A Vizinha
2 Segredinhos
Quando Nami acordou, Bellemere avisou que Robin havia deixado um pacote para ela antes de ir viajar. A ruiva coçou os olhos ainda despertando do sono, estava vestindo um pijama de algodão, e entrou na cozinha, procurando por sua caneca para beber leite com chocolate. Ela ainda estava num estado letárgico, era muito cedo por isso mal conseguia raciocinar direito. Naquele dia não ia ter aula porque era feriado escolar.
Bellemere pegou o pacote e jogou em cima da mesa, acendendo um cigarro em seguida.
— Vou tomar um banho e dormir um pouco para trabalhar à tarde. Você cuida da casa. A Nojiko foi fazer um trabalho com umas amigas e volta só depois do almoço. — Ela se virou, pegando um pedaço de bolo sobre a pia. — Acorda, Nami.
A ruiva abriu os olhos, assustada com a mãe lhe chamando e batendo a mão na mesa.
— De quem é essa caixa?
Bellemere girou os olhos, soltando a fumaça pela boca, mandando Nami ler o bilhete que estava pregado do lado do pacote. Ela saiu para ir tomar o banho e dormir por umas cinco horas, até ter que levantar e se arrumar para o trabalho. Uma colega ficou doente, então ia substituí-la.
Nami puxou o papel colado com um adesivo, lendo-o em seguida.
Robin se despediu em poucas palavras, nada muito emocionante para qualquer outra pessoa que lesse em voz alta. Mas para Nami era diferente. Ela guardou o bilhete em sua agenda, e só depois abriu o embrulho. Era um ursinho marrom.
A ruiva caiu na cama, apertando os olhos, repetindo para si mesma que não choraria.
Ela não chorou. Não muito.
A previsão da expedição era de três anos. Nami olhou no calendário, até lá muita coisa poderia mudar. Mas pelo menos, agora tinha certeza de que Robin não estava brava por ela ter saído correndo daquele jeito na noite anterior.
Nami estava satisfeita. Abraçou o ursinho e ficou o resto da manhã imaginando como seria o retorno de Robin. Só até Nojiko chegar e ver que a casa estava uma bagunça, e que Nami nem havia lavado os pratos do café da manhã.
Bellemere acordou com as duas brigando no quarto e foi lá dar uns cascudos nelas. Mas já estava mesmo na hora de se levantar, então foi bom acordar.
— Vai ficar andando pela casa com esse urso na mão? — Nojiko perguntou, arrumando a mesa para o almoço, ela foi buscar a encomenda que o cozinheiro do restaurante ali perto sempre deixava separado para elas como cortesia.
— É um presente da Robin-san. — Nami sentou-se na cadeira e deixou o urso no colo. Bellemere entrou na cozinha, ia comer um pouco antes de trabalhar. — Olha, o que eu ganhei.
Nami mostrou o urso para a mãe, que deu um sorriso, sentando-se ao lado dela. Nojiko serviu o almoço, mandando a irmã caçula guardar o bicho.
— Quem é aquele homem que estava mais cedo na casa da Robin? — Bellemere tomou m pouco do chá, enquanto Nojiko a servia.
— Qual dos dois?
— O grandalhão de charuto.
Nami estava alheia a conversa, porque nessa hora ela dormia que nem uma pedra na cama. Mas ficou atenta a conversa das duas.
— Ah! Ele é o chefe da expedição que a Robin-san foi. — Nojiko se sentou e começou a comer também, perguntando se Nami estava sem fome, porque ela ainda não havia colocado nada na boca.
— E o outro homem? O de cabelo verde. — Bellemere olhou o relógio, ainda faltava mais meia hora para ir trabalhar, então podia relaxar um pouco.
— Ele alugou a casa dela. Os outros que estavam esperando por ela lá fora eram da expedição. — Nojiko se virou para a irmã e continuou falando. — Quando eu saí, a Robin-san pediu para que eu falasse pra você ir lá na casa dela, que tinha uma caixa com alguns livros que ela separou.
— Nami, você não andou pedindo livros para ela não é? — Bellemere a repreendeu. Não podia comprar livros novos para as filhas adotivas, mas fazia o possível para não faltar nada pra elas. E não queria que as duas ficassem pedindo para os outros.
— Não, não. Ela que me ofereceu, mas eu escolhi só dois, não sabia da caixa. — Nami se levantou e pediu licença, de repente ficou sem fome e com dor de cabeça.
Foi para o quarto, e da janela pode ver a casa da vizinha, que agora era um vizinho. Ela ficou com a cara grudada no vidro da janela até levar um susto quando o homem dos cabelos verdes apareceu na janela do outro lado.
Ela fechou as cortinas de uma vez, caindo na cama. Não ia se acostumar com aquela mudança.
Na primeira semana ela se sentiu deprimida, ainda mais quando foi buscar a caixa com livros que Robin separou. O homem mal falou com ela, apenas apontou a caixa, depois que ela foi saber que ele se chamava Zoro. Porque Bellemere levou uma torta de laranja para ele como boas vindas à vizinhança. Também o convidou para jantar, mas ele tinha algum compromisso à noite e não pôde ir. Aliás, ele sempre saia muito à noite. Nami observava ele deixando a casa às sete da noite e só voltava a vê-lo quando saía cedo para a escola no outro dia.
Um mês depois, Nami recebeu a primeira carta de Robin. Na carta, ela pedia desculpas por não ter escrito antes, pois estava cheia de trabalho para fazer e a viagem era bem cansativa.
Nami lia aquela carta pelo menos todos os dias, até receber a segunda, uma semana depois. Esse era um postal, do deserto. Demorou mais duas semanas para ter alguma novidade, agora Robin mandara uma fotografia dela lá nas pirâmides.
A ruivinha colocou aquela foto no mural de fotografias que ela tinha no quarto.
Nami respondia a todas, mas algumas retornaram porque Robin já não estava mais no lugar de antes, que mostrava no endereço. Mas mesmo assim, ela não desanimava.
Ela não contava para ninguém sobre o que sentia em relação às cartas. Bellemere achava que era apenas uma euforia da filha mais nova com as atividades que a arqueóloga tinha, Nojiko lia as cartas e não via nada demais nelas, pois Robin era sempre muito discreta.
No ano novo, Nami teve uma surpresa. Robin ligou para ela, estava no Cairo para as festividades então teve um tempinho para uma ligação. A conversa foi rápida, já que era uma ligação internacional cara. Mas foi o bastante para aquecer mais o coração de Nami.
— Eu sinto sua falta. — Robin disse baixinho, pedindo para ela se cuidar bem. — Também sinto falta da sua torta.
— Quando você voltar eu vou fazer quantas tortas quiser.
Robin sorriu e agradeceu, pedindo para que ela desse seus cumprimentos a família dela. Desligou, deixando do outro lado da linha uma jovem suspirando.
Quando completou um ano que Robin partira, Nami conheceu uma nova vizinha. Mas essa era da sua idade. Ela morava apenas com a mãe, não tinha nenhuma amizade no colégio, que era o mesmo da ruiva. Para ajudá-la, Nami a levou no primeiro dia de aula e apresentou as pessoas, e a sala. A partir dali elas se tornaram amigas. Apesar das duas serem bastante geniosas, elas se davam bem.
Mariko demorou um tempão para terminar de desembrulhar todas as caixas da mudança, e Nami a ajudou. Elas pintaram o quarto, e colocaram cortinas, Nami sabia costurar, então fez umas capas para as almofadas da cama.
— Acho que agora sim posso me sentir em casa. — Mariko deitou na cama, olhando o teto de madeira. Nami estava sentada na cadeira perto da escrivaninha, ela achava tão legal as coisas de Mariko que adorava ficar mexendo. — Você tem namorado? — Ela perguntou, jogando uma mecha do cabelo loiro para trás, arrumando depois os óculos de grau sobre o nariz.
— Não. Você tem?
— Não.
— Já teve um? — Nami deixou o estojo de maquiagem de Mariko sobre a mesinha e sentou-se na cama ao lado dela. Com as amigas do colégio não tinha tanta intimidade de ficar falando sobre esses assuntos. E Nami não tinha nada para contar. Ter ela até tinha, mas não sabia como outra garota reagiria com aquilo. Mas com Mariko ela se sentia mais à vontade.
— Não foi bem um namoro. Nós apenas fomos ao cinema algumas vezes, e em outros lugares.
— Vocês se beijaram?
— Que curiosa. — Mariko jogou a almofada no rosto de Nami, que devolveu na mesma moeda, até elas desistirem porque tinha bagunçado tudo. — Algumas vezes nos beijamos sim.
— E só foi com ele? Não teve assim, mais nenhuma outra pessoa?
— Não. E você?
Nami não respondeu de imediato, sentindo o rosto esquentar rapidamente. Mariko estreitou os olhos verdes, dando uma risadinha maliciosa, a mandando contar de uma vez, porque a cara dela já estava denunciando tudo.
— Foi só uma vez.
— É? E ele beija bem? — a loira pegou um saquinho de balas de cima da escrivaninha e começou a comer.
— Como vou saber se beijei só uma vez? — E uma mulher, era só um detalhe, talvez sem muita relevância no momento.
— Você sabe se sente alguma coisa diferente. Se você não sente nada, acha ruim.
— Então acho que foi bom.
— Ele é da escola?
— Não.
— Da rua?
— Não.
— Da biblioteca? Da lanchonete, do parque. De onde ele é?
— Não posso falar.
Nami se levantou, cruzando os braços. Foi até a janela e ficou olhando a cerquinha de madeira que dividia a casa de Mariko e a dela, como se aquilo fosse a coisa mais incrível do mundo.
— Mas eu contei. Não é justo. Você também tem que falar. — Mariko protestou, jogando novamente a almofada em Nami. Mas a ruiva não respondeu nada, continuou dando atenção à cerquinha.
No outro dia, quando as duas estavam terminando um trabalho da escola, no quarto de Nami, uma carta de Robin chegou. A ruiva correu para atender o carteiro e assinar o pacote que havia recebido, com uma carta.
Ela estava eufórica porque fazia quatro meses que Robin não dava notícias, foi esse o tempo em que Mariko chegou.
A garota não sabia se lia primeiro a carta ou se abria o embrulho. Mariko veio do quarto, perguntando se ela havia ganhado na loteria para pular tanto de alegria.
Nami mostrou a carta, e abriu de uma vez. Tinha um cartão-postal, uma fotografia e um pequeno texto, no qual Robin pedia para ela ler sozinha, e não mostrar a ninguém.
A ruiva olhou para sua amiga, que olhava a foto de Robin, perguntando quem era aquela mulher bonita. Também olhou para o cartão-postal, vindo da Índia. Nami escondeu a cartinha no bolso do short, e Mariko fingiu que não viu aquilo.
— Ela era nossa vizinha, foi fazer uma expedição de arqueologia, e sempre me manda cartas.
— Sei. — Mariko achou que Nami estava estranha. O comportamento dela, algo ali estava totalmente fora de contexto. Nunca a vira tão animada com alguma coisa desde que se conheceram.
— Olha que lindo. — Nami desembrulhou com cuidado o enfeite indiano, e mostrou para Mariko. — Tem um lenço também, de seda.
— E desde quando você usa isso?
— Posso começar agora. — Nami guardou o enfeite na caixa e o lenço, estava louca para ler a carta, mas seria falta de educação fugir de Mariko para isso. — Vamos terminar o trabalho? Tenho que fazer algumas tarefas antes da Nojiko chegar.
— Se quiser eu te ajudo.
— Não, não precisa. Você fez sua unha ontem, vai estragar.
— O que foi Nami? Você quer que eu vá embora pra ler sua carta em paz? — Mariko olhou séria para a ruiva, colocando as mãos na cintura. — Eu vi que você guardou o papel no bolso. Não sou bisbilhoteira, não quero ler.
— Eu não disse nada. — Nami segurou com força o pacote, recebendo aquele olhar duro de Mariko. — Tenho que arrumar a casa, eu só quero fazer logo antes que minha irmã volte.
— Que mentira, você sempre deixou tudo largado aqui pra ir jogar videogame comigo.
— Bom, se você não acredita em mim, então pode ir pra sua casa perfeita.
— Sua maluca idiota. — Mariko largou o cartão postal e a foto de robin no sofá e saiu batendo o pé, xingando Nami e fechando a porta de uma vez.
Nami estava mesmo se sentindo uma idiota, como é que ela deixou chegar naquele ponto? Não queria ter ofendido Mariko, mas ela estava se sentindo acuada. Foi para o quarto e deixou as coisas em cima da cama, em seguida se trancou no banheiro onde poderia ler a carta em paz.
Robin começou pedindo novamente desculpas, e contando como era viver na Índia. Até a metade da carta, Nami não viu nada que ninguém pudesse ler. O que a deixou decepcionada e mal por ter brigado com a única amiga íntima que tinha conseguido fazer nos últimos dezessete anos.
Depois de toda aquela formalidade, pareceu que Robin mudava de assunto. Ela dizia como se sentia solitária e que nesses momentos pensava muito em Nami, e costumava sempre olhar a foto que a ruiva lhe enviara uma vez, antes de dormir. Assim tinha sonhos bonitos com ela, e que um dia gostaria que se tornassem reais.
Nami não piscou mais os olhos, lendo a carta. Robin ainda dizia que não havia se esquecido do beijo que elas deram, e que foi o mais doce que ela já provou na vida, mais ainda que a torta de laranja.
A ruiva colocou a mão na boca, sorrindo timidamente. Por fim, Robin pedia para ela se cuidar bem, e dizia que talvez poderia passar o próximo ano novo no Japão.
Nami sentiu seu coração disparar dentro do peito após terminar a carta. Ela queria gritar, contar pra todo mundo. Mas não podia. Pensou em falar com Mariko, mas tinham acabado de brigar. Que saco.
A garota arrumou o que tinha de fazer em casa e foi para a cozinha. Nojiko estava trabalhando meio período em uma livraria, por isso Nami tinha que se responsabilizar pelo jantar delas. Enquanto fazia o jantar, aproveitou para fazer também a famosa torta de laranja. No final, ela tirou um pedaço da torta e guardou para levar até a vizinha, como um pedido de desculpas.
Mariko abriu a porta, quando sua mãe ordenou que ela o fizesse. Assim que viu Nami, ela ficou parada lá, com os braços cruzados, e nem a convidou para entrar.
— Eu queria pedir desculpas. — Nami começou, oferecendo o pratinho com a torta. — Fiz isso para você, e sua mãe também. — Ela sorriu, esperando que Mariko a desculpasse.
Depois de muito enrolar, a loira aceitou e a convidou para entrar, mas Nami não poderia deixar a casa sozinha à noite, então Mariko foi pra lá fazer companhia para ela até alguém chegar.
— Cadê aquela nossa foto no parque? — Mariko olhou o mural, mas não achou a fotografia. Era a que mais gostava, as duas fazendo caretas. Mas no lugar, era outra pessoa que estava lá.
— Ah. Eu coloquei na minha agenda. — Nami pegou a agenda e mostrou a foto colada na folha, com uns desenhos coloridos em volta. — Eu não pude comprar um álbum, então to usando essa agenda velha pra fazer um. Tá bem legal. Quer olhar?
— Quero. — Mariko pegou a agenda e começou a folhear as fotos coladas. Nami ia falando os acontecimentos de cada foto. Tinha bastante da mãe, da irmã, e de Mariko mais pro meio. E entre todas elas umas fotografias da morena. — Como ela se chama mesmo?
— Nico Robin. Você vai gostar dela. Talvez venha passar o ano novo aqui.
— Quantos anos ela tem?
— Acho que... — Nami fez uma cara pensativa. — Deve ter feito trinta anos.
— Nossa, tudo isso? — Mariko parou em uma fotografia que Robin estava sentada numa pedra com um sorriso simpático. — Ela tem quase a idade da sua mãe.
Mariko riu.
— Exagerada. Não é pra tanto. Só uns dez anos de diferença.
Elas continuaram vendo as fotos sem falar muita coisa por uns minutos.
— Nami. Posso te perguntar uma coisa? — Mariko entregou a agenda para a amiga e esperou que ela concordasse. — Essa mulher, como você ficou amiga dela? Porque ela tem mais idade de ser amiga da sua mãe que de você ou da Nojiko.
— Qual o problema da idade?
— Nenhum. Mas...
— Mas o quê? Não quero brigar com você de novo Mariko. — A ruiva ameaçou, mas brincando. Só que no fundo falava sério.
— Para de querer me negar. Você ficou toda assanhada quando recebeu essa carta dela. E mandou eu ir embora.
— Não mandei.
— Mandou sim.
Nami e Mariko se olharam, ambas girando os olhos e respirando fundo.
— Ela é uma pessoa legal, que eu gostava de conversar. Sinto falta.
— Só isso? — Mariko viu o rosto da ruiva avermelhar-se como nunca viu antes. E deu um sorriso bem espertinho. — Se você quiser me falar o que é, eu vou ouvir. Prometo que não vou te julgar.
— Julgar? — Nami a olhou assustada.
— É. Mas se não quiser falar, tudo bem. — Mariko esperou Nami tomar coragem, mas Nojiko acabou chegando no quarto, cortando o clima todo.
Nos demais meses, Nami recebeu alguns postais de Robin, e sempre mostrava para Mariko. Mas elas não falaram mais daquele assunto. Conforme o final do ano ia chegando, a loira percebia o quanto Nami começava a ficar aflita e nervosa. Também estava desconcentrada e por isso começou a ir mal na escola. Ela tentava dar uns cutucões na ruiva quando ela parecia viajar nas nuvens em alguma aula importante. E Nami acordava, mas era por pouco tempo.
Uma semana antes do ano novo, Mariko e Nami estavam jogando algumas coisas fora, fazendo uma limpeza na casa da ruiva. Nojiko e Bellemere estavam trabalhando, por isso não puderam ajudar.
— Olha, que bonitinho. — Nami pegou um cartãozinho e mostrou para a amiga. — Eu que fiz pra mamãe quando era pequena.
— Vai jogar fora?
— Nunca!
— Você não quer jogar nada fora, assim fica difícil Nami. — Mariko prendeu os cabelos loiros com uma caneta mesmo. Apesar de estar frio, ela havia se movimentado tanto e pego coisas pesadas, que começava a ficar quente dentro do casaco.
— Mas isso aqui é especial, vou guardar na caixa de lembranças. Onde tá? — Ela se virou olhando para as diversas caixas espalhadas pelo chão.
— Eu sei lá. Você colocou adesivo em todas, procura. — Mariko já estava cansada então sentou-se na cadeira, quando a encontrou. Acabaram fazendo mais bagunça que arrumaram.
— Achei. — Nami fechou a caixa e deixou no canto. — Podemos levar essas caixas para o fundo, dai limpamos tudo aqui e…
— Tá ouvindo alguma coisa? — Mariko estreitou os olhos.
— Agora que você falou, parece uma música. O que é?
Elas duas foram para fora, e olharam a movimentação na casa do vizinho.
Zoro não era de fazer muito barulho, de vez em quando tinha um ou outro movimento a mais lá dentro a noite, mas nada que as incomodassem.
Nami foi para a calçada, onde poderia olhar melhor o que acontecia lá. Mariko a chamou de curiosa, mas a ruiva nem ligou. Ela esperou que alguém aparecesse na porta. Tinha dois carros parados de frente para a casa. Depois de alguns minutos um cara de nariz grande saiu com outro sorridente, dizendo que iam buscar mais comida.
Eles entraram no carro e saíram tão apressados que nem deram uma boa tarde para ela.
Mariko a chamou, dizendo que devia ser só uma comemoração qualquer. E lá fora estava frio, não queria ficar ali congelando mais.
— Espera mais um pouco. — Nami se virou pedindo calma para Mariko. Assim que ela voltou a olhar para a casa do lado, viu a porta se abrir e um homem de cabelos negros bem penteados para trás, sair de lá, acendendo um charuto. Nami recuou um pouco na calçada, já voltando para casa quando ouviu uma risada bem familiar. Ela olhou quem vinha atrás do homem grande e reconheceu os cabelos de Robin.
Ela não sabia o que fazer, a única coisa que queria era ir lá e pular em cima de Robin e abraçá-la até não ter mais força nos braços. Estava pronta para fazer exatamente isso, mas não na frente de todos.
O homem gargalhou com alguma coisa que Robin disse, e logo depois a arqueóloga abriu um sorriso ao ver a ruiva parada como um poste na calçada.
— Nami-chan. — Ela caminhou pelo jardim até a calçada, e abriu os braços, esperando pelo menos que ela viesse. — Eu já ia falar com você.
— Robin. — A ruiva não aguentou e foi até a morena, aceitando o abraço apertado, do jeito que queria fazer. — Por que não avisou que estava vindo?
— Desculpa, não tive como avisar. Foi tudo tão rápido. — Elas se separaram, e Nami puxou a morena pela mão, queria apresentá-la a Mariko.
A loira estava ainda na porta da casa de Nami, assistindo aquela cena toda. Ela deu um oi seco para Robin e entrou, dizendo que ia virar um picolé se continuasse ali. Nami pediu pra Robin entrar também, mas ela não poderia agora. Tinha algumas coisas importantes para fazer, pediu para que ela esperasse até a noite, que iria trazer uma surpresa.
Nami a viu entrar no carro do cara que fumava o charuto, ele estava buzinando já para ela ir mais rápido. A ruiva acenou para Robin, que fez o mesmo.
— Viu? Viu? Ela veio. — Nami entrou em casa pulando loucamente, caindo em cima de Mariko no sofá. — Você falou que ela não vinha, mas ela veio. — a ruiva mostrou a língua para a amiga, que a empurrou mandando que saísse de cima, ou ia morrer esmagada.
— Eu só disse porque ela está sempre ocupada, então falei para não criar falsas expectativas.
Mariko ficou emburrada no sofá, mas Nami nem percebeu.
— Vamos terminar logo essa faxina, porque eu quero fazer um jantar bem gostoso. E uma sobremesa também. — Nami deu uns tapinhas na perna de Mariko e se levantou, animada.
— Não posso, prometi pra minha mãe que ia ajudar ela depois. E a gente ficou tanto tempo enrolando que acabei esquecendo disso.
— Mas, Mariko. — Nami fez um olhar de choro, mas não era o suficiente para prender a loira ali. — Fica só mais um pouquinho. Por favor.
— Tá bom. Só mais uma hora, não vamos enrolar.
— Oba. — Nami apontou primeiro para as caixas, elas tinham que liberar espaço para continuar arrumando tudo. — O que será que a Robin vai me dar? Ela disse que tinha uma surpresa.
— Se você continuar falando nela eu vou embora.
— Certo, certo. Calei. — Nami sorriu, apertando os olhos, voltando ao trabalho.
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