Notas iniciais
Oi! FELIZ ANO NOVO, pessoas! Capitulo novo saindo..

Beatrice (Tris) Prior:

Ela queria permanecer acordada por tempo suficiente para ver a estrada e a civilização desaparecerem para dar lugar ao abandono e desolação das terras não revitalizadas pelo governo entre Chicago e seu destino, realmente queria poder ver isso já que sempre gostou de observar o contraste gritante entre os dois, mas o banco macio de couro do carro e o suave balançar que a estrada mal reparada provocavam no assoalho e o completo silencio do motor pareciam convida-la para terminar sua noite mal-dormida em uma das camas nos quartos de hospedes na grande casa de onde saíram. Ela não conseguiu pregar o olho a noite inteira pensando no dia seguinte, ansiosa, e quando conseguia acordava poucas tempos depois de um sonho louco que tivera. Seus olhos começaram a pesar sentada no banco de trás do carro enquanto ouvia as vozes de Quatro e Clarisse conversando sobre rotas que poderiam seguir e possíveis atalhos por rodovias ou ruas mais afastadas procuradas tanto no GPS por satélite acoplado no carro, quanto no GPS e mapas no celular dela. Era bom não demorarem muito mesmo nessa viagem de carro. Decidiu ceder ao sono e deixou-se levar pela inconsciência com a sua cabeça desajeitadamente apoiada na fresta entre a janela e o banco de trás, com o corpo meio inclinado para ficar o mais confortável possível e a coluna esticada e com a cintura na beira do banco, deixando que seus pés e joelhos tocassem o banco da frente onde não atrapalharia Zeke concentrado em seu video-game portátil que havia trazido para ter o que fazer durante a viagem entediante.

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Ela não sabia quanto tempo exatamente havia dormido, mas fora acordada por Quatro para almoçarem em um posto de gasolina praticamente deserto e um restaurante de beira de estrada até bem cuidado onde vários caminhões e carros de passeio simples estacionavam ao redor e na frente. Muitos carros simples, nenhum Porsche preto. Legal, isso não vai dar certo, pensou ela. Eles tinham conseguido uma vaga próxima a janela do restaurante, portanto poderiam cuidar do carro pela janela e se precisassem tinham armas carregadas e anos de treinamento militar. Mas ela esperava não ter que ser obrigada a apelar pela violência.

Levantou com a ajuda de Quatro que foi cavalheiro o suficiente para abrir a porta para ela sair e fecha-la depois, trancando o carro com as chaves.

Se dirigiram até o pequeno restaurante e decidiram sentar-se à mesa que tinha a vista da janela, onde podiam vigiar seu carro, com Quatro à sua frente e Clarisse ao seu lado que estava imersa demais em uma conversa sobre o jogo que Zeke jogava para perceber qualquer outra coisa que não fosse seu assunto e a demora da garçonete porque ela tinha fome. Ela também estava cheia de fome, então não podia reclamar.

Assim que a garçonete os notou na lanchonete, anotou seus pedidos e saiu os quatro se sentiram mais à vontade para conversarem sobre o resto da viagem e já se prepararem para o que quer que tenham que falar, formar um plano.

–Certo. -começou Quatro.-Nós já percorremos 5h. Ainda falta muito chão pela frente, provavelmente irá escurecer antes de chegarmos aos 500km. E por mais que seja mais rápido revezarmos a direção, acho que seria mais prudente se parássemos em algum hotel por aí para passarmos a noite. Por que eu não vou aguentar mais 9h dirigindo e todo mundo aqui precisa dormir. Não acham ?

–Por mim, tudo bem.-falou Beatrice.-Por mais que velocidade seja importante, não acho que vai ajudar muita coisa se chegássemos ao Colorado parecendo zoombies de tanto cansaço. Mas acho que seria boa idéia um lugar discreto, sem luxo.

–Ninguém aqui mencionou luxo ou frescura.-disse Clarisse dando de ombros.-Eu me contentaria com uma pousada bem simples, desde que não esteja cheia de ratos e sujeira.

–Isso acho que todos concordam, então?-disse Quatro.-Vamos ficar em algum hotel e saímos logo cedo.

Todos assentiram concordando.

–Por favor, alguém me diz que tem dinheiro suficiente para um lugar sem ratos e vazamentos.-reclamou Clarisse.

–Aposto que temos. Ninguém aqui quer dividir o quarto com pragas.-respondeu Quatro.-Se não tivermos o suficiente, é só vender alguma coisa com o símbolo da Porsche e teremos dinheiro para dormir em um 5 estrelas até o ano que vem.

–Não duvido nada.-murmurou Beatrice mais para si mesma.

A comida chegou e a conversa foi interrompida enquanto saboreavam uma das melhores comidas de estrada que Beatrice jamais havia experimentado.

Decidiram não se demorar muito por lá depois de já terem acertado as contas e combinado o que fariam depois que saíssem de lá. Todos concordavam que não era boa idéia deixar um carro daqueles dando bandeira e ele não pertencia a nenhum deles para não se preocuparem, eles provavelmente já estavam sendo acusados de roubo daquele carro. E isso já era mais que suficiente para ela no momento. Perder o carro seria demais.

Desta vez, quem dirigia era Zeke, com Clarisse para mandar no caminho como antes e Beatrice e Quatro no banco de trás.

Quatro parecia cansado demais de horas seguidas dirigindo e de barriga cheia, já Clarisse parecia ter uma energia sem fim. Como se estivesse o tempo inteiro ligada na tomada. Ela não havia bocejado uma única vez, para quem dormiu pouco, ela parecia muito bem disposta.

Será que essa garota nunca dorme?, pensava Beatrice.

Agora eles seguiriam caminho até anoitecer, descansando aos poucos e parando para caminhar um pouco e comer alguma coisa. Mas era preciso achar algum hotel ou pousada antes que ficasse muito tarde e o cansaço chegasse, isso todos já tinham em mente.

Zeke ligou o rádio e o deixou com volume razoavelmente alto. O silêncio permaneceu entre eles durante o caminho , só sendo interrompido de vez em quando ao passarem por alguma rotatória ou desvios na pista para Clarisse soltar algum comando de direção enquanto verificava o GPS em seu celular. As músicas que tocavam eram boas, e grande parte delas, Beatrice conhecia. Era uma daquelas rádios que dava foco a algum gênero musical especifico e com poucas pausas, no caso desta, era Rock. Por mais que ela soubesse reconhecer que a maioria das músicas seguia o foco, reconheceu alguns gêneros parecidos. Indie, Pop, K-Pop, Rap, Alternative, entre outros. Quando Imagine Dragons, uma de suas bandas favoritas, começou a tocar ela deixou-se levar pela melodia. Cantarolando junto com a banda o refrão de Demons:

"When you feel my heat,

Look into my eyes,

It's where my demons hide,

It's where my demons hide!

Don't get to close,

It's dark inside,

It's where my demons hide,

It's where my demons hide..."

–Você canta bem.-falou Quatro com sua voz baixa.Ela não tinha percebido até então que cantava alto o suficiente para os outros ouvirem.-Também gosto dessa música. A considero bastante profunda.

Ele falava com uma voz um tanto entediada enquanto a olhava, mas de alguma forma, aquilo não a incomodava.

–Acho que essa música é muito mais do que apenas algumas frase sem sentido.-ela respondeu.-Essa música conseguiu resumir bem a natureza humana como um todo. Por isso acho tão incrível.

–Eu acho que todos gostam dessa música.-disse Clarisse repentinamente.

Zeke apenas assentiu concordando.

Então o silêncio voltou por alguns minutos até que Quatro resolveu corta-lo conversando com ela. Quatro apenas perguntou coisas banais, como sua cor favorita, o que gostava, nada relevante que Beatrice achava que era apenas para matar o tempo.

Algumas horas mais tarde, quando começou a escurecer, eles estavam passando por uma pequena e pacata cidadezinha de interior que provavelmente não tinha mais que 3.000mil habitantes considerando as poucas casas a que o lugar se resumia. Eles decidiram que uma cidade pequena era o melhor lugar para se passar a noite. Quanto menos testemunhas tivessem, melhor.

Encontraram uma pequena pousada com aparência campeira, uma pequena casa cor creme com portas de madeira e decoração rústica como uma casa de caçadores com o nome da pousada em cima da porta era a Sede do lugar. Zeke estacionou no estacionamento parcialmente coberto na frente da Casa Grande. Um senhor com o uniforme do lugar veio recebe-los quando entraram no lugar. Ninguém que estava lá fez alguma pergunta sobre porquê quatro jovens estavam em uma cidade daquelas com um carro daqueles, o que Beatrice realmente agradeceu mentalmente. O que menos precisavam agora era de mais perguntas. Depois que fizeram o check-in na pousada e voltaram com suas malas no carro, receberam as chaves de um dos chalés que eram a versão deles de quarto.

Uma escada de madeira atrás da casa formava um corredor em meio à grama do terreno que era interrompida em intervalos aleatórios de espaço por uma rampa até os chalés numerados. O que eles tinham ficado era o terceiro na direita. Era até razoavelmente grande para eles. Havia um banheiro logo na entrada como um lavabo, um sofá onde foram jogadas as malas e dois quartos com TV em cada um. O da direita tinha vista para a pousada onde podia se ver o por do sol ao longe e o outro tinha vista para um riacho que passava perto dali, perto o suficiente para se ouvir o som da correnteza e ouvir o canto dos pássaros que iam beber água de lá. Assim que dividiram os quartos, Clarisse resolveu falar desde que tinham chegado.

–Muito bem. Alguém topa ir até a cidade se divertir um pouco?-Perguntou animada.