A Vida de Elizabeth Ashfield
3 Capítulo 3: O Plano
Naquela tarde, caminhando nervosa, aflita e desesperada pelas ruas da cidade, Elizabeth não conseguia prestar atenção no grande trânsito das ruas e atravessava as ruas sem observar os dois lados. Por uma grande sorte, nenhum daqueles veículos extremamente rápidos tinha atropelado a jovem. Chegando à sua humilde residência, quando estava prestes a abrir a porta da frente, desmaiou.
Victoria, a irmã mais nova da jovem, perambulava pelo quintal da casa quando avistou a mais velha, soltando um grito. Correu para dentro de casa e avisou à mãe do que estava ocorrendo no exterior do casebre. As duas socorreram Elizabeth e a deitaram sobre o sofá da sala.
Tentaram de todas as maneiras acordá-la, porém, era impossível. Sacudiam, jogavam água, mas nada adiantava! Emily telefonou para a ambulância e em algumas horas as três se encontravam no hospital da cidade.
Elizabeth tinha acordado na cama do hospital e Emily e Victoria se encontravam na sala de espera, aguardando o diagnóstico do médico. Em alguns minutos depois, o homem havia chegado. Utilizava um jaleco branco como tradicional, tinha cabelos grisalhos e barba feita. Usava óculos de meia lua, o que deixava sua aparência engraçada.
– O que irei contar para vocês duas é algo muito importante. Não sei dizer se é uma boa ou má notícia...
– Conta logo, doutor! Por favor, não me deixa curiosa desse jeito. – protestou Emily, desesperada para saber o que tinha acontecido com a filha mais velha, que tanto amava.
– A senhorita Elizabeth está esperando um filho. E ela precisa, e muito, do apoio da família, pois essa gravidez é de risco.
Emily, em estado de choque, caiu sentada sobre uma das poltronas da sala de espera.
– Não pode ser. A minha filhinha não... Grávida?! Isso é impossível, doutor. Tem certeza?
Victoria sentou-se ao lado da mãe e fitou o homem, curiosa.
– Absoluta. Todos os exames comprovaram a mesma coisa. – após ditas estas palavras, Emily desatou a chorar, debulhando-se em lágrimas. Victoria a abraçou fortemente.
– Mamãe, nós vamos ter que apoiar ela, custe o que custar. Ela só tem a gente.
...
O assunto tinha sido encerrado naquela tarde. De noite, Elizabeth fora liberada e as três retornaram ao humilde casebre. Na madrugada, Emily adentrou o quarto de sua filha mais velha, que não conseguira dormir naquela noite, pensando no abandono do namorado que tanto amava.
– Filha, que história é essa de gravidez? Me conta tudo. Sou sua mãe, tenho o direito de saber disso. – ordenava Emily, calmamente. Elizabeth sentiu como se pudesse confiar na mãe para tudo aquilo. Ela iria ampará-la custe o que custar.
E disse tudo o que tinha acontecido para Emily, que teve uma reação inesperada. A mãe de Elizabeth não tinha ficado nervosa e compreendera o que aconteceu com a filha.
– Preciso te contar uma coisa. Uma coisa que ninguém sabe. Eu me casei grávida com seu pai. Ele não era esse homem que se tornou assim. Ele era um homem bom. Um belo homem. Quando engravidei de você, tinha apenas dezoito anos, mas ele assumiu a filha e a gente se casou. Três anos depois sua irmã nasceu. Vocês são os presentes mais valiosos da minha vida! Pode contar comigo para ajudar a cuidar do seu bebê.
E abraçou a filha fortemente. Emocionadas, ambas debulhavam-se em lágrimas.
...
Aquela semana na faculdade tinha sido extremamente tranquila, uma vez que Elizabeth, felizmente, não havia visto Andrey em lugar algum daquela grande cidade universitária.
Naquele dia tinha sido liberada muito mais cedo e se apressara em descer a escadaria do seu prédio de direito, pois cada curso possuía um prédio, no entanto, sua pressa foi tanta que a jovem tropeçou na descida de um dos degraus e perdera o equilíbrio, rolando escada abaixo.
Uma de suas amigas, que também descia a escada, a socorrera e a levara imediatamente ao hospital em seu carro. Telefonara para a mãe, que novamente, desesperada, chegou ao hospital em prantos, amedrontada com o que poderia acontecer com a filha depois de uma terrível queda como aquelas.
Chorando, estava Emily novamente na sala de espera, sendo amparada por Jasmine, a amiga de Elizabeth.
– Não chora, dona Emily. A Beth vai ficar bem, ela é muito forte e conseguiu superar esse peso do abandono do homem que ela amava. A senhora vai ver.
O mesmo médico que atendera Elizabeth da outra vez acabara de chegar, novamente com o diagnóstico.
– Doutor, como tá minha filha? Me responde! – berrava Emily, desesperada. Quando algo de ruim acontecia com suas filhas a mãe surtava completamente.
– A sua filha está bem, não corre nenhum perigo, mas infelizmente a criança não resistiu à queda e faleceu. A senhorita Elizabeth perdeu o bebê. Sinto muito, muito mesmo.
...
A notícia havia sido um choque para todas as três. Elizabeth não suportava a dor de perder um filho que tanto amava. Emily perdera um neto que seria um grande presente de Deus e Victoria perdera um sobrinho.
Sozinha em seu quarto, durante todas as noites, antes de dormir, Elizabeth jurava:
– Eu vou me vingar de você, Andrey Thompson. Você conseguiu destruir toda a minha vida em questão de semanas. Você vai pagar caro pelo que fez.
...
Muito tempo tinha se passado e Elizabeth Addams finalmente tinha se formado na faculdade de direito, tornando-se uma das advogadas mais famosas da cidade, obtendo muitos lucros e finalmente pôde dar a vida de rainha que sua mãe merecia. Porém, havia se tornado uma pessoa fria, calculista e disposta de tudo para conseguir o que bem desejasse, sendo capaz de passar por qualquer obstáculo para isso.
Victoria estava no quarto ano de sua faculdade de medicina e tinha iniciado um relacionamento amoroso com Teddy Wilkinson, um dos alunos de seu ano escolar, também de medicina.
Emily, a mãe das duas jovens, estava melhorando cada vez mais da depressão, pois sua filha mais velha agora contratava um avançado tratamento para curar de vez a doença psicológica da mãe.
Elizabeth, mesmo agora sendo uma rica e elegante mulher, ainda tinha seus pensamentos diabólicos e seus planos de vingança contra aqueles que a fizeram mal. Principalmente naquele momento, que poderia usufruir de suas finanças para obter o que bem desejasse. Com os benefícios financeiros, aumentou o tamanho da casa, a transformando em uma mansão, a maior mansão da cidade. A mansão de Elizabeth Addams!
Aguardava na varanda ansiosa pela chegada do novo exemplar do diário de notícias da cidade de Summerlight. Era o tipo de mulher que desejava se manter informada de tudo o que acontecia. Um homem de casaco amarelo e de boné azul escuro se aproximava do grande portão da mansão, despejando uma sacola esverdeada com várias folhas acinzentadas enroladas em seu interior. Elizabeth se apressou a recolher o jornal e folheá-lo para adentrar o mundo das notícias.
Sentou-se sobre um grande banco de madeira e folheou o diário de notícias. Passou várias folhas, tediosa, quando uma notícia finalmente chamara sua atenção.
“Homem-bomba é pego em flagrante, acusado de roubar dez mil dólares de um caixa eletrônico
O ladrão, cujo nome é Christopher Lamonier, famoso entre os demais delinquentes pelo fato de estar envolvido na produção de bombas caseiras, que são utilizadas nos interiores de departamentos públicos. O homem se disfarçava utilizando um traje de oficina mecânica”.
– Christopher Lamonier... Esse daí há de me ajudar! Ele pode ser a peça que faltava no meu tabuleiro de xadrez.
...
Se dirigindo à prisão masculina de Summerlight, onde se encontrava o misterioso homem-bomba. Os corredores do presídio eram completamente escuros com algumas fracas luzes que piscavam e tinha um cheiro imensamente desagradável, como se não houvesse sido limpo há décadas. Com a companhia dos guardas policiais, chegou à sala de visitas, onde o homem já se encontrava.
– Quem é esta adorável mulher?
– Me deixem falar com ele a sós, por favor. É algo extremamente importante. – e, logo após a retirada dos policiais, sentou-se de frente para o criminoso. – É o seguinte: gostaria de te propor um negócio. – afirmava, prendendo os cabelos em um coque, num gesto nervoso. Não suportava pessoas daquela índole, porém necessitava delas para cumprir o que desejava.
– Um... negócio? – o homem tinha cabelos brancos arrepiados e sujos, com uma barba mal feita. Elizabeth sentira um terrível nojo do idoso.
– Vou direto ao ponto. Posso te ajudar a reduzir a tua pena, mas quero que você faça o que eu mando, senão te mando pra essa espelunca de novo. Conheço sua experiência porque li sobre você em um jornal e decidi pesquisar sobre sua vida antes de vir até aqui. Perto de tudo que você já aprontou, só preciso de um pequeno favorzinho...
– O que for preciso, senhora.
– Senhorita, por favor. Agora eu vou te contar o que você vai fazer.
...
Após alguns meses, com a ajuda de Elizabeth, a penalidade restante de Christopher seria punida em liberdade, pois a polícia, diferentemente de Elizabeth, não sabia de tudo que o homem tinha aprontado de ruim naquela vida.
O tão esperado dia da vida de Elizabeth Addams havia chegado. O dia de sua vingança. O dia de fazer Andrey pagar por tudo o que tinha feito de ruim contra a vida de uma jovem e de um bebê que não tinham culpa de nada. Os dois adentraram o grande e elegante carro preto de Elizabeth, que passou a ser a cor favorita da milionária depois de um tempo de amargura e tristeza. A mulher tinha os cabelos pretos presos em um rabo de cavalo e usava um vestido tomara que caia preto, acompanhado de saltos brancos.
Chegando à residência, Elizabeth saiu do veículo rapidamente, abrindo a porta do carona e puxando Christopher à força.
– Chegou nossa hora de agir, cara. É bom você não me decepcionar!
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