O celular de Arthur tocava. Olhou no identificador de chamadas, era seu amigo Alberto Farad, conhecido como Turco. Eles já se conheciam há alguns anos, antes do acidente, o que permite a Arthur lembrar-se sempre dele. O Turco é fotógrafo do Correio do Estado, um grande jornal campograndense, e umas das poucas pessoas que Arthur ainda confia depois do acidente.

— E aí Turco! – atendeu Arthur animadamente – Tudo jóia?

— Tudo... – respondeu Turco receoso – Olha, eu consegui achar o Cavalcante.

— Quem?

— Você me ligou mais cedo dizendo que precisava achar o deputado Antônio Carlos Cavalcante. Eu achei, um contato me disse que ele se hospedou no Hotel Jandaia. Acabei de ligar lá e confirmar a informação.

— Oras... Mas por que eu iria querer saber desse cara?

— Olha Arthur, você me disse para te dizer para olhar suas anotações e o envelope que tem no bolso do paletó. E anote isso agora: O deputado Cavalcante está hospedado no Hotel Jandaia.

Sem entender nada Arthur pega um pedaço de papel e anota.

— Ah, e Arthur...

— Sim?

— Se cuida, cara.

A conversa terminou sem que Arthur entendesse o que estava acontecendo. Mas fez como o Turco disse que ele próprio lhe recomendara. Leu suas anotações e viu a foto do corpo de sua esposa.

A ira e o desejo de vingança explodiram em seu corpo. Novamente o desejo de vingança aflorara.

— Filho da puta! – esbravejando como um louco arremessou uma cadeira sobre a estante de livros e esparramou todos os papéis da escrivaninha no chão.

E então se deixou cair escorado na parede aos prantos.

Quando percebeu que suas memórias lhe escapavam novamente, retornou forçosamente à razão. Levantou-se, respirou fundo e enxugou as lágrimas. Recolheu suas anotações e, mantendo o foco da concentração, saiu do escritório.

Entrou no carro e afixou no pára-brisa um lembrete do endereço do Hotel Jandaia. Então dirigiu para o centro da cidade, estacionando na esquina da Rua Barão do Rio Branco com a 13 de Maio.