A Vida na Audácia

7 Conversas de Travesseiro


Eu estava pronta para tudo que ele fosse falar comigo, menos isso. Nunca podia imaginar que a mãe de Tobias ainda pudesse estar viva. Será que todos sabiam sobre isso? Onde é que ela estava?

– Eu descobri a pouco mais de um ano- ele disse. Ele retira uma mecha do meu cabelo e a joga pra trás, porém, ela insistiu em cair de novo e mais uma vez ele repete o gesto- Ela me mandou uma mensagem que estava toda criptografada- ele disse

– O que dizia nela?- eu pergunto

– Ela queria que eu me encontrasse com ela a 00:00 da madrugada, atrás da estação de trem

– A estação não fica tão longe daqui- eu digo a ele

– Sim. Só fui porque eu sou curioso. Ela não disse quem era e se eu não fosse, eu ficaria com aquilo na cabeça- ele diz

– Você fez bem em ter ido- eu digo

– Não sei se fiz. Ter descoberto que a mãe está viva depois de tantos anos achando que está morta não é uma coisa muito agradável- ele disse retirando mais uma vez a mecha do meu cabelo, que estava insistindo em cair. Acho que vou cortá-lo.

– Faço ideia. Então, era isso que estava escondendo de mim? Que a sua mãe está viva e que tem se encontrado com ela?- eu digo

– Sim. Me desculpe por isso, mas eu não sabia como te contar- ele disse

– Onde ela está agora?- eu pergunto

– Ela é uma sem facção. Por incrível que pareça, é a líder deles- ele disse

– Os sem facção tem um líder?- eu pergunto achando aquilo estranho. Eu nunca imaginei que os sem facção poderia se organizar assim, como uma facção.

– Eles são mais organizados do que pensamos. Eles tem até um complexo só pra eles- ele disse

– Não acredito nisso- eu digo

– Mais é verdade- ele me diz

–Quero ver isso de perto- eu digo

– Outro dia eu te levo lá- ele disse e eu me abaixo e o beijo mais uma vez, até que ele nos separa.

– E você?- ele me pergunta

– Eu o que?-

– Onde você foi hoje? Eu fiquei muito preocupado com você.

– Não tinha porque se preocupar, eu estava bem, eu fui visitar o meu irmão na Erudição- eu digo

– De novo?- ele me pergunta

Da ultima vez que eu fui visitar o meu irmão não acabou de uma forma muito boa, já que quando eu voltei, fui surpreendida por Peter, Al e Drew, que tentaram me matar.

– Pois é. Acho que ele é o único membro da minha família que não me odeia- eu digo a ele

– Seus pais não te odeiam. Acredite. Eu sei o que é um pai odiar um filho-ele disse e nessa hora, eu me lembrei da mulher que eu vi no trem. Será? Oh não, seria muita coincidência. Ou será que poderia?

– Como é a sua mãe?- eu pergunto a ele

– Bem...ela é meio exigente. Talvez até um pouco chata...- ele começou a dizer mais eu interrompi

– Como ela é fisicamente?- eu pergunto

– Oh...bem, ela é menos que você. É mais magra, tem os cabelos cacheados e escuros e os olhos também são escuros- ele disse

Caramba! Ela era a mulher que eu vi hoje no trem. Não acredito.

– Ela deve ser bonita- eu digo

– Ela até que é- ele disse

– Ela sabe de nós dois?- eu pergunto

– Sim, ela sabe. Ela sabe que eu tenho você- ele diz

– Mas ela sabe, quem eu sou?- eu pergunto

– Não. Não resolvi entrar em muitos detalhes da minha vida pessoal com ela- ele disse- Não seria nem direito isso- ele diz

– O que ela quer com você então?- eu pergunto

– Ela só pediu pra se reaproximar de mim- ele diz

– Estranho. Não é normal os pais se aproximarem dos filhos depois que eles trocam de facção- eu digo

– Você tem que falar isso pra sua mãe- ele diz rindo

– Ela só me visitou duas vezes- eu digo a ele rindo também

Nossas bocas se encontram e voltamos a nos beijar. Ele rola pra cima de mim e suas mãos encontram meus seios. ele dá uma leve apertada neles e eu dou um suspiro. A sensação era muito boa. Foi melhor ainda quando voltamos a nos beijar.Eu dou um suspiro quando o sinto entrar novamente em mim. Não doeu tanto quanto da primeira vez, porém, ainda senti um pequeno desconforto. Eu tentei seguir o ritimo dele. Se eu soubesse que sexo era tão bom assim, já teria feito antes, mas não era o momento certo. Mais alguns movimentos e eu sinto mais uma vez sensação de que tinha alguma coisa querendo se liberar e mais uma vez eu a deixo se liberar e solto um gemido um pouco mais alto do que o primeiro. ele saí de dentro de mim e mais uma vez eu sinto aquela sensação relaxante.

– Você mentiu pra mim?- ele pergunta

– Como?- eu o olho

– Você não fez tatuagem nenhuma- ele diz e eu começo a rir da cara dele

Ele me olha como se eu estivesse louca e é, talvez eu estivesse um pouquinho louca mesmo.

– Senta- eu digo a ele.

Eu me viro e deito de bruços para que ele pudesse ver

Eu havia tatuado um morango no meu bumbum. Não sei porque,mas a ideia de parecer um pouco sensual, me caiu bem na hora. Eu sinto uma apertada lá

– O que você achou?- eu pergunto a ele

– O que eu achei?- ele diz com uma voz um pouco atrapalhada- Bom, me deu vontade de morder, se quer realmente saber- ele disse e eu arregalo os olhos pra ele- O que? Você faz uma tatuagem dessas no bumbum e não quer que eu não sinta nada?- ele pergunta

– Bom, eu não esperava que você fosse ter essa reação- eu digo

– Eu espero que eu tenha sido o primeiro a vê-la- ele diz

– Bom, se for contar que quem tatuou foi a Tori, quem escolheu foi eu e que a Christina estava comigo, isso faz de você o terceiro a vê-la- eu digo e ele sorri

– Você é impossível- ele diz- Mas é isso que eu gosto em você. Você é única, insubstituível e completamente maluquinha. Eu te amo, sabia?- ele diz

– Eu também te amo- eu digo a ele

**********************************************************

Estavamos na cozinha preparando o jantar. Optamos por fazer um macarrão com queijo. Na verdade, era a única coisa que eu sabia fazer que ia bastante tempero. Com o passar dos meses eu acabei me acostumando com a comida forte e super temperada da audácia.

– Olha o que eu achei- Diz Tobias. Ele estava com uma garrafa escura na mão e duas taças.

– O que é?- eu pergunto

– Vinho. Já bebeu?- ele pergunta

– Eu nunca bebi nenhuma bebida que não fosse refrigerante, água ou suco- eu digo

– Está a quase quatro meses na Audácia e nunca experimentou uma bebida alcoolica?- ele pergunta colocando o conteúdo roxo nas taças. Pela cor, lembrava mais um suco de uva

– A oportunidade nunca surgiu- eu digo a ele. Ele me entrega e eu seguro

– Bom, então eu dei sorte ao escolher esse. É suave- ele disse- Beba- ele praticamente ordena. Eu levo a taça à minha boca e bebo um pouco do liquido. Até que não era muito ruim mesmo. Mais forte do que suco de uva, mas ainda assim, até que era apetitoso.

– Hum...é bom- eu digo- Era isso que estava bebendo naquele dia?- eu pergunto e ele me encara. Ele custa pra entender que eu estou falando do dia que eu o vi bêbado perto do abismo. Foi a primeira vez que ele me disse que eu estava bonita.

– Não...naquele dia era uma coisa um pouco mais forte- ele disse

– O que era?- eu pergunto colocando o molho no macarrão

– Era Wisky- ele disse

– Você tem?- eu pergunto colocando o queijo ralado no macarrão e o levando pra mesa, que já estava posta

Ele emite um barulho como se fosse um gemido ou um barulhinho de rato. Eu olho pra ele

– Quatro...- eu digo a ele em um tom ameaçador e ele me arregala os olhos

– Tenho. Você quer?- ele pergunta

– Talvez depois- eu digo a ele me sentando na mesa

– Por que me chamou de Quatro?- ele pergunta se servindo

–Porque você estava pensando em me esconder alguma coisa. Saiba que todas as vezes que eu tiver brava com você eu vou te chamar de Quatro- eu digo

– Então, vou te chamar de Beatrice pelo mesmo motivo- ele diz

– Justo- eu digo

– Gostou do vinho?- ele pergunta

– Adorei. Ficou bom com o macarrão- eu digo

–Ficou mesmo- ele diz

– Quero conhecer sua mãe- eu digo a ele despreocupadamente

– Você vai conhecer- ele disse firmemente. Havia um tom de certeza na voz dele- Convidei ela pra vir aqui amanhã- ele diz

Eu arregalo os olhos pra ele.

– Você o que?