A Vida na Audácia
8 A Mãe do Tobias parte 1
Choque, susto e medo eram expressões que poderiam facilmente ser encontradas no meu rosto agora.
– Como é que é?- eu pergunto a ele
– Ela quer muito te conhecer, porque eu falo muito em você pra ela e ela quer saber quem é a garota misteriosa, destemida e meiga que teve coragem o suficiente para desertar da abnegação e vir direto para a Audácia!- ele me diz
– Destemida e meiga?- eu digo
– É assim que eu te descrevi pra ela- ele me diz- Desculpa ter te contado dessa forma-ele diz
– Tobias espera um pouco. Você ia deixar que ela viesse aqui sem antes eu saber da existência dela?- eu pergunto a ele me levantando da mesa.
– Tris acalme-se. Eu ia te contar sim- ele disse
– Jura? Quando? Quando ela batesse na porta em um momento que você não está em casa e eu fosse atender e ela me dissesse que era sua mãe?- eu digo a ele fazendo um gesto de mão
– Hey calma, também não é assim- ele disse
– Então como é?- eu pergunto alterando o meu tom de voz
– E o Zeke ainda tem coragem de dizer que sexo acalma as mulheres!- ele disse em um tom baixo de voz, tão baixo que se eu não tivesse uma audição perfeita, eu não teria escutado.
– Como é que é?- eu pergunto a ele não acreditando no que ele tinha acabado de dizer
– Nada, eu não disse nada- ele diz
–Ah sim, disse sim- eu digo- Repete mais alto pra eu ouvir!- eu praticamente ordeno.
Ele trava e não faz o que eu digo.
Não tem como eu o recriminar por isso, afinal, eu também agi meio que de caso pensado quando fizemos, mas ele não precisava saber disso.
– Eu estou esperando- eu digo
– Zeke tem mania de dizer que sexo acalma as mulheres. Mas eu acho que não funciona com as que são divergentes- ele disse pra mim
–Não diz essa palavra- eu digo a ele entre os dentes
– Não sou louco de dizer isso pra mais ninguém- ele diz
– mesmo assim, eu ainda fico preocupada com isso. E se você soltar isso na frente da sua mãe amanha?- ele diz
– Eu não vou. Acha que eu sou louco a esse ponto?- ele diz
– Eu nem sabia que você era louco!- eu digo e nesse momento ele começa a rir e eu também e em alguns segundos estamos os dois explodindo em gargalhadas. Tivemos que sentar no chão para rir.
– Vem aqui vem- ele disse me puxando para o colo dele- Eu te amo sabia?- ele me disse e eu acabei ficando toda boba. É só ele falar essas coisas que eu me derreto como um sorvete embaixo do sol.
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– Que horas a sua mãe vem aqui?- Eu perguntei na manhã seguinte enquanto estavamos tomando café da manhã. Eu estava mais uma vez só com a blusa dele e estava segurando uma caneca de café na mão.
– Ela não disse. Ela só falou que viria aqui hoje. Mas não disse que horas ela viria. Acho que ela vem mais tarde.- ele disse pra mim
– hum...- eu digo terminando o café e deixando a caneca na mesa mesmo.
Eu sigo em direção ao banheiro e chegando lá eu jogo uma água fria no meu rosto e dou um profundo suspiro. " E se ela não gostar de mim?" essa era uma questão que está girando na minha cabeça desde que eu acordei.
Em cima da pia, tinha uma tesoura. Eu a havia esquecido ali hoje mais cedo, depois de eu ter usado-a para cortar os pelos do meu braço. Olhei para a tesoura e para o espelho e novamente do espelho para a tesoura. É agora ou nunca!
Peguei a tesoura e puxei uma mexa do meu cabelo e a cortei um pouco pra baixo do queixo. E fui cortando mexa por mexa até que ficasse da altura que eu queria que ficasse, a parte mais difícil foi a de trás, mas eu consegui fazer um corte legal. Quando eu volto pra cozinha, Tobias me olha e deixa cair um prato de vidro no chão, o prato se quebra em vários pedacinhos.
– O que você fez com o seu cabelo?- ele me pergunta com a voz assustada
– Cortei, gostou?- eu perguntei a ele que me encara com uma cara de abobado.
– Ficou bacana!- ele diz me observando atentamente. Ele se aproxima de mim e então tira uma mexa que estava caída na frente e coloca ela atrás da minha orelha, e lá, dessa vez, ela permaneceu!
– Eu esqueci de te perguntar. Sua mãe sabe chegar até aqui?- eu pergunto
– Sabe. Eu ensinei o caminho pra ela- ele disse.
– Tô nervosa com a visita dela- eu digo
– Você não tem motivos para isso- ele diz
– Não é todo dia que se conhece a sogra não é verdade?- eu digo
– Não se preocupe. Ela vai te adorar- ele disse
– Como se sentiu quando conheceu minha mãe?- eu perguntei a ele. Mesmo sabendo que é um pouco ilógico, considerando que não estavamos juntos naquela época.
– Tentei de todas as maneiras possíveis que ela não descobrisse que eu fui da abnegação- ele disse
– mas ela te reconheceu- eu disse
– Ela te falou alguma coisa?- ele me pergunta assustado
– Não, mas ela tem uma boa memória- eu digo a ele- Se alguma vez ela te viu na abnegação, ela não se esqueceria de você nem se ela quisesse- eu digo
– Ela se transferiu da franqueza?- ele me pergunta
– Não. Ela era daqui das Audácia- eu digo e ele me encara mais uma vez.
– Geralmente os da Franqueza é que tem boa memória- ele disse.
Nessa hora escutamos uma batida na porta. A Mãe dele havia chegado.
– Vou até o quarto colocar algo mais...decente- eu digo
–Tudo bem. Eu atendo a porta- ele disse assim que escutamos mais uma batida nela.
Fui na direção do quarto e voltei. Coloquei um vestido preto e soltinho,de ficar em casa mesmo, não muito curto, nem muito cumprido, na verdade, ele era um pouco pra cima dos meus joelhos. Dei uma penteada no meu cabelo e o joguei para o lado e coloquei um chinelinho. Quando eu cheguei na sala, eu a vi.
Era a mesma mulher que vi no trem ontem. Assim que eu cheguei na sala, ela me olhou
– Beatrice Prior?- ela diz
– Oi- eu digo a ela
– Vocês já se conhecem?- Tobias pergunta
– Uau, duas vezes em menos de quarenta e oito horas, isso é a maior coincidência do mundo.-ela diz e Tobias me encara com a cara tipo "Você não ia me contar isso?"
– Quarenta e oito horas?- ele me pergunta
– Sim, filho. Ela não te contou isso?- ela diz
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