A Vida aos Olhos de Seddie
6 Panquecas e Lástimas
Notas iniciais
Freddie foi o primeiro da casa a levantar-se. Havia combinado com Carly não ser visto por Spencer a fim de não criar suspeitas sobre as atividades ilícitas que aconteciam no apartamento. Levantou-se sorrateiramente e, após deixar um beijo na Sam adormecida, foi para casa.
...
Carly mexeu-se na cama durante todas as poucas horas em que tentou dormir. Revirou-se tanto que, pela manhã, o fio de seu aparelho para ronco estava enrolado em seu corpo. Refletiu alguns minutos e olhou para o relógio. Eram seis horas da manhã. Sabia que o motivo de sua aflição estava no cômodo acima, então livrou-se dos nós, vestiu-se e hesitou em bater na porta. Decidiu que não deveria incomoda-los, ou não dar mais motivos para se zangarem com ela mais tarde. Desceu as escadas para preparar o café da manhã.
...
Cavalos e cowboys. O sonho de Spencer estava bom demais para ser interrompido em uma manhã de sábado. Decidiu aproveitá-lo um pouco mais antes de dar início a um novo projeto. Quando levantou-se já passava das dez da manhã.
...
A noite mais incrível de todos os tempos. Esse pensamento invadiu a mente de Sam e ela não conseguia mais desfazer-se dele, nem daquele sorriso de gente idiota da cara. Abriu os olhos e passou o braço no lado esquerdo do colchão vazio, estava frio. Freddie já havia indo embora há um bom tempo. Bocejou e levantou-se, caçou suas roupas jogadas pelo quarto, organizou o que pôde no estúdio e olhou para o chão. Xingou Freddie enquanto acumulava aquelas merdas de pétalas num canto. Ter um namorado nerd romântico nem sempre apresenta apenas pontos positivos.
Descendo as escadas pensou em preparar panquecas para si no café da manhã. O que sobrasse delas guardaria para Carly em forma de agradecimento por estar tornando possível passar com Freddie essas horas incríveis. Seria uma melhor amiga muito melhor daqui pra frente, prometera a si mesma. Ficou feliz/triste ao ver que Carly já estava de pé e havia deixado um prato com uma pilha de panquecas sobre a mesa esperando por ela.
– Bom diaa! – Carly levanta-se, um tanto desesperada demais, e abraça Sam – Senta aí e come essas panquecas!
Sam resolveu não perder tempo perguntando o por quê daquele comportamento estranho e logo enfiou uma panqueca pela metade na boca. Carly aguardou Sam devorar a segunda panqueca e começou:
– Então, preciso contar uma coisa. Sobre ontem à noite...
– Ahh ontem à noite... – Sam entra em um devaneio feliz enquanto mastiga – Foi ótimo.
– Claro que foi – Carly ri, tentando amolecer um pouco a situação – Mas como eu ia dizendo, ontem à noite, enquanto você e Freddie...
– ...Transavam – Sam completou ao ver a amiga engasgada com a palavra a que tanto temia.
– Isso – Carly diz com repulsa – Eu estava aqui na sala e...
– Bom diaaa, flores do dia! – Freddie brota pela porta da sala e anda quase que dançando até a mesa da cozinha, onde senta-se e abre o notebook enquanto beija Sam.
– Bom dia amorzinho-inho-inho – Sam diz com uma atípica voz de bebê enquanto esfrega o nariz no de Freddie e oferece à ele um pedaço de panqueca com mel. Daí mede-se o quanto ela o amava. Oferecer comida pra alguém é coisa séria para Sam.
Carly finge estar distraída com a incrível gota de mel que pingava da panqueca e caía no prato, quando Sam lhe fez o favor de retomar o assunto.
– O que você tava dizendo, Carly?
– Ah, eu? – Ficara sem jeito em contar aos dois de uma só vez, preferiria contar primeiro à Sam, mas mesmo assim prosseguiu – Eu dizia que, ontem à noite...
– Não pode ser – Freddie a interrompeu.
– O que? – Carly joga o corpo para frente num gesto desesperado.
– Não. Pode. Ser.
– O que, desgraça? – Sam grita, mastigando sua panqueca.
Freddie gira o computador de frente para elas e aponta a tela.
– Estão vendo isso? É a câmera 008750, ou seja, a que corresponde àquela de cima do estúdio. Estão vendo esse sinal verde encima dela? Significa que a transmissão das imagens estão no iCarly. O fato é que eu desliguei todas as câmeras ontem à tarde para evitar imprevistos, mas essa aqui está ativa.
Na tela do computador a câmera em questão mostrava a transmissão ao vivo do estúdio vazio, onde antes havia um colchão com um casal. Carly ficou pálida e imóvel, antes de levantar-se correndo e vomitar na pia.
– Meu Deus Carly, o que houve? – Sam levanta-se para socorrê-la.
– Eu sou uma péssima pessoa! – Carly chora, antes de mandar para o ralo mais um jato de panquecas mastigadas.
– O que? Por que?? – Freddie também levanta-se confuso, mas logo começa a entender a situação – Ah não, Carly. Você não...
– Desculpa! – Não era possível dizer se a garota mais chorava ou mais vomitava.
– Será que alguém pode me explicar o que caralhos está acontecendo aqui?! – Sam grita, segurando os cabelos de Carly.
– Carly! Carly! – Freddie anda de um canto a outro com as mãos na cabeça.
– Freddie, o que houve? – Sam volta a questioná-lo, já ficando inquieta também.
– Essa câmera, Sam, está ligada há um tempo...
Sam pensa por um momento e sua expressão muda instantaneamente de confusa para furiosa.
– Ah não, não pode ser... Carly, como você pôde?!
– Foi um acidente! – Ela diz enquanto suas pernas amolecem e, apesar de furiosa, Sam ajuda-a a sentar-se – Eu vi vocês transando pela câmera, não tive a intenção! A luz acendeu e eu não sabia que era algo tão importante assim!
– Relaxa, não deve ter sido um estrago tão grande assim.
– Quase duas mil visualizações – Freddie choraminga e cai no chão – Minha vida, meu futuro...
– Como pode tantos fãs estarem conectados de madrugada?
– Desculpe, desculpe... – Carly joga seu corpo para trás e para frente sem parar.
– Nos viu transando... – Ouve-se Freddie chorar do chão.
– Espera aí... – Sam começa.
– Desculpe, desculpe...
– Ei, gente!
– Adeus vida, adeus carreira...
– Desculpe, desculpe...
– Calem a boca, porra!
Carly segurou o soluço, Freddie levantou-se.
– Prestem atenção. Vocês não acham que se tivessem nos visto transar, o mundo inteiro já estaria informado disso agora mesmo? Estão sentindo essa quietude? Freddie, o site está mentindo.
– Como pode um programa mentir informações, Sam! – Ele murmura indignado.
– Olha eu não sou ninja em informática, mas de uma coisa eu sei: fofoca é como vírus, e não nos viram transar – Sam cruza os braços e se senta.
– Bom dia, transadores!
Os três ficam confusos por um momento. Aquela voz que veio do notbook era assustadoramente familiar. Apreensivos, esperam Freddie virar a tela, quase como fazem nos filmes de terror.
– Sou eu mesmo, otários! – Nevel diz, acompanhado de uma risada escrota e logo em seguida uma tosse seca.
– Ah mas agora eu te mato Papperman – As bochechas de Sam tornam-se vermelhas, enquanto ela ameaça o garoto entre dentes.
– Eu não faria isso, loirinha. A não ser que queira o mundo inteiro comentando sobre ontem à noite. Até agora, eu sou o único que sei da situação. Aquela história de visualizações foi apenas um divertimento á parte.
Sam escondeu a cabeça no ombro de Carly, choramingando:
– Carly, ele me chamou de loirinha, eu vou mata-lo...
Carly havia se acalmado um pouco. “A merda cagada não volta à bunda”, lembrou-se das belas palavras ditas por sua amiga cheia de sabedoria, Samantha Puckett e soube que não ajudaria em nada entrar em pânico. Juntou folego e disse, firme:
– O que você quer, Nevel?
– Você, gata. Venha até meus domínios, antes do findar deste dia, ou todos lastimarão o dia em que o vídeo será exposto ao mundo! – Nevel tentou reproduzir sua risada triunfal, mas uma tosse seca bloqueou o som.
– Nevel! Tome seu xarope para tosse!
– Já vou mãe! – Nevel voltou a atenção aos três – Ao findar desse dia, seus badamecos idiotas!
Dito essas últimas palavras impactantes, a tela escureceu e já não dava mais para ver Nevel.
– O que ele disse? – Freddie quebrou o silêncio.
– Não importa. Até o “findar desse dia” – Sam atuou como Nevel – Eu vou quebrar a cara desse pirralho escroto.
– Estamos fudidos – Freddie cobriu o rosto.
Carly coloca a mão no ombro dele.
– Não Freddie. Corrigindo: Eu estou fudida.
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