A Vida Pela Música.
9 Verdades.
Notas iniciais
Tokiya e Otoya pegaram um taxi em direção ao orfanato onde o ruivo morou a vida inteira. Tokiya olhava com atenção as ruas pela qual passavam.
Otoya: sabe… aqui não é bairro nobre, mas tem suas belezas.
Tokiya riu.
Tokiya: eu nunca tinha vindo pra essas bandas, mas aqui é bem agradável.
Sorriu sincero.
Otoya: que bairro você mora?
Tokiya: em um condomínio em Beverly Hills.
Otoya deixou o queixo cair.
Otoya: B-Beverly Hills??? O bairro dos artistas??
Tokiya riu da expressão dele.
Tokiya: é.
Otoya: então isso aqui deve ser como quintal da sua casa né?
Tokiya riu mais.
Tokiya: você não existe Otoya.
Otoya: mas estou falando sério!
Eles chegaram ao lugar, Tokiya pagou o taxi com muito desgosto do ruivo.
Otoya: foi uma fortuna.
Tokiya: isso não importa.
Ele levantou sua vista para olhar o orfanato.
Otoya: bom, não repara muito, por favor.
Tokiya sorriu.
Tokiya: é um lugar bem aconchegante e bonito.
Otoya o olhou.
Otoya: fui feliz aqui, apesar de tudo.
Confessou olhando o lugar e eles logo viram uma multidão de crianças na faixa dos seus 7,8 e 9 anos correndo na direção do ruivo.
Crianças: Oto-nii!! Você chegou!! Estávamos com saudade!
Eles falavam tudo ao mesmo tempo. Otoya sorria e dava atenção a cada um com carinho, Tokiya o observava ser arrastado pelas crianças para dentro do orfanato.
Crianças: Oto-nii vamos!! Se apresse!
Otoya: gomen, gomen. Mas não puxem tanto.
Dizia sorrindo as crianças impacientes. Tokiya foi logo atrás observando cada movimento deles e o local também.
Menino: quem é você??
Tokiya se assustou e virou para trás dando de cara com um menino de 7 anos com uma senhora.
Tokiya: err… eu sou…
Otoya: ah! Tia Jenna esse é meu amigo lá do internato.
A senhora sorriu.
Tokiya: Tokiya, é um prazer conhecê-la.
A senhora apertou sua mão.
Jenna: Tokiya em? Então você é amigo do Oto-chan?
Tokiya: sim, somos colegas de quarto. Ele também tá na minha sala.
Otoya: nee Tokiya fique a vontade! As crianças tão querendo me mostrar uma coisa, eu já volto!
Ele falou enquanto era arrastado mais ainda para dentro.
Jenna: fico muito feliz que ele tenha arranjado um amigo lá, temia que ficasse sozinho.
Tokiya sorriu.
Jenna: você é bolsista?
Tokiya engoliu em seco.
Tokiya: etto… não.
Jenna: você paga o colégio?
Perguntou um pouco surpresa.
Tokiya: sim. Sou de uma família de empresários.
A senhora ainda o olhava meio chocada, agora que tinha reparado que Tokiya realmente não tinha pose de gente comum.
Tokiya: deve estar se perguntando como virei amigo do Otoya não é?
Perguntou sem graça. A senhora riu.
Jenna: me desculpe Tokiya. Eu só estranhei, não imaginei que o Oto-chan faria amizade com alguém de elite. Mas é compreensível já que são colegas de quarto.
Tokiya: na verdade… eu não ia com a cara do Otoya. Justamente por ser bolsista, mas ele me mostrou que tem um coração enorme e… é uma boa pessoa.
A mulher o analisava e sorriu vendo o constrangimento do moreno.
Jenna: é impossível não gostar desse menino.
Ela olhava amorosa para Otoya tentando se desvencilhar das crianças e vir em direção a eles.
Jenna: deixarei vocês a sós. Sinta-se em casa Tokiya.
Ela o beijou no rosto, o moreno sorriu.
Tokiya: obrigado.
Depois que a senhora foi embora.
Otoya: então… aqui é onde cresci!
Tokiya o olhou de esguelha.
Otoya: eu amo esse lugar. Por isso que mesmo longe… eu não deixo de vir aqui. E quando me formar e tiver uma vida melhor… quero ajudar esse orfanato, investir aqui.
Tokiya deu um sorriso de canto.
Otoya: quero ter uma condição boa pra ajudar todas essas crianças. Eles são minha família.
O ruivo sorriu docemente olhando as crianças correndo.
Otoya: ah! Tokiya você não quer ver os preparativos para o bazar??
O moreno riu.
Tokiya: claro.
Otoya o puxou para dentro do lugar. Tokiya ficou pasmo olhando a decoração.
Tokiya: vocês estão fazendo uma casa mal-assombrada?
Otoya: isso!! O nome desse ano é… O bazar da casa mal-assombrada!
Disse o nome junto com as crianças eufóricas.
Tokiya: vocês vão vender aí dentro??
Uma menina se colocou na frente.
Menina: claro que não! Ninguém viria se fizéssemos isso, o bazar será lá fora!
Outra criança fitava Tokiya curiosa.
Menina: ei… você é o namorado do Otoya-nii-chan?
Otoya: o que??
Tokiya: hã?
Crianças: ehh!! Ele é o novo namorado do Otoya-nii-chan!!
Começaram a pular como se comemorassem aquilo. Otoya atingiu um vermelho profundo pela vergonha.
Otoya: o que vocês estão falando??!!
Menino: uhooo você ta vermelho Otoya-nii!!
Otoya corou mais ainda.
Otoya: já chega!!
As crianças todas correram com o grito dele. Otoya suspirou e congelou ao notar que Tokiya o fitava.
Otoya: d-desculpe!! É que… é que… eles sabiam que eu namorava ano passado com o Mamoru e por isso…
Tokiya: tudo bem Otoya. Não se preocupe.
O tranquilizou não conseguindo segurar o sorriso da expressão do ruivo.
Tokiya: eles são todos alegres e cheios de energia… lembra muito você.
O menor não desviava seu olhar do rosto do Ichinose, ele ficava tão belo sorrindo assim.
Crianças: Oto-nii nos ajude!
Otoya riu.
Otoya: ok, ok. Mas um de cada vez.
Ele se agachou em uma roda em que as crianças pintavam os cartazes.
Otoya: ah é mesmo… Tokiya se quiser ir, fique a vontade. Acho que vou demorar um pouco aqui.
Antes que o moreno respondesse uma criança falou.
Menina: eh?? Mas por que??
Menino: o que? Não, não.
Menina: onii-chan fique com a gente!
Tokiya estava surpreso pelos pedidos e sorriu.
Tokiya: acho que vou ficar e me juntar a vocês na decoração que tal?
Todos gritaram animados. Otoya o olhava surpreso ao ver Tokiya se sentar no chão para ajudar umas meninas. Tokiya sorriu e piscou ao ruivo que acabou corando, mas sorriu também.
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Syo tinha pegado um taxi e indo em direção a Santa Monica Beach, Camus havia dito a Natsuki que Ai sempre que queria ficar sozinho ou pensar, ele ia para essa praia. Esquecia do mundo ali.
Syo: eu não deveria estar me preocupando tanto.
Sussurrou irritado com sua própria atitude.
Natsuki: porque eu acho que você é o único que pode fazê-lo melhorar.
As bochechas do menor voltaram a corar, não havia entendido o que o melhor amigo quis dizer com aquilo.
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Ai estava sentado na areia fitando as ondas do oceano, não tinha quase ninguém na praia, estava bem deserta e ele escolheu um lugar mais afastado ainda. Não queria ninguém por perto o olhando.
Ai: por que doí tanto?
Colocou a mão do lado esquerdo do peito, puxou com um pouco de força a camisa que usava. Aquele era o pior dia do ano desde que aquele acidente aconteceu. Ele não tinha coragem de vê-lo, não conseguiria olhar para ele naquela cama, Ai mudou drasticamente quando tudo aconteceu.
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Syo corria pelo calçadão procurando algum vestígio do bluenette e depois de muito correr avistou ao longe alguém que parecia o Mikaze.
Syo: cara... ele realmente queria distancia de todos.
Syo tirou os tênis e caminhou a passos largos na direção, quando já estava próximo confirmou que realmente era Ai e desacelerou o passo. Syo se sentou ao lado dele e Ai olhou de esguelha, quase morreu do coração quando viu quem era.
Ai: o-o que você tá fazendo aqui??
Syo: bom, a praia é pública.
Ai arqueou a sobrancelha. Syo suspirou.
Syo: eu… eu achei estranho o seu jeito no internato.
Ele olhou para o bluenette.
Syo: aconteceu algo não foi?
Ai estava bastante surpreso. Como ele havia o encontrado? Ou melhor, por que estava se importando tanto?
Ai: por que está tão preocupado?
A pergunta pegou Syo de surpresa.
Syo: eu não estou preocupado!!
Ai sorriu de canto.
Ai: então por que veio aqui?
Syo: err…
Ai: sentiu saudade foi? Nós íamos nos ver amanhar chibi.
Syo bufou.
Syo: quer saber? Eu não devia ter vindo!!
Ele levantou irritado, mas antes de ir Ai segurou seu pulso.
Ai: espera Syo!
O chibi o fuzilou com os olhos.
Ai: obrigado por ter se preocupado.
Syo ia dizer que não estava preocupado, mas o olhar do bluenette o fez se calar e perder a irritação que estava sentindo.
Syo: o Camus disse que você sempre vem pra essa praia quando quer pensar.
Sussurrou desviando o olhar dos orbes cianos do maior.
Ai: olhar as ondas me acalma, é um ótimo lugar para ficar sozinho.
Confessou soltando o pulso de Syo.
Syo: eu posso ir embora…
Ai sorriu minimamente e deu umas palmadas na areia ao seu lado.
Ai: pode sentar.
Syo continuou o fitando meio incrédulo.
Ai: eu gosto da sua companhia, apesar de estar na maioria das vezes mal-humorado.
Syo fez um bico.
Syo: eu não sou mal-humorado.
Disse sentando ao lado dele.
Ai: concordo, apenas desprovido de simpatia.
Comentou ironicamente e Syo acabou rindo.
Syo: nunca pensei que fosse falar isso, mas… sentia falta desse cinismo.
Ai arregalou minimamente os olhos.
Ai: depois diz que não me ama.
Syo: cala a boca!
Eles se olharam e acabaram rindo.
Syo: você não precisa me dizer o que houve, mas às vezes colocar pra fora é bom. Sufocar tudo dentro de si tem a tendência de piorar a situação mais do que ela já seja.
Ai olhou-o pelo canto do olho.
Syo: falo por experiência própria.
Murmurou fitando a areia.
Ai: vamos fazer um acordo?
Syo: hm?
Ai: eu te conto o motivo de estar assim e você me conta o que te levou a vir morar em Los Angeles.
Syo arregalou os olhos.
Ai: Kaoru sempre falava sobre o quanto você amava o Japão e que nunca aceitava morar com ele aqui.
Syo mordeu o lábio inferior.
Ai: então para vir pra cá ano passado… você teve um motivo forte pra isso.
Ai não o olhou quando terminou de falar e esperou pacientemente a resposta do loiro.
Syo: isso é chantagem.
Ai: prefiro o termo troca de favores.
Syo o fitou e não evitou rir um pouco quando o maior sorriu cinicamente.
Syo: tudo bem.
Ele respirou fundo.
Syo: pra começo de conversa, minha decisão de morar aqui foi ocasionada pela traição da minha ex-namorada.
Ai o olhou de esguelha esperando ele contar o resto.
Syo: no segundo semestre de 2009, uma garota foi transferida para a Saotome Gakuen, ela era Haruka Nanami. Eu estudei lá a minha vida inteira junto com o Kaoru, mas quando ele precisou investir mais nos estudos por causa da universidade de medicina, ele se mudou para Califórnia já com a intenção de estudar na filial da Saotome de Los Angeles e fazer a faculdade da corporação. Eu continuei em Tóquio, amava tudo lá. Quando a Haruka entrou, confesso que não dei muita importância e nem reparei nela pra falar a verdade, mas em 2010 isso mudou.
Syo estreitou levemente o cenho encarando as ondas.
Syo: ela se aproximou de mim na aula de música, nós dois estávamos na mesma turma. Ela tinha, ou melhor, tem o sonho de ser uma compositora famosa e eu estudava música por esporte, sempre amei violino, mas nunca passou pela minha cabeça ser um ídolo profissional. Conversávamos todos os dias e descobri que ela estava na minha turma do internato desde 2009, a cada dia ficávamos mais próximos e consequentemente ela fez amizade com todos que andavam comigo, inclusive o Natsuki. Haruka era uma menina incrível, era talentosa, doce, atenciosa com todos, divertida, um pouco tímida com desconhecidos… era linda, o sorriso dela era extremamente perfeito aos meus olhos… eu me apaixonei.
Ele sorriu amargamente e olhou para Ai que o analisava minuciosamente.
Syo: no meio desse ano, antes de entrarmos nas férias… ela se confessou pra mim numa saída de amigos. No começo fiquei sem reação, mas depois fui invadido por uma felicidade enorme, porque pela primeira vez que me apaixonei fui correspondido. Eu aceitei é claro e começamos a namorar. Os seis meses restantes desse ano, 2011 e uma boa parte de 2012 foram os momentos mais felizes que já tive na vida.
O olha do chibi de repente ficou vazio e ele voltou a encarar o oceano.
Syo: em setembro de 2012, ela começou a ficar meio diferente comigo, estava distante, fria e eu achei que talvez ela tivesse passando por algum problema em casa. Mas a cada vez que perguntava, ela sempre negava. Outubro teve uma festa de Halloween de um amigo meu, mas eu não podia ir, tinha uma viagem marcada para outro país pelo evento que a empresa do meu pai ia ter e ele convocou a presença minha e do Kaoru na festa. Eu a convidei, mas Haruka disse que estava perto das provas por isso não podia ir e falou que também não ia à festa de Halloween do nosso amigo. Kaoru disse que a “namorada” dele na época também não podia ir por causa de um evento que tinha com os pais e precisava ir para Dubai.
Ai riu um pouco da cara dele de desagrado.
Ai: foi uma pena. Queria ter ido nesse evento, assim teria conhecido meu amado cunhado.
Syo revirou os olhos.
Syo: posso continuar?
Ai: fique a vontade chibi.
Syo bufou.
Syo: bom, o evento foi adiado e precisei viajar mais cedo, mas não tinha conseguido avisar a Haruka. Como não ia precisar passar mais tanto tempo na França, meu pai me disponibilizou o jatinho dele para que eu pudesse voltar a Tóquio. Fiquei feliz na hora… mal havia chegado e corri para a casa dela, mas ao chegar lá a mãe disse que ela tinha ido a uma festa. Apesar de ter estranhado pelo fato dela dizer que não ia, não desconfiei de nada na hora… eu sabia qual festa era e fui imediatamente pra lá.
Ele respirou fundo.
Syo: quando eu cheguei notei muita gente me olhando e na minha cabeça pensava que era porque tinha dito que não ia. Até para minha surpresa… pegar minha namorada quase transando com meu amigo em um sofá.
Ai arregalou de leve seus olhos. Syo endureceu a expressão.
Syo: o incrível foi… que mesmo vendo que eu tinha flagrado os dois, eles não se incomodaram nem ao menos de tentar evitar uma desculpa. Haruka disse na minha cara que nunca havia me amado, só ficou comigo porque eu era popular no colégio e ela como novata era anônima a todos e ninguém via o seu talento na música. Ela falou também que eu só era popular pela fama e dinheiro que meus pais tinham, porque nem tão talentoso eu era assim… eu petrifiquei na frente deles, não acreditava no que escutava. Era como se fosse outra pessoa na minha frente, aquela Haruka doce e fofa tinha sumido, aquela garota era cínica, maldosa e cruel, seus olhos eram frios, não sei se ela havia mudado ou era eu que nunca tinha a conhecido bem… ela destruiu tudo de bom que havia no meu coração. Sabe o que ela disse quando viu o estado que fiquei?
Ele sorriu fracamente e olhou para Ai.
Syo: “Não faça essa cara Syo, isso se chama coração partido. Tem uns dois bilhões de música sobre isso.”
Ai fechou o punho, aquela garota foi cruel demais.
Ai: então por causa dela se mudou pra cá?
Syo: sim. Tive que ficar o resto do ano no colégio, foi um inferno. Não aguentava vê-los juntos, odiava ouvir os comentários que faziam. Então me mudei pra cá junto com o Natsuki e não pretendo voltar para o Japão tão cedo.
Ai: nunca tive um coração partido, mas mesmo assim… sinto muito.
Syo sorriu.
Syo: eu posso viver sem ela, só é mais difícil. Ela me fez ter medo de amar alguém de novo. O pior de ter um coração partido, é você não se lembrar de como era antes.
Syo inspirou profundamente.
Syo: mas eu não a culpo totalmente. O erro foi meu de ter aberto meu coração tão fácil, foi idiota pensar que ela me amaria…
Syo riu sufocado.
Syo: quem seria idiota o suficiente pra gostar de mim? Eu não sou nada especial, não tenho qualidades incríveis… sou marrento, mal-humorado, meio egocêntrico… diferente do Kaoru, eu não tenho nada que possa fazer alguém me amar.
Ai olhava-o atentamente.
Ai: não sofra por alguém que não te ama, é uma dor desnecessária.
Syo o olhou.
Ai: o único idiota aqui foi essa tal de Haruka, por não ter te amado. Você não tem que se sentir ridículo, você amou… e se ela não se apaixonou o azar é dela. Qualquer um teria sorte de ter você.
Syo estava chocado com que havia ouvido.
Ai: você vale mais do que pensa chibi.
Sorriu gentilmente ao Kurusu ainda incrédulo.
Syo: por que você e o Kaoru não deram certo?
Ai inclinou seu corpo um pouco, se espreguiçando.
Ai: ele é do tipo que gosta de cheirar flores, e eu não sou flor que se cheire.
Riu um pouco.
Ai: ele merece alguém melhor, nós dois somos perfeitos… só não somos um para o outro.
Syo revirou os olhos.
Syo: adoro sua modéstia.
Ai sorriu da cara emburrada do chibi.
Syo: não se apaixone então… amor é perda de tempo. Eu to de ressaca dessa palavra.
Ai se virou pra ele, o olhando bem atento.
Ai: só porque não deu certo, não culpe o amor. Ele não tem nada a ver com isso. Se parou de funcionar, se morreu… viva o luto, curta a vida. Faça aula de idioma, leia livros, assista filmes, jogue charme para a primeira gata que ver. Mas não ofenda o amor, porque um dia quando menos esperar você vai estar amando de novo.
Syo corou de leve.
Syo: fala tão bem como se já tivesse amado.
Ai: não, ainda não. Acho que sou jovem demais pra ter o coração partido, porque sendo correspondido ou não… você se machuca, é inevitável.
Ele inspirou.
Ai: além disso… eu não sou homem de pertencer a nada e nem a alguém, nem se eu quisesse. Eu pertenço ao mundo, pessoas comportadas raramente se divertem.
Sorriu ironicamente fazendo Syo rir.
Syo: e sua historia? Eu contei a minha.
A expressão do Mikaze ficou tensa, ele suspirou.
Ai: eu tenho um irmão, ele é dois anos mais velho que eu.
Syo: i-i-irmão?? Mas… você nunca falou…
Ai: dele? Eu tenho motivos pra isso. O seu nome é Aine, apesar de não sermos gêmeos, nossa semelhança é muita. Rosto, olhos, cabelo, corpo até a altura… só muda a cor dos olhos e cabelos, o dele é um azul escuro. Ele sempre foi mais que um irmão, era meu melhor amigo, a pessoa que mais amava e confiava. O Aine estudou na academia de música Saotome e tinha uma banda, ele cantava muito bem e tocava teclado.
Ele sorriu levantando a vista para o céu.
Ai: eu o admirava tanto, queria ser como ele… igual a ele. Minha paixão pela música acho que nasceu dessa admiração, ele que me ensinou a tocar piano. Mas… tudo mudou.
Syo: por que?
Ai fechou os olhos lentamente.
Ai: há quase três anos ele saiu em uma viagem com sua banda, iam fazer um show numa cidade vizinha. Eu tinha quase 15 anos… naquele dia eu passei o dia inteiro com uma sensação ruim e pedir que ele não fosse, mas Aine sempre sorria, afagava meus cabelos e dizia que estava tudo bem. Pra me acalmar… ele prometeu que voltaria o mais rápido que pudesse. Quando terminou o show, era de madrugada, todos da banda ficaram no hotel… só ele veio de carro, mas nunca chegou.
Syo arregalou os olhos.
Ai: ele sofreu um grave acidente e seu carro caiu de uma ribanceira, ele teve ferimentos gravíssimos e foi direto para o hospital que pertence a minha família aqui em Los Angeles. O médico disse que havia poucas chances dele viver. Aine fez um monte de cirurgias e não morreu, porém… ele entrou em coma.
O bluenette abriu os olhos e fitou o loiro que estava boquiaberto.
Ai: esse coma dura até hoje… ele respira por aparelhos. Ele tá lá na cama como um vegetal, um morto-vivo. Não move um musculo, nada… apenas respira por todos aqueles tubos que estão em si.
Syo: Ai…
Ai: hoje faz exatamente dois anos e seis meses que isso aconteceu.
Syo: por isso você tava estranho desde cedo.
Ai afirmou, embora soubesse que não foi uma pergunta.
Ai: eu nunca vi meu irmão desde que ele entrou em coma.
Syo: o que??
Ai: eu não vou conseguir vê-lo naquela cama como um vegetal. É doloroso demais só de imaginar. Eu sou o culpado por isso… se eu não tivesse sido tão infantil… ele taria bem até hoje. Quando tudo aconteceu, eu me mudei para Dubai, não aguentava mais morar aqui. Meus pais vão visita-lo de vez em quando, mas quando estamos nós três… o nome dele nunca é mencionado, ninguém consegue suportar a dor.
Ele suspirou.
Ai: meus pais querem que eu seja a versão do Aine substituto, querem que eu seja o protótipo de filho perfeito… mas eu não sou como ele, nunca vou ser orgulho dos meus pais como ele era.
Ai riu fracamente.
Ai: eu mudei quando isso aconteceu, me tornei frio com meus sentimentos, fechei meu coração para não sofrer, comecei a encarar a vida com um jeito mais cínico… e me tornei essa pessoa desagradável que sou hoje.
Ele sorriu de canto.
Ai: e meu amor pela música morreu junto com meu irmão. Eu não consigo tocar ou cantar, eu travo e a imagem dele vem na minha cabeça.
Syo: mas naquele dia você estava cantando…
Ai: mas eu não sabia que você tava ouvindo. Eu travo diante das outras pessoas… eu só consigo tocar algo quando estou sozinho. A música é a única coisa que me permite chegar perto dele. Apesar de saber que tudo tem um fim… nós nunca estamos preparados para perder alguém.
Syo abaixou o olhar.
Ai: você tem um irmão, apenas imagine a ideia de perdê-lo e saberá 1% do que sinto.
O chibi paralisou apenas com a ideia de não ter mais Kaoru, ele levantou seu olhar para fitar o Mikaze. Nunca em sua cabeça imaginou que por trás daquele cinismo e ar de superior… existisse uma dor daquelas.
Syo: então todo aquele jeito irônico é apenas…
Ai: um disfarce. Foi a melhor maneira que encontrei de encarar a dor. Mas…
Ele fitou os orbes safira do Kurusu.
Ai: de tanto fingir, me tornei assim.
Syo riu baixinho.
Syo: por que não vai visitá-lo?
Ai: pra que? Ele não pode ver e nem falar mesmo.
Syo: mas ele pode sentir seu carinho. Uma vez ouvir que pessoas em coma apesar de não demonstrarem nada… elas sentem quando alguém que as amam vão visita-las. Talvez ele precise de você.
Ai fechou os olhos tentando reprimir suas emoções.
Syo: todos temos que enfrentar nossos fantasmas, você precisa enfrentar o seu.
Syo pegou delicadamente no ombro do bluenette.
Syo: eu não sei como é sua dor, mas do jeito que eu amo o Kaoru e se ele tivesse em uma situação assim, eu não deixaria de vê-lo… ficaria com ele até o fim.
Ai arregalou os olhos.
Syo: você criou essa barreira entre vocês, só vai poder seguir em frente… se encarar seu medo de ir visita-lo.
Ai: não sei se suportaria vê-lo numa cama rodeado de aparelhos…
Syo: suportaria sim, todos somos capazes de suportar tudo por alguém que amamos.
Ele sorriu.
Syo: se quiser companhia… posso ir com você…
Murmurou e acabou corando pelo olhar surpreso de Ai.
Ai: Syo…
Ele pegou a mão do menor.
Ai: obrigado por tudo.
Levou delicadamente até a boca e a beijou sem desviar o olhar dos orbes do Kurusu que acabou corando mais.
Ai: é a primeira vez que conversamos sem você gritar comigo.
Syo riu.
Syo: a vida é surpreendente.
Ai sorriu e levantou.
Syo: já vai?
Ai: não… vou dar um mergulho.
Syo: o que??!
Ai: por que o espanto? O mar hoje tá divino.
Ele começou a se despir e Syo se apavorou.
Syo: vai tirar a roupa aqui?!
Ai: você não tem tanta sorte chibi.
Syo revirou os olhos.
Ai: eu to com uma sunga, seria um crime vir a uma praia dessas e não dar um mergulho.
Syo corou e acabou deslizando seu olhar pelo tronco desnudo do azulado, Ai logo tirou a bermuda também.
Syo: você é maluco.
Ai: prefiro intenso.
Sorriu cinicamente.
Ai: deveria ir também.
Syo: eu não trouxe roupa de banho.
Ai: vai de cueca… afinal de contas roupa de banho e roupa intima, ambas cobrem a mesma coisa.
Syo corou.
Syo: prefiro ficar aqui.
Ai sorriu irônico.
Ai: está com medo do mar ou de mim?
Syo: de nenhum dos dois! Apesar de ambos serem traiçoeiros.
Ai: hmm… algo me diz que tem medo do oceano chibi.
Syo: eu não tenho medo!! Só não sou acostumado a nadar nele… pela minha estatura meus pais não me deixavam nada no mar, só em piscina mesmo.
Ai sorriu de canto.
Ai: não tenha medo do mar Syo… ele é maravilhoso.
Fitou as ondas.
Ai: encare seus fantasmas.
Syo rolou os olhos irritado pelo cinismo de Ai.
Ai: o medo é psicológico, não esqueça disso chibi.
Ele sussurrou em seu ouvido.
Ai: já que quer ficar aí, tudo bem. Mas eu vou nadar.
Syo: bom mergulho.
Sorriu sarcástico.
Ai: ah…
Antes dele chegar ao mar, se virou para Syo com um sorriso meio cínico.
Ai: fico realmente grato por tudo que me disse, mas… aquilo são coisas que alguém diria a pessoa amada.
Syo: hã?!!
Ai: obrigado por vir até aqui preocupado comigo, mas nós só podemos ter um amor platônico Syo-kun.
Syo estava fervendo de ódio.
Syo: por que eu ia querer ter isso com você?!!
Ai segurou uma risada.
Ai: ooh amor puro não é mal.
Syo: pare com isso!!
Ele se levantou irritado.
Ai: amor puro! Amor puro! Nosso amor platônico!
Syo: ahhhhh!!!! Eu vou matar você Ai!!!
Ele tirou suas roupas rapidamente e correu atrás do Mikaze que se jogou no mar rindo.
.........................
Tokiya e Otoya estavam no quarto que pertencia ao Itokki no orfanato.
Tokiya: to exausto…
Otoya sorriu.
Otoya: obrigado por ajudar.
Tokiya fez um gesto com a mão.
Tokiya: não precisa agradecer, eu me diverti muito.
Sorriu sincero e seu olhou pousou sobre uma foto em cima de uma pequena mesa onde ficava o computador.
Tokiya: quem é?
Otoya seguiu seu olhar e se deparou com a fotografia, seus lábios se contorceram num sorriso meigo.
Otoya: Mamoru, meu ex-namorado. (N/A: ok, não resistir cof cof )
Tokiya estreitou seu cenho encarando fixamente o sorriso do ruivo que observava suspirando a foto.
Tokiya: ele é muito bonito. Por que terminaram?
Otoya deu um muxoxo.
Otoya: ele passou na faculdade de engenharia ( ♥ N/A: também não resistir cof cof kkk), tem uma filial dela aqui, mas infelizmente o mandaram pra lá e tivemos que terminar. Não ia dar certo um namoro com uma distancia tão grande que nos separa, apesar de haver sentimento. Eu não poderia impedir o futuro dele… seria injusto.
Tokiya: hm… como se conheceram?
Otoya: ele cresceu junto comigo, quando tinha 9 anos e vim parar aqui… ele foi meu primeiro amigo e estávamos juntos pra cima e pra baixo. Era uma amizade muito grande e bonita… virou amor.
Tokiya arregalou os olhos.
Tokiya: em outras palavras… vocês se conhecem a vida inteira?
Otoya sorriu abertamente.
Otoya: sim. Não teríamos terminado se não fosse por causa da faculdade dele, o Mamo-chan me prometeu que voltaria… nos falamos por telefone, pelas redes sociais… ele ta adorando tudo lá.
Tokiya desviou o olhar da foto.
Tokiya: você parece amá-lo muito. Que inveja…
Otoya o fitou sem entender.
Tokiya: deve ser bom amar assim não é? Um amor puro, forte e correspondido.
Tokiya: acho que nunca amarei alguém assim, pior ainda alguém me amar.
Otoya: Tokiya não diga isso! Tenho certeza que um dia encontrará um grande amor!
Sorriu tentando confortá-lo.
Tokiya: meio improvável. Quem seria idiota pra amar alguém tão desagradável?
Perguntou ironicamente.
Otoya: você não é desagradável!
Tokiya: olha… está aprendendo a mentir bem Otoya.
O ruivo revirou os olhos fazendo o Ichinose rir.
Otoya: é verdade!
Tokiya: eu gostei muito do Yamato, pode até dizer que ele foi meu primeiro amor. Mas daí a dizer que o amava ou que era o grande amor da minha vida… é demais.
Otoya abaixou o olhar.
Otoya: por que terminaram?
Tokiya inspirou profundamente.
Tokiya: o peguei na cama com o Ricki.
Disse sem rodeios, o ruivo arregalou seus orbes.
Otoya: n-na cama??
Tokiya sorriu amargamente.
Tokiya: Ricki e eu sempre nos odiamos, não sei porque aquele cara sempre me detestou e como não sou de levar desaforo pra casa comprei a briga. Ele não tem muito como me atingir, a única coisa que eu tinha, que era importante… foi nela que o Ricki foi para se vingar. Seduzindo meu namorado e o ajudando a enfeitar minha cabeça com um lindo par de chifres.
Ele jogou as mãos para trás da nuca.
Tokiya: eles não se amam. Apenas se aturam nesse namoro e o colégio sabe… mas mesmo que o Yamato implore de joelhos, eu jamais perdoaria uma traição. Ainda mais com o Ricki.
Otoya: sinto muito.
Tokiya: isso já passou. Mas é bom ter um amor como o seu. Quando esse Mamoru voltar… você será feliz.
Otoya sorriu corando um pouco.
Tokiya: que curso você quer?
Otoya: medicina. Quero me especializar em pediatria, eu amo crianças…
Ele levantou e se apoiou na janela observando as crianças brincarem no jardim.
Otoya: quero cuidar de pessoas como eles.
Tokiya o observava, seu sorriso era tão puro e perfeito.
Tokiya: você é tão amável, alegre, emotivo… fico imaginando como você ficou assim.
Otoya o fitou.
Tokiya: tendo um passado assim, você ficou tão bom. Já eu… não soube encarar a vida como você fez, eu a encarei da pior forma. Sempre afastando as pessoas de mim, me pergunto como ainda tem gente que se importa.
Sorriu fracamente e se espantou quando viu Otoya tão perto de si sorrindo.
Otoya: é porque você é um cara incrível! Aprenda a ver suas qualidades, defeitos todos temos… isso faz parte de “ser” humano.
Ele tocou seu ombro delicadamente.
Otoya: aprenda a se ver com os meus olhos.
Tokiya estava em choque.
Otoya: uma, apenas uma pessoa já é o bastante pra nos fazer felizes e você tem várias. Seu dinheiro, fama, popularidade… isso são coisas fúteis e que apenas te trazem aqueles alunos do internato. Mas seus melhores amigos… eles te amam pelo que você é e algo me diz que eles permaneceriam do seu lado mesmo se perdesse todo seu status.
Tokiya: Otoya eu…
Otoya: e quanto ao amor… você o encontrará quando estiver pronto. E também será quando menos esperar, ele baterá na sua porta e trará alguém que te olhe como você é, te olhe por dentro.
Seus olhos brilhavam tanto quanto seu sorriso que era contagiante, Tokiya sentiu as bochechas esquentarem um pouco.
Otoya: se permitir… eu também farei parte desses amigos que jamais te abandonariam.
Piscou ao moreno que sorriu.
Tokiya: você que quis… agora terá que me aguentar.
O menor riu.
Otoya: faço o sacrifício.
Tokiya revirou os olhos e sorriu do riso espontâneo do Itokki.
...........................
Syo tentava inutilmente pegar o bluenette no mar, mas o mesmo nadava bem rápido.
Syo: droga! Maldito!
Ai: já desistiu chibi? Pensei que fosse mais persistente.
Sorriu presunçoso.
Syo: espera nós chegarmos em terra!! Você não vai poder ficar no mar pra sempre!
Ai: como se fizesse alguma diferença, tanto aqui quanto lá, você não é páreo.
Syo: infeliz pretencioso!
Ai sorriu vendo o chibi resmungar, mas antes de falar algo foi atingindo por uma onda forte que o puxou pra baixo.
Syo: hahahahaha quem é o grande deus do mar agora?
Caçoou, mas o sorriso se desfez dos lábios ao ver que Ai não voltava para superfície.
Syo: Ai?? Ai!! Droga…!!
Ele mergulhou com tudo nadando na direção que o bluenette tava e por sorte conseguiu o segurar pelo pulso.
Syo: Ai??!
Ele sacudia o Mikaze sem resposta. Syo com um pouco de dificuldade conseguiu nadar de volta para a areia segurando o maior.
Syo: cara… você é pesado.
Syo o olhou e Ai ainda estava inconsciente.
Syo: Ai…?? Por kami-sama acorda!!
Ele sacudia Ai já entrando em desespero.
Syo: merda…!
Ele inclinou a cabeça do bluenette para trás, o forçando abrir sua boca e constatou se ainda os sons da respiração eram emitidos. Syo pressionou para cima a testa do maior e a outra mão fechou o nariz do mesmo, Syo inspirou profundamente todo ar que conseguia e levou sua boca a do Mikaze soprando todo o ar que tinha. Fez isso varias vezes e depois partiu para uma massagem cardíaca externa.
Syo: droga Ai!! Reage!!!
Ele estava realmente ficando com medo do bluenette morrer.
Syo: kami-sama o traga de volta! Eu prometo… err… prometo não gritar mais com ele! Pelo menos não tanto… e trata-lo melhor também! O que eu vou dizer para o Kaoru?! Seu idiota! Você precisa voltar!
Ele voltou a fazer respiração boca-a-boca, mas no meio se perdeu sentindo a textura dos lábios macios do Mikaze.
Syo: “Syo controle-se!! Não seja estupido!”
Mas algo aconteceu que assustou Syo, ele sentiu uma mão em sua nuca o impedindo de se afastar e a língua do bluenette invadir sua boca que de um simples procedimento de salva-vidas passou rapidamente para um beijo intenso. O chibi apesar de surpreso não conseguiu se afastar, seu corpo não permitiu e nem o Mikaze. Ai puxou o menor para si o fazendo se deitar sobre seu corpo e inverteu as posições, ficando por cima do chibi. Se beijavam ferozmente, suas línguas se chocavam sem pudor. Syo agarrou com sua mão a cabeleira do Mikaze, enquanto uma mão de Ai estava na cintura e a outra na nuca do menor, os dois não podiam evitar estarem ficando excitados com aquele beijo, suas peles se tocando tão intimamente, seus corpos molhados e pior… suas partes intimas apenas cobertas por um curto tecido se tocando inevitavelmente. Seus lábios foram se separando bem lentamente e mesmo depois de encerrarem o beijo, suas bocas roçavam uma na outra pela proximidade mínima entre elas.
Ai: obrigado por salvar minha vida.
Sorriu maliciosamente e Syo atingiu um vermelho intenso.
Syo: seu… seu… idiota!!
Ele começou a bater no Mikaze que apenas ria.
Syo: você tava fingindo?!
Ai: sim e não. Realmente fui pego de surpresa pela onda, mas quanto ao afogamento… exagerei um pouquinho pra ver o que ia fazer. Adorei seu sentimento de perda chibi e você prometeu que me trataria melhor.
Syo: deveria estar alucinando quando falei isso!!
Rosnou irritado.
Ai: por que?
Arqueou a sobrancelha irônico.
Ai: você já começou a cumprir a promessa.
Ele sorriu de um jeito descarado e aproximou os lábios do ouvido de Syo.
Ai: seu beijo foi muito bom.
Syo fechou os olhos sentindo a sensual mordida em seu lóbulo, ele cerrou o punho para não gemer.
Syo: eu deveria ter te deixado morrer!!
Ai: hmm… você tava quase chorando que eu sei.
Syo: o que?!
Ai: é tão lindo Syo… ver nossa amizade crescendo.
Ele acariciou os cabelos molhados de Syo.
Ai: me pergunto até onde ela irá.
Syo estremeceu ao sentir o tom malicioso na voz de Ai.
Syo: dessa vez eu mato você!!
Ai riu se levantando de cima dele e pegando sua roupa correndo.
Syo: cara irritante!
Ele pegou sua roupa também e correu atrás de Ai.
......................
Kaoru estava jogado no sofá escutando música, mas sua cabeça olhava a cada uma hora no relógio e começava a se preocupar com o irmão que não chegava.
Kaoru: onde ele se meteu?
Suspirou fechando os olhos, mas logo ouviu barulho da porta ser aberta e se levantou imediatamente.
Kaoru: Syo-nii-san??
Ele se assustou ao ver Natsuki lá.
Natsuki: oh como vai Kaoru-kun?
Perguntou educadamente. Kaoru sorriu.
Kaoru: Natsuki bem-vindo! Syo-nii não veio?
O loiro sorriu vendo a preocupação do Kurusu.
Natsuki: ele saiu depois do almoço. Ia se encontrar com um amigo, eu acho.
Kaoru estranhou.
Kaoru: amigo? Hmm… sei. Esse “amigo” por acaso seria do sexo feminino?
Indagou sorrindo cinicamente.
Natsuki: não sei Kaoru-kun, ele apenas disse que ia sair.
Sorriu meio sem graça, achou melhor não dizer que o chibi ia encontrar com Ai, sabia que Kaoru ainda gostava do Mikaze.
Kaoru: tsk! E eu que preparei umas coisas pra fazermos juntos! É tão difícil ficar livre da faculdade nos fins de semana.
Murmurou se jogando no sofá outra vez, Natsuki foi para uma poltrona ao lado.
Natsuki: por que não vai com a gente na festa do Peter amanhã? Syo-chan ia gostar.
Kaoru: bem que eu queria. O Peter me ligou convidando, mas… vou ter umas palestras o dia inteiro e a noite terei que ficar de plantão, aah vida de aluno universitário é difícil.
Natsuki riu.
Natsuki: é uma pena. Nee nee sei que não sou o Syo-chan, mas pode passar esse tempo comigo.
Kaoru o olhou e sorriu abertamente.
Kaoru: você é um ótimo amigo Natsuki!! Mas antes eu vou preparar algum lanche, to morrendo de fome!
Natsuki: vai querer ajuda?
Kaoru: err… só se prometer ficar longe do fogão.
O loiro riu.
Natsuki: prometo.
Kaoru: ótimo! Então vamos!!
Falou animado correndo para a cozinha com Natsuki ao seu lado.
.....................
Ren estava calmamente olhando seu closet pra ver se tinha alguma roupa ideal para ir à festa do dia seguinte, não queria comprar alguma, a ideia de ir ao shopping em Los Angeles numa sexta a tarde o assustava.
Ren: será que eu já usei tudo?
Perguntou meio abismado olhando todos aqueles cabides que continham roupas de grife.
Ren: não é possível. Tem que ter alguma…
Masato: problema com roupa?
Ele pulou pelo susto e virou para trás olhando o Hijirikawa encostado a porta aberta do closet, ele tinha um sorriso meio irônico.
Ren: o que você tá fazendo na minha casa?
Masato: isso é resultado do tédio. Aguentar você é melhor que ficar sozinho e tedioso naquele “pequeno” apartamento que meus pais me deram.
Ren revirou os olhos.
Ren: pelos menos seus pais te deixam morar sozinho, o meu “progenitor” só me deixa morar com meu irmão se estudar naquele internato.
Ren: mas fico feliz que tenha recorrido a mim para se livrar do tédio.
Masato: na verdade não, liguei para o Ranmaru antes, mas a Elizabeth me disse que o Reiji tava lá e provavelmente eles teriam voltado, liguei para os outros, mas sem resultado… só sobrou você.
Disse indiferente.
Ren: é sempre tão bom ser a primeira opção de alguém.
Sorriu sarcástico. O moreno sorriu.
Masato: estou brincando. Liguei sim para o Ranmaru, mas era pra fazer algo nós três juntos. No entanto ele já tá bem “ocupado”.
O Jinguji sorriu.
Ren: eeeh… então ele e o Reiji voltaram hein? Que noticia boa.
Masato: finalmente.
Masato: quem sabe agora eu possa chegar perto do Ranmaru sem ter o Reiji me fuzilando com os olhos.
O ruivo riu da careta do Hijirikawa.
Masato: mas o que tanto faz aí?
Ren: procurando uma roupa, mas pelo visto já usei todas.
Apontou para o closet inteiro. Masato entrou no local e ficou remexendo alguns cabides.
Masato: hm… vamos ao shopping então?
Ren: eu não tava afim de sair, esses shoppings lotam hoje.
O moreno soltou um muxoxo.
Masato: que pena. Eu ia te convidar para assistir um filme, preciso comprar uma roupa também e depois íamos para o cinema. Mas se não quer…
Ren: não! Quer dizer…
Ele se aproximou de Masato.
Ren: um filme é uma boa forma de desestressar, talvez fazer compras não seja tão ruim assim.
Masato sorriu de canto.
Masato: então aceita?
Ren: claro. Filme e uma boa companhia… não posso recusar um convite desses.
Sussurrou bem perto do moreno.
Masato: um programa de amigos Jinguji. Sem gracinhas.
Disse olhando provocantemente para a boca do maior e depois prendeu seus orbes nos dele.
Masato: te espero lá embaixo.
Sussurrou em seu ouvido e saiu, mas Ren pode ver um sorriso cínico nos lábios do amigo.
Ren: uma coisa meio difícil…
Sorriu malicioso tentando ser forte e não agarrar o moreno no cinema.
........................
As horas passaram rapidamente chegando as 19h30min da noite.
Syo: eu juro que não acredito como passei a tarde inteira com você…!
Falou meio abismado olhando para o oceano, eles estavam sentados num quiosque no calçadão.
Ai: é porque tenho uma áurea super amável e confortável.
Syo revirou os olhos rindo.
Ai: é sério! Atrai as pessoas, então se sinta horando por usufruir de minha companhia.
Syo: não quer que eu peça autógrafo também?
Ai: não dou autógrafos, mas podemos fazer uma selfie.
Respondeu cínico fazendo o chibi sorrir.
Syo: tá tarde já e to morrendo de fome.
Ai: hm…
Ele olhou para o celular.
Ai: quer jantar em algum lugar?
Syo ficou pensativo e sorriu com a ideia.
Syo: já comeu comida japonesa?
Ai arregalou os olhos.
Ai: não é minha preferencia.
Syo ficou surpreso.
Syo: você não gosta??
Ai: não.
Syo: quando comeu?
Ai: eu nunca provei.
Syo arqueou a sobrancelha.
Syo: então como pode não gostar de uma comida que nunca provou?
Ai: provei mentalmente e não gostei.
Syo revirou os olhos.
Syo: vamos lá! Tem um restaurante japonês que eu amo!
Ai: não tem outra comida que queira?
Syo: não! To com saudade de sushi!
Ai suspirou.
Syo: não tem coragem de provar algo diferente Ai?
Sussurrou cinicamente e Ai o fitou.
Ai: tá me desafiando?
Syo deu de ombros.
Syo: não, até porque sei que você perderia.
Ai estreitou o cenho, sabia que o chibi tava jogando com ele, mas não poderia perder um desafio.
Ai: ok, você venceu Syo. Vamos a esse maldito restaurante.
Os orbes do menor brilharam e o Mikaze não pode deixar de admirá-los, mesmo que rapidamente.
Syo: onde você mora mesmo?
Ai: no mesmo condomínio do Ranmaru e do Peter, em Holmby Hills.
Syo: ótimo! É uns 20, 21 minutos do restaurante para seu bairro!
Falou animado se levantando.
Ai: qual o nome dele?
Syo: Yamashiro Hollywood.
Ai: já ouvir falar.
Disse enquanto caminhavam em direção a onde estava o carro dele estacionado.
Syo: podemos ir pela l-10 e depois para a La Brea Ave… se não tiver transito, não vamos demorar em chegar lá.
Ai sorriu pela animação dele.
Ai: você realmente tá afim de ir jantar lá.
Syo: eu amo esse restaurante!
Ele olhou para os lados.
Syo: cadê o carro?
Ai: é aquele.
Apontou para um Lykan HyperSport branco, mas tão branco que te fazia até pena tocar com medo de sujar. O queixo do loiro caiu.
Syo: s-s-s-seu carro é um superesportivo da W Motors?! E ainda por cima é um Lykan HyperSport?!!
Ele o olhava como se Ai fosse um fantasma.
Ai: s-sim. Por que?
Perguntou receoso do olhar do chibi.
Syo: ele é um dos carros mais caros e incríveis do mundo!! Seu pai é o que?! Mafioso?!
Ai: não exagera chibi.
Rolou os olhos.
Syo: e-exagero?? Esse carro custa em média 7 milhões de dólares e ainda por cima é edição limitadíssima!
Syo voltou a admirar o carro.
Syo: nem em sonhos meus pais me dariam um desse.
Ai: deram isso para me distrair aqui, sabem que eu gosto de carros rápidos.
Syo arqueou a sobrancelha.
Syo: um “presente de distração”?
Ele suspirou.
Syo: seus pais não querem me adotar?
Ai riu desligando o alarme e abrindo a porta… para cima (o carro é maluco), Syo fez o mesmo entrando e ficando mais bobo ao olhar por dentro.
Syo: ele é incrível.
Ai: só não vai deixar a baba cair ok?
Syo o fuzilou.
Ai: posso perguntar se meus pais querem outro filho… embora viraria um crime virar meu irmão.
Syo: ah é! Eu não ia conseguir viver com você e ia acabar te matando.
Ai sorriu de canto.
Ai: já eu praticaria incesto, quando tentasse te agarrar.
Syo corou até as orelhas com o comentário e o sorriso malicioso.
Syo: baka…
Murmurou virando a cara.
Syo: você é de Dubai não é?
Ai: sim.
Disse quanto dirigia pela rua l-10.
Syo: então das duas uma. Ou seu pai é da máfia árabe ou ele é um sheikh.
Ai quase engasgou na hora, mas disfarçou.
Syo: o cara pode ser rico como for, mas para dar um carro desse para o filho tem que ultrapassar o nível de bilionário.
Ai engoliu em seco.
Ai: bom, tecnicamente quem é de Dubai é minha mãe, meu pai nasceu aqui na Califórnia mesmo e quando eles se casaram viveram aqui até os meus 14 anos. Aine e eu íamos apenas visitar nossos parentes em Dubai, então sou mais americano que árabe.
Syo o olhava atento.
Syo: então é da máfia americana.
Ai riu.
..............................
Depois de meia hora…
...........................
Ai conseguiu estacionar e analisava o restaurante que por sinal era bem bonito, um clima aconchegante e… romântico.
Ai: esse lugar é bonito.
Syo: muito. Adoro ele!
Dizia animado entrando.
Ai: romântico também.
Syo engoliu em seco ao notar o erro que cometeu ao ir lá com Ai.
Ai: seremos chamados de parceiros se jantarmos aqui.
O loiro se irritou ao notar o divertimento e o cinismo na voz de Ai.
Syo: pode ir se quiser, eu vou jantar.
Disse emburrado. Ai sorriu.
Ai: não tem problema. Quem é todo “acanhado” com a história aqui é você, repetindo a cada 5 segundos “sou hetero, não me beije, gosto de mulher”.
Syo segurou com todas as suas forças um riso de Ai o imitando.
Syo: você não me ouve, tenho que repetir.
Ai: deveria repetir para o seu corpo também. Acho que ele esqueceu que você é hetero.
Syo corou e fitou o bluenette que sorriu cinicamente. Eles conseguiram uma mesa, com muita sorte porque o lugar tava lotado, ficaram no segundo andar em um local que tinha uma vista linda e… romântica da cidade.
Syo: o que vai querer?
Ai: me coloco em suas mãos chibi. Escolha…
Syo quase cora de novo, mas se conteve.
Syo: hm… nos veja dois Tempura, dois Sashimi e Saquê.
Pediu a garçonete que os olhava meio estranho.
Garçonete: s-sim senhor.
Syo a olhou se afastar.
Syo: por que ela estava nos olhando daquele jeito?
Ai: das três… uma. Estava me cantando, ou cantando você… ou deve ser alguma fujoshi.
Syo: hã?
Perguntou confuso.
Ai: não sabe o que é?
Syo: não.
Ai: fujoshi é uma mulher que tem uma certa… “perversão” por casais homossexuais, de preferencia homens. Ou seja, é uma garota que gosta de ver dois homens “juntos”.
Syo arregalou os olhos.
Syo: o-o-o-o que??
Ai: eu disse que íamos parecer um casal jantando aqui, ainda mais com essa vista.
Syo estava vermelho como tomate.
Syo: mas isso é um absurdo! Não podemos nem jantar com um homem que já pensam isso??
Ai: o problema é O lugar que estamos jantando. Seria a mesma coisa que viajarmos só nós dois para Veneza.
O chibi bufou. Passou alguns minutos e a mesma garçonete trouxe os pedidos, Ai apenas para confirmar levou o polegar ao canto do lábio inferior do loiro e roçou de leve.
Ai: está sujo aqui Syo.
Usou uma voz desgraçadamente sedutora para Syo, fazendo o chibi corar furiosamente e a garçonete quase ter um delírio ali.
Syo: p-por que fez isso???
Ai: apenas para confirmar e sim, ela é uma fujoshi.
Syo soltou um muxoxo.
Syo: não sei quem mato primeiro, você ou ela por imaginar que somos um casal.
Ai deu um sorriso de canto. Syo logo esqueceu sua raiva ao olhar para aquela comida deliciosa, ele rapidamente pegou os hashis.
Syo: itadakimasu!
Ai ficou observando o chibi se deliciar com a refeição.
Syo: você não vai comer?
Apontou para o sashimi que tinha na frente do Mikaze.
Ai: preciso comer com os hashis mesmo?
Syo: oh ele sabe o que é isso… já é um começo.
Sorriu ironicamente fazendo o maior revirar os olhos.
Syo: você pega assim… esse palitinho passa entre o polegar e o indicador e você o apoia no dedo anelar, com esses dedos você segura o palitinho de cima. É como se fosse segurar uma caneta…
Explicava com paciência ao Mikaze que não demorou muito em aprender.
Ai: ok, e como pego a comida com isso?
Syo riu.
Syo: para abrir e fechar, você utiliza o dedo indicador e médio para movimentar o palitinho de cima. Pegue a comida com cuidado.
Ele pegou um pedaço de salmão e mergulhou no molho shoyu.
Syo: viu? É só fazer isso.
Ai ficou meio relutante, mas o chibi tinha o desafiado e estava com aquele sorriso prepotente na cara, então ele jamais ia dar pra traz nesse desafio. Ai pegou com todo cuidado e atenção o salmão e mergulhou no molho, antes de levar a boca engoliu em seco finalmente criando coragem e comeu.
Syo: e então filho do poderoso chefão, o que achou?
Perguntou sorrindo. Ai ficou um tempo absorvendo o paladar e sorriu de canto.
Ai: é, não é ruim. Até que é gostoso.
Syo riu.
Syo: você tem um melhor amigo japonês, namorou um japonês e nunca comeu comida japonesa? Não dá pra acreditar!
Ai riu.
Ai: Kaoru uma vez me convidou, mas como não gostei muito da ideia ele não insistiu e ao Ranmaru… ele nunca me levou a um jantar romântico, Reiji é bem ciumento.
Piscou ao Kurusu que acabou corando.
Syo: eu não te trouxe a um jantar romântico! Apenas gosto daqui!
Ai: claro, eu acredito Syo.
Sorriu cinicamente comendo seu sashimi tranquilamente, o loiro bufou.
Ai: Syo…
Syo: hm?
Perguntou tomando um gole do saquê.
Ai: se voltasse a ver a Haruka, o que faria?
Syo se engasgou pela pergunta.
Syo: m-mas por que essa pergunta?
Ai: você vai acabar a revendo um dia.
Syo ficou pensativo e depois abaixou o olhar.
Syo: eu sei disso, mas torço pra acontecer só daqui a muitos anos. Pelo menos quando eu já tiver a tirado do meu coração.
Ai: mas ambos sabemos que só vai esquecê-la quando se permitir gostar de outra pessoa.
O Kurusu ficou o olhando.
Syo: eu tenho medo de amar de novo, meu coração não suportaria outro coração partido.
Ai pegou na mão dele.
Ai: sabe… quando somos jovens, qualquer coisa que nos acontece é o fim do mundo. Mas não é… isso é apenas o começo, você tem 17 anos ainda. E vou ser sincero, você ainda conhecerá muitas outras garotas que podem te magoar, mas encontrará alguém que um dia te tratará como merece, como se a vida dela não existisse sem você.
Syo estava meio em choque ao escutar aquilo.
Ai: o sentimento que pode partir seu coração, às vezes é o mesmo que cura.
Syo corou, mas rápido se recompôs.
Syo: obrigado pelo conselho. Mas cuidado pra não se apaixonar Ai.
Sorriu ironicamente.
Ai: não se preocupe chibi, eu jamais amaria você.
Syo: hmm… Por quê? Não sou digno do coração de Ai Mikaze?
Ai riu de leve.
Ai: não é isso. Mas eu jamais me apaixonaria por alguém que ama outra pessoa. Eu tenho muito amor próprio.
Piscou sarcástico ao menor.
Syo: ótimo. Assim não preciso me preocupar.
Ai se debruçou sobre a mesa e sussurrou provocante.
Ai: cuidado você também pra não se apaixonar por mim.
Syo riu sarcástico.
Syo: bom, eu também tenho uma regra. Não amar outra vez alguém que não sente o mesmo por mim.
Ai: boa regra. Como minha vó diz: namore alguém que te ame mais do que você a ama.
Syo riu.
Syo: bom conselho, sua vó é sábia.
Ai deu de ombros.
Ai: característica da minha família.
Syo arqueou a sobrancelha.
Syo: o egocentrismo também?
O bluenette esboçou um sorriso pretencioso.
Ai: não. Isso é característica particular do herdeiro deles.
Syo riu espontaneamente e Ai percebeu que gostava do som da risada do chibi, parecia tão feliz naquele momento.
.........................
Depois de uma hora eles já estavam dentro do carro, Ai ia deixar o chibi em seu condomínio.
Syo: você não precisa me levar em casa, posso pegar um taxi.
Ai: são apenas 10 minutos do seu bairro para o meu, não é trabalho algum te levar lá. Fora que já tá tarde.
Syo não lutou, apenas fechou os olhos apoiando sua cabeça melhor no banco de couro confortável. Ele nem ao menos notou que havia cochilado e apenas foi perceber quando Ai o cutucava no ombro para acordar.
Ai: chibi acorda. Chegamos.
Syo: hmm…
Gemeu manhoso e abriu os olhos lentamente se deparando com o par ciano intenso a sua frente. Ai estava bem perto que Syo podia sentir seu hálito quente batendo contra o seu rosto.
Syo: err… obrigado por me trazer aqui.
Agradeceu meio constrangido.
Ai: de nada. Syo…
Syo: hm?
Ai: obrigado por hoje. Por ter ido a praia, por ter ficado comigo até agora, pelo jantar que foi ótimo e me fez gostar de comida japonesa.
Syo riu.
Ai: meu dia não foi deprimente como eu pensei que seria.
Para a surpresa total de Ai, Syo sorriu abertamente.
Syo: fico feliz que tenha esquecido, pelo menos um pouco, da sua dor. Não vou negar que foi divertido, nunca pensei que diria isso, mas… ter ficado com você quase o dia inteiro não foi tão ruim assim.
Falou irônico e Ai sorriu de canto.
Syo: descobrir que você é um mafioso americano…
Ai rolou os olhos rindo um pouco.
Syo: e te fiz gostar de uma comida que antes não te agradava.
Ai: a vida é cheia de surpresas.
Syo: hmm… uma vez alguém me disse que não podia criticar algo de forma apurada se não o experimentar antes. Essa pessoa tinha razão, afinal você odiava a culinária japonesa sem nunca ter experimentado.
Ai o fitou de forma furtiva.
Ai: quem te disse isso sabia das coisas.
Ele se aproximou vagarosamente do loiro que sentia suas mãos suarem de nervosismo. Seus olhares estavam presos um no outro.
Ai: e você Syo?
Syo: e-eu o que?
Ai: descobriu algum interesse em algo que abominava antes? Depois de experimentá-lo.
Syo sentiu suas bochechas esquentando, apesar da temperatura fria do carro.
Syo: n-não sei do que você tá falando.
Ele tentou se afastar de Ai.
Syo: eu já vou, obrigado pela carona.
Ele tentou abrir a porta, mas a mesma estava travada.
Syo: Ai…?
Quando ele olhou novamente para o Mikaze, o mesmo estava mais perto ainda.
Ai: seu receio comigo me fascina.
Murmurou sensualmente.
Syo: por que insiste nisso?? Quer provar o que?? Que nem mesmo o irmão hetero do seu ex resiste ao seu charme?
Ai tirou seu cinto de segurança deixando o chibi mais nervoso.
Ai: ai que se engana. Não tenho intenção alguma em te conquistar, não quero que me ame… assim como eu não quero amar nem você e nem ninguém.
Syo: então qual o problema?!
Perguntou irritado.
Ai: eu já disse, você me atrai.
Syo paralisou.
Ai: e eu sei que é correspondido. Seus olhos falam muito mais que sua boca, e neles estar obvio seu desejo por mim.
Syo estava virando um tomate de tão vermelho.
Syo: d-da o-onde você tirou isso??
Ai sorriu e aproximou-se mais do loiro.
Ai: por que nega? Se me beija com tanta vontade.
Syo: é você que me agarra!
Ai: mas eu não te obrigo a abrir a boca e me deixar aprofundar o beijo, eu não controlo sua língua para explorar minha boca, eu não forço seus suspiros entre o beijo, eu não coloco suas mãos pra agarrar minha nuca… tudo isso você faz sozinho.
Depois daquilo, Syo não tinha como argumentar, sentia o coração pular literalmente em seu peito.
Syo: i-isso é errado…
Ai: todos temos juízos Syo. Mas mesmo tendo, precisamos fazer algo errado de vez em quando. Todo paraíso precisa de um pouco de inferno.
Syo fechou os olhos sentindo a boca de Ai cada vez mais perto da sua.
Syo: você é imprudente.
Ai sorriu ironicamente.
Ai: eu assumo riscos calculados, isso é bem diferente de ser imprudente.
Os lábios de Ai foram para o ouvido do chibi.
Ai: a paixão é um sentimento avassalador, vem do nada e se vai da mesma forma… o amor é semelhante a paixão, é algo forte, intenso e devastador… mas a diferença é que ele vem aos poucos e fica eternamente.
Ele sussurrava sensualmente proferindo algumas mordidas leves na região, Syo pressionava as pálpebras com força.
Ai: a atração é o melhor dos dois mundos. Ela é a ponte entre o céu e inferno, ela é forte, avassaladora, pode te devastar por dentro… vem de surpresa e pode ficar por pouco tempo… ou por um longo período, nunca se sabe. Mas sabe qual é o melhor da atração?
Syo: q-qual?
Ai: ela não vem do coração, e sim do corpo. Ela mexe com todos os seus hormônios, nervos, seus sentidos… mas se cuidar direito, ela não afeta seu coração. Ela não o parte, não te machuca como o amor.
Syo respirava descompassadamente.
Ai: você pode amar uma mulher e até mesmo preferir o sexo feminino. Mas não pode negar que seu corpo se atrai por mim… Syo.
O chibi estremeceu.
Syo: por que eu? Tantas pessoas e…
Ai: eu não sei, talvez você saiba a resposta. Pode ser esse rostinho de anjo que esconde suas verdadeiras vontades, ou talvez seus lábios que ficam convidativos e avermelhados quando os morde, ou a coloração que atinge seu rosto sempre que fica com vergonha, ou suas mãos trêmulas quando agarram meu cabelo ou nuca.
Syo: e-eh…
Ele entreabriu os lábios, mas não conseguiu dizer nada. Ai acabou com aquela distancia infeliz e tomou os lábios do Kurusu, um beijo lento e casto se iniciou. Mas seus lábios logo começaram a se mover de forma mais necessitada, fogosa, suas línguas exploravam suas partes erógenas em suas bocas e a cada vez que se chocavam podiam-se ouvir gemidos baixos escaparem. Ai livrou o corpo do chibi do cinto de segurança e se inclinou sobre ele, deitando-o junto com o banco do carro. O corpo do bluenette ficando por cima de Syo, colou ao dele e o beijo estava cada vez mais luxurioso, Ai mordeu o lábio inferior de Syo e logo o sugou para depois beijá-lo de novo, sua língua bailava na dele com fervor. As mãos do Mikaze também estavam soltas pelo pequeno corpo, tocavam em partes sensíveis do corpo do loiro que não conseguia segurar os suspiros de contentamento.
Syo: ahn…
Ele gemeu baixinho quando Ai despregou sua boca da dele com um fio de saliva os conectando, a boca sedenta do maior foi para o pescoço de Syo o marcando com um chupão que obrigou o Kurusu a gemer alto. Syo agarrou com força a camisa de Ai enquanto seu pescoço era sugado, mordido, lambido, beijado pelo azulado. O Mikaze estava adorando aqueles gemidos, Syo tinha uma voz tão sexy e excitante pra gemer.
Syo: A-Ai… ah…
O bluenette se surpreendeu ao escutá-lo gemer seu nome, sorriu vitorioso e foi para o queixo de Syo dando mordidas sensuais e depois colou sua boca na dele outra vez. A mão destra de Ai foi descendo com lentidão pela lateral do corpo de Syo agarrando sua coxa e a alisando deixando o loiro mais excitado, mas Syo foi despertado daquele transe de êxtase que se encontrava com a vibração do seu celular.
Syo: para!!
Ele empurrou o maior com força, seu rosto estava tão vermelho, até mais que uma maça. Os dois estavam meio ofegantes.
Ai: Syo… err… desculpa… eu não queria te… ou melhor, eu queria te agarrar, ainda quero, mas não te obrigar a fazer isso…
Syo não conseguia encarar Ai, seu corpo estava ardendo.
Syo: e-eu tenho que ir Ai! Nos vemos amanhã!
Dessa vez a porta já estava destravada e o chibi saiu correndo e quase por um milagre não caiu de tão bambas que elas estavam.
Ai: droga Ai! Você precisa se controlar mais…!
Ele bateu com força no volante do carro. Mas um sorriso nasceu em seus lábios que estavam vermelhos pela força dos beijos ao observar Syo entrando desesperado em casa.
Ai: aah Syo… você tá conseguindo me deixar louco.
Suspirou, precisava de um banho geladíssimo para apagar aquele fogo do seu corpo.
.....................
Syo entrou como louco em casa e fechou a porta, se apoiando na mesma ofegante.
Syo: kami-sama…
Kaoru: nii-san?
Syo: ahh!!
Ele gritou pelo susto.
Syo: Kaoru não me assuste assim!!
O Kurusu mais novo o encarou desconfiado.
Kaoru: d-desculpe… err… por que chegou só agora?
Syo: hã? Bom, eu sair com um amigo.
Kaoru sorriu cruzando os braços.
Kaoru: amigo é? Até essa hora?
Syo: sim! Qual o problema?
Perguntou meio nervoso.
Kaoru: nada. E foi esse “amigo” que fez essa marca no seu pescoço?
Ele sorria cinicamente. Syo arregalou os olhos drasticamente e depois corou ao lembrar do chupão que Ai deu em seu pescoço.
Syo: d-do que está falando baka?! Não tem marca nenhuma aqui!!
Kaoru riu.
Kaoru: nii-san não precisa ficar envergonhado, eu não sou nenhuma criança pra não saber o que é isso.
Syo corou mais.
Kaoru: fico feliz que esteja saindo com alguém, quem sabe não esteja desencanando da cobra da Haruka.
Sorriu animado e o chibi se sentiu péssimo por ter beijado o cara que seu irmão ainda amava.
Syo: K-Kaoru… n-não é isso…
Kaoru sorriu mais e o abraçou.
Kaoru: quero que seja feliz e que me apresente essa garota hein?
Riu dando um pequeno soco no ombro do irmão.
Syo: eu… vou dormir. Tá tarde já.
Kaoru: não quer jantar?
Syo: eu já jantei.
Kaoru sorriu.
Syo: o Natsuki?
Kaoru: ah! Ele foi dormir, nós conversamos o dia inteiro, jogamos, ele me ajudou a cozinhar…
Syo: hã?? E você ainda tá vivo?
O loiro mais alto riu.
Kaoru: Nacchan só é perigoso ao chegar no fogão, longe dele não tem perigo.
Os dois riram.
Syo: sinto muito por não ter ficado com você.
Kaoru deu de ombros.
Kaoru: apesar de ter sentido sua falta, fico feliz que tenha se divertido hoje. Eu também tive um dia bem legal com o Natsuki. Dá pra entender porque é seu melhor amigo.
Syo sorriu.
Syo: amanhã vamos sair, um programa de irmãos.
Kaoru: oh! Sério nii-san??
Ele sorriu animado.
Syo: sim. Agora vou dormir, que to morto. Boa noite.
Kaoru: boa noite.
Ele acenou gentil ao mais velho que correu pelas escadas indo em direção ao seu quarto.
Syo: eu não posso continuar com isso…
Ele suspirou desabando na cama.
Syo: Kaoru o ama, ele nunca me perdoaria…
Syo levantou da cama tirando suas roupas no caminho ao banheiro, os orbes azuis alargaram ao ver seu pescoço realmente marcado.
Syo: eu mato você!
Ele ligou a agua da hidromassagem, precisava de um banho relaxante. Depois de um tempo, Syo entrou e deixou um suspiro escapar pela agua gostosa em contato com seu corpo.
Syo: por que? Por que é tão difícil afasta-lo? Por que eu tinha que me atrair pelo ex-namorado do meu irmão? E ainda homem!!
Ai: por que nega? Se me beija com tanta vontade.
Syo: é você que me agarra!
Ai: mas eu não te obrigo a abrir a boca e me deixar aprofundar o beijo, eu não controlo sua língua para explorar minha boca, eu não forço seus suspiros entre o beijo, eu não coloco suas mãos pra agarrar minha nuca… tudo isso você faz sozinho.
Syo afundou sua cabeça na agua tentando afastar aqueles pensamentos.
...........................
Tokiya e Otoya chegaram a mansão do Ichinose, Otoya estava de queixo caído pelo tamanho daquela “casa”, ele já estava assim desde que entrou no bairro Beverly Hills, tudo muito rico, ele se sentia até mal de estar ali. Mas aquele condomínio e pior, a mansão em que Tokiya morava superava todas as suas expectativas de luxo, como poderia existir pessoas tão ricas assim?
Otoya: T-Tokiya… tem certeza que posso dormir aqui? Eu posso voltar para o orfanato e…
O moreno se virou pra ele.
Tokiya: você dorme aqui! Eu pedi pra Angel preparar um quarto de hóspedes pra você.
Otoya: mas eu vou me perder aqui! É muito corredor, tudo é muito grande.
Disse inocentemente fazendo o moreno rir.
Vicente: Tokiya?
O Ichinose arregalou os olhos ouvindo a voz do pai.
Tokiya: pai? Pensei que estivesse viajando.
Ele estava sério.
Vicente: bom, eu ia. Mas a Angel avisou que você tinha ligado e que ia ficar aqui esse fim de semana. E como não te vejo desde que foi para o internato…
Ele falou de forma calma, Tokiya ficou surpreso. Vicente olhou para o ruivo meio sem graça atrás do filho.
Vicente: você é…?
Otoya: a-ah desculpe senhor. Sou Otoya Itokki, é um prazer.
Tokiya: ele é meu colega de quarto.
Vicente: Angel mencionou que você ia trazer um amigo. Itokki? Não conheço essa família.
Tokiya: ele não é rico pai, é bolsista de uma ONG que paga os estudos para alunos sem condições.
O moreno mais velho ficou surpreso, mas não por Otoya ser pobre, mas sim porque Tokiya estava amigo dele, sabia como o filho era. Otoya também ficou em choque por Tokiya falar suas origens, pensou que ele ia esconder isso do pai.
Vicente: sério? É um prazer conhece-lo Otoya.
Estendeu a mão sorrindo, o ruivo arregalou minimamente os olhos.
Otoya: igualmente.
Apertou a mão do homem mais velho.
Vicente: Tokiya por que não vamos jantar amanhã?
Tokiya: eu tenho uma festa na casa do Peter.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!O Ichinose mais velho entristeceu um pouco o olhar. Tokiya tomou coragem e falou.
Tokiya: mas domingo eu to livre, qualquer hora.
O pai o olhou surpreso e sorriu.
Vicente: bom, então acho que vou tirar esse dia pra ficar com meu filho.
Tokiya sorriu de leve. Otoya estava muito feliz vendo os dois assim.
Vicente: não quer ficar com a gente esse fim de semana Otoya?
Otoya: ehh?? E-Eu?
Vicente: sim, para o Tokiya traze-lo aqui, ele deve gostar muito de você. Seus pais se importariam?
Tokiya: ele é órfão.
Vicente arregalou os olhos.
Vicente: sinto muito.
Otoya: não se preocupe.
Sorriu educado.
Otoya: eu não quero atrapalhar vocês e…
Tokiya: não será incomodo algum. Meu pai convidou e eu reforço o convite.
Sorriu e passou o braço pelo ombro do menor.
Otoya: err… vocês tem certeza?
Vicente: claro que sim. Vai ser bom ter companhia de dois jovens, estou meio exausto de aguentar só velhos como eu.
Eles riram.
Otoya: mas ainda é muito jovem senhor Ichinose!
Vicente: Vicente, por favor.
Otoya: Vicente, então.
Tokiya: se deram bem hein? Fico feliz. Não é qualquer um que meu pai gosta
Vicente revirou os olhos.
Vicente: olha quem fala.
Tokiya riu.
Otoya: então aceito.
Tokiya: ótimo! Vou te levar ao quarto de hospedes!
Vicente: a casa é sua Otoya, sinta-se a vontade. Se quiser algo pode pedir a Angel ou a qualquer um dos empregados.
Otoya consentiu.
Otoya: boa noite senhor.
Vicente: boa noite.
Tokiya: vou dormir também, to exausto.
Vicente sorriu e abraçou levemente o filho.
Vicente: fico feliz por conversar com você sem brigas.
Sussurrou no ouvido do menor que ficou surpreso, mas retribuiu o abraço.
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