nami apertou ainda mais os dedos das mãos, sentindo as unhas machucá-las.

— Você vai rir de mim. — Ela desviou o olhar novamente.

— Não vou. A não ser que seja uma piada. — Robin pôs a mão na boca, segurando o sorriso. Nami semicerrou os olhos, não gostando muito. — Me desculpe, só quero que se sinta à vontade, quem sabe assim pode dizer o que quer falar.

— Certo, eu vou falar. Mas se rir, vou embora e não responderei nenhum dos seus postais.

— Combinado. — Robin mexeu a cabeça, concordando com Nami, e esperou que ela se sentisse mais tranquila para fala. Demorou um pouquinho até, mas valeu a pena.

— Eu não quero que você vá embora. É um pedido idiota, mas eu quero que você fique.

— Nami-chan, eu não posso...

— Claro, eu sei, sei que você não pode fazer o que eu estou pedindo, mas eu tinha que tentar. Senão ia morrer com isso engasgado na minha garganta.

Robin não sabia o que dizer, talvez Nami estivesse mais confusa que ela, era natural, pela idade. As coisas deviam estar mudando rapidamente para ela, várias transformações. E as dúvidas.

— Por quê? Por que você não quer que eu vá embora? — A morena poderia dar aquele assunto por encerrado e deixar Nami ir embora, sem remexer mais ainda naquela cabecinha que devia estar a mil em pensamentos.

— Porque... Porque... Porque sim.

— Nami.

— Eu não sei por que, apenas quero ficar com você. Digo, ficar aqui, morando do seu lado. Entende. Como vizinhas. — Nami estava ficando nervosa. — Você prometeu não rir.

— Eu sei, mas você fica tão bonita assim. — Robin deixou de lado o medo de se aproximar, talvez Nami não fosse tentar fugir agora. Ela tirou os cabelos caídos do rosto da garota, erguendo o rosto dela com o queixo. Era bem mais alta que a ruivinha, que acabou ficando sem espaço para fugir.

Robin não achou que seria tão mal assim, o que ia fazer. Bem, ela ia descobrir agora. Inclinou o corpo mais para frente, segurando o rosto de Nami com as mãos, que fechou os olhos instintivamente quando a mais velha roçou a ponta do nariz no dela.

As mãos de Robin desceram pelos braços de Nami, fazendo aquela corrente elétrica novamente percorrer o corpo da menor, causando arrepios, até tudo se acalmar quando os lábios se juntaram num beijo vagaroso e tímido. As línguas se encontraram um pouco depois, ainda num ritmo lento. Nami ergueu o pé, estendendo os braços em volta do pescoço de Robin, ela apertou as pálpebras conforme o beijo se desenrolava num ritmo mais lascivo. Não era o primeiro beijo dela, mas, bem... Com uma mulher, sim. Pensando nisso então, Nami abriu os olhos assustada, sentindo seu corpo ser pressionado contra a porta. Os seios grandes de Robin apertados contra seu corpo, ela estava sentido necessidade de respirar e partiu o beijo, buscando ar.

Robin não tirou as mãos do corpo de Nami, procurando alguma reação negativa vindo dela. Mas até agora, somente parecia precisar respirar.

— Tudo bem? — Perguntou, acariciando o rosto dela com os dedos.

— Sim, eu estou bem. Tenho que ir. Tenho que ir pra casa. — Nami afastou o corpo de Robin com as mãos, e calçou as sandálias que estavam ali do lado, falando rapidamente.

— Nami-chan, vamos conversar sobre isso. — Robin queria ao menos explicar a ela, mas não houve tempo.

— Eu não posso ficar. — Nami abriu a porta apressada e correu pelo caminho de pedrinhas brancas, gritando boa noite.

Robin esperou que ela entrasse dentro de casa, para depois fechar a porta.

Nami bateu a porta num estrondo, e ficou ali parada de costas. Seu coração batia desenfreadamente, e ela ainda podia sentir o cheiro de Robin. A garota correu pela casa, caindo na cama quando entrou no quarto. Afundando a cabeça embaixo do travesseiro. Acreditava que nunca mais ia conseguir olhar na cara da vizinha, de tanta vergonha que sentia...

Nami ergueu a cabeça, xingando a si mesma, como ela ia olhar na cara de Robin se ela ia embora no outro dia, bem cedo? Que burra, por que saiu correndo? Agora Robin ia achar que ela era uma idiota.

A ruiva girou na cama, será que seria errado voltar lá e... Não, não ia voltar. Não ia voltar.

Droga. Não ia.

Notas finais
Oi, gente. Vocês amam Robin e Nami como eu? Vem me contar ♥