A Vida de Elizabeth Ashfield
17 Capítulo 17: Despedida
Notas iniciais
Alguns dias depois, finalmente chegara o momento de Elizabeth e Hector retornarem à Summerlight após uma lua-de-mel alegre, divertida e emocionante, algo que uma pessoa como Elizabeth necessitava mais do que ninguém. A mulher se tornara outra pessoa naquela viagem, uma pessoa mais alegre, mais de bem com a vida, diferentemente do que era antes do casamento.
Victoria e Teddy os esperavam no aeroporto, sentados sobre as cadeiras roxas que formavam uma fila e estavam repletas de pessoas de todos os tipos. Pelo local perambulavam pessoas por todas as direções.
- Irmã! – gritou Victoria, correndo para abraçar Elizabeth, enquanto esta também fazia o mesmo. As irmãs não contiveram a emoção de matar a grande saudade que sentiam uma pela outra.
- Victoria, que saudade! – exclamou a filha mais velha de Emily, com algumas lágrimas escorrendo de seus olhos.
- Como foi a sua viagem? – perguntava a irmã, sorrindo emocionada. – Paris é tão maravilhosa, tão linda pelas imagens, imagino como é vista pessoalmente.
- Foi ótima! Nos divertimos bastante e agora estamos de volta para nossa vida de sempre... Mal posso esperar para matar a saudade da minha casinha e da galera lá do escritório! Nem acredito que senti tanta falta do trabalho.
...
Elizabeth e Hector, de mãos dadas, adentravam a mansão onde Hector residiria juntamente com a esposa. Foram recebidos por Cassandra, que os aguardava no portão. A jovem empregada fora responsável pelos cuidados da mansão durante a viagem do casal.
- Sejam bem-vindos de volta!
- Bom dia, Cassandra! Cuidou bem da casa?! – perguntava Elizabeth, soltando um risinho, batendo de leve no ombro da jovem empregada.
- Mas é claro! Está novinha em folha! – exclamava Cassandra, orgulhosa de si mesma. Trabalhava com bom gosto diariamente, pois Elizabeth a acolhera de braços abertos para o novo emprego e não poderia decepcionar a patroa de maneira alguma se quisesse continuar trabalhando.
...
Na prisão, Margareth se inscrevera para um curso de enfermagem, para que pudesse conseguir uma profissão no local enquanto estivesse presa e pudesse utilizar desse curso em algo que poderia render futuramente.
- Parabéns, amiga! Você conseguiu a vaga. – comemorava Caroline, empolgada. – Que pena que não vou ficar muito aqui para ver você brilhar...
- Não diga isso nem brincando! Quisera eu estar no seu lugar e me ver livre daqui a alguns meses. Você tem é que comemorar a tua liberdade, a tua salvação. Tem muito o que viver ainda, garota jovem, com uma vida pela frente!
- Mas eu não tenho para onde ir... Não tenho a ninguém.
- Quanto a isso fique tranquila, posso fornecer um bom trabalho para você. – garantia Margareth, sorrindo. – Lá no orfanato você vai ser bem recebida. As criancinhas vão gostar de você.
- Verdade?! Meu Deus, nem sei como te agradecer! Falando nisso, quando que irão iniciar suas aulas no curso?
- Semana que vem... Sabe, vai ser até bom, ocupar a minha cabeça com alguma coisa. Fora que eu vou aprender alguma coisa nesse tempo em que eu estiver aqui, né.
A semana seguinte havia chegado e Margareth, nos tempos vagos do estudo, era uma das responsáveis pela limpeza dos locais do presídio, juntamente com um grupo de presidiárias.
Esther ordenara que o grupo de Margareth limpasse o banheiro naquela hora. As detentas foram obrigadas a encerar o chão que era completamente imundo, repleto de pedaços sujos de papéis, de plásticos e todos os tipos possíveis de lixo que causavam aquele terrível e insuportável odor.
Margareth, sem relutar, recolheu uma vassoura e iniciou o serviço, varrendo os papéis e as sujeiras. Ao reparar que fazia tudo sozinha, virou-se para o lado, onde viu várias mulheres rindo e debochando de seu árduo trabalho. Interrompeu o trabalho imediatamente, voltando-se para as figuras risonhas.
- O que é? Estão rindo de quê?!
- Ui, a madame ficou estressada! – uma das veteranas do local debochara de Margareth. Apesar da mulher ser alta, corpulenta e de causar medo em qualquer pessoa, Margareth permaneceu firme e a encarou. – Tá pensando que a gente tá pra brincadeira aqui? É melhor a garotinha fazer todo o nosso serviço caladinha, senão vai apanhar. É melhor que seja por bem, porque se for por mal olha o que vai acontecer contigo. – ao ver a expressão raivosa da irmã de Megan, a esbofeteou, causando ainda mais ódio na mulher.
- Eu vou acabar arrancando o coro dessa desgraçada. – tremia de ódio. – Se ela continuar... Ah, ela não vai querer me ver irritada. Mas não vai mesmo.
A detenta se aproximou de Margareth que, após o forte tapa, perdera o equilíbrio e caíra no chão do banheiro, com o rosto ensanguentado. Acariciou cinicamente seu queijo. Em um momento de distração, Margareth a derrubou com uma rasteira, tirando completamente seu equilíbrio.
- ACHA QUE EU SOU BOAZINHA? É BOM VOCÊ SABER QUE POSSO SER MUITO PIOR DO QUE VOCÊ... É SÓ VOCÊ PAGAR PRA VER. – e ergueu a vassoura, golpeando o corpo da mulher caída, que gritava de dor. – ANDA, GRITA! ISSO MESMO... QUE NEM UMA CRIANCINHA FRÁGIL E INDEFESA APANHANDO DA MAMÃE. ANDA, DESGRAÇADA, GRITA.
As outras assistiam a cena aterrorizadas, quando Margareth voltou seu olhar a elas.
- Não vão fazer o serviço do dia não? ANDEM, VÃO VARRER ESSA PORCARIA AQUI OU NÃO?! Antes que vocês acabem que nem a machona aqui! – e se aproximou do corpo daquela que não tinha forças para se levantar. – Quanto a você, é melhor tomar cuidado com tua língua! Eu fui boazinha contigo de não ter te matado agora, mas tem gente que não vai ser.
...
Elizabeth em uma noite após o trabalho sentou-se sobre a grande cama de casal que dividia com o marido, Hector, e folheava distraidamente um livro. O marido chegara bem mais tarde.
- Lendo?! Posso saber que livro é esse? – perguntava o Hector, se aproximando da esposa, beijando-a.
- É sobre gravidez, sabe... Eu perdi meu bebê quando era muito jovem mas nunca perdi a vontade e o sonho de ser mãe. Imagina só, um filhinho só pra gente, um bebezinho tão fofo, tão pequenininho...
- Querida, é melhor não ficar pensando muito nessas coisas. – afirmava o homem seriamente.
- Por que não?! Somos um casal, é normal nós termos filhos! E você sabe que esse sempre foi um dos meus grandes sonhos... – Elizabeth perdera a vontade de ler e fechara o livro, encarando o marido.
- Não acho que esteja na hora de botarmos uma criança no mundo... Não me sinto preparado para ser pai. – respondia, de modo que Elizabeth reparara que ele estava tentando esconder alguma coisa da esposa.
Elizabeth o observara atentamente enquanto o marido, furioso com sua insistência, adentrava o banheiro para uma ducha.
- Ele está me escondendo alguma coisa... E eu vou descobrir o que é.
Elizabeth passara semanas sem tocar naquele delicado assunto com Hector, pois jamais tinha visto o marido sério daquela forma. Definitivamente, aquele homem tinha problemas relacionadas à qualquer tipo de criança.
...
Semanas depois, finalmente chegara o dia da saída de Caroline do presídio. Margareth e a amiga se abraçaram, extremamente emocionadas.
- Boa sorte nessa vida, amiga! Como eu disse, as meninas e os meus filhos vão te acolher de braços abertos. Não se esqueça desta amiga que você fez aqui jamais!
- E como eu vou poder esquecer? A cada dia que eu acordar naquele orfanato vou me lembrar de você, Margareth! E virei visitá-la sempre que possível, durante todos esses anos que você vai passar aqui. Deus queira que fique por poucos anos e pague o restante da fiança em liberdade...
- Só se acontecer um milagre mesmo... Mas vai lá, vai curtir sua vida! Você é jovem, tem muito o que viver. Teria orgulho de você se fosse minha irmã.
As duas novamente se abraçaram e Caroline, emocionada, deixava o presídio carregando uma grande mala, adentrando um táxi, partindo para o orfanato.
- Pelo visto vou ficar sozinha aqui mesmo... O jeito é aceitar o castigo que eu mereço por ter assassinado aquela pobre empregada.
...
Caroline finalmente chegara ao orfanato, que se encontrava em uma cidade um pouco longe de Summerlight. O táxi parou de frente a uma grande casa lilás com um letreiro renovado, que dizia: “Orfanato Mafalda Hoffman”.
- Orfanato Mafalda Hoffman, é aqui mesmo. Obrigada, senhor, aqui está. – agradecia, retirando algumas notas de uma carteira que se encontrava no interior de sua bolsa, deixando-as na mão do motorista, se retirando do veículo.
Tocou a campainha. Após alguns minutos, uma jovem também de cabelos loiros, provavelmente da mesma idade daquele rapaz que visitara Margareth há dias atrás, abrira o portão, com um sorriso. Seus cabelos eram longos e presos em uma única trança. Seus olhos eram azuis brilhantes como um raro e precioso diamante. Vestia uma blusa branca simples acompanhada de uma jaqueta e uma calça, ambas jeans.
- Boa tarde... No que posso ajudar?
- Meu nome é Caroline... – respondia a jovem, fitando a adolescente, chegando a achar que estivesse no lugar errado.
- Ah, é claro! A amiga de mamãe. Perdão a indelicadeza, entre, por favor. Seja bem vinda! – exclamava, abrindo passagem para que a mais nova amiga adentrasse o orfanato.
- Eu nem sei como agradecer... Eu não vou desperdiçar essa oportunidade que vocês estão me dando. Vou mostrar que posso me tornar uma boa pessoa.
...
Margareth, após a saída de Caroline, perambulava solitariamente pelos cantos do presídio nos tempos vagos, quando não estava realizando as tarefas diárias. Sentou-se sobre um banco próximo a uma quadra de futebol, onde várias detentas eram reunidas por Sharon, a digníssima chefona das detentas. Margareth se aproximou o máximo possível para escutar as palavras da mulher.
- Vamos combinar uma fuga em massa, minha gente. Todas nós, somente nós, aqui do grupo, iremos fugir nesse dia que eu falei. Não digam isso a mais ninguém. Vai ser exatamente daqui a uma semana, não se esqueçam. Essa é a coisa mais importante de todas as nossas vidas.
- Por essa ela vai pagar... Só por que ela não me chamou para fugir junto!
...
Elizabeth e Victoria marcaram um jantar a sós, para que as irmãs pudessem contar sobre as novidades da vida de cada uma, desabafar sobre os problemas e apoiarem uma a outra.
- O que você estava querendo me contar desesperadamente hoje, para marcar esse jantar longe dos outros? – perguntava Victoria preocupada, acariciando a mão da irmã.
- Irmã, você sabe o quanto eu sofri quando eu perdi o meu filhinho, não sabe? – Elizabeth sentia vontade de chorar sempre que se recordava da gravidez que não tinha durado.
- Claro... Eu acompanhei de perto a sua tristeza. Mas o que isso tem a ver com o Hector? Lembro que você falou dele no telefone.
- Então... Eu quero engravidar de novo, antes que seja tarde demais. Só que o Hector não reagiu de uma maneira muito agradável quando soube disso. Ele me esconde alguma coisa.
- Ora, tenta descobrir! Mas o que será que pode ser?
- Eu sei lá... Nunca o vi nervoso desse jeito. Deve ser algum segredo, um trauma. Só sei que nem sequer deve passar pela cabeça dele me contar o que está acontecendo. Estou ficando cada vez mais preocupada. Comigo e com ele.
- Que estranho... Mas não desiste do seu sonho de ter filhos não! Eu também estou louca para ter um! Estou planejando tudo com o Teddy para alguns anos. – afirmava emocionada, imaginando como seria o seu bebê. – Fico pensando no rostinho dos nossos nenéns... Tão lindos!
- São tão pequenininhos, tão fofinhos. Eles vão depender da gente pra tudo, melhor nos preparamos. – Elizabeth ria, alegre, tentando esquecer todas as duas tristezas por pelo menos um tempo. – Mal posso esperar em trazer ao mundo uma criancinha. Mas chega de falar de mim. Como vai sua vida, seu casamento?
- Vai normal... De bom a melhor! A cada dia que passa, nós nos amamos cada vez mais e, como eu já disse, estamos planejando um filhinho para daqui a uns anos.
Fale com o autor