A Visão Amaldiçoada
5 Aflição
Capítulo Quatro – Aflição
Nenhum aluno se atrasou para a primeira aula a nota matéria do currículo escolar. No horário, BNP atiçava a curiosidade de todos, que correram para a sala indicada em seus pergaminhos, no sexto andar, próxima à sala dos professores. Gryffindor e Slytherin se juntaram em peso, como o exigido pelo horário. Depois que todos estavam sentados, uma jovem entrou pela porta. Usava capa preta por cima da roupa toda jeans e tinha seus volumosos e longos cabelos cacheados soltos. O silêncio se fez quando ela virou de frente para os alunos.
– Bom dia! Bom, essa é a primeira vez que eu ensino e vocês são meus primeiros alunos, então sou tão nova nisso quanto vocês. – ela calou-se e passou os olhos pela turma. Notou que todos deviam estar pensando a mesma coisa: ela é tão jovem! – Bom, primeiro deixa eu satisfazer as curiosidades de vocês. Meu nome é Maria Rivez. Faz só três anos que eu me formei aqui em Hogwarts, por isso alguns de vocês estão com a sensação que já me viram em algum lugar. Essa matéria nova... Eu acho que já devia existir a muito tempo. Dumbledore foi tudo de bom ao me chamar pra isso! – os alunos sorriram ao ver que ela falava como eles – BNP é a siga de Basic Notions of Politics. Noções Básicas de política. Ah, não façam essas caras, não vai ser ruim como soa. – pediu sorrindo ao ver que alguns alunos torceram o nariz – vai ser bem legal. A matéria é mais ampla do que o nome diz, a gente vai debater, mais do que ter aulas, vamos trocar idéias e ajudar uns aos outros a entender muitas coisas, vamos falar sobre assuntos como ética, civilidade, direitos humanos, vocês vão gostar. Eu quero que todos participem, ok? Política e todos esses assuntos não podem ser simplesmente uma pessoa falando e o resto abaixando as orelhas e aceitando tudo. Se vocês têm uma opinião, nunca vai importar se esta é diferente da minha, vocês devem falar, colocar pra fora, desabafar, botar a boca no trombone, chutar o pau da barraca! – falou de maneira que fez os alunos rirem, e ela também – O objetivo das minhas aulas será incentivar vocês a pensar, analisar melhor as coisas da vida, ser mais críticos e, quem sabe, conseguir mudar coisas significativas.
Rafaela cochichou para Hermione – Aí está uma matéria que eu vou amar!
Lavender Brown levantou a mão do meio da sala – Mas mudar tipo o que, professora?
– Lavender, né? – e, vendo o sinal de positivo, continuou – Lavender, você acha mesmo que todas as coisas por aí estão certas?
– Que coisas?
– Harry riu alto, irônico – Ah! Tipo uma guerra, por exemplo?
Maria sorriu pra ele, concordando – É, tipo! – e voltou a olhar para a classe – Mas não é só da guerra e da volta do Fedido que eu estou falando, não.
A sala se entreolhou e alguns alunos, como Harry, Ronald e Hermione, riram alto.
- Estou falando de um cenário geral, uma coisa mais política. Acho que vocês ainda não têm uma noção muito ampla disso, apesar de eu saber que muitos são bem informados com as notícias e tal, mas... – falou desencostando-se da mesa e indo à direção da lousa – Vamos começar com um pouco de história. Chato, né? – disse virando a cabeça para os alunos, que riram – Mas vai ser resumido. Olha, esqueçam de copiar matéria, só façam anotações do que acharem importante, tá?
Escreveu a frase “História Política no Mundo Magico” e voltou a se encostar à mesa.
– Vocês todos sabem que nosso Ministro da magia é Cornelius Fudge. Pode ser inclusive chamado de “presidente”. Tem uma coisa no mundo trouxa chamada “eleições”...
Maria explicou noções de democracia, voto direto, e explicou que a diferença era que eles mesmos não tinham aquilo, já que ninguém podia dar a opinião numa escolha de Ministro, e explicou como aquela escolha influenciava a vida de todo cidadão. Então, os alunos opinaram que deveriam ter o direito de opinar em relação a essa escolha, já que era tão importante. Alguém perguntou à professora se o Ministro precisava ser trocado, e ela se absteve de dar sua opinião própria, dizendo que quem acredita que sim deveria ser ouvido, e que todos podem pensar o que quiserem e enfatizou que, mesmo que o povo todo quisesse isso, não podia fazer nada. Os alunos se soltaram cada vez mais, dando suas opiniões, e vários deles concordaram quando Harry disse que achava que Dumbledore deveria ser o Ministro.
– Cara, isso seria da hora! – disse Maria diante da turma – Eu também acho, ele é inteligente, esperto, competente e confiável. Só a minha opinião! Mas como é que o povo faria pra colocar ele lá? Ele, ou qualquer outra pessoa que quisesse entrar e que o povo quisesse que entrasse?
Para explicar que o povo poderia mudar coisas se fosse unido e organizado, ela contou alguns fatos históricos em que isso acontecera no passado, coisas que os alunos nunca tinham ouvido falar, já que os livros de história nunca se aprofundavam neles. Os alunos ficaram pensativos e admirados com a professora, jovem e alegre como se fosse um deles, e com assuntos tão interessantes para falar.
A matéria nova foi assunto geral entre todos os que tiveram aulas com ela. O assunto, depois do ano anterior, era muito mais interessante do que em qualquer outra época. Melhor ainda porque o Ministério estava em crise, teriam muito assunto para as aulas.
Na aula seguinte, bem menos gente se concentrou na sala de Defesa Contra Artes das Trevas. Harry foi pra lá junto com Hermione, Ronald e Rafaela. Além deles, estavam Dean, Seamus, Neville, Malfoy, Crabbe e Goyle. Apenas dois alunos da Huflepuff e um da Ravenclaw completavam a classe. Todos estavam excitados pela aula – excetuando-se os Slytherin -, por saber que o melhor professor que já tiveram em todos aqueles anos estaria de volta. Remus Lupin entrou sorridente, fechou a porta atrás de si e recebeu feliz os cumprimentos dos alunos.
– Boa tarde!
Os alunos responderam contentes. Rafaela sorriu de leve, lembrando-se do gesto de apoio que ele a dera na noite de sua detenção, e a sensação que teve no estômago dessa vez foi completamente diferente do que a que vinha sentindo diariamente.
– Estive checando seus notas do ano passado, e percebi que aquele que realmente tiveram aulas de Defesa, aulas de verdade, tiveram notas excelentes.
Todos os alunos da Gryffindor se olharam sorrindo e alguns cumprimentaram Harry.
- O restante, bem... O restante precisará se concentrar mais nas aulas para se formar para o próximo ano. – Remus disse olhando sem disfarçar para os Slytherin, e prosseguiu – Eu me lembro muito bem de cada um de vocês, portanto não precisamos de apresentações, exceto pela Srta. Salles, a quem também já fui apresentado antes. Vi suas notas também, parabéns pelo “impressionante”.
Rafaela sorriu em agradecimento e Remus se desencostou da mesa, indo até o quadro negro – A maioria de vocês já conhece bem as Artes das Trevas, apesar de terem sido ensinados por terríveis professores nos últimos anos.
Ronald murmurou – Pode apostar.
– Então vamos retornar aos nossos cinco anos anteriores, apenas para revisar.
* * *
A sala dos professores não costumava ficar cheia. Eles passavam por lá durante o dia todo, entre as aulas, mas nunca ficavam por muito tempo pelo fato de cada um deles ter seu próprio escritório, que era também onde moravam. Naquela tarde, Maria entrou na sala, ainda achando muito estranho o fato de ter acesso, quando poucos anos antes era aluna e completamente proibida de pisar lá. Foi matar o tempo até sua próxima aula e chegou carregando alguns livros. O professor Lupin estava lá, sentado pensativo a uma poltrona, sem fazer nada.
- Olá, Lupin! – disse Maria, pousando os livros sobre a mesa que ficava no meio da sala
- Ah, olá, Maria. Pode me chamar de Remus, afinal somos colgas de trabalho agora.
- É, tá certo... Desculpa, você foi meu professor no meu sétimo ano, isso é estranho.
- Não se preocupe.
Ficaram em silêncio novamente e Maria o observou.
- Preocupado com alguma coisa? – ela perguntou
Remus a olhou pensando se devia falar ou não. Em instantes, respondeu – O seu que você é nova tanto no corpo docente do castelo quanto na Ordem... Por isso me pergunto sobre quais informações está informada e sobre quais podemos falar.
- Ahm... Eu estou bem informada, até. É algo que envolve as duas atividades?
- Sim.
- Bom... Então acho que deve ser sobre a... Aluna.
- Exato. Então você está informada.
- Sim. Situação complicada... Estou com pena dela, mas achando que ela está atuando incrivelmente bem.
- Está, e não é isso que me preocupa. Não é apenas ela que está atuando incrivelmente bem.
- Bom, todos nós temos que estar, não é?
- Me refiro a Snape. – Remus disse, preocupado
- Como assim? – Maria perguntou sentando-se a outra poltrona
- Você não estava na última reunião da Ordem, portanto não ouviu o que ele respondeu à pergunta do Albus sobre como ele estava sendo obrigado a agir diante da Srta. Salles.
- É muito ruim?
- Ruim? É terrível. Ele a agrediu! – Remus disse com raiva – Fisicamente, de verdade, bateu nela.
– Isso é terrível!
- Sim, é terrível. Me pergunto até que ponto isso é realmente necessário.
- Deve ser muito necessário, Remus. Se o Fedido está vendo tudo...
- Voldemort pode ver as atitudes dele... Mas a força que ele disse ter usado contra ela, não consigo deixar de pensar que poderia ter sido mais moderada.
- Entendo... Mas Remus, nós sabemos que estamos ao lado dela, a inteligência está fazendo os planos pra acabar com isso, vai passar logo. A Rafaela está sendo muito forte.
Remus não respondeu, os dedos entrelaçados sobre o colo e uma das pernas balançando freneticamente.
- Mas se você acha isso... Poderia conversar com o Snape.
- Não poderia. – ele respondeu prontamente – Snape e eu nunca fomos bons amigos. Ao menos bons colegas. Nós não conversamos sobre assuntos sérios, e raramente sozinhos.
- Tá, eu falo com ele. – Maria respondeu dando um sorrisinho – Eu era da casa dele! – respondeu ao ver o olhar de dúvida de Remus – Somos dois Slytherins, talvez eu consiga falar melhor com ele do que qualquer outro.
Remus se calou, aceitando, e voltou a falar – Ainda não sei como uma Slytherin pode ter saído tão diferente dos outros colegas.
- Não é a casa que nos faz, Remus, somos nós mesmos.
A porta da sala dos professores se abriu e Snape entrou. Parou por um instante para olhar para Remus e Maria, que se calaram ao vê-lo, e fechou a porta atrás de si. Entrou sem cumprimentar nenhum deles. Remus fez um sinal com a cabeça para Maria e se levantou, pediu licença, e saiu. Maria observou Snape ir até a estante de livros e começar a devolver alguns exemplares aos seus lugares.
- Oi, Snape. – ela disse
Snape a olhou brevemente, fez um gesto minúsculo com a cabeça, e voltou ao que estava fazendo.
- Posso falar sobre um assunto com você? – ela perguntou
- Fale antes que eu saia.
- Sobre a aluna. – ela disse sem rodeios e Snape a olhou – Eu sei que está sendo vigiada, que você precisa atuar na frete dela, e tal. Mas... – ela pensou nas palavras – mas eu soube que você a agrediu, e eu sei que talvez fosse necessário, eu não estou do seu lado pra saber, mas... Eu sinto por ela, Snape, será que... Não dava pra pegar menos pesado?
Snape a olhou com ar de desprezo por longos segundos. Maria já se arrependia do que falaram, acreditando que havia ido longe demais.
- Você tem razão quando diz que não está do meu lado para saber. Srta. Rivez. – ele disse, duramente, caminhando na direção dela a passos lentos – Você e mais nenhum outro sabem o que é estar daquele lado e ser um Comensal, e agir como um. Não quero que se intrometa em assuntos que não são de sua responsabilidade dentro da Ordem. – fez uma pausa – Diga para o seu amigo Lupin para parar de mandar recados e, se ele quiser me questionar, que venha falar comigo diretamente, e não por um moleque de recados!
Maria se levantou – Oi, peraí, Snape! Eu não sou mais sua aluna e não quero você falando nesse tom comigo. Eu falei numa boa! Nem quando eu era aluna você podia falar com grossura comigo, mas até lá a gente relevava, mas agora não. Eu não sou um moleque de recados e só falei porque compartilho da preocupação do Remus, então nem vem. Não quero ouvir esse tom comigo.
Maria deu as costas e saiu da sala, deixando Snape pregado no chão, surpreso com a reação. No corredor, encontrou Remus novamente, que parecia estar esperando por ela para saber como fora a conversa.
- Lógico que ele não me deu uma resposta decente! – ela disse – Mas Remus, talvez não tenha jeito mesmo... Se o Fedido acha que ele é um comensal, e um dos mais fiéis, ele tem que agir assim, não tem escolha. Nós sabemos como os comensais são, são violentos mesmo, ele não pode deixar de agir assim
Remus respirou fundo, como se não aceitasse a resposta, impaciente.
- Ok, eu sei que você se preocupa com todas as pessoas que estão sofrendo nas mãos desses caras, todos nós nos preocupamos... Mas por que você está tão preocupado assim com ela?
- Não é uma preocupação maior do que a normal.
- Sei... – ela disse, sorrindo para Remus – Claro.
- O quê? – ele perguntou – Por que acha isso estranho?
- Por nada! Não sei, talvez... Esteja um pouco mais aflito do que todas as outras pessoas que também estão preocupadas com a Rafaela.
- Não seja absurda. – Remus disse e começou a andar. Maria o acompanhou.
- Cuidado, viu, se você começar a falar sobre essa tamanha preocupação perto da sua namorada ela vai ficar meio brava! – disse rindo
* * *
– Vocês não acham que está tudo calmo demais? – perguntou Neville, meses depois, quanto todos estavam na sala comunal, após terem sido dispensados de uma aula de Trato de criaturas Mágicas por causa de uma tempestade.
– Como assim? – perguntou Ronald
– Sei lá... Nada acontecendo, ninguém desaparecendo, ninguém morrendo...0
– Neville! – ralhou Hermione – Você iria preferir se essas coisas estivessem de fato acontecendo?
– É claro que não! – defendeu-se – Mas é estranho que não estejam, vocês não acham?
– Não faz tanto tempo – respondeu Ronald – que ele retornou.
- Eu acho esquisito. – Neville continuou – Nós tivemos toda aquela situação caótica no Ministério, todo mundo vê que ele voltou, vira notícia e aí... Nada? É assustados, vocês concordam?
– Ele está certo. – Harry falou de repente – Voldemort está quieto demais. – fez-se silencio – Eu não acho que isso é um bom sinal. O plano dele dessa vez deve ser muito maior…
– A maioria dos comensais estão na prisão. Deve ser tudo mais difícil agora. – disse Hermione
– Os mais fiéis ainda estão com ele, como Bellatrix e Petigrew. – Harry disse com ódio surgindo na voz ao dizer seus nomes – E na verdade nada é realmente difícil pro Voldemort.
Houve um silêncio mórbido. Todos tinham medo daquele nome, agora mais do que nunca. Rafaela estava muito quieta a um canto, sem poder evitar ouvir a conversa, por mais que desejasse isso, apavorada que alguém dissesse algo que entregasse algum segredo que Voldemort não poderia saber.
Parvati, que estava com eles, mas não falara nada sobre o assunto, por medo até da conversa, interrompeu – Er... Gente… Vamos jantar? Está quase na hora...
Ronald agradeceu-a em pensamento – Sim! Foi um longo dia.
Todos se levantaram e começaram a sair do salão. Ao se levantar, Rafaela sentiu a já muito conhecida sensação de tontura e a vista nublada.
“Fique na sala. Sozinha” – ordenou a voz em sua mente
- Ahm... – começou Rafaela assim que a sensação passou – Eu preciso ir ao toalete, podem ir sem mim, encontro vocês lá.
Todos se despediram dela e saíram pelo quadro da Fat Lady. Assim que ficou sozinha na sala comunal, Rafaela disse em voz alta, rouca de medo – Estou sozinha agora.
“Procure por Snape. Agora!!” – ordenou a voz, mais fria e sibilante do que nunca
Ela esperou alguns instantes para ter certeza de que os colegas já estavam longe e desceu pelos corredores. Tremia por dentro. Caminhou depressa e chegou ao escritório de Snape em alguns minutos. Bateu de leve na porta. Snape a abriu quase imediatamente, Olhando-a de cima, ordenou que entrasse.
- Você queria… Quero dizer… Ele me mandou… Vir.
- Sejamos breves. – disse seco – O momento está chegando.
Rafaela engoliu com dificuldade – O que vai acontecer?
Como se estivesse mandando Rafaela preparar uma simples poção, Snape explicou o que ela deveria fazer em alguma das visitas a Hogsmeade, que ainda seria determinada. O momento que ela queria que nunca chegasse se aproximava.
Rafaela hesitou, sem se atrever a dizer nada. Snape percebeu e, colocando as mãos na cintura, deu passos lentos e ameaçadores na direção dela.
- Tem algo a dizer, sangue-ruim?
Rafaela fez que não com a cabeça.
- Olhe para mim enquanto responde! – ele gritou
Rafaela se encolheu, dando um passo para trás, e olhou apavorada para o professor.
- Não quero hesitação. – ele disse, encarando-a mais de perto – Quando o momento chegar você vai obedecer sem questionar, está claro? – ele perguntou, segurando-a mais uma vez pelo pescoço – Não ouse questionar as ordens do Lord das Trevas!
Rafaela sentiu a mão dele apertá-la e um traço de satisfação percorrer o rosto de Snape. Não conseguiu respirar, segurou a mão dele por cima de seu pescoço, desesperada.
Em um instante, Snape viu os olhos dela tornarem-se vermelhos e suas pupilas ficaram na vertical. Sua expressão mudou de pavor para raiva e ela disse, numa voz que Snape conhecia bem e sabia que não era da aluna – Solte-a!
Snape a soltou imediatamente e o corpo dela foi ao chão. Mesmo caída, olhou para cima, encarando Snape, ainda com aqueles olhos – Não a machuque o suficiente para que não possa agir! Controle-se!
E, assim como havia começado, parou. Rafaela deixou-se cair deitada, tossindo e chorando.
- Levante-se. Agora. – Snape falou novamente
Tremendo, Rafaela ficou em pé, massageando o pescoço e rentando controlar a respiração. Snape apontou a varinha para ela, fazendo com aquela ela praticamente corresse de costas até encontrar a parede.
- Vulnera Sanentur.
Rafaela sentiu a dor no pescoço passar, mas não o medo. Snape virou de costas e ordenou que ela saísse.
* * *
- Ei, Potter!
Harry parou devagar de andar e virou apenas a cabeça para trás, sem tirar as mãos dos bolsos – O quê?
Malfoy estava se aproximando – Acha que está livre de mim?
- Eu não costumo pensar em você. – disse deixando de olhá-lo e voltando a andar devagar
– Não me vire as costas enquanto eu falo!
Harry fez um muxoxo de impaciência e não se virou.
– Eu entendo, você não tem nem mesmo a energia pra me encarar, nao é? Acabou de perder seu amado e querido padrinho Black, o bandido bonzinho!
Harry parou e se virou, sem se alterar – Que bom que eu tinha certeza de que ele era inocente quando morreu, e que ele morreu lutando pelo bem. Já o seu pai foi pego no ato tentando matar gente inocente, e todos sabem o quão culpado ele realmente é. Além disso, quem sabe o que vai ser feito dele quando ele sair da cadeia, porque nem ele nem os amigos dele conseguiram me pegar e ainda deixaram quebrar a profecia. Você acha que seu pai vai ter um fim muito diferente do que o do meu padrinho? Você pensa que o Voldemort vai fazer o que com ele?
Malfoy o olhava de olhos cerrados, odiando-o, mas à menção do nome de Voldemort, abriu um pouco os olhos e teve certa tremedeira. Harry sorriu.
– Tem medo do nome? Oras, não é ele que está certo o tempo todo, o Lord que um dia vai te dar poder, levá-lo à glória? Então por que tremeu quando eu disse... Voldemort?
– Você não sabe do que está falando, Potter. Não faz ideia de onde está se metendo.
– Ah, eu sei sim onde estou me metendo. Acho que quem não sabe é você, certo? Você nunca esteve diante dele, nunca teve sua vida ameaçada por ele e, ainda assim, treme de medo. Eu acho que você devia pensar antes de dizer qualquer coisa.
– Eu não tenho medo dele.
– Então diga o nome. Diga em voz alta: “Eu não tenho medo de Voldemort”. Vamos diga, eu quero ouvir.
– Você realmente acha que tem a possibilidade de eu te obedecer?
Harry sorriu – Ok. Era só isso que eu precisava saber
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