A Vingança Divergente [HIATUS]
3 Capitulo 2
Notas iniciais
Capitulo 2:
Tris (Beatrice Prior)
10 anos. Não acredito que já fazem 10 anos.Era o que ela pensava enquanto fechava a sua mala. Por muito tempo, ela achou que nunca voltaria para a cidade onde nascera. Na época do ataque ela era só uma criança, tinha só 6 anos. Lembrava daquele dia. O aperto dolorido da mão de sua mãe no seu braço enquanto corriam para o mais longe possível de tudo que conheciam. O tiro que seu pai levou na cintura, o desespero de quase perder seu pai para uma infecção.O médico gentil da Erudição que o curou sem cobrar nada, a longa e complicada viagem até Nova York. Até hoje ela podia ouvir os gritos dos que acabaram morrendo, o choro desesperado de quem tinha perdido alguém, o sentimento de ter perdido tudo que sentiu enquanto fugiam. Todos que conseguiram fugir tinham se encontrado do outro lado da cerca que circundava Chicago. Foram em direção ao norte e depois de muitos km finalmente encontraram Nova York. Não sabiam o que esperar, nem saiam que ainda havia alguma civilização no mundo além deles. Nova York já sabia do que acontecido e os receberam de braços abertos pelo tempo que precisaram. A maioria falou a si mesmos que era temporário e um dia voltariam para suas casas, mas em Nova York encontraram paz e segurança e todos acabaram se estabilizando lá. Arrumaram empregos, casas e reconstruíram sua vida. Em alguns casos, do zero. Alguns líderes se juntaram ao governo local e aqueles que tinham interesse foram convidados a se juntarem ao exército local. Seus pais mudaram de emprego, seu irmão foi para a faculdade e ela se alistou no exército. Além de aprender a se defender ainda ofereciam bolsas de estudos para os jovens recrutas o que era vantajoso para Beatrice.
10 anos se passaram desde então e eles não tinham notícias da cidade de que vieram a muito tempo. O General mandou chamar todos os seus soldados, sem exceção até o refeitório. Conversou com eles sobre a possibilidade de a barra estar limpa para voltarem, mas alguém precisava voltar primeiro para verificar.
Beatrice prontamente se adiantou para falar em particular com o seu superior. Ele não desconfiava, mas ela não queria apenas fazer uma ronda antes de ligar e em poucas horas todos voltarem a sua antiga vida. Não. Ela precisa e queria descobrir tudo primeiro. Porque o ataque, qual o motivo, o que eles queriam e porque atacaram justo naquele momento. Ao sabia por onde começar. Começaria procurando os jipes pretos com as palavras EXÉRCITO NACIONAL DOS USA escrito em branco que vira enquanto fugia.
Agora aqui estava ela, sendo levada de carona para o aeroporto de NY onde um pequeno avião do exército a esperava para a decolagem. Despediu-se de seus pais com um forte abraço em cada um, com sua mãe desejando-lhe boa sorte e seu pai prestar a chorar. Seu irmão a abraçou e bagunçou seu cabelo antes de solta-la.
–Boa-Sorte lá,maninha. E cuidado com os monstros,não quero ter que ser obrigado a comprar uma roupa preta para seu enterro.
–Não se preocupe, Caleb. Terremos muito tempo ainda para eu te irritar.
Antes que pudessem falar um último tchau, o auto-falante apitou avisando a última chamada para seu voo. Despediu-se de sua familia e embarcou no avião.
De dentro de sua bolsa de mão retirou seu celular que quase não era usado e seu livro. Botou suas musicas para tocar no aleatório enquanto lia seu livro a viagem toda. Seria ao menos, uma longa viagem.
*********************************
Depois de cerca de 3 horas finalmente chegou a Chicago. Sabia pelo que disseram a ela que esse aeroporto antigo um dia já foi muito movimentado, mas admitia que tinha dificuldade em imaginar esses tempos com o estado atual do lugar. O prédio longo e comprido onde antes ficava o aeroporto estava mais parecendo com ruínas, a placa onde antes se lia AEROPORTO INTERNACIONAL DE CHICAGO faltavam várias letras, onde antes ficavam os aviões pousados agora não há nada além de fracas marcas de pneus, a grama alta atravessa aos montes a pista de pouso rachada, e ela não via nada além de mato e arvores em torno do aeroporto. O lugar ficava a alguns km de distância da cidade, mas ela já estava tremendo de ansiedade. Um motorista a esperava do lado de fora do avião e assim que ela desceu, ele apresentou-se como Mason e disse que tinham mandado que ele fosse antes para leva-la até onde ela desejasse. Era ex-membro da Franqueza e tinha se juntado ao exército novaiorquino porque queria ter um lugar para se desligar dos seus problemas e da sua dor depois de ter perdido a família no ataque, mas agora não pensa em deixar de ser soldado. Mason é novo, talvez uns 30 anos e pensar que ele está sozinho a fazia pensar em quantas pessoas não tiveram a sua sorte. Ela perdeu seu lar, mas pelo menos sua família estava viva.
–Então para onde você quer começar?-ele perguntou depois que estraram no carro. Ela pensou sobre isso. Qual seria o melhor lugar para ir agora? Ela não vinha a cidade desde que fugiu, não podia enxergar nada de onde estava e tampouco tinha alguma ideia do que esperar. Talvez se ela começasse pelo pouco que lembra...
–Sabe onde fica a sede da Abnegação?-perguntou. Mason sorriu e logo depois ela ouviu o som do motor roncando enquanto ele manobrava o carro e partia em direção ao lugar que um dia chamou de lar. E Beatrice pensava no que teria se transformado o lugar que tinha na memória.
Fale com o autor