A Vida aos Olhos de Seddie
14 Los Angeles
Notas iniciais
Algumas semanas depois
— Eu sou Carly.
— E eu sou Sam.
— E esse foi o... iCarly.
Sam e Carly acabavam de apresentar o ultimo programa dessa fase. Carly estava fazendo as malas no quarto e Sam ocupava-se com uma garrafa de refrigerante, sem saber o que pensar. Carly fora o principal motivo de Sam ser o que era hoje, ela não seria hipócrita de dizer o contrário. E agora Carly estava indo embora e ficaria longe por um tempo. Largou a garrafa no balcão (já havia se cansado de beber aquilo) e subiu para ver se Carly já estava pronta, mas seu quarto estava vazio, então seguiu para o estúdio, o segundo lugar onde ela passa mais tempo depois de seu quarto. Já no corredor, Sam escutou vozes vindas de dentro do cômodo. Ela e Freddie estavam conversando. Aproximou-se mais e o que viu fez seu queixo cair. Carly o beijou.
Tapou a boca com a mão e andou de ré até as escadas. Desceu os degrau com as pernas bambas e voltou para onde estava, para a garrafa no balcão. O suor dela molhou a palma da mão de Sam e ela apertou o vidro com força, liberando a raiva no objeto. Sua melhor amiga acabara de beijar seu namorado.
— Ei, Sam – Escutou Spencer chegando e tentou parecer normal.
— E aí, Spencer – Acenou para ele.
Spencer sentou-se no sofá e fitou as próprias mãos. Aquela casa sem a Carly ficaria sem vida, todos sabiam disso e, mesmo estando com uma tremenda raiva dela agora, Sam admitia que Carly faria falta. Ouviu passos na escada e logo viu Carly e Freddie descendo os degraus cheios de malas para carregar. Virou o rosto quando Freddie sorriu para ela.
Todos se despediram de Carly e Sam entrou com ela no elevador. Deixou a raiva um pouco de lado e ofereceu à ela o controle do iCarly e ela aceitou, abraçando Sam com força. Já na calçada, Sr. Shay conversava com o motorista do carro.
— Eu não esperava isso de você – Sam deixou escapar as palavras e uma lágrima escorreu pela sua face. Sam só chorava por aqueles que amava de verdade e isso se resumia à Melanie, Freddie e Carly e Carly sabia disso, por isso começou a chorar descontroladamente.
— Sam... – Ela gaguejou em meio aos soluços que brotavam de sua garganta – Me perdoe.
Dito isso, Carly correu para dentro do carro e fechou a porta. O general Shay passou por Sam, acenou e ela o respondeu com um aceno seco de cabeça. E eles partiram.
***
Sam sempre pensou que decepcionaria Carly de alguma forma. Olha bem pra minha cara, pensou, olha bem pro meu jeito. O que esperar de uma pessoa como eu? Depois de Carly partir, subiu de volta ao apartamento e ficou um tempo sozinha na varanda, sentindo o vento noturno no rosto e o som da cidade grande lá embaixo. Olhou para o céu e imaginou qual dos aviões que passavam de tempo em tempo levava sua amiga para longe e suspirou de tristeza.
— Sam – Ouviu a voz de Freddie atrás de si e seu estômago se apertou – Eu...
— Eu não quero ouvir nada, Freddie – Virou a cabeça para respondê-lo, mas não olhou para o rosto dele – É ela que você sempre quis.
— Sam, não... A Carly é minha amiga.
— Freddie! – Virou-se abruptamente e encarou seus olhos, dessa vez – Me deixa.
Freddie engoliu o que ia dizer e deu as costas para Sam. O que aconteceu com o “Eu nunca vou deixar você” ela não sabia, mas ele foi embora. Depois de um tempo, Sam fez o mesmo.
Pelo menos não precisaria de ônibus nunca mais. A moto que Spencer deu à ela foi a parte boa daquele dia desastroso que teve. Sua melhor amiga a traiu e foi embora. Seu namorado deixou-a. Sua mãe era uma puta. Por esses motivos, o passo seguinte era fazer as malas e dizer adeus a Seattle.
“Fazer as malas” pra Sam era: socar camisetas e bolos gordos na mochila. Fez isso em cinco minutos, pegou a guitarra no meio das roupas sujas e já estava saindo do apartamento aos pedaços quando notou o quanto estava triste. Lembrou-se de seu passado, antes de tornar-se tão próxima de Carly e Freddie. Ela aprendera que a bebida podia fazê-la sentir-se melhor nos momentos de tristeza e usou muito desse escape durante anos. Lembrou-se também como Carly havia conseguido, aos poucos, livrá-la do vicio e como passara mais longos anos sem colocar uma gota de bebida alcoólica na boca. Até pouco tempo, Freddie havia oferecido vinho á ela e, fortemente, resistiu. Tudo graças à Carly.
“Você consegue, Sam” Lembrou-se da voz dela dizendo e pegando em sua mão.
— Por que fez isso, Carly? – Sam pegou-se chorando e caminhou até a geladeira. Roubou de lá algumas latas de cerveja de sua mãe.
— Até nunca mais – Despediu-se da porta fechada do quarto de Pam Puckett e saiu para a noite.
Rodou com a moto por horas a fio sem saber ao certo para qual destino a levaria. A velocidade a acalmava e a fazia esquecer do beijo, da vida que agora seria completamente diferente do que estava acostumada, da traição... Até mesmo daquele enjôo chato sem explicação que a irritava há algumas semanas. Parou no semáforo e olhou o celular. Sete chamadas perdidas de Freddie. 4h32 da manhã. Estava exausta e precisava descansar, mas não havia onde. Guiou a moto até uma praça, longe da estrada e desligou o motor. Sentou-se no banco mais próximo e abriu o lacre da primeira lata de cerveja (havia outras 4, das quais ela abriria uma por uma).
Quando amanheceu, o sol bateu em seu rosto e ela abriu os olhos. Sua cabeça latejava da bebida que havia tomado. Sentou-se no banco e esperou sua visão normalizar e focar na pessoa que estava sentada ao seu lado. Era um idoso ocupando-se alimentando os pombos da praça. Fala sério, tem algum ímã de velho na minha roupa?
— Ei – ela chamou – Onde estamos.
— Na praça – o idoso respondeu.
— Disso eu sei. Mas qual lugar?
— Los Angeles.
Sam arregalou os olhos e sentiu-se tonta. Havia viajado para outro Estado sem perceber.
— Los Angeles.
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