A Vida de Elizabeth Ashfield

18 Capítulo 18: Mafalda


Notas iniciais
Mais uma revelaçãozinha do passado de Margareth nos flashbacks deste capítulo!

A jovem filha de Margareth retornara para o interior do Orfanato Mafalda Hoffman, acompanhada de Caroline, que era a mais nova funcionária do abrigo de crianças a um pedindo da amiga.

Na grande sala de entrada, se encontrava próximo aos sofás e acima de uma gigante lareira um grande quadro com a fotografia de uma idosa porém belíssima mulher. Suas rugas quase não eram notáveis, disfarçadas com o uso de maquiagens. Seus cabelos eram loiros e encaracolados.

- Ela é linda! Quem é essa senhora? – perguntava Caroline, admirada. Aquela era realmente uma elegante e bela mulher.

- Mafalda, minha querida vovó. O nome do orfanato é em homenagem a ela... Mamãe sempre me diz que ela era muito generosa, que não merecia morrer tão jovem. Nem eu nem meu irmão a conhecemos pessoalmente.

- Eu... eu sinto muito. Me desculpe pela indelicadeza.

- Não foi nada, eu tenho orgulho de falar da minha avó para as pessoas! A propósito, meu nome é Catherine. Catherine Wargrave. – se apresentava, secando a única lágrima que havia escorrido de um de seus olhos. – Vamos, temos que apresentá-la aos outros.

...

Na prisão, Margareth se distraíra completamente em uma de suas aulas do curso de enfermagem. Recordava de como havia chegado naquele bordel pela primeira vez, ao lado de Arthur Hoffman, o filho de Mafalda Hoffman.

- Oh, Mafalda... Como você foi importante para minha vida! Sem você, não sei o que seria dela. Nunca vou me esquecer da generosidade da senhora.

---Flashback---

De mãos dadas com Arthur Hoffman, Margareth Wargrave adentrava a gigantesca casa lilás, que era um bordel. Chocou-se com as vestimentas que as mulheres do interior do local utilizavam.

- Nossa... Elas se vestem assim sempre?

- Algumas sim. Outras, somente durante a noite, quando pretendem obter uma boa clientela com seus serviços...

- Que horror. – sussurrou, de modo que as meretrizes não a escutassem. Arthur a puxou para um canto e a guiou por um pequeno corredor, até uma porta, com as iniciais M e H reluzentes. – Vamos.

Os dois adentraram o cômodo, onde a mulher do retrato se encontrava, relaxando sobre uma poltrona rosa-choque, provavelmente à espera da chegada de alguém.

- Boa noite!– exclamou, fitando os olhos amedrontados de Margareth. – Ei, não fique com medo, não vamos te fazer mal... Seja bem vinda. Filho, posso ter uma conversa em particular com a jovem?

- Claro. – respondia Arthur, se retirando do quarto, fechando a porta. O quarto daquela que provavelmente se chamava Mafalda tinha as paredes pintadas de amarelo com várias pinturas de flores, na maioria rosas vermelhas.

- Sente-se, filha. – pedia Mafalda, observando Margareth lentamente sentar-se sobre a grande cama que se encontrava próxima à poltrona. – Meu nome é Mafalda, e sou a dona de tudo isso. Poderia me dizer como você chegou até aqui?

Margareth contou tudo sobre a pressão psicológica e a exploração que os pais realizavam com as duas filhas. Falou sobre as discussões que mantinha constantemente com a mãe e sobre sua expulsão de casa. Não tinha mais nenhum lugar para que pudesse ir, não havia conseguido trabalho algum, portanto aceitara partir com Arthur seja lá para onde ele a levasse.

- Compreendo... Então você não gostaria de ganhar a vida do mesmo jeito que as minhas meninas, não é mesmo?

- Não, senhora. Mas, diferentemente de muitos, eu compreendo o modo de visão delas e não as condeno pelo que fazem. Por algum acaso teria algo em que eu pudesse trabalhar sem... – e fez uma pausa, procurando a melhor palavra para se expressar. — Bem, sem ser aquilo?

Mafalda riu.

- Claro, minha filha. Você poderia trabalhar como garçonete. Estávamos realmente precisando de uma. É uma pena, pois com esse seu rostinho lindo você poderia render tanto para você... Você conseguiria um sucesso inalcançável, mas como eu disse antes, nós não vamos obrigá-la a nada que você não queira fazer. Quando você pode começar?

- Amanhã mesmo, se a senhora quiser.

- Ótimo. ARTHUR! – berrou a mãe, esperando o filho retornar para o quarto. Provavelmente escutava tudo atrás da porta. – Instale a moça em um quarto! Você se parece muito comigo na infância, Margareth. Gostei de você. Novamente, seja bem vinda. E boa noite!

---Fim do Flashback---

...

O clima não estava muito bom na mansão de Elizabeth. O casal, mesmo trabalhando junto e retornando junto para casa, não se falava muito.

- Vamos cortar esse clima ruim entre a gente, Hector. Me explica, por que está me tratando desse jeito? Friamente?

- Eu é quem pergunto! Desde aquela nossa conversa sobre filhos que você está assim...

- É verdade! Eu gostaria tanto de ter um filhinho! E você parece quem e esconde alguma coisa quando eu toco no assunto. Poderia me dizer do que se trata? Estou começando a ficar preocupada.

- Quer saber mesmo? Então eu vou te contar a verdade: Não posso ter filhos. Fiz um exame há um tempo atrás, muito antes de te conhecer, e descobri que não sou capaz desse prazer. Compreende agora a minha situação?

- Oh, meu querido! – Elizabeth se aproximou do marido, o abraçando por trás. – Por que não me falou isso antes? Eu estava pronta para ouvir o que você quisesse desabafar. Foi para isso que nós casamos, não? Para sermos companheiros um do outro?

- Sim, mas... Você não entende! Era algo que... que eu não tinha coragem de dizer para você. Eu sentia vergonha só de me lembrar daquele maldito exame! – se soltou da esposa, socando fortemente a madeira da cabeceira do seu lado da cama.

- E eu pensando que você não gostava de crianças... Mas nada nos impede de termos filhos, é para isso que serve a inseminação artificial. Estamos em um mundo moderno!

- Oh, não... Nem pensar nisso! Filho de outro, jamais! Não insista com esse assunto, por favor... Me deixe dormir agora. – apagou a lâmpada do seu abajur e se cobriu, adormecendo imediatamente.

- Isso não vai terminar assim. – pensou Elizabeth, virando-se para o outro lado, também adormecendo rapidamente após desligar a luz.

...

Chegar a hora da fuga das presidiárias, que estava sendo liderada e organizada por ninguém mais ninguém menos que Sharon, a chefona das detentas. A mulher, que possuía uma amizade e um conluio com uma das carcereiras, provavelmente Esther, obtivera facilmente o acesso a um revólver. Escondera o objeto na cintura utilizando a grande blusa do uniforme do presídio para cobri-lo. Margareth observava Sharon e seu bando se aproximando do portão da saída.

- Ali é o fim da linha. Preciso correr e avisar à diretora antes que me vejam! – pensou Margareth, correndo desesperadamente pelos corredores que davam acesso à diretoria. A diretora se encontrava encerrando uma chamada telefônica, quando se assustou com a chegada abrupta de Margareth.

- O que houve, garota?! Parece que viu fantasma! – exclamou, levantando-se. Sabia que algo de ruim tinha acontecido. Necessitava saber o que era.

- A Esther e um batalhão tão fugindo! Não tentei fugir porque não teria lugar nenhum para onde ir, e se eu fosse eu iria prejudicar minha vida para sempre, mais do que ela já está prejudicada! – exclamava Margareth, com um tom que aparentava arrependimento pela ação que fazia, porém, sabia que era o certo a se fazer. Mas na verdade queria mesmo era fazer mal à desgraçada que maltratava a todas as internas.

- Fez bem, garota! Graças à você, podemos evitar tragédias!

A diretora ordenou que as carcereiras chamassem os policiais para que detivessem as fugitivas, que apontavam várias armas aos dois guardas, exigindo que os mesmos retirassem as armas de suas cinturas e colocassem no chão. Logo em seguida, abriram o portão, onde muitas fugiram, porém, o grupo das funcionárias do presídio as perseguia, juntamente com alguns policiais que se encontravam fora dos locais. Graças à encrenca causada por Margareth, a vingativa.

Porém, algumas ainda lutavam para fugir, como era a situação de Sharon, que se encontrava sozinha apontando a arma para um dos policiais. Sem hesitar, atirou, acertando o homem em raspão no peito. Uma policial que acabara de sair de um dos veículos atirou na barriga da presidiária, que caiu inconsciente sobre o chão. Os policiais ganharam vantagem da guerra de tiros, novamente capturando a maioria das fugitivas. Poucas conseguiram escapar.

A irmã de Megan agora se encontrava no posto, pois já tinha avançado bastante no curso em apenas algumas semanas, como se tivesse realmente dom para aquilo e soubesse exatamente como ser uma enfermeira. Atendia aos mais graves casos, como o de algumas das presas que chegavam feridas. Um dos casos gravíssimos fora o de Sharon.

Após a cirurgia para a retirada da bala, Sharon descansava no quarto, ao lado de uma cirurgiã, que tinha realizado com sucesso a operação.

- Como está a situação da paciente? – perguntava Margareth, prendendo os cabelos em um coque.

- Ela corre sérios riscos... A qualquer momento pode ter uma parada respiratória.

- Se você quiser, eu fico cuidando dela. Estou exausta, pois atendi muitas nesse meio tempo. – garantia à colega, que assentira silenciosamente e saíra do local, deixando Margareth sozinha com Sharon. – Você vai saber mais cedo ou mais tarde que foi por minha causa que isso aconteceu... Se eu não fizer isso, você vai fazer comigo sem dó nem piedade. Adeus, Sharon! – exclamava Margareth, retirando todos os fios da máquina de respiração, ligando-a novamente depois de muitos minutos. – É o fim.


Notas finais
Espero que gostem. (:
Reviews? ^-^'