A Vizinha
3 Ciumes faz parte
Mariko acabou ficando mais tempo do que queria. Ela ajudou Nami com a limpeza da casa, e o jantar. Não era uma cozinheira lá muito boa, mas pelo menos cortou os legumes certinho. Sem cortar o dedo, o que já era um grande avanço dela na cozinha.
Nojiko e Bellemere chegaram juntas, morrendo de fome. Primeiro a mais nova foi tomar um banho, enquanto a mãe ficou lá fora fumando, e conversando com a mãe de Mariko que fumava só de vez em quando, escondido, mas a filha sabia, só não comentava nada.
Nami olhava para o relógio a cada minuto e aquilo estava tirando a paciência de Mariko, que resolveu ir para casa, estava cansada e queria só um banho quente e cama.
— Volta depois para você conhecer melhor a Robin.
Mariko direcionou um olhar mortal para Nami.
— Eu vou dormir, amanhã vou com minha mãe fazer compras. — Ela deu boa noite para Nojiko e lá fora se despediu de Bellemere, enquanto sua mãe apagava o cigarro às pressas. Mariko nem ligou.
Na hora do jantar, Nami disse que Robin estava de volta e que era para esperá-la antes de começarem a comer. Nojiko reclamou com a mãe, porque estava mesmo com fome, mas Bellemere pediu que ela aguardasse só mais um pouquinho, já que Nami tinha se esforçado tanto.
Já eram nove horas e nada de Robin aparecer.
— Agora posso comer? — Nojiko bateu a colher no prato, esperando se servir da sopa que estava quase fria.
— Nami, tem certeza de que a Robin disse que viria jantar? — Bellemere foi até a janela onde a filha estava, olhando para a rua há duas horas.
— Ela disse que vinha à noite. — Nami encolheu os ombros, suspirando desanimada.
— Talvez ela tenha tido algum imprevisto. — Bellemere passou a mãos nos cabelos de Nami, em seguida pediu para ela ir jantar também.
— Não tô com fome. — Nami correu para o quarto batendo a porta com força.
Nojiko quis ir lá falar com ela, mas Bellemere achou melhor deixar Nami sozinha por um tempinho. Ela não tinha certeza, mas sentia que algo estava errado ali. Sua filha não era sentimentalista a esse ponto, ela era doce e gentil sim, mas não ficava magoada por qualquer coisa. Talvez estivesse na hora dela ter uma conversa com alguém.
Bellemere esperou Nojiko terminar de lavar a louça e ir para o quarto ficar assistindo televisão com Nami até dormirem. Ela desligou a tevê e cobriu as duas que estavam apenas com um cobertor fino.
Aquela semana ela estaria de folga do trabalho, então poderia cuidar mais da casa. Pegou algumas caixas que Nami havia esquecido na sala, ou largou lá de propósito mesmo, e foi levar para um quartinho no quintal, onde guardava várias coisas.
Ela ouviu vozes, e um barulhinho de música, estava baixo porque já era tarde, mas mesmo assim dava para ouvir. Bellemere acendeu seu cigarro e encostou-se na cerca que dividia os dois quintais. Ela esperou um pouco até alguém aparecer.
Um rapaz bem falante surgiu no quintal carregando uns sacos e colocou dentro da lata de lixo. Bellemere aproveitou e pediu para que ele chamasse Robin.
Ao invés de entrar e chamá-la, ele deu um grito que acordaria toda a vizinhança.
Robin veio rapidamente, pedindo para Luffy não gritar porque era tarde. Ele coçou a cabeça e entrou.
— Bellemere-san. — A arqueóloga se aproximou da cerca a convidando para entrar, já que ali estava frio.
— Não, obrigada. Estou bem aqui. Eu queria conversar com você. — Ela pôs os braços em cima da cerquinha, terminando de fumar o cigarro. — Sobre a Nami.
Robin deu um sorriso amigável como sempre, surpresa pela conversa.
— Aconteceu alguma coisa com ela? — Perguntou, em dúvida. Não sabia se Nami havia contado algo para a mãe, mas talvez não fosse exatamente isso. Bellemere parecia muito calma.
— Aconteceu sim. Ela passou duas horas chorando no quarto, porque você não apareceu para jantar. — O sorriso dos lábios de Robin se desfez, e ela tomou uma postura mais séria diante a mãe da jovem. — Calma, eu não vim aqui brigar com você. Só quero entender o porquê de ela ter chorado. Sabe, a Nami é bem durona. Nós passamos por dificuldades, é verdade, mas ela nunca chora à toa.
— Eu sinto muito. Não disse que ia jantar com ela. Apenas falei que ia levar uma surpresa mais tarde. Só que eu acabei de chegar.
— Imaginei que tivesse sido isso que aconteceu. — Ela cruzou os braços, protegendo-se do frio. — Robin-san, nos conhecemos há muito tempo desde que comprou essa casa. Eu a tenho com uma irmã mais nova.
— Obrigada, Bellemere-san.
— Mas, estou aqui como uma mãe que quer proteger a filha.
— Entendo a sua preocupação, mas...
— Deixa eu terminar. — Bellemere mexeu as mãos, pedindo para Robin ouvir. — Você é uma mulher adulta e bem resolvida. Sabe se cuidar sozinha. Nami ainda é uma menina, ela não tem experiência e... — Suspirou, massageando a cabeça. — Você me entende, não é?
— Sim. Eu entendo. Gostaria de explicar o que aconteceu.
— Não, Robin-san. Não precisa me explicar nada. Eu só gostaria que você pensasse um pouco em como deve estar confusa a cabecinha dela, afinal, já teve essa idade. E como cresceu sozinha, não tinha ninguém a quem conversar. Nami não fala comigo sobre certos assuntos, nem quando eu tento conversar, estou vendo minha filha se afastar de mim porque tem medo. Eu não sei muito bem como agir. Eu nunca fui um bom exemplo pra ninguém. Adotei elas porque senti que precisava cuidar das duas. E agora até eu não sei ao certo o que fazer. Seria mais fácil se fosse a filha de outra pessoa. — Bellemere deu um sorriso, deixando Robin mais aliviada, por ela não estar brava.
— Se me permitir, eu queria conversar com ela a sós depois. — Robin ouviu o pessoal chamando-a para entrar. Ela pediu mais um minuto. — Vou embora no dia dois, e fico mais um ano fora. Se der certo algumas coisas, fico mais dois anos.
— Fico feliz por você. Pode falar com a Nami quando quiser sim. Não vou impedir isso.
Bellemere mandou que ela fosse se divertir com os amigos e aproveitar a semana de folga. Antes de entrar, Robin a chamou.
— Eu queria dizer que não tenho intenção alguma de magoar a Nami. Essas coisas acontecem naturalmente, eu não pude evitar.
— Acho que podemos evitar sim. — Bellemere abriu a porta e deu um passo pra dentro, voltando em seguida. — Mas eu acredito em você Robin, eu te entendo.
Ela deu boa noite e entrou de uma vez.
Robin ainda ficou ali fora por um tempo, organizando os pensamentos, antes de Luffy e Usopp a chamarem de novo. Se ela não fosse, eles iam acabar gritando ainda mais alto. E essa não era uma boa ideia.
Nos dias seguintes, Nami tentou se ocupar de tudo quanto era jeito. Ela fez uma nova faxina na casa, ajudou Bellemere a plantar no quintal os pés de laranja. Foi com Nojiko ao centro procurar algumas coisas para a festa de ano novo, e saiu com Mariko quando sobrava um tempinho. Quando não estava fazendo nada disso, ela se trancava no quarto e ninguém sabia o que fazia.
Bellemere tentou conversar com ela, mas parecia que era inútil. Nojiko também, mas não teve muito sucesso. Elas pediram para Mariko tentar ver se conseguia alguma coisa, mas Nami pedia para ela não tocar no assunto. E no fundo Mariko estava até contente com isso. Só não gostava de ver Nami triste pelos cantos. Ela queria ir lá da um soco na cara da tal Robin, para nunca mais fazê-la chorar. Como se a morena realmente fosse a culpada. Ela era, mas não era a culpa dela, não diretamente.
Um dia antes da véspera de ano novo, Nami estava colocando o lixo para fora. Ela viu um carro estacionar, reconhecendo-o de outro dia. O homem do charuto saiu do carro, dando bom dia para ela, com um sorriso sinistro nos lábios, devolvendo em seguida o charuto à boca.
Ela não respondeu, apenas mexeu a cabeça.
Robin apareceu logo depois. Ela estava com um vestido roxo, não muito comprido, meias de lã e um casaco por cima, usava uma boina também e luvas. A morena parou na calçada, falando qualquer coisa com o chefe, mas Nami não ouviu. Só o viu dar uma gargalhada e entrar novamente no carro. Mas sozinho.
— Nami-chan. Posso conversar com você um pouco? — Robin pediu para ela entrar um minutinho, mas Nami achou melhor não ir. — Não se preocupe, estou sozinha em casa. O Zoro viajou com um amigo para passar o ano novo em outro lugar. Vem.
Como se estar sozinha resolvesse as coisas.
— Pode falar aqui mesmo. — Nami tentou se fazer de difícil, mas quem ela enganava? Estava louca para saber quais eram as desculpas de Robin.
— Tem certeza que eu posso falar aqui mesmo na rua? É algo sério.
A ruivinha pensou um pouco, e então resolveu ir até Robin. — Tá certo. Mas é só um minutinho.
Ela entrou de uma vez.
Robin fechou a porta, e tirou o casaco pendurando-o no cabideiro perto da entrada. Também tirou os sapatos e as luvas. Nami estava já na sala, olhando como tudo parecia diferente desde a última vez que estivera ali. Robin sorriu, dizendo que Zoro era um pouco bagunceiro, e bastante desastrado, acabou quebrando algumas coisas e tendo que comprar móveis novos.
Ela ofereceu um chá quente, mas Nami não aceitou. Mesmo assim Robin foi para a cozinha e fez então duas xícaras de chocolate quente.
— Aquele homem, de agora pouco. Por que ele foi embora?
— Ah! Ele é o meu chefe. Não é um arqueólogo, mas é bem rico e adora gastar dinheiro com expedições. Nós íamos nos encontrar com outra arqueóloga, uma amiga que esta trabalhando na expedição que eu vou ano que vem.
— Eu já vi essa sua amiga?
— Não. Ela não mora no Japão.
— E o seu chefe? O que ele ganha com as expedições?
— Ele acha que um dia vai lucrar com algum tesouro perdido muito valioso.
— Que idiota.
— Nem tanto. Se não fosse por ele, pessoas como eu não teriam oportunidade de pesquisar o passado. — Robin mexeu com uma colher o leite e o chocolate, adoçando-o um pouquinho em seguida, ainda lembrava-se de como Nami gostava de chocolate quente. Ela entregou a xícara para a jovem, que aceitou de prontidão. — Vem aqui no meu quarto, quero te mostrar uma coisa.
— Acho melhor não.
— Nami, não vou fazer nada. Não fique com medo de mim. Vem.
Ela segurou a mão de Nami, levando-a para o quarto, explicando que sentia falta de sua casa. Mas que também era muito bom viver uma aventura como ela estava vivendo.
Já no quarto, Robin pegou uma caixa de dentro do armário e entregou para Nami.
A garota deixou a xícara sobre a cômoda, e sentou-se na cama para abrir o presente. Ela parou um minutinho, recordando-se de certas coisas que aconteceram ali mesmo há algum tempo atrás. Nami sentiu um arrepio na espinha e encolheu os ombros, ficando envergonhada por uns segundos.
Robin sentou-se ao lado dela e pediu que abrisse logo, estava ansiosa para que ela visse o presente.
— O que é?
— Abre primeiro para ver.
Nami puxou o laço vermelho e rasgou o papel de presente, pedindo desculpas para Robin, mas a morena não achou mal. Ao contrário, adorava ver Nami daquela forma.
— O que é isso? — Ela jogou no chão a caixa com os papeis brancos que embrulhavam o tecido.
— Espero que goste. É para passar o ano novo vestindo ele. — Robin se levantou ajudando Nami com o quimono tradicional de seda vermelho.
— É lindo. Lindo. Eu nunca tive um assim, tão lindo. — A ruiva colocou a peça em cima da cama, tomando cuidado para não amassar. — Deve ter sido muito caro. Robin, você não precisava ter gastado seu dinheiro comigo.
— Não se preocupe com isso. Quem pagou foi meu chefe, ele não liga.
— Então tá bom. — Nami abriu um sorriso enorme, passando a mão na seda tão macia. Os desenhos de garças e leques eram bem coloridos e destacados, mas o principal que chamava mais atenção era o dourado na borda das mangas. — Parece até ouro. — Os olhinhos dela brilharam.
— Sim. — Robin ficou contente por ela ter gostado, queria muito dar algo importante para Nami, e estava receosa de ter que falar agora com ela sobre o assunto sério que prometeu a Bellemere. Receosa porque não conseguiria se afastar dela como deu a entender que faria.
— O que você queria falar para mim? — Nami sentou-se na cama, ao lado do presente, e pegou o obi ainda dentro da caixa para ver como ficava.
— Na verdade... — A morena esperou que a garota terminasse o que fazia. — Eu queria falar com você sobre nós duas.
Nami deixou o obi em cima do quimono e passou a prestar mais atenção em Robin. Ela queria muito poder falar tudo o que estava acumulado em seu coração nesses quase dois anos, mas era tão difícil.
Quando Robin começou a conversa, dizendo que falou com Bellemere, o coração de Nami quase saltou pela boca. Ela já ia brigar com a arqueóloga por ter contado para sua mãe, mas Robin logo esclareceu que foi Bellemere que a procurou.
— Eu não falei nada para minha mãe, juro.
— Claro. Acredito. Mas ela sente quando alguma coisa de errado acontece com suas filhas. Eu não queria te magoar aquele dia, estava trabalhando e cheguei tarde, não achei que ia ficar me esperando.
— Tudo bem, tudo bem. Eu não estou mais brava com isso. Foi bobagem minha, eu sei.
— Nami, você ainda é muito nova.
— Ah não. Por favor, não começa com esse discurso de que eu sou nova demais para entender o que estou sentindo. Eu sei que sou nova, mas isso não quer dizer que eu não saiba diferenciar as coisas quando as sinto. É o meu coração, e eu que sei o que se passa aqui dentro. Os adultos acham que sabem tanto assim, mas parece que se esquecem do que viveram quando eram mais novos.
Robin a ouviu desabafar pacientemente. Quando ela terminou, fez uma cara emburrada com os braços cruzados, mas não durou muito aquela braveza toda.
— Você não me deixou nem terminar o que eu ia dizer.
— Me desculpe Robin, eu acho que estou com medo de ouvir o que você tem pra me dizer.
— Que bobagem. — A morena mexeu nos cabelos de Nami, eles já passavam dos ombros, estava ainda mais bonita assim. — Em um ponto sua mãe está certa em se preocupar com você. Eu não tive mãe então não sei como é isso, mas sempre desejei que alguém cuidasse de mim assim, invejo você. Por outro lado, ela pediu para que eu pensasse no que estava fazendo, pensasse em você. Nos seus sentimentos.
— É? E o que você pensou?
— Que você é sim jovem, mas mais cedo ou mais tarde isso poderia acontecer.
— Você fala como se fosse a coisa mais normal do mundo. — Nami sussurrou, abaixando a cabeça.
— Mas é. Tão normal e natural quanto qualquer outra coisa. — Robin aproximou-se dela na cama e a puxou para um abraço. Nami se aconchegou nos braços da mais velha, e fechou os olhos, sentindo aquela sensação gostosa que teve quando se reencontraram na calçada.
— Robin, não quero que vá.
— Acho que já ouvi isso antes. — Robin acariciou o rosto de Nami, fazendo-a levantar a cabeça para poder olhar melhor seu rosto. — E me lembro também que alguém me prometeu o tanto de torta que eu quisesse comer.
— Você só veio pensando na minha torta? — Nami estreitou os olhos, mudando o tom de voz.
— Não posso negar. Mas também vim por você. — Ela sorriu, segurando mais forte Nami com seus braços quando a ruivinha se levantou zangada, ela acabou caindo no colo da morena, e ficou lá mesmo. Porque Robin não a deixou sair. — Mas principalmente por você, Nami. Queria te ver com esse quimono.
— Se quiser eu posso pôr ele agora. — Nami não fazia ideia de como uma simples sugestão podia mexer com a cabeça de Robin. Porém, a morena sabia ser paciente.
— Melhor não, posso esperar até amanha. Vou levar você aos templos. Se a sua mãe deixar. Ela e a Nojiko também podem ir.
— Posso levar a Mariko?
— Pode. Se ela quiser. Acho que sua amiga não gosta de mim.
— Ah. É porque ela não te conheceu direito. Aposto que ela vai adorar você.
Robin levou uma das mãos até as costas de Nami, e a outra ficou segurando a mão dela, sem querer soltar. Nami começou a contar todas as coisas interessantes que aconteceram nesse tempo afastadas. Ela não ia mais parar de falar se Robin não tivesse interrompido com um beijo.
Nami levou as mãos até os ombros da morena, e fechou os olhos, sentindo os lábios quentes dela tomarem o seu devagar. O beijo foi tomando vida com os movimentos delas. Robin apertou as mãos na cintura de Nami, fazendo-a se mexer toda em seu colo, encolhendo-se mais conforme era abraçada.
Elas diminuíram naturalmente o ritmo do beijo, até Nami pousar a cabeça no ombro de Robin, entrelaçando seus dedos nos dela.
Ficaram ali o resto da manhã, mas Nami tinha de voltar para casa, porque logo sua mãe e sua irmã voltavam das compras de última hora, algumas coisas que faltaram.
Nami se despediu de Robin, e saiu da casa dela com a caixa de presente na mão. Ela já estava abrindo o portãozinho se sua casa, quando Mariko apareceu atrás dela, dando um susto.
A caixa com o quimono caiu no chão, e a tampa saiu. Nami abaixou-se rapidamente para arrumá-lo e assim não sujar. Ainda bem que não caiu virado para a calçada.
— Mariko! Não faz mais isso. — Ela disse brava, tampando a caixa. — Poderia ter rasgado ou sujado.
— O que é isso? — A loira deu um espiada por cima dos ombros de Nami, que estava ainda de costas. — Você foi comprar uma roupa nova e nem me chamou? — Ela fez um bico, emburrada.
— Não, eu ganhei de presente da Robin. Quer ver? — Mariko não respondeu. Nami foi entrando na sala, e olhou para ver se ela vinha. — É tão bonito, vem ver. Me ajuda a colocar.
Mariko respirou fundo, olhando para a casa da vizinha de Nami, ela estava saindo. Achou melhor entrar logo para não ter que falar com ela.
Nami queria experimentar logo o quimono, estava ansiosa para se ver no espelho com ele. Mariko a ajudou e depois prendeu os cabelos da ruiva, colocando uma caneta improvisada no coque que fizera.
— Ficou bonita. — A loira deu um sorriso fraco, mas Nami não percebeu porque estava muito ocupada se admirando na frente do espelho. Ela sempre quis ter um daquele, mas Bellemere não podia comprar. Esse ano ia usar um que costumava por apenas para ocasiões especiais, mas já tinha tantos anos que usava, era capaz dele sair correndo dela.
— A Robin chamou a gente para ir visitar os templos depois da celebração. Daí nossas mães podem ficar conversando lá enquanto podemos passear. Vai ser divertido. — Nami procurou numa gaveta do armário por um arranjo qualquer, e colocou no cabelo para ver como ficava.
Mariko disse que ia perguntar para a mãe dela se poderiam ir. Afinal, queria muito fazer isso, e não ia se privar da diversão só por causa da arqueóloga.
Ela deixou Nami se enfeitar na frente do espelho e sentou-se na cama, olhando para o mural de fotos da ruiva.
— Nami, nós somos amigas não é?
— Claro que sim. Por que a pergunta? — Nami olhou Mariko por uns segundos e voltou aos olhos para o espelho.
— Então por que você não me conta o que esta acontecendo?
— Não esta acontecendo nada.
— Pois não é isso que eu estou vendo. — Mariko se levantou e ficou atrás de Nami, a ruiva podia ver a amiga pelo espelho, e a cara dela não era nada boa. — O que esta acontecendo com você e essa tal Robin?
— Eu não gosto do tom que você usa para falar da Robin-san.
— E eu não gosto do jeito que você trata ela. — Mariko achou melhor ir embora antes que falasse mais do que devia. Geralmente ela não estaria se importando para isso e colocaria tudo pra fora o que a incomodava, mas era diferente com Nami, elas brigavam às vezes, mas Mariko nunca quis magoá-la de verdade.
— Você nem deu uma chance para conhecer ela melhor. E já vai tirando conclusões precipitadas. — Nami foi andando até a sala atrás da amiga.
— Não quero conhecer ela melhor. Acho que você já conhece até demais. Eu quero ficar longe disso.
— O que você está insinuando?
— Nada, Nami. Vai lá se arrumar pra Robin-san. Você só sabe fazer isso agora.
— Espera Mariko. — Nami saiu na rua e foi bater na porta da garota, quando ela fechou na cara da amiga. — Você está com ciúmes?
— Não fala besteira. — Mariko respondeu encostada atrás da porta.
— Parece que está. Ou então tá com medo de perder a única pessoa que te atura, fora sua mãe.
Mariko apertou os olhos, trincando os dentes, é verdade que ela não tinha muita facilidade de manter uma boa amizade, mas não precisava jogar na cara dela isso. A loira abriu a porta, olhando furiosa para Nami.
— Você é muito burra sabia? Aquela mulher tá usando você como uma boneca e eu que tenho que ouvir essas coisas?
— Ninguém tá me usando.
— Tá bom, então. Quando ela for embora, não vem choramingar no meu ombro. — Ela fechou a porta novamente, e Nami voltou para casa.
Bellemere e Nojiko já estavam no portão quando a ruiva passou por elas feito um raio.
— Mãe, por que a Nami esta vestida daquele jeito?
— Eu tenho um palpite, mas prefiro não comentar. — Bellemere entrou com Nojiko e foi ver o que Nami tinha. — Aconteceu alguma coisa? Quem te deu essa roupa?
— A Robin-san.
Bellemere suspirou, precisava de um cigarro urgentemente. Mandou Nojiko ir comprar. A filha mais velha questionou que ela tinha prometido não fumar até o dia dois de janeiro, mas Bellemere não ia aguentar tantas emoções sem um pouco de nicotina.
Nami tirou o quimono e o dobrou com cuidado, guardando-o na caixa, e deixando em cima da cama. A mãe dela trouxe um chá quente, e sentou-se na cama da filha.
— A Robin-san te deu um presente bonito, mas é muito caro, você vai ter que devolver.
— Não. — Nami reclamou. — Ela me deu porque quis, além do mais, foi o chefe dela que pagou. Não vai fazer diferença. Ele tem dinheiro.
— Eu não me importo com isso. Não é o dinheiro que conta. Você não pode aceitar um presente desses Nami. Ele tem um significado maior, não tem?
— Mas eu quero aceitar. — Ela resmungou, deitando a cabeça no colo da mãe. — Eu sei o que significa, por isso aceitei. Não vou devolver.
— Nami, você é uma menina ainda, está confusa, é natural. Aconteceu comigo também, mas a gente supera essas coisas. Robin-san vai embora e me disse que pode demorar, o que vai fazer? Ficar esperando até ela voltar?
— É o que eu pretendo.
Bellemere sorriu, fazendo um carinho nos cabelos da filha. — Vamos combinar uma coisa então. Eu deixo você ficar com o presente se me prometer que não vai ficar mais deprimida.
— Jura? Eu posso mesmo ficar? — Nami secou as lágrimas, erguendo a cabeça.
— Você me promete então que não ficará mais deprimida?
— Prometo. Não vou chorar mais, não vou mais brigar com a Mariko também. Vou lá pedir desculpas pra ela.
A garota deu um beijo no rosto da mãe, e saiu da cama aos pulos, correndo pela casa, atropelando Nojiko que voltava com os cigarros da mãe.
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