A Vida de Elizabeth Ashfield
36 Capítulo 36: O Pedido
- Entendo... E desde então, quando seu irmão nasceu, você perdeu completamente a atenção e o carinho de seus pais, não é mesmo? – dizia Isabella, delicadamente.
- Sim, exatamente isso. O que mais me entristece é que eles me amavam, sempre cuidaram bem de mim, mas quando David nasceu, eu fui facilmente substituído e deixado de lado por todos.
- Que horror... Eu não sei o que faria se passasse por isso. – Isabella se aterrorizava com a ideia de imaginar seus amados pais a rejeitando e maltratando. – Bom, se você está confiando em mim para isso, também vou confiar em você para contar o que sinto. Tive a sorte de ter uma tia maravilhosa como a Elizabeth... Se não fosse por ela, eu também estaria perdida nesse mundo.
- Desculpe a indelicadeza, mas, e seus pais?
- Meus pais faleceram quando eu era uma menininha de sete anos de idade e não compreendia muito bem as coisas no mundo em que vivemos. Em um instante, eles estavam ali, partindo para uma viagem. Em outro, eles já tinham falecido.
- Sinto muito. Muito mesmo.
- É lógico que eu sinto muita falta deles, eram meus pais... Mas a tia Elizabeth soube muito bem como cumprir o seu papel de madrinha. Ela estava preparada para ser mãe, mas uma desgraça a impediu, e eu entrei na vida dela.
- Uma... desgraça?
- Sim. Roubaram o filho dela no berçário, pouquíssimo tempo depois do nascimento. Ela ainda sofre até hoje por conta disso. Mesmo que na minha frente ela se segure, eu já a flagrei chorando no quarto do bebê.
- Céus... Estou sem palavras. Como alguém pode ser tão cruel a ponto de fazer isso?
- Também fico me perguntando... Sabe, Eric, eu nunca conversei com alguém assim do jeito que estou conversando com você. Sempre fui muito reservada, antissocial, e nós acabamos de nos conhecer. Isso é esquisito.
- E não é que eu sinto a mesma coisa? É como se nos conhecêssemos faz muito tempo e fôssemos grandes amigos.
- Bom, quanto à parte dos amigos, isso pode se tornar realidade.
...
- Vá limpar o banheiro. – ordenou Esther, à Margareth Wargrave. A irmã de Megan, resistindo à provocação da carcereira, se levantou, obedecendo a mulher. Só teria que aguentar isso até o fim daquele ano, e tudo aquilo acabaria, terminaria. O fim de um pesadelo, o início de um sonho.
- Não posso me importar com essas nojentas... Aguentei até hoje, posso aguentar mais. – apanhou uma vassoura com um pano molhado num armário que se situava no grande corredor que ligava ao banheiro. Chegando ao local, fechou os olhos, enojada. Estava pior do que imaginara. Água poluída jorrava de um dos vasos, sujando grande parte do piso do local. – Parece que tudo conspira contra mim... Deve ser praga isso, só pode.
Decidida a terminar logo com tudo aquilo, preparou a vassoura e o pano, caminhando até a pia, entretanto, antes de chegar à mesma, seus pés escorregaram na água poluída, de modo que a mulher perdesse completamente o equilíbrio. Margareth, tentando se por de pé, tropeçou sobre o pé direito, caindo ao chão imundo, gritando devido à forte dor.
O grito fora tão forte e alto que em pouco tempo duas carcereiras já se encontravam auxiliando a mulher a se levantar e a levaram diretamente à enfermaria, pois esta não conseguia andar.
Era necessário um exame de Raio-X. Poucas horas depois, o exame de Margareth já estava pronto. A paciente aguardava na sala de espera, quando a médica se aproximou.
- E aí, doutora, alguma coisa séria com meu pé?
- Foi uma grande fratura, no seu tornozelo. Precisará do uso de um gesso e de repouso por alguns dias.
- Que merda.
...
A vida de Eric se complicava cada vez mais. O jovem não estava conseguindo dar conta do ritmo de trabalho e dos estudos em horário integral na escola. Por muitas vezes, acabava chegando atrasado no restaurante, prejudicando aos outros. Aquilo não poderia continuar daquela forma, e Eric sabia disso mais do que ninguém.
- Eric, eu não tenho outra saída. – afirmara o chefe, desapontado. – Sei que você é um excelente rapaz e um ótimo funcionário, mas você se atrasa quase todos os dias... Não vejo outra solução a não ser te despedir. Sinto muito.
Eric sentia como se tivesse perdido o mundo. Fora graças à aquele trabalho que ele conseguira abandonar a casa dos pais adotivos, onde viveu constante inferno por anos e ainda estaria vivendo caso não tomasse iniciativa para conduzir sua própria vida. E agora, o emprego que tanto sofreu para conseguir, tinha terminado.
Semanas depois, a amizade de Isabella e Eric aflorava cada vez mais. Os primos tornavam-se cada vez mais unidos, graças à uma peça que o destino pregou.
- Isa, eu sinceramente não sei o que vai ser de mim. Não tenho lugar para ir. A Dona Martha é uma pessoa muito generosa e compreensível, mas é o trabalho dela, eu não posso abusar disso.
- Eric, fique tranquilo. Somos amigos há um pequeno tempo, mas eu irei ajudá-lo.
- Você... O que você vai fazer? – Eric estava confuso. Ficaria feliz ao ser ajudado pela amiga, logicamente, mas não fazia ideia do que a garota estava pensando.
- Aguarde, primeiro preciso falar com alguém
...
Aquele dia, como muitos outros, se passara muitíssimo rápido para Elizabeth Ashfield, que, geralmente, perdia noção das horas, pois na maior parte do tempo ficava no terraço ou na piscina. Quando se deu conta de que horas eram, o céu já estava escuro e repleto de estrelas.
Assustara-se com os passos que vinham em sua direção no grande terraço, pois não havia reparado que a sobrinha já havia chegado da escola.
- Boa noite, querida. – Elizabeth, alegremente, retirava uma mecha do seu cabelo que caíra para frente, impedindo a visão de um dos olhos. Isabella abraçou a tia e beijou seu rosto. Estava exausta, algo que era perceptível apenas por seu olhar.
- Tia, queria conversar com a senhora sobre uma coisinha.
Fale com o autor