A Vida Sobrenatural de uma Vidente
2 Capítulo 1.
Dessa vez, quando eu abri os olhos, parecia ser mais real do que a da primeira vez. Não se explicar, mas acho que as cores estavam mais vivas, sei lá.
Passei os olhos pelo quarto a procura de Taylor ou quem quer que fosse aquela menina, mas felizmente, não tinha mais ninguém no quarto.
Fico alguns minutos sentada na cama, pensando, e finalmente chego a uma conclusão: Não devo assistir séries sobrenaturais antes de dormi, de jeito nenhum.
Suspiro e tiro o coberto de cima de min com uma certa hesitação, a final, meu coberto é macio e esta o inverno lá fora, me esperando.
Sai da cama do jeito mais devagar possível e assim que meus pés e meu corpo se encontravam em cima do chão, fiquei ainda mais sonolenta.
Fui direto pro meu armário e peguei minhas roupas, que eram apenas uma calça jeans, uma blusa qualquer, meu casaco macio de moletom e minhas roupas intimas que eu aposto que não tenho que falar o nome.
Saí do quarto carregando minha roupa e ignorei totalmente se alguém estava no banheiro ou não pois eu logo abri a porta e me tranquei lá dentro. E aparentemente, não tinha mais ninguém lá.
Coloquei a roupa em cima do balcão e me encarei no espelho que ficava a cima da pia. Meus cabelos estavam formando um perfeito ninho de pássaro, que a anos não visitava sua casa. Meus olhos tinham marcas escuras logo abaixo, um claro sinal que fiquei até tarde vendo séries. Meus lábios estavam meio inchados, talvez eu tivesse babado no meu travesseiro. E claro, meus olhos violetas pareciam animados e vivos, como sempre — isso as vezes me enchia.
Suspirei e comecei a me arrumar.
Como sou rápida em me arrumar não demorou muito para eu escovar os dentes, pentear o cabelo, trocar de roupa, fazer minhas necessidades e tudo mais.
Peguei minhas roupas sujas e saí do banheiro suspirando. Odiava ter que acordar, por mais que eu tenha alguns sonhos estranhos, as vezes.
Fui até a cozinha e joguei a roupa no cesto lotado de roupa suja.
Depois passei o olhos pela cozinha e percebi que estava na cozinha. É, eu fico meio lerda quando acordo.
Fui até a geladeira e a abri a procura de alguma coisa gostosa, mas infelizmente parece que ninguém fez as compras, então nada de comida. Fechei a geladeira meio abatida e fui pro meu quarto, aonde pegaria minha mochila de ferro.
Depois de pegar minha mochila eu vi que Taylor corria pelo corredor para se arrumar. Taylor atrasada, típico.
—Você vai sozinha?- Perguntei quando ela tinha parado no meio do corredor para trocar de blusa.
—Vou. — Ela afirmou tirando a blusa do pijama dela e revelando seu sutiã azul claro.
—Então tá. Até mais tarde. — Disse e me virei indo em direção a porta.
Peguei a chaves — que estavam penduradas do lado da porta — e abri a porta de madeira branca. Saí de casa fechando ela atrás de min e encarei a rua que estava molhada. Doce, doce inverno.
Coloquei as chaves no bolso e fui para a calçada. Comecei a caminhar e assim que passei pela casa do vizinho um garoto de cabelos vermelhos, olhos avelã e que possuía covinhas quando sorria saiu da casa ajeitando sua mochila nos ombros.
—Bom dia Kate!- Ele exclamou. — Que dia lindo, concorda?
—Bom dia Marcos. — disse observando meu amigos de cabelos vermelhos vindo caminhar do meu lado em direção ao colégio — É, até que está bonito. — Admiti.
—Deixa eu advinha, você ficou a noite toda assistindo Netflix. — Ele disse e um sorriso leve apareceu nos meus lábios.
—Você me conhece bem demais senhor Ruivo. — Disse e ele riu.
—Não preciso te conhecer para ver esses olhos com marcas pretas logo abaixo. — Ele sorriu.
—É, você tem razão. — Disse e o olhei pelo canto do olho. — E se eu te conheço bem, aposto que você passou a noite inteira dormindo. — Disse voltando a fitar a calçada e ele assentiu.
—Dormi e tive ótimos sonhos. — Ele admitiu feliz.
—Que sorte. — Suspirei.
—Por que? Não dormiu bem?- ele perguntou e eu assenti.
—Tive um sonho bizarro antes de acordar, mas nada demais.
—Hum. Que azar. — Foi tudo o que ele disse antes de ficarmos indo pra escola em silêncio, coisa que não era comum entre a gente.
Quando chegamos no colégio tinha umas 200 pessoas do lado de fora conversando em suas rodinhas, coisa típica de colégios.
Passei o olhos por todas aquelas pessoas e algumas eu até que já estava acostumada a ver o rosto, já que tínhamos algumas aulas juntos. Mas eu simplesmente ignorei essas pessoas junto com o Marcos e entramos no colégio indo em direção aos nossos armários, que eram um do lado do outro.
Coloquei a senha do meu armário e logo o abri jogando minha mochila dentro dele. Abri a mochila e peguei só o necessário, que era o caderno, o livro e o estojo cheio de coisas. Fechei o armário e me virei, dando as costas pra ele.
—Qual é a primeira aula?- Perguntou Marcos.
—Duas semanas de aula e você ainda não decorou os tempos?- perguntei passando o olho pelo corredor.
—Não. — Respondeu Marcos.
—Biologia. — Suspirei.
Observei atentamente o corredor e assim que eu vi a porta do diretor se abrindo prendi meus olhos lá. Daquela porta saiu um garoto de cabelos loiros que estavam de baixo de um gorro preto, olhos que eu não sabia a cor ao certo atrás de um óculos escuro e pálido, mas calma, ele escondia essa palidez debaixo de uma jaqueta preta, que combinava com a sua roupa... que também era preta. Ele passou o olho pelo corredor e pareceu sorri de canto pra min antes de começar a andar em meio a multidão.
—Kate? — Perguntou Marcos e eu me voltei pra ele enquanto piscava os olhos para voltar a realidade.- Vamos?
—Ah, claro. — Respirei fundo e fui pra sala de biologia com ele.
Assim que entramos na sala ela estava vazia, mas não ficaria assim por muito tempo, por isso logo nos sentamos. Sentei no fundo do lado de Marcos e assim que joguei meu material na mesa o sinal tocou, avisando que as próximas horas seriam apenas exercícios e explicações.
Logo a sala já tinha sido ocupada quase que por inteiro. E claro, o professor demorou uns 4 minutos para entrar com seu sorriso logo a cima do seu cavanhaque.
—Bom dia turma!- Exclamou o professor. — Hoje teremos bastante dever e usaremos muito o livro! Mas antes disso, eu gostaria de apresentar um novo aluno! — Ele sorriu e de repente a porta se abriu.
E novamente aquele menino pálido de cabelo loiros, olhos atrás de óculos escuros e jaqueta preta apareceu. Ele parou sua cabeça num ângulo que eu acho que provavelmente dava pra me ver e então ele sorriu.
—Esse é o Lucas! E ele vai fazer parte da nossa turma este ano. — O professor disse feliz. — Pode se sentar Lucas.
O loirinho pelo o qual o professor já tinha chamado de Lucas duas vezes caminhou até a minha direção e sentou na minha frente. Ele pareceu esfregar as costas dele na cadeira a minha frente como se fosse para esfregar sua jaqueta na minha cara.
E assim o professor começou a passar alguma coisa no quadro.
—Tem algum lápis pra me emprestar?- Perguntou o loirinho virando um pouco de lado para me fitar.
—Isso é sério? — perguntei suspirando e ele riu.
—É.
—Mal começamos o ano letivo e você não tem nem um lápis. — Suspirei — Então tá.
Abri meu estojo e peguei um lápis qualquer. Dei pra ele e ele riu. Que cara maluco.
—Obrigado. — Ele disse e depois me fitou. — Pode me emprestar uma folha? — Bufei.
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