A Visão Amaldiçoada
4 A Doença Estranha
Notas iniciais
Capítulo Três – A doença estranha
Harry acordou muito bem disposto no dia seguinte e percebeu que ainda não estava atrasado para o primeiro dia letivo em Hogwarts. Procurou em suas coisas o diário de sua mãe e seguiu os procedimentos básicos para conseguir lê-lo: Abrir com certo cuidado, identificar-se no campo: “Qual o seu nome?” da primeira página e ler a mensagem de boas-vindas. Para aquele dia o diário separou-o a mensagem “Bom dia, filho, você é sempre bem-vindo para a leitura das minhas lembranças. Apenas não perca o horário das aulas!”. Harry sorriu, realmente sentindo-se próximo de sua mãe, e voltou à leitura do dia em que tinha parado: 13 de outubro de 27 anos atrás, quando Lilly teria 15 anos. Harry não podia deixar de achar estranho sempre que Lilly contava que não imaginava o que tinha feito de tão errado para merecer estudar na mesma série e viver na mesma casa que Sirius Black e James Potter. Ela não ia muito com a cara de Remus, mas pelo menos ele parecia ser o mais sensato. Quanto a Pettigrew, para o desconforto de Harry, era quem menos a incomodava, porque, apesar de idiota, apenas seguia aos outros amigos, e ela não achava que ele tinha culpa das coisas que James e Sirius aprontavam.
De qualquer forma, até onde Harry tinha lido, pulando datas e procurando por nomes, depois que ele viu o que viu na penseira de Snape, nada era grande novidade. Ainda porque no início da escola sua mãe era um tanto obcecada pelos estudos, assim como Hermione, talvez por ter origem semelhante, vir de uma família trouxa, sofrer discriminações por isso e querer provar a todos que era mais do que imaginavam. Os melhores amigos dela, pelo que Harry entendera, eram Alice e Frank Longbotton – os dois ainda não viviam nenhum romance. Àquela época anualmente acontecia um baile de dia das bruxas logo após o jantar, para os alunos de quinta série em diante. Naquele dia ela estava especialmente com dó de Peter, pois uma de suas colegas, Kate Bones já havia combinado de ir ao baile com ele, mas desmarcou ao receber o convite do tão cobiçado Sirius Black. É claro que agora Peter sobrara para Lilly, mas deixando claro fazer isso por caridade. Uma frase com um nome conhecido prendeu a atenção de Harry:
“Eu sei que isso não é certo, mas costumo comparar Peter àquele Slytherin Severus Snape.. O cara já nasceu com esse nome ridículo, o coitado, é um zero à esquerda no grupinho de garotos metidos com os quais ele anda, deve ter vindo de uma família muito infeliz e não tem nenhum dom popular para se gabar, como beleza ou desenvoltura com garotas ou Quiddich...”
Harry ia fechar o livro, satisfeito por sua mãe não admirar nada Snape, quando percebeu que logo abaixo estava talvez um dos primeiros elogios diretos a seu pai:
“Aliás, vamos ter alguma esperança na humanidade. Pelo menos para alguma coisa aquele Potter presta, e ainda bem que é Quiddich. Sábado terá um jogo contra a Ravenclaw, e tenho certeza que vamos ganhar! Alice e Frank insistem que eu vá assistir os treinos com eles, e tenho percebido que eles estão mesmo afiados. Alguma coisa que não exija muito o cérebro aquele Potter tem que conseguir fazer, não é?”
Harry quis continuar lendo para saber como foi o baile e, principalmente, o jogo, mas percebeu que teria que levantar-se ouvindo o movimento que acontecia no quarto. Guardou o livro embaixo do travesseiro, levantou-se, trocou-se e saiu do quarto em direção ao Salão Comunal. Tinha ainda muitas coisas para conversar os amigos, desde coisas que se esquecera de dizer no ano anterior até o seu último sonho e o que acabara de ler. Ainda descendo as escadas encontrou Ginny, que provavelmente voltava para seu dormitório para buscar algo ou acordar alguém. Parou-a para conversar para que, assim que possível, Ginny avisar Luna – já que estavam na mesma série e tinham várias aulas juntas – que ele queria conversar com o pai dela, e o mais rápido o possível, para conceder entrevista à revista.
– Você? – impressionou-se Ginny – Você quer falar com a imprensa? Quem te convenceu a fazer isso? Está sob ameaça?
Harry sorriu – Não, também nunca pensei um dia fosse querer fazer isso, mas na verdade quem me falou que eu deveria foi o Remus. O que eu realmente quero falar é sobre o Sirius. – e percebendo o ar questionador de Ginny, prosseguiu – Quero limpar a imagem dele, contar pras pessoas que ele não era o bandicou louco perigoso que todo mundo ainda acha que ele era. Vou contar tudo e esperar que as pessoas passem a acreditar em mim, que ele era inocente.
– Você está certo, Harry, eu entendi. Eu falo com a Luna hoje, tenho certeza que ela e o pai vão ficar felizes de ajudar com isso.
– É. – e mudou se assunto – Cadê seu irmão e a Mione?
– Lá embaixo. Tchau, até depois! – e continuou a subir apressadamente, pulando degraus.
Harry chegou ao salão comunal e encontrou ambos Ronald e Hermione andando de um lado para o outro, atendendo novos estudantes que não tinham ideia de como proceder no primeiro dia, se já deveriam levar material, o que aprenderiam exatamente no primeiro ano, e as mais inocentes perguntas.
Ronald cumprimentou Harry assim que ele desceu – Acho que devia ter tomado uma poção animadora pra isso. Nós não éramos tão tapados quando tínhamos a idade deles!
Harry sentou-se em um canto vazio da mesa e deixou seu material básico em cima dela – Foi mal interromper as tarefas aí, mas quero falar umas coisas com vocês.
E então Harry desandou a falar. Muitas vezes foi interrompido por alunos que chegavam perto de Ronald e Hermione – que só apontavam a saída e os olhavam com ares de reprovação, mas conseguiu contar tudo o que queria, em ordem inversa de acontecimentos: Primeiro o diário de Lily, depois os sonhos com Sirius, depois a ideia de dar entrevista ao The Quibble e, por último e mais importante, o que dizia afinal a profecia guardada na sala do Ministério. Ronald e Hermione receberam a notícia sem muito espanto, para a surpresa de Harry.
– Vocês já sabiam o que a profecia dizia?
– Era obvio, não era? Quero dizer... – respondeu Hermione – Eu não sabia o que ela dizia exatamente, mas sempre foi meio claro que seria você o único que pode vencer Voldemort.
– Mas… O fato é que eu posso ser facilmente vendo. Po, sei lá… Tudo o que ele teria que fazer seria… Me vencer!
– Harry, você não enxerga que tem muita chance? – Hermione começou – Só pensa bem, quando você era um bebê você o venceu, e o manteve sem forçar durante uns dez anos! Claro que aquilo envolveu a magia da sua mãe também, mas é uma grande coisa. Na verdade, eu acho que ele é quem não tem chance. Você tem Dumbledore, tem a Ordem da Fênix, grandes aurores, um grande talento natural, e tem a nós, que até que somos alguma coisa.
Harry sorriu sarcasticamente – Eu sei disso. Ou acho que sei, sei lá... Mas isso é uma guerra de gigantes. Ele tem dezenas de dementadores, criaturas horríveis e pessoas que fariam qualquer coisa por ele e por poder. Vamos considerar isso, acho que podemos ser otimistas, mas temos que manter o pé no chão.
Rapidamente o assunto voltou para o diário. Harry queria manter o livro de sua mãe em segurança – para não correr o risco de Malfoy ou algo do gênero achá-lo –, mas gostaria muito de poder carregá-lo para ler um pouco em cada intervalo das aulas. Durante as férias ele leu bastante, mas como queria seguir a ordem cronológica, pegou apenas muito da vida familiar de Lilly e seus primeiros e comuns anos em Hogwarts. Como, pensava Harry, o fato que ele viu na penseira de Snape deveria estar chegando, provavelmente a “história” logo se tornaria ainda mais interessante. De qualquer forma, era fascinante ler as memórias que sua mãe deixou, ainda mais para alguém que nunca teve a oportunidade de ouvir uma lembrança de sua mãe.
– Harry, você tem certeza que ela escreveu no diário só enquanto estava em Hogwarts? – questionou Hermione
– Foi o que Remus e Tonks me disseram.
– Eles têm certeza?
Hermione lembrou Harry do fato que, se sua mãe talvez escrevesse que Pettigrew foi quem guardou o segredo, automaticamente aquela seria uma boa prova da inocência de Sirius.
– Gente, vamos usar nossos cérebros. – interrompeu Ronald – Sirius jamais ficaria em Azkaban por tanto tempo se soubesse a prova de sua inocência estava guardada dentro de uma caixa no sótão da casa dele.
Harry analisou a situação – Enquanto ele estava preso, ninguém diria nada sobre o diário, porque Petigrew, ou qualquer outro deles, poderia simplesmente ir lá e queimar o livro. Provavelmente a própria mãe dele faria isso. Outra coisa, Remus disse que Sirius nunca leu o diário.
– Mas ele sabia que tinha um livro chamado “querido diário” com o nome da sua mãe nele, não sabia? – disse Ronald – Ninguém seria tão burro a ponto de largar uma prova dessa por aí, esquecida
Harry respondeu prontamente – E teóricamente ninguém seria tão burro a ponto de arriscar a vida dos amigos em um plano pra usar a rede Floo no escritório da diretora para se comunidar com o padrinho bandido fugitivo, quando havia um espelho de comunicação que funcionava perfeitamente dentro do malão.
Hermione, porém, pareceu preocupada – Harry... Odeio dizer isso, mas… Mas acho que voc~e devia ir contar pro Dumbledore.
Foi Ronald quem respondeu – Você está doida?!
– Por que vocês acham que contar qualquer coisa pro diretou é loucura?! Cais nas graças de um diário fascinante que pensa sozinho foi o que quase matou a mim, a sua irmã e mais um monte de gente no segundo ano!
– Mas o Remus sabe. – defendeu-se Harry
– Isso não significa muita coisa. Por muitos anos o Remus sabia que Sirius era um animago e nunca contou pro Dumbledore. A Tonks é uma gracinha, mas também é meio doidinha, a única escolha que você tem é contar pro diretor. Eu não quero ser chata, mas até sobre os sonhos com o Sirius você devia contar. E se até elesestiverem sendo resultado de Oclumancia? Já pensou nisso?
Harry sentiu um grande frio no estômago. Realmente o que estava fazendo-o feliz àqueles dias eram os sonhos, e a possibilidade de aquilo poder não passar de mera ilusão não era nada interessante. Estaria alguém se aproveitando de seus sentimentos para bolar mais um plano? Ou até mesmo alguém que queria seu bem, estaria manipulando sua mente apenas para tirá-lo da depressão? Harry prometeu aos amigos e a si mesmo que falaria com Dumbledore ainda àquele dia.
O assunto acabou quando viram Rafaela descer os degraus vinda do quarto, seu uniforme agora com o brasão da Gryffindor, carregando sua mochila. Harry não pôde deixar de notar que ela parecia abatida, sem a mesma vida que tinha no rosto no dia anterior.
– Oi gente, bom dia... – ela disse ao se aproximar
– Bom dia, Rafaela. – disse Hermione levantando-se da mesa – Estamos indo pro Salão, quer vir com a gente?
– Sim, seria bom. Não sei se lembraria do caminho pra chegar lá. Ádvena era bem menor do que o castelo.
– Você está bem? – perguntou Ronald
– O quê? Estou bem, por quê?
– Parece meio pra baixo...
– Estou com sono. Acho que é o fuso horário, quase não dormi.
Ao entrarem no Salão, tanto Rafaela quanto Harry sentiram olhares sobre eles, mas ambos já estavam acostumados. Ao passarem diante da mesa da Slytherin, ouviram uma voz arrastada e dramática.
– Potter! — os quatro olharam e viram Draco se levantando da mesa, junto com Crabbe e Goyle – Vejo que tem uma amiguinha nova!
Rafaela, sem entender, parou de andar, diferente dos outros três que continuaram, ignorando Malfoy, seu caminho até a mesa.
– Oi. Está falando de mim?
Draco parou diante dela e a olhou de cima abaixo – Ouvi dizer que é brasileira. – disse com desdém, como se estivesse sentindo um cheiro muito ruim bem debaixo do nariz.
Rafaela sorria levemente – Eu sou. Rafaela Salles, prazer. – e estendeu a mão
Harry, Ronald e Hermione haviam parado de andar. Ao verem Rafaela estender a mão para Malfoy, Ronald exclamou – Ah, não, isso não é nada bom!
Os três voltaram na direção de Rafaela, com Hermione dizendo com certo desespero – Nos não contamos nada sobre o Malfoy pra ela!
Malfoy olhou para a mão de Rafaela e segurou suas próprias mãos para trás, empinando o nariz – Eu não aperto a mão de Gryffindors. Especialmente uma Gryffindor de cor vinda do terceiro mundo. – Rafaela baixou a mão imediatamente, estreitando os olhos. Malfoy prosseguiu – Quem você pensa que é para estender a mão para alguém do meu nível?
– De cor? – repetiu Rafaela
Harry, Ronald e Hermione pararam ao lado dela.
– Ah – disse Ronald em voz baixa pra Hermione – Acho que agora já não precisamos falar mais nada sobre ele.
Malfoy empinou ainda mais o nariz ao olhar para Harry, que havia parado ao lado de Rafaela – O quê, vieram defender a pretinha?
Como se tivessem um único pensamento, Harry, Ronald e Hermione tiraram suas varinhas das vestes, porém Rafaela foi um pouco mais rápida. De punho fechado avançou contra Malfoy, que deu um passo para trás. Goyle entrou na frente e Rafaela acertou no ombro dele o soco, trombando em seguida em sua enorme barriga. Ao invés de usarem suas varinhas, Harry e Ronald seguraram Rafaela pelos braços.
– Deixa eu socar ele! – ela gritou tentando se livrar
Malfoy começou a rir ainda escondido atrás de Goyle.
– Rafaela, esquece isso! Os professors… – disse Hermione, ajudando Ronald a segurá-la
Rafaela finalmente deixou de se debater, mas eles continuaram segurando-a.
– Eu tenho nojo de gente como você! – ela gritou, voltando a andar e livrando seus braços bruscamente
A caminho de sua mesa, bufando de ódio e acompanhada pelos colegas também raivosos, foram interrompidos pela professora McGonnagal.
– Mas o que foi que acabou de acontecer aqui? – perguntou soando chocada com a cena que acabara de presenciar – Explique-se, Srta. Salles.
– Ele me provocou! – disse e se arrependeu imediatamente, tamanha a infantilidade que a frase demonstrou
– Ele te provocou? Nada justifica uma violência como essa, Srta. Salles!
– Você não ouviu o que ele disse!
– Eu não me importo. O que eu vi foi o Sr. Malfoy parado e você tentando bater nele. Com seus próprios punhos!
– É, tentei! Se aquele leitão não tivesse entrado na frente eu teria acertado!
– Srta. Salles!! – McGonnagal exclamou, chocada – Dez pontos da Gryffindor por isso.
– Mas isso não é justo! – ela disse exasperada batendo as mãos nas pernas
– Calma, Rafa, deixa pra lá. – disse Hermione
– ELe ofendeu a minha casa, o meu país e a cord a minha pele, tudo numa frase só! E eu perco pontos por isso?
O salão principal ia se enchendo de alunos para o café da manhã, e todos olhavam para eles. A professora McGonnagal parecia chocada com a reação de Rafaela.
– O Sr. Malfoy poderia até estar errado, mas você perdeu a razão ao tentar acertá-lo. Já chega, Srta. Salles
– Isso é um absurdo. – ela disse mais baixo, com muita raiva
– Detenção, Salles. Não espere ser tratada como uma aluna especial.
A professora deu as costas e deixou Rafaela boquiaberta no lugar. Hermione deu o braço para ela e a levou, em silencio, para a mesa da Gryffindor.
– Eu ainda pego esse Malfoy. – Rafaela sussurrou ao se sentar
Houve alguns instantes de silencio, e então Ronald riu de leve.
– Ficando inimiga do Malfoy no primeiro dia. Da hora!
Harry também sorriu, e Hermione se empertigou em seu lugar – Pode ser uma coisa boa, mas isso definitivamente não foi correto.
Ronald riu mais – Mione, você já acertou ele de verdade na cara, a Rafaela só tentou! Não pode julgar a menina.
Rafaela também tentou sorrir, mas não conseguiu. Seu estomago apertara em uma dor fortíssima de um segundo para o outro.
– Você está bem? – perguntou Hermione ao notar sua expressão
– Eu estou, é só... Dor de estômago. – disse apertando a barriga – Vocês sabe, engolir sapo faz mal pro estômago.
* * *
Com o salão mais calmo, os alunos começaram a tomar seu café da manhã. Rafaela quase não comia, tomava apenas seu chá a bebericadas. Pouco depois receberam, por dezenas de corujas que entraram voando pelas altas janelas do Salão Principal, os horários de aula para aquele semestre.
– Ah, não, mais um dia sem aulas? – choramingou Hermione logo que abriu seu pergaminho
O primeiro aviso dos horários notificava que cada sextanista teria, naquele dia, uma reunião individual com o diretor da sua casa para a escolha definitiva das matérias que cursaria nos últimos dois anos, de acordo com os resultados de seus N.O.M.s. Como cada reunião não poderia demorar mais que uma hora, a maioria do dia estaria novamente livre.
– Não precisa ficar chateada, Mione, olha só... – Ronald disse apontando para um ponto no pergaminho – parece que temos uma matéria nova.
Para a surpresa dos dois, porém, a amiga desanimou-se ainda mais – Ah... Não importa o que seja, eu não vou pegar. Já organizei meus horários pro semestre inteiro, se eu quero manter as notas e meu cargo como monitora...
– Acho que não tem escolha, Mione. Lê isso aqui. – disse Harry
Os outros correram os olhos e encontram algumas frases na parte de baixo do horário. Ronald leu em voz alta – “De acordo com a decisão do Diretor Albus Dumbledore, alunos do quinto, sexton e sétimo anos deverão ser apresentados a uma matéria nova, fundamental para o reestabelecimento do bom senso e opiniões próprias. Recomentados fortemente que os alunos tenham as aulas, independentemente da área de escolha.” – ele mal terminou de ler e exclamou – Lógico que eu vou pegar!
Hermione suspirou, vencida – Lógico que eu vou também. – e olhou para o seu horário – Reestabelecimento do bom senso... Decisão de Dumbledore, recomentamos fortemente…
– O que quer que seja, Dumbledore foi um gêncio ao apenas “recomendar fortemente” ao invest de obrigar todos a fazerem as aulas e ponto final. – disse Harry
– E isso também nos livra de ter aula com aquele babaca da Slytherin. – disse Rafaela – Olha, nossa aula é com a Huflepuff.
– Não é só um Slytherin, Rafaela. – alertou Harry – Você pode ter certeza que os outros agem assim também.
* * *
Sabendo que o seu horário para conversar com a professora Minerva McGonnagal, diretora da Gryffindor, seria só depois do almoço, Harry aproveitou que Ronald e Hermione passariam todo seu tempo “livre” ajudando os novos alunos – e, no caso de Ronald, recolhendo nomes de alunos interessados a participar do novo time de Quiddich – para subir rapidamente até a Gryffindor. Procurou no seu malão o diário de sua mãe, escondeu-o no bolso interior de suas vestes e seguiu o caminho das escadarias em direção ao escritório de Dumbledore. Estava com o pensamento completamente ocupado com as prováveis maneiras de conversar com o diretor e nos argumentos que usaria caso ele o aconselhasse a jogar fora o diário ou substituir os sonhos com seu padrinho por mais aulas de Oclumancia com o detestável professor Snape. Os corredores das salas de aula estavam vazios, pois os alunos que não seriam atendidos naquele momento por seus diretores estavam ou nas suas salas comunais ou aproveitando o último dia livre de sol nos terrenos do castelo. Harry sentiu um ardor um pouco mais intenso em sua cicatriz, e, como sempre, desejou profundamente ver-se livre daquela cicatriz de uma vez por todas.
Voltou a pensar nos argumentos que usaria com Dumbledore, sentia-se mais ou menos como no seu primeiro ano, quando teve acesso ao Espelho de Erised e, para o seu próprio bem, teve que escolher parar de ver seus pais todas as noites, simplesmente porque aquilo não passava de uma ilusão. Desmotivado a continuar andando, Harry foi diminuindo seus passos e, quando quase parava, vencido, e voltava o seu caminho, foi interrompido pelo som de passos e vozes aproximando-se do corredor que cruzaria dali a poucos metros.
Mais por reflexo que por necessidade, procurou a pilastra mais próxima para esconder-se. Sentiu que o comichão em sua cicatriz aumentava quanto mais as pessoas se aproximavam, então se apertou ainda mais atrás da parede, procurando uma posição que desse para enxergar quem chegava. Para sua surpresa, as duas pessoas que viravam o corredor eram Cho Chang e Rafaela Salles.
Cho, apesar de ser baixinha e magra, carregava Rafaela com todas as suas forças, lutando para manter o braço esquerdo da colega apoiado em seu ombro. Rafaela parecia estar virando-se do avesso: gemia de dor, com a mão direita colada na barriga, com muita dificuldade para locomover-se e, pelo que aparentava, até para respirar. Apesar de Harry preferir encontrar qualquer outra pessoa, menos Cho Chang naquele momento, não poderia ficar escondido assistindo àquela cena. Quando já tinha dado um passo à frente da pilastra, porém, ouviu mais vozes e passos aproximando-se rapidamente, então colou-se a ela novamente com o coração acelerado, e, depois de ver quem chegara, desejou mais do que nunca a capa de invisibilidade de seu pai: Severus Snape, seguido pela Slytherin Pansy Parkinson, corriam em direção às duas alunas. Quando Cho virou-se para olhá-los, Rafaela desequilibrou-se e caiu no chão, levando agora as duas mãos à barriga e ainda gemendo sofregamente, em posição fetal. Harry pôde ver pesadas lágrimas escorrendo pelo rosto sôfrego de Rafaela.
Pansy estava ofegante – Eu estava andando por aí com Malfoy, Crabbe e Goyle quando nós a vimos, Draco foi falar com ela e eles começaram a brigar, e aí ela ficou assim. Mas não foi o Draco, professor, eu vi, ele não fez nada!
Snape falou friamente, olhando de cima para a aluna caída no chão – E onde é que está o Malfoy agora?
– Não sei, achei que ele tinha ficado com ela, mas ele deve ter ido procurer ajuda também.
Cho intrometeu-se, agachando para ajudar Rafaela – Procurar ajuda? Eu encontrei ela no corredor, e ela estava sozinha! Ele a largaram morrendo desse jeito, sozinha!
Snape não deu atenção. Abaixou-se ao lado da aluna e com agilidade a levantou, jogando-a em seguida sobre seus ombros, de qualquer jeito. Rafaela gemeu de dor ainda mais alto. Com a aluna no ombro, o professor Snape saiu pelo corredor a passos largos, na direção contrária à que Harry fazia. Pansy seguiu-o, correndo, e Cho ficou sozinha, olhando-os distanciarem, massageando os próprios braços, em seguida voltou a andar. Depois que o corredor ficou completamente vazio novamente Harry seguiu com pressa a direção para o escritório de Dumbledore, agora sim completamente confuso.
* * *
Snape jogou Rafaela em uma poltrona em sua sala, nas masmorras. Ela se largou, tentando respirar, sentindo a dor de dissipar um pouco. Tentou enxergar melhor á sua volta, a vista nublada. Sentia o suor na testa e os óculos escorrendo para a ponta do nariz úmido. Afastou os cabelos da testa, sentindo-se muito quente. Olhou apavorada para Snape, que a observada em pé a pouca distancia, as mãos na cintura, o olhar que doía em Rafaela como uma facada.
– O que foi essa cena?
A voz de Snape, apesar de ser a mesma que ela já ouvira antes, tinha algo no tom que era mais terrível do que qualquer coisa que ela já havia ouvido. Era de frieza extrema, mas demonstrava também desprezo e um ódio declarado
– Eu… Eu… – a aluna gaguejou, rouca – Eu não sei o que aconteceu, não foi minha culpa.
Snape se aproximou bruscamente, fazendo Rafaela se encolher na poltrona. Parou encarando duramente seus olhos a apenas alguns centímetros de distância.
– Não queremos você chamando esse tipo de atenção! O que é que estava pensando?
– Eu fui atacada! – ela gritou, em defesa, tentando encolher-me ainda mais na direção das costas da poltrona
– Atacada? – Snape levantou uma das mãos na direção do pescoço dela e a prensou com força na poltrona, fazendo-a dar um grito de pavor. Apertou a mão no pescoço de Rafaela o mais forte que podía para ainda deixá-la falar – Quem te atacou, o Malfoy?
– Não! Eu só estava perto dele quando aconteceu. O senhor sabe quem foi!!
Snape apertou a mão com mais força e viu Rafaela apavorar-se. Quando soube que ja havia doído o suficiente, soltou-a e ficou novamente em pé, observando-a de cima, em silêncio. Rafaela tremia.
– Eu tenho certeza de que o Lorde das Trevas teve grandes razões pra isso. O que estava tentando fazer? – ele disse e levantou a voz – Estava tentando pedir ajuda? Você acha que isso é possível?
E como se ela tivesse respondido que sim, ele erguei a mão e a desceu com toda a força que tinha no rosto dela. O barulho foi alto e se espalhou por toda a masmorra. Rafaela ficou com o rosto de lado, coberto por suas próprias mãos, sentindo-o arder como se queimasse.
– Não! – ela gritou, tentando se esconder – Nao, eu não estava! Eu ouvi essa voz, aqui! – e apertou a cabeça, desesperada, voltando a chorar – Ele estava me relembrando as ordens dele, mas eu não esqueci, eu juro, eu não esqueci! – disse ela, como se falasse tanto com Snape quanto com Voldemort, e olhou mais uma vez para Snape – Eu fiz amizade com eles, estou me aproximando, o senhor viu, eu juro!
– Enquanto o seu objetivo não for cumprido, sua preta de sangue ruim, você será relembrada seguidas vezes. É isso que você merece.
Mais uma vez, desferiu um tapa no rosto dela, agora do outro lado. Rafaela tentou não gritar, mas sua garganta não a obedeceu. Ela tremia descontroladamente.
– Saia. – disse Snape lentamente e em voz baixa – Vá tratar essas marcas.
Rafaela se levantou imediatamente, mas estava tão trêmusa e desesperadas que suas pernas não a obedeceram. Caiu pesadamente no chão da masmorra, batendo o queixo no chão, e forçou-se a levantar imediatamente. Quase se arrastando, tropeçando mais várias vezes, alcançou a porta e deixou o escritório. Correu direto para um banheiro feminino que havia ali e se escondeu, deixando-se chorar desesperadamente. Olhou para o espelho e viu marcas de mãos enormes nos dois lados do seu rosto, e seu pescoço com uma grande maca de sufocamento, além do queixo rasgado pelo tombo. Respirando fundo, tentando se controlar, lavou o rosto e então apontou a varinha para si mesmo, começando a esconder os ferimentos.
Snape rodou por sua sala de um lado para o outro pensativo e um tanto atordoado com o que acabara de constatar. Voldemort não era capaz de apenas ver e ouvir através de Rafaela. Era também capaz de falar com ela e torturá-la. A situação era pior do que ele e Dumbledore imaginavam.
* * *
– Acalme-se Harry. Bom dia. Não estou ocupado, pode entrar,
Assim que Dumbledore abriu a porta de seu escritório, Harry despejou-o dezenas de palavras e frases misturadas com tudo o que queria falar, sem se importar nem um pouco com todas as palavras que treinara, muito menos se ele estava disponível naquele momento. Mais calmo, porém, desculpou-se e entrou no fantástico escritório cheio de quadros dos diretores anteriores e de objetos antigos. Esperou o diretor sentar-se e então se sentou de frente a ele, procurando o diário por dentro de sua capa.
– Ok, primeiro... Esse diário. – ele disse colocando-o em cima da mesa e percebendo a mistura de espanto e euforia por trás dos óculos de meia-lua de Dumbledore – Quando Remus e Tonks me visitaram, eles disseram que encontraram isso em Grimmauld Place, numa caixa com os livros antigos dos meus pais. Mas se você abri-lo...
Mas Dumbledore não abriu. Olhou para Harry e disse, com satisfação e saudosismo em sua voz – O diário de Lilly Potter. Harry, isso é uma relíquia. – ele disse sorrindo, para o alívio de Harry – mal posso acreditar que ele ainda exista. Ela começou a escrever muito antes de poder imaginar que um dia seria uma Potter, e até onde eu sei, escreveu nele até alguns dias antes de... Você sabe. – e abriu a capa do diário, ao mesmo tempo em que molhava uma longa pena na tinta – Olhe só, Harry. – e identificou-se na primeira página. Logo em seguida virou o diário na direção de Harry, que pôde ler a mensagem:
Ilustríssimo, grandioso, honrável, incrível mestre, professor, doutor, primeira classe, Ordem de Merlim, salve, salve, diretor Albus Dumbledore,
Fico envergonhadíssima que o senhor vá ler minhas mas escritas palavras, sabendo que verá meus erros gramaticais de pré-adolescente e, logicamente, muitas baboseiras, mas tudo bem só porque o senhor está acompanhado pelo meu filho. E isso eu jamais imaginaria que fosse acontecer quando era essa pré-adolescente!
Ambos tem letras lindas! Acho que mereço pelo menos cinco pontos para a Gryffindor por essa percepção, não mereço?
Sua aluna preferida,
Lilly Potter
Harry ficou boquiaberto, e Dumbledore continuou a explicar – Esse pequeno livro me causou muitas dores de cabeça. Sua mãe era muito estudiosa, mas se vise esse livro em risco de destruição ou de roubo, havia brigas públicas, e geralmente com a perda dos vários pontos que ela seguia ganhando para a Gryffindor. – e continuou sorrindo, mas agora como se um diário antigo falasse com ele todos os dias – É claro que ela pediria pontos. Desde que ela começou a sair com o seu pai, Harry, as brigas diminuiram muito, mas ser próxima dele e dos amigos não rendia muitos pontos positivos por bom comportamento pra ela.
Harry concordou com a cabeça, imediatamente comparando no quanto Ronald e elehaviam mudado o comportamento de Hermione desde o início de Hogwarts. Com um peso a menos na sua cabeça, continuou o assunto – Bem, então acho que eu tenho mesmo muito a ler.
– Tem sim, Harry! – e agora folheava o diário – Se quer uma dica, prefira as páginas com esse ponto verde no topo. – ele disse mostrando para um específico – Quando tocar sua varinha nele, verá comentários que a sua mãe e os amigos fizeram, muitas vezes, anos depis.
– Meu pai escreveu no diário?!
Dumbledore sorriu – Sim, muitas vezes! Sua mãe era muito observadora, uma vez ela viu essa magia em uma das minhas agendas e pediu que eu a ensinasse.
Harry ficou muito interessado no diário, apoiando-se na mesa para ver mais de perto. Então a página que abriu era maior que o usual, e tinha no canto esquerdo superior uma foto média de Lilly, deslumbrante em um vestido longo, abraçando James, também a rigor, parecendo muito mais bonito que o usual. Lilly, muito sorridente, tentava fazer James dançar. Ele, muito desajeitado, disfarçava, fazia palhaçadas, abraçava-a, escondendo-a da câmera, e roubava um beijo. Harry apenas desviou o olhar da foto para o ponto verde do lado superior direito da página.
– Se estiver preparado par aver vários comentário, toque no ponto
Harry tocou e tomou um susto. A página que já era grande precisou ser desdobrada três vezes. Havia muitos comentários com a letra de Lilly, e, pelo que se via, cada um feito em uma data diferente. Por toda a página reconhecia-se também comentários feitos por James, Sirius, Remus, Frank e Alice Longbottom e até mesmo de Peter Pettigrew. Apesar de ter vontade de pegar o diário e passar o resto do dia apenas lendo, apenas passou os olhos pela página e pôde ler alguns comentários dirigidos a ele, que parecia mais um diálogo. Querendo devorar cada um deles, Harry precisou se conter e esperar para ler com mais calma depois. Dobrou novamente as páginas e precisou se concentrar pra continuar a convrsa com o diretor. Dumbledore apenas orientou-o a não esquecer-se das obrigações básicas e da própria vida para apenas ler aquele diário, para que ele não funcionasse como um espelho de Erised. No mais, que até o faria bem conhecer as memórias e possíveis segredos que a mãe ali guardara.
Harry levantou-se, fitando o diário, planejando lê-lo durante todo o resto da manhã e início da tarde, antes de sua entrevista. Quando ia despedir-se do diretor, este o interrompeu:
– Ora, ora, mas era só isso? Quando voc~e chegou parecia ter tantos assuntos!
Lembrando-se, então, Harry sentou-se novamente – Não, não era só isso... Tem mais uma coisa. Eu tenho sonhado com o Sirius.
E, apesar de temer mais do que nunca uma reprovação, mais por precaução e respeito ao diretor que por vontade própria, contou desde o primeiro sonho com Sirius, e como tudo isso o fizera melhorar bastante, e do quanto esperava cada dia mais que a próxima noite sonhasse novamente. Quando finalmente terminou a história contando que Hermione o alertara a investigar mais esses sonhos, Dumbledore ainda manteve-se quieto por alguns segundos até voltar a falar:
– Veja, eu realmente acredito que há uma conexão forte entre você e seu padrinho. E sim, isso é bom pra você. – e antes que Harry pudesse respirar aliviado, continuou – Apesar de isso não ser realmente bom para o próprio Sirius, Harry.
Harry ficou perplexo – O quê? – e levantou-se da cadeira – Como estar perto de mim seria ruim pra ele? Ele é meu padrinho, ele... Ele me quer por perto! Se não quisesse por que teria aparecido? E por que é que, todas as vezes que eu fico feliz com alguma coisa, essa precisa ser ruim, ou proibida, ou, ou...
Dumbledore perdeu a paciência – HARRY, não começe a agir como um adolescente egoísta, pois eu sei que você não o é. – ele estava muito sério, e então Harry calou-se – Escute o que eu tenho a dizer. Sirius só está aparecendo nos seus conhos porque você o chama. Ele tinha e ainda tem uma ligação muito forte a você, e infelizmente ele se foi de forma violenta, sem dizer adeus, sem imaginar que aconteceria de maneira tão estúpida, e é lógico que você se revolte com isso, mas por favor, seja racional. Você sabe o que faz os fantasmas ficarem aqui? Você sabe, não sabe?
Harry sentou-se novamente, ainda um pouco revoltado – Sei...
– E eles são felizes por não serem almas livres?
– Não...
– E o que você quer, que o seu padrinho fique para sempre como uma alma vagando, semi-preso ao nosso mundo, só porque você quer poder conversar com ele?
Harry sentiu-se extremamente egoísta, abaixou a cabeça e ficou sem palavras.
Dumbledore retomou sua voz ao tom paterno usual – Harry, não é verdade que todos queiram evitar a sua felicidade, é exatamente o oposto. Você não pode imaginar o quanto eu quero que você seja feliz, que viva em paz. Por acaso eu tirei o diário de você, mesmo sabendo que vai atrapalhar a sua concentração nas aulas?
– Eu sei, eu sei... Eu fui egoísta. O que você acha que eu devo fazer então?
Dumbledore respirou fundo e após alguns segundos voltou a falar – Pode parecer difícil,. Harry, mas eu acredito que você deve convencer Sirius a não aparecer mais. A seguir seu próprio caminho, procurar pelos amigos, e realmente estar inteiro do outro lado. Apenas dessa maneira você permitirá que ele seja completamente feliz. E você sabe por quanto tempo Sirius vinha sendo infeliz, miseravelmente infeliz. Ele merece ter isso agora.
Harry respirou fundo. Quando saiu para conversar com o diretor pensou que ouviria qualquer tipo de conselho, até mesmo fazer mais aulas de Oclumancia para tirar os sonhos da cabeça, mas saber que o padrinho continuava se sacrificando por ele, e que a única opção agora seria simplesmente falar para ele parar de aparecer – depois de tê-lo chamado tanto e tantas vezes – era tarefa difícil.
Após a longa visita ao diretor, Harry retornou à Gryffindor um tanto esclarecido, mas outro tanto mais confuso do que já estava. Abriu o diário de sua mãe como pretexto, mas apenas imaginava na forma em que falaria com Sirius no próximo sonho, se esse acontecesse. Após ler pela décima terceira vez a mesma frase, decidiu que era melhor dar um jeito na vida e descer para o grande salão, onde em pouco mais de uma hora seria servido o almoço. Encontrou Hermione saindo das escadarias – voltava da sua entrevista com Minerva –, foram juntos ao salão e ficaram conversando na mesa da Gryffindor até o salão encher-se e ela ter que levantar-se para ajudar Ronald a organizar a entrada dos alunos dos outros anos. Como a conversa restringiu-se apenas à visita a Dumbledore e a assuntos escolares, Harry se esqueceu de comentar com Hermione sobre o estado em que encontrou Rafaela – assim como ele se esqueceu de falar sobre isso com o diretor também. Rafaela, porém, logo chegou ao salão parecendo bastante saudável.
– Oi gente, tudo bom? – disse sorrindo ao sentar-se ao lado de Hermione, de frente para Harry
Todos a cumprimentaram, porém Harry ficou quieto observando-a. A cicatriz continuava comichando, não doía, apenas dava sinais de que estava ali.
– Você está bem? – ele perguntou, sem tirar os olhos dela
Rafaela e olhou e sentiu muita raiva, como sempre acontecia quando olhava para Harry nos olhos, porém sorriu – Ótima! Por quê?
Harry demorou alguns segundos para responder, ainda observando-a – Nada.
Após almoçarem, os quarto voltaram para o salão da Gryffindor para juntarem-se aos outros colegas e começarem a se organizar para as aulas do dia seguinte. Enquanto Harry aguardava seu horário lendo o diário de sua mãe em uma das mesas, Hermione tentava terminar seu livro de transfiguração e conversava com Ronald a respeito da escolha de matérias para aquele ano. Hermione havia ficado com seis: Feitiços, Poções, Defesa Contra as Artes das trevas, Trato de Criaturas Mágicas, Transformações e a nova matéria. Ronald, que ainda não tivera sua reunião, avisou que quase com certeza escolheria as mesma, eceto Poções. Hermione insistiu que mesmo que odiasse matéria e professor, ele não deveria fazer aquilo se quisesse ser Auror um dia. Rindo, Ronald disse que ela só estava falando aquilo por querer que ele ficasse em todas as matérias com ela e que ela não conseguia ficar longe dele. Ficou completamente escarlate, sem ter pensado antes de falar, e Hermone sorriu, envergonhada. Houve um silêncio muito constrangedor.
Harry foi praticamente “acordado” por Hermione do diário de sua mãe e dirigiu-se ao escritório de Minerva, quando chegou sua vez. Só ao chegar lá que lembrou que não havia pensado nas matérias que iria escolher.
– Como pôde nem mesmo pensar nisso, Potter? É o seu futuro! Você precisa decidir o que quer fazer da vida. Ano passado você mencionou que queria ser Auror, e eu acredito que seja uma boa escolha. Posso imaginar as matérias que deve estudar, portanto.
– Bem, eu não sei… A punica material que realmente teho certeza é Defesa.
Minerva apenas anotou – Muito bem. E..?
Mais por medo de desagradar Minerva, Harry falou de imediato – Transformações também, é claro...
A vice-diretora anotou novamente e continuou esperando, como se o aguardasse pedir ajuda.
– Essa material nova que Dumbledore colocou… Vôo… E… Trato de Criaturas Mágicas. Pronto, são cinco, certo?
Minerva revidou – Harry... Você não precisa de aulas de Vôo. As práticas de Quiddich seguirão, de qualquer forma. Além disso, mesmo que você as tenha, elas não são aulas frequentes, não mais do que uma vez por semana, então você ainda teria tempo de sobra, e essa não é a formação que um Auror precisa.
– O que é então? Pode me ajudar?
Minerva quase deu um meio sorriso – Logicamente. Para a carreira que você pretende, você realmente precisa dessas matérias: Defesa, Transformações e Trato de Criaturas, elas são essenciais, mas outras matérias também são básicas, como Feitiçõs e Poções. Sua habilidade no vôo não pode ser menosprezada, mas voc~e ja sabe todas as técnicas que precisa saber.
Harry suspirou fundo, desanimado – Será que todas as profissões requerem conhecimento em Poções?
– Você não quer se livrar de Poções, Harry, você quer se livrar de quem as ensina. Conhecer bem Poções é essencial para qualquer bruxo adulto, especialmente se for um Auror.
Poucos minutos depois Harry deixou a sala, desacreditando que não conseguira livrar-se de Poções – como Hermione já o havia avisado – e que havia pegado mais matérias que ela – afinal, não conseguiu desistir da aula semanal de Voo.
* * *
Rafaela foi a última a entrar no escritório. Ainda não havia visto a professora McGonnagal novamente desde a cena no salão principal naquela manhã.
– Feche a porta e sente-se.
Ela obedeceu e sentou-se à escrivaninha da diretora, olhando pra ela bastante encabulada.
– Oi. – disse num fio de voz
– Trouxe os resultados das suas provas do ano passado?
Rafaela tirou o papel enrolado de dentro do uniforme e o entregou. McGonnagal desenrolou e leu. Ergueu as sobrancelhas e olhou para ela.
– “Impressionante” em Poções, Feitiõs, Trato de Criaturas, Transformações e Defesa. “Excede Expectativas” em todas as demais.
– Isso.
– Sao… Boas notas.
– Obrigada. – disse pensando “Boas? São ótimas!”
– Sabe quais vai escolher?
– Sim. Quero Trato de Criaturas, Feitiços... – a professora começou a anotar – Transformações... Defesa, Poções... Essa matérias nova que todos estão falando... Herbologia e História da Magia.
– Um monento. Atualmente só se pode escolher cinco matérias de period integral e duas de meio-período. As de meio-período são aquelas de apenas uma vez por semana, como a nova matéria e vôo.
– Ah, ok… Então tira as duas últimas e coloca vôo.
McGonnagal rabiscou no papel e, sem levantar a cabeça, perguntou – E a sua escolha para o futuro?
Rafaela desmanchou o sorriso no mesmo instante, sériamente se perguntando se era prudente pensar no futuro, dada a situação em que estava.
– Não sei. De acordo com essas matérias eu seria Aurora, mas não tenho certeza se quero isso. Acho que ainda tenho tempo pra pensar nisso.
– Não se demore. – e ficou em silencio fazendo anotações
– Okay, vou pensar nisso. – e se calou – Já posso ir?
– Não. – disse a professora pousando sua pena – Precisamos agenda a sua detenção.
Rafaela murchou – Ah, é...
– O Professor Lupin precisa de ajuda para capturer um Hinkypunk que escapou da gaiola.
– Ele não consegue pegar um Hinkypunk sozinho? – disse sem pensar
– Obviamente ele consegue. Mas voc~e, Srta. Salles, está em detenção, e deverá acompanhá-lo e fazer o trabalho. Não quero mais discusses, Srta. Salles.
* * *
Na manhã seguinte, terça-feira, muitas corujas novamente sobrevoavam o salão principal descarregando encomendas. Era visível que muitas delas levavam jornais e revistas – com certeza o clima sombrio fez com que muitos pais tivessem a preocupação de manter os filhos informados –, porém a maioria delas levavam pacotes um tanto maiores, que logo Harry percebeu serem encomendas de Fred e George. Harry recebeu uma “nova e revolucionária” Atira-Cuspe, juntamente com um bilhete: “Por bem ou por mal, o pagaremos com mercadorias!”. Olhou para eles, que se sentavam com as cabeças juntas lendo uma carta que haviam recebido. Eles vinham, Harry percebera, demonstrando mais cansaço do que jamais demonstraram por terem uma jornada dupla: estudos e fabricação de produtos para a loja.
A primeira aula do dia foi Transfiguração. A sala estava cheia, turmas da Ravenclaw e da Huflepuff mais para o lado contrário da porta, Gryffindor mais ao meio e Slytherin no outro canto. Harry e Ronald sentaram-se lado a lado. Atrás de Ronald, ficou Hermione e, ao lado dela, Rafaela, que se sentada exatamente na linha que separava as duas turmas. Ao lado de Rafaela estava Malfoy, com a mesma expressão de quem estava sentindo um cheiro ruim, parecendo querer fuzilar qualquer um que aparecesse à sua frente apenas com o olhar, claramente revoltado por estar sentado ao lado de Rafaela, mas também parecendo estar calando alguma coisa e mastigando o que queria dizer.
Não demorou nada para Ronald notar o comportamento simplesmente anormal de Draco e cutucar Harry, que também não fez questão de esconder que havia percebido aquela expressão imbecil. Quando Ronald teve certeza que Malfoy cruzara seu olhar, falou apenas com os lábios, mas perceptivelmente:
– Olha a cara amarrada.
Harry prendeu a risada – Parece uma criança que levou grito da mamãe na frente dos amigos.
– Só poderia ter sido da mamãe, porque o papai está meio ocupado no momento!
Enquanto os dois gargalhavam, Malfoy respirava alto, com muito ódio, quase não se contendo, mas mantendo-se calado. Harry e Ronald se afundaram ainda mais na carteira para não serem ouvidos, mas Hermione cutucou as costas de cada um com o pé, ralhando – Se puderem falar mais baixo, eu agradeceria!
Ao final da aula, depois de muitos comentários sobre o motivo da histórica cara de idiota com a qual Malfoy estava e pela sua falta de reação às provocações, Rafaela explicou – [E que eu descobri uma coisa sobre ele, algo que ele não quer que ninguém saiba, e na idéia dele, ninguém nunca pode saber. Então, usando um jeito bem Slytherin, que é a chantagem, eu disse pra ele que se eu o visse fazendo qualquer coisa, dizendo quaquer coisa que me irritasse de novo, e também qualquer coisa envolvendo vocês, inclusive provocar e aceitar provicações, ser rude, tentar tirar vamtagem de quaquer coisa, ou seja, ser ele mesmo, eu espalharia a fofoca pro castelo inteiro
Ronald e Harry apenas fizeram uma expressão de “E...?”
– O que? – ela perguntou
– O que é isso que ele não quer que ninguém saiba? – Ronald riu, cutucando Harry – Não vejo a hora de …
– Peraí, gente, ele não rompeu a parte dele no acordo, rompeu?
– Mas nós não somos “o castelo inteiro”!
– Mas vocês não teriam forces suficientes para não espalhar a fofoca.
– Você acha que ele vai cumprir a parte dele nesse acordo? – perguntou Hermione, descrente
– Sim, provavelmente, pelo menos por um tempo. Ninguém pode saber que ele... – Harry, Ronald e até Hermione a olharam esperançosos – Desistam, eu não vou falar! – disse sorrindo
– Ah, tá bom, mas de qualquer forma, como foi que você descobriu um segredo do Malfoy? Andou seguindo ele por aí? – perguntou Ronald
– Eu me perdi pra aula de hoje, vocês viram como cheguei em cima da hoje. Eu precisei usar o banheiro e entrei no errado, não vi que era o masculino. E ele estava lá, perto das pias... E aí eu vi. Descobri o segredinho dele. É bom que ele seja bonzinho a partir de agora.
A aula seguinte para a Gryffindor foi de Poções. A escura sala de aula das masmorras, antes usualmente com todas as carteiras ocupadas, parecia praticamente vazia, já que a grande maioria dos alunos decidiu ver-se livre do menos preferido professor Snape. Apenas a ala masculina da Slytherin estava presente em massa: Malfoy, Crabbe e Goyle sentavam-se nas primeiras carteiras do lado direito, mais próximas da mesa do professor. Nem mesmo Millicent Bullstrog ou Pansy Parkinson escolheram a matéria. Além dos três, apenas um aluno da Ravenclaw e outro da Huflepuff faziam dupla, sentados do outro lado da sala e parecendo aliviados de não ter que aturar par com nenhum outro Slytherin. Rafaela, Harry, Rony e Hermione chegaram quase que ao mesmo tempo em que o professor, largando os materiais e sentando-se imediatamente nos primeiros acentos que encontraram, para não arriscarem perder pontos logo na primeira aula.
Harry ficou extremamente sem-graça de estar mais uma vez diante de Snape. Na verdade, não soube exatamente o que sentiu: se era raiva por ele não ter ficado do lado dele diante de Umbridge, ou se era vergonha por ter visto seu passado na penseira. Sendo assim, não o olhou diretamente nenhuma vez. Snape também fez parecido. Não falou nem citou o nome de Harry uma vez sequer. Ao final da aula, porém, recebeu sem reclamar ou quebrar o vidro a poção a ser avaliada de Harry.
Rafaela ficara muda. Encarava apenas seu livro e seu caldeirão, não levantou o olhar uma vez sequer, ao menos para responder a chamada. Para ela, pareceu que a aula durou o dia inteiro. Havia apanhado do professor na última vez que estivera diante dele e, mesmo que soubesse que ele não tinha escolha, estava apavorada.
A aula que antecedia o almoço foi de Feitiços, aula tão cheia quando Transfiguração. Flitwick usou a primeira aula para revisar tudo o que os alunos haviam aprendido nos primeiros cinco anos da escola, só para reforçar.
– Eu acho muito melhor que as aulas sejam assim. – disse Hermione – Ems alas mais vazias podemos aprender muito melhor!
Rafaela estava em silencio enquanto todos conversavam. Sentia a cabeça atordoada e mal ouvia aos colegas. De repente, os colegas notaram, fez uma cara de dor, levantou-se e deixou a mesa.
– O que ela tem? – perguntou Ginny
Hermione, já se levantando – Vou lá ver!
Harry, afinal, lembrou-se do dia em que viu Rafaela contorcendo-se de dor, e que não havia comentado isso com ninguém. O início das aulas e os turbilhões de pensamentos que o tomavam sempre que ficava sozinho fizeram-no esquecer completamente sobre aquilo. Pensou em também ir atrás de Rafaela, mas àquele momento já havia perdido Hermione de vista.
Hermione correra e saíra pela mesma porta que Rafaela havia usado e a viu correndo por outro corredor estreito que saía do hall de entrada do castelo. Descendo as escadas e atenta a qualquer ruído, retornou imediatamente após passar reto em frente a outro corredor. Havia ouvido algo vindo de lá, e então abriu a porta, descobrindo outro banheiro feminino no castelo – que deveria ser usado apenas por Slytherins, já que aqueles corredores eram próximos das masmorras – e, encostada na parede oposta, Rafaela.
Com a voz fraca, ela respirava fundo – Hermione..?O que você está fazendo aqui?
Hermione correu até ela. Rafaela estava arcada, com uma mão na barriga e a outra tentando se apoiar na parede. Respirava com dificuldade, visivelmente havia chorado e demonstrava muita dor.
– O que houve? Você saiu correndo, o que foi?
Rafaela não falou nada, apenas começou a tentar controlar a respiração. Ficou de pé e secou o rosto – Eu estou bem...
– Não, você não está bem. O que aconteceu, alguém te atacou? Foi o Malfoy?
– Não, ninguém fez nada. Eu só… Eu não te contei sobre a minha... Ah… Doença.
– Doença?
– É, um problema que eu tenho, às vezes me dá essa dor… No ah… Estômago. E eu tenho, ah… Essa dor, e dor de cabeça e tontura.
– Não, você não disse nada. Isso é estranho, Rafaela, que doença é essa?
Rafaela controlara melhor a respiração e se esticou, tirando os cabelos da testa – Ninguém sabe o que é, nenhuma poção ou tratamento ajuda. Mas vem e passa rápido, viu? Ja estou melhor
– Não, Rafa, isso é muito estranho.
– Eu sei que é, Mione, mas não podemos fazer nada. Eu estou bem, obrigada por vir me procurar... Vamos voltar pro salão.
Resignada, de braços dados com Rafaela, Hermione voltou para o salão. Não havia entendido que tipo de doença era aquela, mas preferiu não desconfiar da colega. No salão, Rafaela disse que havia perdido a fome e que ia descansar por alguns minutos na sala comunal antes da próxima aula, e se retirou. Na mesa da Gryffindor, os amigos a olharam interrogativos.
No horário do jantar, Rafaela parecia um pouco desanimada, mas parecendo bem melhor de saúde. Sentou-se com os três colegas do sexto ano e com Ginny, Fred e George.
– Minha detenção é hoje. – disse Rafaela, desanimada – Não acredito que começei o ano com detenção!
– Ah, isso é normal. – disse Harry sorrindo – Nós também já fizemos isso.
– Isso não é normal, harry! – ralhou Hermione – Não é normal pegar detenção em nenhum momento do ano! Desculpe, Rafaela, mas eu acho que aquela cena nunca devia ter acontecido.
– Mione, você ouviu o que o Malfoy falou pra ela. – defendeu Ronald
– O que ele disse, Rafa? – perguntou Ginny
Rafaela repetiu o que Malfoy havia falado.
– O desgraçado... – disse Ronald
– Que escroto! – disse Ginny
– Eu não acho que teria me controlado se fosse comigo. – disse George
– E você mesma já fez isso antes, Mione! – disse Harry, rindo para Hermione
– Sim, mas ele estava causando a morte do Buckbeak! Se eu desse um soco nele todas as vezes que ele me ofendesse, eu já teria sido expulsa!
– Eu não vou socar ele toda vez que ele me offender. – disse Rafaela, ignorando o assunto que não conhecia a respeito de Buckbeak – Além disso, ele não vai ousar me ofender de novo, ele não quer que eu espalhe o segredinho dele.
– O que é?! – perguntou Ronald animado
Rafaela riu – Desiste, Ron, eu não vou contar! E relaxa, não é nada tão sério assim, é só algo que ele não quer na boca do povo.
– Aposto que ele estava pegando alguém. – chutou Fred
– Nét?! – concordou Ginny alegremente – Ou era um cara? – disse rindo
– Era um cara, não era?! – animou-se George
Hermione riu e Rafaela gargalhou – Apesar de ter cara de quem estaria pegando outro cara no banheiro, não, não é isso! – e continuou rindo
– Droga!! – disse Ronald dando um leve soco no ar e gargalhando
– Queria muito poder zoar ele de viadinho! – ria George
Gargalhavam. Harry sentiu-se feliz e sem dor alguma na cicatriz, o que não acontecia havia alguns dias. Rafaela também, feliz e leve, vendo que realmente gostava daqueles novos amigos, e que não seria amiga deles apenas por obrigação. Afastou rapidamente o pensamento da cabeça e continuou em um jantar divertido com os colegas. Pouco depois, Ginny perguntou qual queria sua detenção.
– parece que vou ter que capturar um Hinkypunk pro Professor Lupin.
– Sua detenção é com ele? – disse Ronald
– Ah, então está de boa! – sorriu Ginny
– Lupin é o professor mais gente boa que temos, relaxa. – disse Harry
– É, vocês disseram. Ele pareceu bem legal no trem. Mas sei lá, ele é amigo de vocês, mas não me conhece, então sei lá. Eu perguntei pra McGonnagal se ele não conseguiria pegar o bicho sozinho, ela ficou uma fera.
Eles riram e Hermione completou – Lógico que ela poderia!
– Com certeza. – disse Fred
– É, acho que sim. Bom, acho que está na hora de ir … – disse Rafaela, consultando o relógio de pulso e se espreguiçando
– Vai lá, Rafa, arrebenta aquele Hinkypunk. – disse Ginny dando um tapinha em seu ombro
Rafaela se despediu e saiu pelo salão, que começava a se esvaziar.
– Gostei dela.. – disse Ginny, pegando sua taça de suco de abóbora
– E aí, Harry – disse Ronald – Preparado pro Quiddich? Temos treino amanha.
– Claro! – disse com um sorriso – Vamos começar a treinar antes de todos os outros. Viu, Ginny? Você vai pros testes?
– Vou! Você acha que eu consigo? Estou animada!
– Claro que consegue! – disse George passando o braço pelas costas da irmã – Vai ser um time com maioria Weasley!
Harry, Ronald, Fred, George e Ginny conversaram um pouco sobre os treinos, enquanto Hermione tirara algumas anotações das aulas do bolso da capa e ficou lendo. Pouco depois, levantaram-se para voltar ao salão comunal. Fred e George ficaram no salão, agora sozinhos em um canto escrevendo bilhetes para Lee Jordan a respeito da loja. Ao passar por um corredor estreito e não poderem andar lado a lado, Harry e Ginny ficara para trás de Ronald e Hermione.
– Então, Harry... – disse Ginny em voz baixa – Como você está?
Harry a olhou, ainda andando – Bem...
– PErcebi que você parece mais alegre. – disse ela num sorrisinho – Fico feliz.
Harry sorriu para ela – É... Não é fácil, pe claro, ainda tenho momentos... Você sabe
– Eu imagino, Harry. – ela disse tocando a mão dele – Se você precisar de alguém nesses momentos... Pode contar comigo.
Harry sentiu-se corar ao toque da mão de Ginny e a segurou levemente – Eu sei que posso contar com você.
* * *
Rafaela chegou à porta da sala de Defesa Contra as Artes das trevas e parou a meio a meio caminho de bater. Sua cabeça rodou, a vista ficou nublada e o estomago embrulhou.
“Faça o que tem que fazer e vá embora. Não quero distrações. Volte para a sua casa e fique perto de Harry Potter.” – disse uma voz fria em sua cabeça
– Sim… Sim, eu vou voltar logo, me perdoe – ela sussurrou, suando
Assim como começou, parou. Rafaela aprumou-se, secou o suor do nariz, respirou fundo e bateu à porta.
– Senhorita Salles. – disse Remus Lupin ao abrir a porta – Venha comigo, por favor.
Ele saiu da sala e passou a andar pelo corredor, com a aluna o seguindo. O professor, Rafaela pôde reparar, andava animadamente sempre com um leve sorriso, apesar de não apressar demais o passo.
– Então... – Rafaela quebrou o silencio – Devo capturar um Hinkypunk fujão?
– Exatamente. Não deverá ser difícil.
– Sim… Eu já aprendi isso. Na verdade, já fiz metade do meu sexto ano no Brasil.
– Metade, verdade? – perguntou Remus interessado
– É. Nosso period começa no final de janeiro, então eu já fiz o primeiro semestre antes de vir pra cá.
– Então posso esperar bons resultados seus nas minhas aulas?
– Ah... Acho que sim. – disse modestamente
– O motive da sua detenção, então. – disse Lupin, depois de alguns minutos – Brigas no primeiro dia na escola?
– Sim... – disse Rafaela, sempre medindo as palavras – Tive um problema com um colega.
– Eu sei o que houve e, honestamente, não me surpreendi.
– Ah, é?
– Slytherins e Gryffindors costumam de desentender frequentemente. Coisas de criança, é normal.
– Eu não sou criança. – ela respondeu em voz baixa
Lupin a olhou de lado, sem deixar de andar – Não estava falando de você, Srta. Salles. Não a conheço o suficiente para saber o seu nível de maturidade.
Rafaela se calou. Caminharam pelos corredores do castelo por quase dez minutos, subindo escadas e passando por corredores desertos. Finalmente pararam diante de uma porta muito velha. Rafaela pôde ouvir barulhos de coisas se quebrando lá dentro.
– Bem, parece que o senhor sabia muit bem onde encontrá-lo, professor. – disse Rafaela ouvindo de perto pela porta
– Sim, tudo o que precisa fazer é pegá-lo. Coloque-o nesse saco, por favor. – disse Remus, tirando um saco de pano velho que estava dobrado em um bolso interno das vestes
Rafaela pegou o saco, segurou a varinha e abriu a porta, entrando em seguida. Lupin ficou esperando do lado de fora por cerca de três minutos, até Rafaela sair da sala com o saco pesado com o animal se debatendo e xingando dentro dele.
– Muito bom. Rápida e silenciosa, muito bom
– Não foi difícil. Aqui, a tocha dele. – ela disse passando o saco que se debatia para o professor e uma pequena tocha apagada
– parece que foi a detenção mais fácil de todos os tempos. – ele disse jogando o saco sobre o ombro e voltando a andar, com a aluna o acompanhando – Uma detenção leve para m erro que, cá entre nós, não foi tão grave assim.
Rafaela sorriu e o acompanhou de volta até a sala de aula. Lá dentro, ela o ajudou a segurar o animal e a colocar de volta dentro de sua jaula.
– E você fique aí onde é o seu lugar. – disse Lupin para ele, e virando-se para Rafaela, continuou – Muito bem, Srta. Salles, sua detenção já foi cumprida. – disse ele estendendo a mão na direção da porta
Rafaela foi até a porta e Lupin a acompanhou, abrindo-a.
– Obrigada, Professor.
– Se cuide no caminho de volta para a torre.
Aconteceu em um instante. Enquanto Rafaela passava diante dele, Lupin colocou brevemente a mão em seu ombro e apertou de leve, mas firmemente. Rafaela não o olhou em nenhum instante, apenas saiu da sala e caminhou de volta para a sala comunal. Ainda estava arrepiada e de coração acelerado quando entrou pelo quadro da Fat Lady. Sentiu, naquele leve toque, que Lupin sabia pelo que ela estava passando e que ele a apoiava. Pôde sentir o calor da mão do professor mesmo por cima de suas vestes.
Ao se deitar em sua cama, no silencio do quarto, ficou feliz por Voldemort não poder ouvir seus pensamentos.
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