A Vida de Elizabeth Ashfield

37 Capítulo 37: Destino


- E o que seria essa... coisinha? – perguntou Elizabeth, erguendo uma sobrancelha e cruzando os braços. Quando a sobrinha falava daquele jeito, significava que iria pedir algo muito importante. Conhecia o jeito da menina desde a época em que era uma pequena bebezinha, que vivia em seu colo.

- Então, eu conheci um garoto, no primeiro dia de aula. O nome dele é Eric. A gente anda junto desde aquele dia e em três semanas nos unimos muito.

- Hm... Você está apaixonada, querida? É seu primeiro amor? – Elizabeth sorriu ao ver o modo como Isabella contava a história, chegando a imaginar o impossível.

- Acredita que não? – Isabella riu enquanto contava a história. – Por incrível que pareça, o que sentimos um pelo outro não passa de amizade, mas é uma amizade maior, quase um carinho de irmão, de alguém da família. Estranho, não?

- Irmãos? – ironizou a tia, duvidando que seria apenas aquilo. Como alguém poderia se sentir irmão de uma pessoa praticamente desconhecida? – Bem, prossiga.

- Ele morava de aluguel numa pensão e trabalhava de noite num restaurante, mas devido ao horário integral da faculdade, ele, por muitas vezes, atrasava no trabalho, e acabou sendo demitido. E restam poucos dias para que ele deixe a pensão.

- E você quer que eu... hospede esse rapaz aqui?

- Sim, tia. Eu nunca lhe pedi nada de tamanha importância... Pelo menos tente, vai ser importante tanto para ele quanto para mim. Eu nunca fui de ter muitos amigos e sempre valorizei cada um dos que tenho.

Elizabeth e Isabella encararam uma a outra. Elizabeth cortou o silêncio formado por aquele clima pesado entre as duas.

- E o que eu não faço por você?

- Obrigada, tia! – exclamou Isabella, quase chorando, abraçando Elizabeth exatamente da mesma maneira como fazia quando era uma pequena menininha. – A senhora não vai se arrepender.

- Assim espero.

...

Aqueles dias não poderiam ser piores para Margareth Wargrave que, além de estar presa e não ver a hora de sair daquele inferno cujo nome é presídio, se encontrava com o pé quebrado e sofria muito todas as vezes que necessitava caminhar a algum lugar.

- James, já faz duas semanas que você não me visita. Qual é o seu problema?

- Ih, está de mau humor... Como foi que aconteceu isso? – James, ignorando o estresse da amada, fitou o gesso, curioso.

- Escorreguei feio e quebrei o pé... Maravilhoso, não?

- Podia ter sido algo pior, querida. Agradeça por não ter sido uma fratura externa.

- Tanto faz... Enfim, tem informações da riquinha? Como anda a vida da ordinária? – perguntou, indiferente. Aquela era a pergunta que Margareth fazia todas as vezes que James a visitava. O homem já estava acostumado a ouvir aquilo.

- Bom, se você considerar uma informação nova o fato de, após a sua aposentadoria, ela estar levando uma vida monótona, sim, eu tenho.

- Interessante... Mais monótona do que a minha eu duvido. Sabe, James, uma parte de mim pede para eu parar por aqui, mas a outra ainda deseja arrancar a carcaça daquela mulher. Eu já não sei nem mais quem eu sou.

- Fique com a primeira parte... – James acariciou o rosto da mulher, olhando no fundo de seus olhos. — Olhe para onde você foi parar por causa da Elizabeth. Tem que parar por aqui, antes que seja tarde demais.

- Você seria capaz de matá-la por mim e encerrar tudo isso de uma vez? Eu não aguento mais. Não vou sossegar enquanto essa mulher não tiver um fim.

- Você já viu o que eu sou capaz de fazer por você, e não duvide disso. Não é por medo que eu não mato ela, mas não devemos mais prejudicar nossa vida por causa de uma vingança, isso não vai trazer a Megan de volta. A vida é curta, Margareth, e muitos precisam de você.

Margareth, ao ouvir as fortes palavras do namorado, o abraçou fortemente. Ela precisava ser a Margareth de antes: uma mãe determinada, uma esposa perfeita e a melhor dona de orfanato que o mundo já vira. Essa era a verdadeira Margareth Wargrave.

- James, obrigada.

...

- Eric, preciso falar com você.

Desde então, Eric aguardava no local marcado, uma pizzaria próxima à mansão de Elizabeth, uma das mais famosas e queridas do quarteirão, de acordo com Martha.

O tempo estava passando muito rápido e nada de Isabella aparecer. No momento em que encarara que a amiga não viria mais, pronto para ir embora, algo ou alguém tocou seu ombro. Eric se virou, se deparando com Isabella Wilkinson, aquela que na verdade era sua prima.

- Hoje é uma noite de comemoração, por isso trouxe você até aqui. Você me disse que adora pizza, então...

- Comemorar? Mas, o que aconteceu?

- A partir de amanhã, você terá uma nova casa, um quarto de hóspedes pronto só para você. Minha tia disse que será um prazer.

- Mas, Isa, eu não quero incomodar ninguém.

- Não é questão de incomodar... Sei que você faria o mesmo por mim se fosse eu que tivesse passando por essa situação, então tenha calma e aceite, porque não vou aceitar não como resposta.

Eric arregalou os olhos, fazendo bico, balançando a cabeça positivamente.

- Ok. – foi tudo que ele pudera responder. Sentia-se honrado por sua amizade ser tão importante para alguém daquele jeito, como nunca fora para nenhuma pessoa em toda sua vida, além do próprio irmão.

- Bom, então vamos curtir a noite, que deverá ser maravilhosa. Essa é a melhor pizzaria que eu conheço, e não tem ocasião melhor para comemorarmos. Esse momento será inesquecível para nós dois. É o início de uma nova era!

- Jamais esqueceremos disso, Isa. Muito obrigado mesmo, não sei como posso te agradecer.

- Agradeça aceitando tudo o que nós temos para lhe oferecer. A partir de hoje, Eric Clark, sua vida irá mudar radicalmente.

E não esqueceriam mesmo. Mal saberiam Isabella e Eric que, na verdade, o destino estava unindo os dois, através daqueles laços fortes, formando, realmente, uma nova era.