A Visão Amaldiçoada
6 Haloween
Capítulo Cinco – Haloween
Em ritmo cada vez mais intenso e da maneira mais rápida possível as semanas foram passando e logo os alunos perceberam que o semestre já estava quase acabando. As aulas começaram a ficar mais específicas e puxadas, e nem mesmo Hermione discutiu quanto à possibilidade de estudar mais matérias. Poções e Defesa Contra as Artes das Trevas tornaram-se verdadeiramente matérias cheias, mas até mesmo os outros professores ficaram mais exigentes e passaram a cobrar quilômetros de lição de casa, sabendo que os alunos tinham o tempo livre de uma ultima aula antes de descansar. Sem um capitão chato de Quiddich, notícias assustadoras do lado de fora, contato com a Ordem, reuniões do ED e punições de Umbridge, Harry dedicou-se impressionantemente mais aos estudos, deixando os colegas até mais empolgados. Hermione “dava um tempo” apenas para cuidar das roupas dos elfos (aliás, do único elfo que as aceitava) e Harry e Ronald, para o Quiddich. Quase não havia tempo para mais nada.
Isso foi, por um lado, bastante positivo para Harry. Ele não gostava de ficar lembrando a última vez em que esteve diante de Voldemort, menos ainda da imagem do padrinho caindo por aquela cortina do Departamento de Mistérios. Nos poucos momentos em que se dedicava ao Quiddich, ele e Ronald estavam se divertindo. O amigo estava cada vez melhor, defendia os gols com muita facilidade e tranquilidade, também – depois de enfrentar o que enfrentou no ano anterior, para Ronald um jogo com a escola inteira gritando “Weasley é nosso rei” era pouco para se assustar. Harry alegrava-se muito com isso. Além de saber que o time finalmente tinha um goleiro bom, sabia que o amigo estava feliz e também ficava contente por poder usar sua Firebolt novamente. Outro fato positivo no time era Ginny, que conseguiu a vaga de artilheira, e estava se mostrando bem melhor do que apanhadora. O time da Gryffindor era mais uma vez o favorito para ganhar a taça daquele ano, e tinha em sua composição, agora, quatro irmãos Weasley.
Tanta tranquilidade em qualquer outro ano em Hogwarts faria com que Harry fosse uma pessoa realmente feliz. Na situação em que estava, porém, era simplesmente um consolo ter alguns momentos felizes e não ter pesadelos todas as noites. Era ótimo sorrir e rir às vezes, esquecer-se de todos os problemas e tristezas, mas era muito comum encontrá-lo com o semblante carregado e o olhar disperso, sem o brilho casual dos outros colegas. Raramente os amigos tocavam no assunto, apenas quando não tinha mesmo alternativa e precisavam lembrar isso para algo. Harry preferia viver como os outros alunos e acabava vivendo com pressa para as aulas, preocupado com os deveres, estressado com as tarefas, com raiva de qualquer pequena coisa.
O que também o atordoava era o fato de estar, sem querer, comparando cada vez mais Ginny à Cho. Todas as vezes que encontrava e conversava com ela, reparava em como ela estava mais bonita, como era mais simpática, mais inteligente e mais sorridente. Era uma ótima distração. Lembrava-se sempre do que sentia quando encontrava Cho nos seus primeiros anos, aquela tremedeira, a boca seca. Mas, agora, a pessoa era outra. Ela ainda aparecia de vez em quando, tentava falar, mas, mais uma vez, Harry as comparava. Cho não tinha muito que falar, ficava sempre segurando nervosamente as próprias mãos, gaguejava, e a conversa nunca ia adiante. Talvez, também, porque o próprio Harry não se esforçava para levá-la adiante. Era completamente diferente com Ginny. Eles conversavam tranquilamente, Ginny ficava à vontade, sorria e fazia Harry sorrir. Mas depois, longe dela, Harry se sentia culpado por sentir aquilo. Não podia, afinal, ela era a Ginny, a pequena Weasley, irmãzinha de seu melhor amigo, a menina de quem ele havia salvado a vida... Mas ele enxergava, sim, que ela não era apenas uma garotinha. Tinha quinze anos, estava bonita, sempre bem-humorada, inteligente, esperta e cativante. Esse era o problema que também o deixava sempre preocupado. Não conseguia falar sobre isso com Ronald. Não podia imaginar qual seria a reação dele, e preferia evitar qualquer desgaste, além dos que já tinha todo o tempo.
Além do mais, Ronald também tinha seus próprios problemas. Ele sim se abria com Harry, contando sobre sua confusão mental sobre Hermione. Ele não sabia dizer o que era aquilo que apareceu um dia, enquanto ela sorria durante uma tarde em Hogsmeade, e aparecia de novo a cada vez que a via, a cada vez um pouco maior. Ele gostava muito de sentir aquilo, e evitava cada vez mais e de boa vontade as brigas com ela. Para agradá-la, ficou até melhor nas aulas, mais aplicado nas lições e mais responsável como monitor. Hermione estava feliz com isso. Harry notava que ela e Ronald se davam cada vez melhor, sorriam mais um para o outro e quase não brigavam. Em certo ponto isso era um pouco assustador. Depois de cinco anos discutindo por qualquer motivo, aquela mudança era realmente muito brusca. Hermione também parecia bem diferente. Estava mais solta e bem-humorada, um pouco menos tensa. Isso se devia, além da melhor relação com Ronald, à presença de Rafaela, de quem Hermione ficou muito amiga e próxima. Rafaela ficou, em pouco tempo, muito amiga também de Harry e Ronald, e falava com todo mundo. Era muito popular na escola, vivia parando nos corredores pra falar com alguém e era também muito inteligente. Junto com Hermione, tinha as melhores notas da escola, e estava sempre disposta a ajudar um colega com mais dificuldade e com problemas pessoais.
Porém, mesmo sendo tranquila e falante, Rafaela nunca deixava de passar mal pelo menos uma vez por dia. Sentia muita dor, tontura, precisava se sentar ou escorar-se em alguém para não cair. Os amigos sempre ficavam preocupados, ninguém sabia explicar, ninguém entendia o que era aquilo. Hermione e as outras meninas, quase todas as noites, notavam que Rafaela tinha o sono agitado, falava frases estranhas ao dormir, às vezes parecia ouvir sons que ninguém mais ouvira. Quase sempre saía de perto dos outros ao passar mal. Tirava os óculos, apertava os olhos, depois os recolocava e ficava tonta. Harry já havia notado que ela sempre fazia nessa mesma ordem. Olhava para o nada como se fosse cega sem seus óculos, e sentia tontura quando os recolocava. Depois, tudo sumia.
– Você está chorando?
Rafaela levou um susto. Virou-se para a direção de onde a voz de Hermione viera. Ela, Harry, Ronald e Ginny a olhavam preocupados. Secou o rosto e forçou sorriso – Não, não é nada.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou Harry
– Não foi nada, eu...
– Ninguém chora por nada, Rafa. O que foi? – insistiu Ginny
Rafaela baixou a cabeça e respirou fundo – Deixa pra lá, gente, esquece.
– Não quer me contar? – disse Hermione tocando o braço de Rafaela
– É só saudade da minha mãe. Esquece gente, não se preocupem.
* * *
A semana do baile das bruxas, em Outubro, chegou com enorme expectativa. Alunos mais novos preocupavam-se em encontrar pares para o baile como quem se preocupa com os N.I.E.M’s.
- Mione... – disse Ronald enquanto faziam a lição de casa a uma mesa da biblioteca
- Oi. – respondeu sem tirar os olhos do livro que tinha em pé a sua frente
- Eu estava pensando... Você quer ir no baile comigo?
Hermione deixou o livro escorregar com um baque surdo na mesa e o olhou de repente.
- O que?
- É… Ir no baile comigo, sabe... Halloween. – ele disse sentindo o rosto corado
- Ah... Eu ah... Claro! – Hermione respondeu e sorriu, também se sentindo corar
- Legal... – Ronald disse sem tirar os olhos dela, um pouco com cara de bobo
Hermione se virou de volta e levantou o livro novamente, sem parar de sorrir.
- Parece que dessa vez eu não fui a última escolha, afinal, fui?
- Não. Você foi a primeira. – ele disse e parou por um segundo, aproximando-se um pouco do ouvido de Hermione – E única.
Sorrindo, ele se levantou e deixou a mesa. Chegando à ponta do corredor de livros, olhou para trás e viu Hermione o olhando, sorrindo. Trocaram um breve olhar e Ronald deixou a biblioteca. Longe de qualquer pessoa, encostou-se a uma parece, respirando com dificuldade.
- Ela aceitou! Não acredito, ela aceitou!
Harry não precisou pensar muito para decidir quem convidaria para o baile. Passou dois dias tomando coragem para falar com Ginny, mas ela estava sempre com as amigas do quinto ano ou mesmo perto dele, mas junto com os amigos e irmãos. Por fim, decidiu que devia tomar uma atitude logo, antes que alguém a convidasse primeiro, fato que achava extremamente provável já que, como era sua opinião, Ginny era uma das meninas mais bonitas da escola. Como não conseguiu ficar sozinho com ela até a hora do almoço do terceiro dia de tensão, escreveu um bilhete.
“Ginny,
Me desculpe por escrever um bilhete ao invés de falar com você, mas não consegui te encontrar sozinho. Espero que ninguém tenha sido mais rápido que eu… Quer ir ao baile comigo? Eu ficaria muito feliz.
Harry”
Ele observou a coruja deixar o bilhete para ela no finalzinho do almoço, quase se escondendo entre os ombros. Ginny leu e sorriu. Lentamente, tirou os olhos do papel e procurou por Harry pela mesa. Seus olhos se encontraram e ela, sorrindo, fez que sim com a cabeça. Harry também sorriu, sentindo uma tonelada sair de cima de seus ombros.
- Eu vou convidar!
- Não! Eu falei primeiro!
- Esquece, eu que vou convidar!
Fred e George discutiam animadamente à noite, em um sofá na sala comunal. Haviam falado, um para o outro, que convidariam Rafaela para o baile.
- Ok, não vamos brigar por isso. Vamos apostar alguma coisa e, quem ganhar, a convida, ok?
- Ok. Xadrez de bruxo? – disse George já se levantando e indo para o tabuleiro
Meia hora depois, todos que estavam na sala espantaram-se com a comemoração de George ao vencer o jogo. Não era comum se comemorar tanto assim por uma vitória em xadrez de bruxo.
Fred se levantou e estendeu a mão para o irmão – Muito bem jogado. Mereceu a vitória. Agora dá licença que eu vou convidar a Luna. – disse se saiu pela passagem
George foi até Rafaela imediatamente. Ela estava sentada no chão, as costas apoiadas em um dos sofás diante da lareira, lendo um livro de Defesa Contra as Artes das Trevas que o professor Lupin recomendara. George sentou-se ao seu lado, no chão.
- E aí, tá lendo o quê?
Rafaela deu um sorrisinho e mostrou a capa.
- Ahm, interessante. Por falar nisso, quer ir no baile comigo?
Rafaela riu – “Por falar nisso”?
- É, só chegando ao ponto, entende?
- Sim, eu gostaria, vai ser legal.
- Peraí… Você sabe quem eu sou?
- É claro que eu sei, George!
- Incrível! – ele sorriu – Nem a minha mãe acerta assim!
Rafaela riu de novo – E eu nem sei como. Ok, vamos ao baile juntos. Você é uma ótima companhia e, além disso, eu vou merecer diversão nessa noite. É meu aniversário.
George se espantou – Seu aniversário é no Halloween? – e com a resposta positiva de Rafaela, continuou – Quantos, dezesseis?
- Dezessete!
- Maioridade! – ele disse alto – Muito a comemorar nesse baile!
A noite do dia 31 de Outubro chegou com animação que era sentida fisicamente no castelo. Em todo o caminho para o salão principal, lanternas de abóbora flutuantes foram acesas, e o salão estava decorado todo de preto e cor-de-laranja, abóboras e velas flutuavam e havia morcegos de verdade voando pelo teto. Toda a escola encontrava-se ás mesas, inclusive as crianças dos primeiros anos. O banquete foi servido e todos notaram que era caprichado.
- Esses elfos! – disse Hermione ao experimentar uma torta de abóbora – Eles merecem um bônus por esse jantar, está divino!
Pouco falaram durante o jantar, de tão saborosa que estava comida. Os alunos já maiores de dezessete anos tinham as taças servidas, se pedissem, de vinho tinto ou de abóbora. Rafaela foi servida e começou sua comemoração de aniversário. Ginny pegou sua taça de suco de uvas verdes e chamou a atenção dos amigos.
- Gente, vamos aproveitar pra dar os parabéns à nossa nova amiga aqui! – disse colocando a mão no ombro de Rafaela – Feliz aniversário, Rafa!
Os amigos brindaram e Rafaela sorria muito, vermelha. Bebeu com eles, agradecendo, e ganhou um abraço de George, sentado ao lado dela. Enquanto dava outro gole em sua taça, olhou brevemente para a mesa dos professores e viu, de longe, Remus erguer a taça para ela. Sorrindo ainda mais e sentindo o coração disparar, ela repetiu o gesto e desviou o olhar ao sentir-se ficar ainda mais rubra.
Ao final do jantar, os pratos ficaram de repente limpos e surgiram novas terrinas á mesa, com as sobremesas. Mesmo fartos, houve espaço para os pudins de framboesa, bolos de chocolate, mousses de cerveja amanteigada e creme-brulés de vinho. Felizes e cheios, os ânimos quase chegaram a diminuir. Então, os alunos do quarto ano e anteriores se retiraram do salão, de volta às suas casas e as longas mesas desapareceram. Diante de seus olhos, surgiram mesas redondas de cinco cadeiras cada no fundo do salão, e a mesa dos professores desapareceu. A música começou vinda do nada, e os pares se uniram.
Ronald e Hermione sentaram-se lado a lado em uma das mesinhas, taças aparecendo à sua frente, e começaram a conversar. Harry encontrou Ginny no meio do salão e a chamou para juntar-se aos dois. Foram andando devagar, um pouco tímidos, na direção da mesa, mas acabaram parando antes, conversando. Os dois pareciam tensos como se não fossem amigos como eram. George agiu com menos timidez, puxando Rafaela pela mão até a frente do salão, perto do palco, onde começaram a dançar ao som do rock que tocava, ambos com suas taças de vinho nas mãos. Aos poucos, o centro do salão foi se enchendo e os casais foram perdendo a timidez. Os mais velhos bebiam alegremente. Alguns professores, sentados ás mesas redondas, também, e se soltavam aos poucos. Ronald chamou Hermione para dançar e, assim que se levantaram, deram-se as mãos. Harry e Ginny já estavam bem mais a vontade e Harry começaram a paquerá-la com mais veemência. Ginny sorria sem parar, corada por debaixo das sardas.
- Eu preciso parar um pouco!!! – gritou Rafaela no meio da bagunça – Meus pés!
George segurou sua mão e a puxou pelo meio da multidão que dançava alegremente. Ela se sentia embriagada, e percebia que assim sentia-se mais leve, como se ninguém estivesse assistindo a tudo de camarote através das lentes de seus óculos. George a puxou através das grandes portas de carvalho e chegaram ás escadas na direção do jardim. Ao invés de descer, George levou Rafaela para o lado direito, passando perto da parede e parando logo após a primeira janela. George colocou as mãos nos quadris de Rafaela e a fez encostar-se na parede, apoiando-se contra ela. Sorrindo, ele se aproximou dela e a beijou de leve. Rafaela riu, embriagada, no meio do beijo e deixou que ele fosse em frente.
Ronald e Hermione dançavam timidamente a um canto do salão, conversando mais do que ouvindo a musica. Um pouco entorpecido pela animação do ambiente e pela musica alta, Ronald se aproximara mais.
- Posso te perguntar uma coisa?
- Claro!
- Depois de tantos anos de amizade, de crescermos juntos, de passarmos por tantas e inúmeras situações juntos...– ele disse e Hermione sorriu, olhando-o também de perto – O que eu tenho que fazer pra dar mais um passo e ser mais do que seu amigo?
Hermione riu, tapando o rosto um pouco com a mão.
- Sério! Eu estou tentando fazer isso desde aquele dia na Toca, mas é tão difícil! Mas eu realmente quero isso. O que eu faço?
- Ronald! – ela disse fingindo estar brava – Pela primeira vez, eu não vou te dar a resposta! – e sorriu – Você vai ter que descobrir sozinho.
Ronald sorriu e, sem dizer mais nada, segurou Hermione pela cintura para mais perto de si e sussurrou – Eu acho que já sei a resposta dessa.
Hermione se deixou ser beijada e tudo ficou em silêncio á sua volta. Não ouvia mais a música do baile nem as risadas de quem passava por eles. Ronald a envolveu pela cintura e ela se largou, quase mole, entregando-se ao momento que esperava havia anos.
Depois de uma rodada de dança, Ginny se sentou com Harry á mesa mais isolada do salão. Aqui e ali, turmas e casais se jogavam ás mesas para descansar e beber mais. Ginny respirou fundo, sorridente, e apoiou a cabeça na mão, olhando diretamente para Harry, sentado ao lado dela. Ficou olhando assim pra ele, que não disse nada, continuou apenas olhando, aumentando o sorriso aos poucos.
- Sabe... – disse Ginny com suavidade – Eu comecei a gostar de você desde o momento que te vi, lá na estação. Eu era tão novinha que nem sabia o que era aquilo.
Harry continuou sorrindo e sentiu seu coração acelerar.
- Aí eu cresci um pouquinho e continuei gostando… Mas então eu deixei pra lá, achando que você nunca me veria desse jeito, e eu tive outras histórias... Me enganei pensando que tinha te esquecido.
- Se enganou? – perguntou Harry, feliz
- Sim. Achei que tinha passado, mas não passou. Eu gosto mesmo de você, sabia?
Harry respirou fundo, feliz – Você não imagina como eu fico aliviado de ouvir isso!
Ginny sorriu mais, desapoiando a cabeça – Aliviado?
- É, aliviado! – ele disse e apoiou os cotovelos nos joelhos, segurando as mãos de Ginny – Aliviado porque eu tenho sentido... Sabe? Ter você por perto me faz tão bem, como ninguém mais faz. E quando você não está perto eu sinto saudades, mesmo que faça só uma hora que eu te vi, e eu fico calculando quando vou te ver outra vez, torcendo pra que todo mundo desapareça pra podermos ficar sozinhos. – Ginny sorriu, emocionada – E eu estava com medo, porque você sabe, é a irmã mais nova do meu amigo, a coisa poderia ser complicada. Mas mesmo que seja complicado, eu quero isso!
- Você quer isso? – ela sussurrou
- Quero.
Por alguns segundos ficaram em silêncio, olhando-se nos olhos, sem conseguir deixar de sorrir. Harry passou a mão pelo rosto de Ginny, que fechou os olhos. Colocando uma mecha ruiva atrás da orelha, ele se aproximou e a beijou lentamente.
Escondidos na parede externa do castelo, George e Rafaela pareciam apenas um, de tão próximos que estavam. George a prensava na parece, uma das pernas entre as dela, as mãos pousadas firmemente abaixo da linha da cintura.
- Nossa, George, espera, calma!
Rafaela o empurrou um pouco, sem ar.
- Rafa, eu.. – ele começou a respirar – Desculpa!
Ela riu, ainda abraçada a ele – Não! Não é isso! Eu quero também... – ela disse, fazendo George sorrir e tentar voltar a beijá-la – Mas é que... – interrompeu – Isso é uma boa ideia? Estamos muito bêbados!
- Estamos! – ele riu
- E também, eu não... Eu sei lá, não estou procurando por nada, sabe... Nada sério! Você é meu amigo, e é bom nisso pelo que eu estou vendo. – eles riram – Mas eu não quero que fique esquisito.
- Peraí, você acabou de dizer que você quer... Quer fazer e tal, mas não quer nada de sério?
- Sim.
George sorriu – Então você é perfeita! – disse e se aproximou novamente – Não vamos estragar a amizade. Não se preocupe. Mas só pra avisar: eu vou querer te pegar de vez em quando!
Os dois riram e voltaram a se beijar.
Ronald quase pulava enquanto caminhava na direção do toalete. O sorriso aberto no rosto, com o sonho realizado. Havia deixado Hermione à mesa, prometendo voltar correndo.
- Ron!
Ele se virou e viu Harry correndo em sua direção, com um sorriso tão grande quanto o seu.
- Ron! – Harry repetiu ao se aproximar – Preciso conversar com você.
Os dois entraram no toalete e pararam próximos à porta.
- E esse sorrisão? – Harry perguntou antes de dizer qualquer coisa
- Estou ficando com a Hermione! – Ronald disse feliz agarrando os ombros de Harry e o balançando no lugar – Estamos juntos, Harry!
Harry ficou feliz e os dois se abraçaram – Parabéns! Da hora, finalmente! – e o olhou ainda sorrindo, mas falando mais sério – É sério, certo? Não só uma coisa?
— É claro que não! – exclamou Ronald – Pra mim é sério. Mas não se preocupa, eu vou lá e peço ela de verdade.
- Ótimo. Ótimo, vocês dois merecem ficar juntos por muito tempo!
- Mas você está com um sorrisão também. O que foi?
- Bom… Preciso conversar com você. – disse sério e Ronald apenas o olhou – É sobre a sua irmã.
- Minha irmã. O que tem ela?
- Eu estou apaixonado por ela.
Ronald abriu a boca, mas ficou quieto.
- Eu não estou de brincadeira, Ron. Eu gosto mesmo dela, e ela disse que também gosta de mim. Quero que ela seja minha namorada.
Por mais alguns segundos, Ronald continuou de boca aberta, depois olhou pra cima, respirando fundo.
- Você não está zoando a minha irmã?
- Não, de jeito nenhum.– Harry respondeu com firmeza
- Você não vai magoá-la nem nada?
- Nunca!
- Ela gosta de você desde que era menininha, Harry, isso é sério pra ela, você entende isso?
- Eu sei. Ela mesma me disse isso. E eu gusto dela também. É real pra mim, pode acreditar;
- Harry, você pode ser meu melhor amigo, mas eu sou o irmão mais velho dela, se alguma coisa acontecer…
- Você vai me dar um murro, eu sei.
- Vou.
- Não vai precisar.
Ronald o olhou por mais alguns segundos.
- Ok. Ok... Vai lá pedir ela pra namorar.
- Estamos de boa, então? – Harry perguntou sorrindo
Ronald também sorriu – De boa... Cunhado!
Eles se deram um abraço e saíram do banheiro, esquecendo-se de usá-lo. Voltaram depressa ao salão principal, onde encontraram Hermione e Ginny sentadas juntas, rindo muito felizes.
Na manhã seguinte o salão demorou a começar a encher. Crianças chegavam para o café da manhã em seus horários habituais, porém alunos dos sexto e sétimo anos chegavam aos poucos, expressões de sono e bocejos. Harry e Ginny chegaram abraçados, ela quase adormecida no ombro do novo namorado. Ronald e Hermione chegaram pouco depois, de mãos dadas e sorridentes. Sentaram-se juntos e, bem humorados apesar do sono, começaram a comer. Rafaela chegou minutos depois.
- Uau. Que cara é essa, Rafa? – perguntou Ronald
Ela tinha a expressão tensa e os olhos quase fechados.
- Ai, nem me fale...– disse ao se sentar ao lado de Hermione – parece que meu cérebro vai explodir.
- Por quê? – perguntou Hermione
- Ressaca. – respondeu simplesmente – Tem café aqui?
- Normalmente só chá. – respondeu Ginny
- Ah não, eu preciso de café.
Imediatamente um bule à sua frente estremeceu. Ela o pegou e, olhando o conteúdo, sorriu – Ah, esses elfos! Café, muito obrigada! – disse e encheu uma caneca quase até a boca
- Então... – disse Harry, olhando pra ela – Sem comentários sobre a noite passada?
Rafaela o olhou – Está falando de quê?
- De como você e o George desapareceram na metade do baile e nunca mais voltaram? – completou Hermione
- Ah... – ela disse e ficou vermelha – Vocês perceberam.
- Percebemos. – disse Hermione
- Ai, gente... – ela disse antes de tomar um grande gole de café – Era meu aniversário e eu tomei muito vinho. – e, diante do olhar ainda curioso dos amigos, continuou – Okay, a gente se pegou e passamos a noite inteira juntos!
- Eu sabia! – riu Ronald
- E o que isso significa? – perguntou Ginny
- O que significa? Nada!
- Mada?
- Nada! Eu gusto do George, somos ótimos amigos, mas foi só isso. – Ah, gente! Quem aqui nunca deu uma sem comprimisso?
Todos a olharam espantadíssimos e ninguém respondeu.
- Sério? – ela perguntou, ficando envergonhada – Mas pelo menos pegar alguém, dar uns beijos, sei lá, sem ter que namorar depois? Conhecem o que é “ficar”? “Sexo sem compromisso” ? Foi isso, oras.
Todos se entreolharam querendo rir, mas reconhecendo.
- Bom, é uma pena. – disse Ginny – Seria legal você namorando meu irmão. Seria o terceiro casal a se formar ontem à noite.
- Talvez, mas não é isso… – e parou – Peraí, terceiro casal? O que…
Olhou prestando mais atenção para os quatro amigos, que riram.
- Vocês? – e com os sinais de afirmativo, riu – Todos na mesma noite?! – e gargalhou – Que maravilha, finalmente!
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