A Vida aos Olhos de Seddie
13 Sebos: Velhos Mofados
Notas iniciais
Estavam de volta à Seattle.
As férias de inverno demorariam a terminar e Sam não podia estar com Freddie o tempo inteiro, o que lhe deixava completamente desnorteada. Mas, mesmo que difícil, os dois tinham que descansar. Sam acordou ás dez da manhã morta de saudade dele.
— Talvez isso seja fome – Ela estranhou o sentimento e passou a mão no estomago.
Levantou-se da cama e foi até a geladeira, apanhando de lá um galão de leite e um pacote de cereal, esbanjando os ingredientes dentro de um pote.
— É. Eu sabia, era fome mesmo.
Estava prestes a levar a terceira colherada à boca quando seu estomago reclamou, rejeitando o que ela oferecia. Ela parou e olhou para a vasilha quase cheia, sentiu-se enjoada. Largou a refeição em cima da mesa e voltou para a cama.
Sentia falta do ar quente do hotel, onde não precisava vestir-se tanto e nem cobrir-se com tantas camadas de cobertores para conseguir se aquiescer. Porém, na sua casa, além de não poder usufruir de um delicioso aquecimento descente, a janela do quarto dela havia emperrado e uma pequena brecha permitia a entrada de uma brisa gelada que vinha de fora. Ela entrou debaixo dos cobertores, fazendo a cama ranger ao deitar-se e procurou pelo peraphone sob o travesseiro. Desbloqueou a tela e deparou-se com uma mensagem de Freddie, o que fez, estranhamente, seu estomago revirar-se ainda mais do que já estava. Abriu a mensagem, já sorrindo, mas o que leu a fez apagar o brilho.
Amooor, bom dia! Espero que já esteja recuperada da viagem. Acho que ainda está dormindo, mas já deixando avisado, hoje minha mãe vai fazer a minha higiene da viagem (não pergunte), ou seja, não podemos nos ver :/ Mas assim que ela terminar aqui eu aviso e a gente pode fazer alguma coisa. Te amo, meu amor ♥
— Ótimo, Fredonho – Ela jogou longe o celular, que por sorte caiu no tapete do quarto.
Ligou a televisão, mas nada ali era interessante, nunca passava mais de cinco segundos num canal só.
— Já chega dessa porra – Ela gritou, jogando também o controle da televisão e levantou-se, chutando os cobertores.
Abriu o guarda-roupas, retirou a calça larga de dormir e o moletom. Vestiu calças jeans coladas, um suéter listrado preto e vermelho, jaqueta de couro e botas pretas. No pequeno espelho do quarto, maquiou-se e afofou os cachos loiros.
— Onde você vai? – Pam perguntou, dando um gole na cerveja em sua mão.
— Não te interessa.
— Não mesmo. Me interessa quem é que vai lavar aquela pilha de louças na cozinha.
— Uma pena, porque não sou eu – Sam respondeu seca e pegou a mochila atrás da porta de entrada do apartamento.
— Garota nojenta – Pam gritou, mas Sam já havia batido a porta com força ao sair.
— Piranha – Sam disse em resposta para a porta e saiu para a rua.
O vento batia forte e cortava seu rosto, mas ela não se importava, pelo menos não estava nevando. Os vizinhos a cumprimentavam quando ela passava e Sam os respondia com um aceno de cabeça. Ela caminhou perdida em seus pensamentos, até uma avenida movimentada de Seattle. Ainda era dia, mas o céu estava nublado e a névoa na pista fazia os faróis dos carros ficarem desfocados. Algumas das lojas estavam fechadas, provavelmente porque os donos viajavam. As que estavam abertas não tinham lá uma grande clientela, o que era bom, porque Sam não queria ver gente muito menos falar com gente. Passou a caminhar mais devagar agora, olhando para as vitrines das lojas por quais cruzava, até que uma delas chamou sua atenção. Era um sebo antigo e velho, cheirava a mofo e sua pintura estava desbotada. Ela entrou.
— Bom dia, mocinha – Um senhor de óculos atrás do balcão abaixou o jornal e a recebeu tirando o chapéu da cabeça careca.
— Bom dia, velho. – Sam tiraria o chapéu se tivesse um, mas permaneceu com a touca na cabeça e seguiu para dentro dos corredores apertados do lugar.
Folhou alguns livros antigos de capas de couro e continuou procurando. Procurando o que? Ela não sabia exatamente, mas decidira que a leitura seria a salvação para um dia pacato como aquele. Entrou na sessão de livros eróticos e franziu o cenho. Imaginou aquele velhinho organizando os livros naquele corredor e olhou para ele, que estava com o rosto no jornal novamente. Bizarro. Passou os olhos por alguns livros muito antigos e chegou na prateleira onde os mais novos ficavam. Escolheu um deles aleatoriamente e o desencaixou do seu lugar.
— Estranho Irresistível. Parece ótimo – Ela virou a capa, procurando pelo preço, mas não havia nenhuma etiqueta indicando – Velho, quanto custa?
O senhorzinho levantou os olhos da folha e esforçou-se para identificar o livro nas mãos de Sam.
— Dois dólares, mocinha.
— Pode embrulhar pra mim – Ela disse, colocando o livro por sobre o balcão e procurando o dinheiro na mochila. O velhinho olhou para a capa, depois para Sam e novamente para a capa – O que foi?
— Quantos anos você tem, mocinha?
— Muitos menos que você, velho – Ela respondeu e jogou uma cédula para ele, que sorriu e respondeu:
— Na mosca – embrulhou o livro e perguntou – Algo mais?
— Não, só isso – Sam já ia saindo quando notou a única coisa sem poeira dentro da loja. Uma guitarra – Ei, de quem é? – Apontou.
— Aquilo? – O velho olhou para atrás de si, onde a guitarra estava – Aquilo era da minha filha.
— E por que está na sua loja?
— É porque sou eu quem cuida da guitarra dela agora.
Sam calou-se, entendendo a situação.
— Ela não morreu, tolinha! – Ele gargalhou – Apenas começou uma vida melhor longe daqui.
— Sinto muito – Sam foi sincera. Não sabia o que era pior. – Deve sentir falta dela.
— Sinto. Você é muito parecida com ela, por dentro.
— Sinto muito – repetiu.
— Qual o seu nome?
— Sam.
— Sam – O velho balançou a cabeça em concordância – Gosta de guitarra?
— Digamos que sim.
— Essa aqui está precisando de uma nova dona – Ele insinuou – Aceita cuidar dela por mim?
Sam pensou por um momento. Aquele velho devia mesmo ser solitário. Ela olhou para a guitarra vermelha lustrada, o único objeto que ele se dava o trabalho de limpar e agora queria deixá-la sob seus cuidados.
— Aceito – Disse, finalmente.
O velho sorriu e apanhou a guitarra, passando-a para Sam por cima do balcão.
— Finalmente alguém capaz. Sabe tocar?
— Eu aprendo rápido.
— Poderia fazer um favor?
— Depende – Sam levantou as sobrancelhas, já preparando-se para algo em troca. Nada na vida vinha fácil assim, havia aprendido.
— Quando aprender, pode voltar aqui e tocar uma música para mim? Eu gostaria de vê-la em uso novamente.
Sam achou o pedido um tanto estranho, mas fez que sim com a cabeça.
— Claro. Como é seu nome?
— Jair, mocinha.
— Até mais, velho – Sam despediu-se e saiu da loja.
O velhinho solitário sorriu mais uma vez quando Sam passou pela porta. Não disse para ela, mas estava com saudade de ser chamado de velho.
***
Gemidos.
Era comum para Sam entrar em casa e ser recepcionada com sons nada sutis vindos do quarto ao lado do seu. Não sabia como era a aparência do cara que estava lá, e nem gostaria de saber. Com sorte, seria o mesmo cara da semana passada. Sam foi até a cozinha e a vasilha de cereal ainda estava lá, com o que agora parecia mais um vômito de cereal. Ela jogou a gororoba na pia, por cima de toda a louça que ela não lavaria e seguiu para o quarto.
Colocou os fones de ouvido e eles conseguiram abafar os ruídos indesejáveis. Ajeitou a guitarra recém adquirida em uma pilha de roupa suja (pelo menos ali nada aconteceria à ela) e deitou-se na cama com o livro novo (que por dois dólares não tinha cheiro de novo). Abriu a primeira página. E perdeu-se na história.
284 páginas de pura putaria. Na metade do livro Sam não se agüentava mais de tesão. Aquele livro era ótimo e muito bem detalhado, Freddie não estava presente, ela estava sozinha em seu quarto. Levantou o suéter e agarrou com força um dos seios, com a outra mão, abriu os botões da calça e a levou até sua intimidade que estava encharcada de libido. Mordeu o lábio inferior, provando de seu prazer. Até que ouviu a campanhinha tocar.
— Tomar. No. Cu. – lambeu os dedos úmidos e levantou-se forçadamente de onde estava. Caminhou a passos pesados até a porta de entrada e abriu-a de supetão – QUEM É O OTÁRIO...
Seu queixo caiu quando viu Freddie.
— Hora ruim? – Ele perguntou. Estava lindo com aquele casaco de inverno e, quando o vento bateu, Sam sentiu seu perfume maravilhoso. Ela voltou a morder o lábio, inevitavelmente.
— Na verdade é uma hora muito boa – Sam respondeu. Olhou para dentro do apartamento para verificar se estava livre. Estava – Entra – Ela puxou Freddie pela gola até o quarto, fechou a porta atrás de si e trancou a porta.
— Wow – Ele sorriu e a pegou pela cintura – Por que esse fogo todo, Srta. Puckett?
— Estava lendo um livro erótico agora há pouco e precisava de você pra terminar o que comecei – Ela aproximou-se dele e tragou o perfume de seu pescoço, deixando-o excitado.
— O que exatamente você começou? – Freddie apertou a bunda dela com as duas mãos.
— Vem descobrir – Sam afastou-se dele e deitou-se sorrindo na cama. Freddie sorriu também, mas parou no meio do caminho ao ouvir alguns sons suspeitos – Não liga pra isso. È a minha mãe.
“Não liga pra isso” Freddie pensou. “Claro. Coisa simples”.
— Sam, o que a sua mãe vai pensar de eu estar aqui?
— Ela não vai saber.
— Nesse caso, ok – Freddie havia se acostumado a “quebrar regras” para estar com Sam, então para ele estava realmente tudo bem.
Ele continuou em direção dela e debruçou-se sobre seu corpo, explorando o pescoço de pele macia com pequenas mordidas. No começo Sam estava gostando (gostando até demais), entrelaçando as pernas nas de Freddie e pegando em sua bunda. Assim estava quando seu estômago se apertou subitamente.
— Freddie... – Ela resmungou e franziu o cenho, empurrando-o para longe – Eu vou...
Foi tudo o que disse antes de correr para fora do quarto, deixando Freddie com uma interrogação no meio da testa.
Por pouco Sam não conseguiu chegar ao banheiro. Aquele estranho enjôo finalmente provocou a rejeição do que ela havia comido no dia anterior (não era pouca coisa). Após não restar mais nada para descartar, Sam se recompôs e olhou para o espelho. Um dia sem comer a havia deixado com cara de adoentada. Lavou o rosto e voltou para o quarto. Freddie permanecia na mesma posição, atônito.
— O que foi isso? – Ele perguntou.
— Não foi nada – Sam respondeu e sentou-se ao lado dele – Deve ser a comida diferente de NY que me fez mal. Eu vou melhorar logo.
— Sam...
— O que é? Eu to falando sério. Não me enche com isso.
— Como quiser.
— Podemos só assistir um pouco de televisão e dormir?
— Claro – Freddie sorriu e acariciou a coxa dela.
Passaram o resto da noite gelada abraçados, assistindo alguns programas na televisão até pegarem no sono.
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