A Vida aos Olhos de Seddie

21 Caixas e Seus Conteúdos Improváveis


Notas iniciais
Dedicado às pessoas que guardam segredos. Conte para alguém confiável, é saudável. LEIAM NOTAS FINAIS. NUNCA TE PEDI NADA Boa leitura.

Ding dong.

A campainha do apartamento tocou e Sam sentiu um vazio ao não ouvir o eco dela vindo de Cat. Levantou-se do sofá preguiçosamente e derrubou todo o pote de salgadinho que apoiava na barriga.

— Entrega – Disse o cara com a caixa de papelão debaixo do braço. Se é que dá para chamar aquilo de cara. A criatura era esguia, um tanto curvada como se tivesse vergonha da altura, mas não da calça quase cobrindo os mamilos (que era a única parte de seu corpo com gordura em excesso). Ele ajeitou no rosto os óculos de lentes e armação grossas, os quais voltaram para onde estavam, na ponta de seu nariz, carregado pela oleosidade de sua pele tal como a que fazia seu cabelo preto brilhar.

— Está no nome de quem?

— Não tem nome não, moça. Dá pra assinar acima da linha?

Sam agarrou o pacote das mãos da Minhoca Humanóide e apoiou a folha nele mesmo (no pacote, não na minhoca), assinando seu nome abaixo da linha. Minhoca analisou a folha por alguns instantes antes de queixar-se:

— Mas era pra assinar em cima da... – porém a porta já estava fechada.

Sam sentou-se no sofá, balançando a caixa e aproximando os ouvidos para tentar adivinhar seu conteúdo, não chegando a nenhuma conclusão. Abriu a caixa e cheirou seu interior.

— Não é frango – teve certeza e tirou da caixa alguns pedaços de plástico bolha protetor. Até que encontrou uma caixa retangular rosa – coisa de Cat – revirou os olhos. Jogou a caixa de papelão para o lado e examinou a caixa rosa aveludada – Mas que tipo de pelúcia caberia aqui(pergunta). Abriu a caixa. Não era uma pelúcia.

Lista: Possibilidades de Conteúdos em uma Caixa Rosa Encomendada por Cat: pelúcias de animais; pelúcias de bonecas; artigos de decoração em tons de rosa; um quadro de gatinho decorado com lantejoulas rosa; ou uma escumadeira com glitter rosa. Mas não havia nenhum item da lista na caixa. Acomodado dentro dela, estava um vibrador. Rosa.

— Mas que porra... – Sam pegou o objeto na mão, que era quase do mesmo comprimento de seu antebraço, macio por fora, firme por dentro e a coisa mais rosa que havia visto naquele dia.

A porta escancarou-se. Cat adentrou a sala.

— CHEGUEI! – Ela anunciou como se todo o condomínio já não estivesse ciente do fato. Mas, o tanto de indiscrição que tinha Cat, Sam tinha de habilidades ninjas. Antes que Cat pudesse dar-se conta da chegada da encomenda, Sam já havia providenciado para ela um esconderijo adequado embaixo do sofá.

— Olha só – Sam se fez de surpresa.

— Como foi seu dia sem mim?

— Normal. Sabe como é. Pirralhos barulhentos. Series. Pizza. Encomendas.

— Pizza, Sam? Não foi pra isso que eu deixei comida saudável na geladeira para você esquentar e comer.

— Exatamente. A pizza já vem quente.

— Mas o meu sobrinho não pode viver só de pizza – Cat aproximou-se e acariciou o ventre de Sam.

— Mas a mãe dele pode. Por acaso você prestou atenção nas outras partes do meu dia?

— Sim. Os pirralhos estavam barulhentos.

— Não, Cat. A parte em que chegou uma encomenda aqui em casa.

— Ah, foi aquele jogo que lançou semana passada? Achei que você não tinha pedido.

— Eu não pedi mesmo.

— Então, o que foi?

— Ah, eu não sei – Sam fitou as unhas das mãos – chegou numa caixa sem identificação, sabe, como se fosse algo errado. Não tinha o nome do solicitante, muito menos da loja. Consegue pensar em algo?

— Não – Cat respondeu de prontidão, mas suas bochechas diziam o contrário – não. Não mesmo. Na verdade eu acho até que foi um engano. Ou algo que a Nona pediu antes de se mudar. Na verdade eu vou levar a caixa para ela. É, sim. Com certeza é coisa da Nona. Onde você guardou a caixa?

— Caramba, Cat – Sam colocou o braço por sobre o ombro da ruiva – você parece um pouco tensa. Tem certeza que é da Nona? Pois eu acho que é do Dice. Quando ele chegar eu entrego a caixa para ele.

— NÃO! – Cat gritou, apavorada – Quer dizer... Não. É da Nona.

— Puxa. Eu nunca imaginei que a Nona curte usar pintos de borracha cor-de-rosa – Sam ironizou enquanto tirava a caixinha debaixo do assento.

As bochechas de Cat que antes estavam vermelhas feito maças agora estavam pálidas. E ela desmaiou.

***

— MORRE! – Sam gritou enquanto atirava na cabeça de um dos camponeses que se aproximava de sua personagem.

Cat abriu os olhos, os coçou e sentou-se no sofá.

— Sam... Você não deve jogar esse tipo de coisa. O bebê...

— E você não deve ter um vibrador cor-de-rosa, então estamos quites.

Cat empalideceu outra vez. Tentou buscar palavras para se explicar, mas não havia explicação alguma. Ela se entregara. Sam parou o jogo. Não era de seu feitio iniciar conversas, mas sentiu que era necessário. Virou-se de lado, colocando-se de frente para Cat e começou:

— Tem algo que você queira contar?

— Eu não sei... – Cat baixou a cabeça, fitando as mãos.

— Olha, eu sei que eu não sou a melhor amiga que alguém poderia ter mas... Você pode me contar, se quiser. Você não precisa explicar esse pinto aqui – Ela chacoalhou o objeto no ar.

— Sam, eu...

— Você...

— Eu sou...

— Você é...

— Sou...

— VOCÊ É O QUE, PORRA?

— EU SOU HIPOCONDRÍACA!

— VOCÊ É... O que?

— É isso mesmo! – Cat escondeu o rosto entre as mãos – Agora você sabe.

— Ah – Sam sorriu – ninfomaníaca.

— ninfa o que

— Ninfomaníaca. Você acha que é viciada em sexo.

— É divertido. Eu gosto da sensação.

— É claro que gosta – Sam voltou a chacoalhar o objeto – todas gostamos.

— Você não me acha estranha?

Sam refletiu. Estava surpresa, com razão, mas apesar de tudo, não achava estranho a revelação de Cat, então respondeu:

— Quer saber? não.

— Bem... Já que é o momento de revelações... Você acha que o Costela gosta de mim.

— EU SABIA – Sam levantou-se do sofá abruptamente e atirou o brinquedo rosado no chão como se fosse uma bola de futebol americano.

— Sam! Cuidado com ele! Se quebrar não vibra! – Cat o pegou do chão e o colocou de volta na caixa.

— Não acha o Costela velho demais pra você?

— Não se considerarmos a idade mental.

— Garota esperta.

Cat perdeu-se em seu pensamento por um instante.

— Eu queria provar uma vitamina.

— Na verdade, a gente pode.

— Podemos?!

— Sim. Eu precisava mesmo ver aquela doutora com o nome esquisito em Seattle. E claro, a mamãe aqui precisa matar a saudade do papai.

— VAMOS PRA SEATTLE? – Cat subiu no sofá, empolgada.

— É, parece que vamos.

Notas finais
hey brotos Começo me desculpando pela sumida. Pra quem não sabe, eu tô estudando pra vestibular de medicina, então... é meio dificil arrumar tempo pra escrever. Tá tudo uma bagunça e eu ainda perdi o capitulo e tive que recomeçar. Eu sei que esse capítulo curtinho não compensa vocês da demora, mas agora eu quero muito a ajuda de vocês pro proximo ser incrivel. Me conta o que vocês esperam dele e eu atenderei os pedidos que eu gostar com todo carinho. Comentem o que acham, ideias, criticas... Sou aberta hehehe Beijinhos e abraço de Panda Até breve. Eu espero.