A Vida de Elizabeth Ashfield

1 (Parte I) Capítulo 1: O Revólver


Notas iniciais
Primeiro Capítulo do meu livro. Espero que vocês gostem! Essa é uma versão beta, pois estou reescrevendo ele. Mas espero que gostem mesmo assim.
Parte I
O mundo não se divide em pessoas más. Todos temos luz e trevas dentro de nós. O que importa o lado qual decidimos agir. Isso é o que realmente somos J.K. Rowling, Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Há muito tempo, quando Elizabeth Addams não passava de uma pequena menininha, um trágico fato marcou sua vida para sempre. Graças a ele, Elizabeth jamais havia sido a mesma pessoa.

Tudo começou quando, no fim da tarde daquele longo, cansativo e ensolarado dia, Emily Addams, aquela que era a mãe da menina e de sua irmã mais nova Victoria, saiu do trabalho e chegou mais cedo à sua humilde residência e se deparou com algo que jamais sequer tinha passado pela sua cabeça em nenhum momento.

Chegando à porta do casebre de madeira, a mulher se abaixou e levantou a ponta de um simples tapetinho que ficava na entrada, colocando a mão sob o objeto, retirando de lá um pequeno conjunto de chaves reservas, pois perdera o seu em um local que não conseguia se lembrar.

Havia chegado mais cedo em casa e decidira preparar um novo cardápio para o jantar naquele dia, pois amava de coração seu marido e suas filhinhas. Emily era capaz de tudo para ver aqueles que eram seu parentes unidos e felizes. A humilde e ingênua mulher, em pequenos passos, adentrava o casebre e soltava os cabelos pretos que eram presos em um coque. Chegando à pequena e minúscula sala de estar, desamarrou o avental de empregada doméstica. Teria uma bela aparência se não fosse pelo sofrido e desgastado trabalho que realizava constantemente para ajudar no sustento, alimentação, saúde e educação das pequenas filhas. Devido a isso, com pouco menos de quarenta anos, já estava com o rosto repleto de rugas.

Depois de largar o avental sobre um sofá pequeno, desbotado e um pouco empoeirado, em pequenos passos a mãe de Elizabeth e Victoria se aproximava da porta de seu quarto. Repentinamente, se assustou ao escutar algumas vozes que vinham do tal cômodo e ecoavam pelo pequeno corredor.

– Que estranho. Tem alguém aqui dentro. – sussurrando para si mesma, erguia as sobrancelhas e se apressava para abrir a porta que ligava ao quarto que compartilhava com George, seu marido e pai de suas filhas. Após isso, soltou um berro, assustando também as duas figuras que se encontravam presentes sobre a cama de porte médio que compunha grande espaço do pequeno cômodo.

Uma das pessoas era ele, o próprio George, o marido de Emily. A outra era uma mulher um tanto mais jovem que o casal. O homem tinha pele parda, cabelos crespos escuros descuidados e era extremamente gordo. A jovem possuía cabelos loiros, olhos azuis e um belíssimo corpo, que era de causar inveja a qualquer mulher que o fitasse.

– Querida, eu posso explicar! – berrou, empurrando levemente a jovem que antes estava junta a ele, o abraçando e compartilhando carícias, e correndo ao encontro da esposa, que, debulhando-se em lágrimas e destruindo qualquer objeto que visse pela frente, correndo até a cozinha, pois não tinha muitos lugares para onde ir.

– Sai daqui! Eu não quero mais nada com você. Você vai sair da minha casa antes que as meninas cheguem. Não quero que elas cresçam sob os cuidados de um pai assim! – Ela tentava conter as lágrimas que lutavam para escorrer de seus olhos, que se encontravam inchados e vermelhos.

– É isso mesmo que você quer? – cínico, o marido mudou o tom de voz para um tom de súplica. Emily não se conteve e o esbofeteou tão forte que destruiu um de seus dentes.

– Desgraçado! Só quero ver você aqui nos fins de semana e que você pague a devida pensão das minhas filhas. – Depois de tanta insistência, George aceitou que não havia mais nada entre os dois e nunca mais haveria.

...

Emily ainda se situava na cozinha. Jogou-se no solo e ali permaneceu, chorando e se debatendo, em um terrível surto psicótico.

– Você não podia ter feito isso, George. Como eu te amo. Não me arrependo nem um pouco de ter passado todos esses anos ao seu lado, pois graças à esse lindo fruto do nosso amor eu dei à luz as nossas lindas filhas. Isso não pode ser verdade, não pode! VOCÊ ME PAGA!

Alguém se aproximava da mulher e adentrava a cozinha, rindo escandalosamente. Era ela, a amante de seu marido.

– Então tudo acabou entre vocês? Finalmente vou poder viver a vida que quero ao lado do meu amado, o seu antigo maridinho.

– EU VOU TE MATAR! – Emily gritou, levantando-se rapidamente, sacando uma navalha de cima da mesa em apenas poucos segundos. Apontou a lâmina para a jovem, que reagiu, movendo o braço de Emily para trás. O impacto acabou fazendo com que Emily largasse o objeto, que foi recolhido pela mulher.

– Agora eu vou te contar como tudo aconteceu, tintim por tintim, querida Emily. E você vai ouvir, senão morre. Para começar, meu nome é Rachel. Pois bem, sou funcionária de uma pizzaria próxima à oficina mecânica de seu marido. Tenho preferência por homens mais velhos e maduros. Quando vi seu querido maridinho, me apaixonei perdidamente. Ele passou a ir mais na pizzaria, isso explica a barriguinha que ele tem, não é mesmo? — e soltou uma alta e nervosa gargalhada que assustou Emily.

Uma buzina havia tocado próxima ao casebre e Emily teve a certeza de que era a condução da escola das meninas. E era. As pequenas Elizabeth e Victoria desceram do veículo. Elizabeth era uma belíssima menina, pois tinha puxado a mãe em todos os requesitos: beleza, firmeza e atitude. Já a pequena Victoria, que era três anos mais nova que Elizabeth, tinha puxado mais os traços do pai, mas ainda assim tinha a beleza da mãe. Ambas tinham cabelos longos pretos e uma pele branca. Os olhos das irmãs eram castanhos e ambas eram magras.

...

– Beth, vô dormi, tá? — dizia Victoria, se dirigindo rapidamente ao quarto que era ao lado do dos pais. Dormiu em questão de poucos minutos.

Já Elizabeth, ouviu algumas vozes da cozinha e decidiu espionar nos fundos, como uma brincadeira que sempre fazia com os pais. Deu a volta pelo casebre e se escondeu na entrada da cozinha. Escutou quando Rachel contou toda a sua história para Emily e ambas lutavam pela posse de uma faca, uma dizendo que ia matar a outra. Em um ato impulsivo, Elizabeth se levantou e correu até um armário que se situava em um cômodo vazio e empoeirado, retirando de lá um objeto extremamente perigoso.

– O revólver do papai, eu acho que vou precisar usar ele, senão aquela mulher vai acabar matando a mamãe.

Chegou e se escondeu atrás de um móvel da cozinha. Emily a viu e ficou em estado de choque, transtornada. Rachel havia se decidido e estava pronta para atacar e matar a mãe das meninas, porém, algo em suas costas a atingiu. Um barulho ensurdecedor ecoou pela cozinha. A jovem caiu no chão, morta, sobre uma poça de sangue. Emily, chocada, disse:

– Você... me... salvou?! — tensa, Emily correu até a filha e abraçou fortemente. — Nada de ruim vai te acontecer, eu te juro! Estou aqui para proteger você e a Victoria!

Por um instante as duas ficaram em silêncio.

–Filha, precisamos conversar. — Decidia-se Emily, interrompendo o silêncio, pensando no que seria o melhor a ser feito. Emily, em uma emocionante conversa com Elizabeth, conseguiu convencer a filha de que o melhor a fazer seria ela se entregar a polícia no lugar da filha, assumindo o assassinato, alegando legítima defesa. A filha seria sua testemunha e a pena de cadeia não seria tão pesada e logo a mãe das meninas estaria de volta. Convenceu a filha dizendo que a pequena Victoria precisava de sua irmãzinha e, a partir daquele momento, Elizabeth se tornou uma espécie de mãe para Victoria, mesmo tendo quase a mesma idade da irmã caçula, pois havia amadurecido bastante após este incidente. A mãe de Elizabeth lavou e limpou o revólver, propositalmente marcando-o com suas impressões digitais, posicionando-o próximo ao corpo de Rachel.

...

Diante do delegado da cidade de Summerlight, Emily e George depunham sobre aquele terrível fato, que abalou não só a vida de Elizabeth, mas também aterrorizou toda a população da cidade. Sem alternativa, a mãe das meninas decidiu que a vida da filha era mais importante do que a sua e berrou para todos ouvirem.

– Eu matei Rachel! Foi para salvar a minha vida, porque ela me ameaçava com uma navalha! Foi isso que aconteceu.

...

Por conta de tudo isso, George acabou ficando com a guarda das meninas, temporariamente, enquanto Emily estava detida por um crime que não tinha cometido. A alegre e simpática Elizabeth deu lugar à uma fria e arrogante menina. Victoria, que ainda era muito pequena na época não entendia exatamente o que estava acontecendo em sua família. Um verdadeiro caos.

Elizabeth, apesar de tudo, não mudou o modo como tratava a irmãzinh e a mãe, as únicas pessoas que amava verdadeiramente. Cuidou muito bem de Victoria naqueles dois anos que Emily ficava detida, pois iria cumprir o resto da penalidade em liberdade.

– Finalmente estou livre! Poderei cuidar das minhas pequenas filhinhas... Como será que elas devem estar aos cuidados do George? Aquele lá nunca soube ser pai... — A emoção era tanta que, em lágrimas, Emily cruzava os portões de entrada do grande presídio que tinha tirado dois anos que a mulher poderia ter passado ao lado das filhas.

No final do dia, chegou ao casebre. Estava tudo escuro e silencioso. Provavelmente todos estavam dormindo. Mesmo assim, Emily adentrou o casebre utilizando a chave reserva. Não podia esperar mais nem um pouco para matar essa saudade que a atormentava.

– Mamãe! — gritou Elizabeth, correndo ao encontro da amada mãe, antes acendendo a luz. — Você chegou!

A filha mais velha abraçou a tão amada mãe. Junto a ela estava uma menina um tanto mais jovem, quem Emily reconheceu de imediato.

Victoria! — e correu ao abraço da filha caçula. — Como você cresceu!

Pouco depois, uma figura se juntava às três, com uma expressão demoníaca na face, fuzilando Emily com o olhar.

– Então você finalmente saiu de lá... Emily.

– Acho que temos que ter uma conversinha. Elizabeth, ponha sua irmã para dormir e fica me esperando. Quero falar com você também.

– Sim, mamãe. — Elizabeth, pondo a mão sobre o ombro de Victoria, a guiou até o quarto que dividiam. Victoria tentou protestar, mas foi em vão.

– Agora que eu cheguei, já tá na hora de você ir embora da minha casa, não?

– Emily, eu...

– Eu nada! Você me traiu e traição não tem perdão. Vá embora daqui. Já era pra você vazar daqui faz dois anos.- O homem, cabisbaixo, se retirou do casebre e perambulou pelas ruas da cidade pedindo abrigo a todos, que não o acolheram, pois souberam do ocorrido. George acabou por passar a residir na sua oficina mecânica, um lugar sujo e empoeirado, provavelmente o pior para que alguém como George pudesse dormir.

E, a partir daquele momento, uma nova família passou a existir. Com somente as três: Emily, Elizabeth e Victoria.


Notas finais
Um review de vocês me ajudaria bastante *-*