A Vida Pela Música.

6 Sentimentos Confusos.


Notas iniciais
Oii!! Espero que gostem desse cap e ele ficou enooorme :( mil perdões!! Poderia prometer não ficar mais assim, porém acho que o próx será igual cof cof kkkkkkk Prometi que teria Lemon e sim, eu realmente ia colocar, mas aí surgiu outra ideia e eu precisava fazer esse cap pra ele poder dar continuidade no próx que com certeza conterá LEMON! Cap dedicado a linda e diva ClaraOtaku pela recomendação, obrigada floor!! Deixem reviews meus divos e divas!! Espero ansiosamente louca por eles kkkk *_~

Dois dias haviam se passado e o ritmo intenso de aulas, trabalhos só aumentava mesmo no começo do ano. Era à tarde e Natsuki, Syo e Camus estavam em sua aula de música no colégio Saotome.

Natsuki: Myu-chan-sempai… porque o Ai-chan não vem assistir as aulas? Ele tem talento não é?

O loiro perguntou curiosamente e Syo notou um certo incomodo vindo de Camus.

Camus: bom, o Ai gostava muito de tocar quando era mais novo. Talvez não tenha mais interesse.

Respondeu tentando encerrar o assunto.

Syo: as vezes tenho a impressão que não é só isso.

Camus o olhou.

Camus: não é nada demais Kurusu. Coisas dele.

Disse pegando seu violoncelo.

Camus: vamos?

Natsuki: hai!

Eles seguiram o conde pelo corredor que dava a saída do colégio, mas no meio do caminho Syo lembrou de algo.

Syo: droga! Meu violino!

Natsuki: você esqueceu onde Syo-chan?

Syo: acho que lá na sala.

Camus: eu tenho que ir, ainda vou dar aula para o Cecil agora.

Disse olhando a hora no relógio.

Natsuki: então eu acompanho você…

Syo: não precisa Natsuki. Eu vou sozinho, é rápido.

Camus: mas já são 19h00min.

Syo: mas não ta totalmente escuro, além disso, isso aqui é todo coberto por seguranças. Não tem problema.

Disse acenando enquanto ia embora rapidamente.

Syo: vejo vocês mais tarde!

Natsuki: tome cuidado Syo-chan!

Syo balançou a cabeça em afirmação correndo na direção da sala. Não demorou muito para ele chegar ao local e encontrar seu violino.

Syo: como pude esquecer você?

Indagou sorrindo olhando para o instrumento, Syo o guardou e já estava a caminho para sair do colégio quando ouviu uma melodia lenta e muito bela.

Syo: piano?

Ele foi tomado pelo instinto de curiosidade e caminhava em direção que vinha a música, era uma sala bem afastada das demais e Syo engoliu em seco tendo que entrar naquele lugar.

Syo: seria melhor voltar e…

Ele se virou para ir embora, mas escutou a voz cantando uma canção muito bonita.

Às vezes penso que eu minto, quando digo que eu te amo.

Porque isso já não é amor.

Às vezes sinto que estou morto, quando não estas e me desperto.

Porque sei que isso não é mais amar.

Syo foi novamente movido pela curiosidade e se aproximou da porta, estava fechada. Ele forçou levemente a maçaneta e viu que a mesma abriu, para a sorte dele a pessoa não notou e nem a porta fez barulho. Syo apenas abriu uma pequena brecha e espiou por ali para saber quem tinha uma voz tão linda e tocava piano tão bem.

É algo mais que me completa, algo que não mata nem…

Envenena

É algo mais, algo mais que amar.

O Kurusu arregalou os olhos e entrou em choque. Era impossível! Impossível que o dono daquela voz linda e do jeito tão delicado e apaixonante que tocava o piano e aquelas letras tão cheias de sentimento fosse o mesmo Ai cínico, pervertido que ele havia conhecido.

Syo: “eu não… acredito…”

É algo mais que a distância, que essa dor e a tristeza…

Sabemos que isso não vai nos separar.

Te dar um beijo cada noite, que tuas mãos me apaixonem.

E o nosso amor aumente cada dia mais, porque somos algo mais.

Os dedos de Ai tocavam com perfeição cada tecla, a agilidade, o trabalho das mãos, claves, ritmos… tudo estava magnifico. Ai tinha um talento incrível, por que ele não estudava música junto com Camus?? Ele parecia amar o que estava fazendo, pelo mínimo sorriso em seu rosto que surgiu.

Syo: “ele parece ser outra pessoa.”

Pensou ao notar a expressão tão serena na face do bluenette.

Às vezes creio ter vivido, mais de mil anos contigo.

Porque eu sei que isso já não é amar.

Às vezes sinto que é mentira, como entrastes na minha vida.

Porque sei que isso já ultrapassa o amor.

É algo mais e que me completa, algo que não mata nem envenena.

É algo mais, algo mais que amar.

Syo se sentiu mal… aquela música, aquela música o lembrava de Haruka. Não… Ai estava o lembrando, o jeito como ele tocava, cantava…

Syo: “droga…!”

Ele fechou os olhos e depois os abriu fitando o Mikaze mais uma vez.

É algo mais que a distância, que essa dor e a tristeza.

Sabemos que isso não vai nos separar.

Te dar um beijo cada noite, que tuas mãos me apaixonem.

E o nosso amor aumente cada dia mais, porque somos algo mais.

O menor sorriu de canto sem notar. Estava enganado. Ai não tocava como Haruka… ele não fingia, não forçava… era espontâneo. Tudo ali saia de dentro dele, aquela emoção, o sentimento, os dedos se moviam como se tivessem vida, cantava como se quisesse aproveitar o ultimo folego de vida, sorrisos brotavam em seus lábios a cada verso… a letra era linda. Talvez Syo tivesse se precipitado, Ai não era tão ruim como ele pensava.

E eu sei que foi sem querer, mas em teus olhos eu me posso perder.
Contigo esqueço o que é temer, se você não sabe o que será para mim…
A noite, o dia em meu viver, o sangue nas veias eu dou tudo por ti.
Contigo o mundo não tem final.
E o tempo não, não se vai acabar… acabar!

Syo corou de leve pelo que acabou de pensar. Mas não podia evitar em achar o bluenette lindo daquela forma… Ai tinha algo que o puxava, o prendia, encantava e ele odiava e temia isso mais que tudo em sua vida. Não era pelo fato dele ser homem, pelo menos não tanto, mas sim pelo fato de ser ex do seu irmão mais novo que por sinal ainda o amava.

Ai fechou os olhos fortemente lembrando dele. Aquela música o machucava ao mesmo tempo que o fazia bem… quando ele ia terminar de canta-la escutou um barulho de alguém desabando pela porta.

Syo: itai!!

Ele passou as mãos no joelho, aquilo havia doido e só então notou que estava espionando o bluenette e pior… ele foi pego.

Ai: Syo?!

As bochechas de Syo ganharam uma tonalidade vermelho profundo com o olhar do maior sobre ele.

Syo: ee-eh… Ai… eu posso…

Ai: você tava me espionando?!

Perguntou meio irritado se levantando da cadeira, Syo estremeceu.

Syo: não! Quer dizer… sim… mas… eu posso explicar.

Ai: estou esperando.

Cruzou os braços. Syo ficou um tempo pensando e depois desistiu.

Syo: ok, eu não posso explicar.

Ai suspirou.

Ai: o que está fazendo essa hora? Sua aula acabou faz tempo? Por que ficou atrás da porta?

Ele fazia as perguntas se aproximando dele e Syo recuava com receio.

Syo: acabou o interrogatório?

Perguntou sarcástico.

Ai: estou apenas começando chibi.

Ele deu um passo muito mais largo que fez o menor querer fugir, mas sentiu seu corpo ser parado antes que chegasse a saída. Ai fechou a porta com uma mão a deixando apoiada e a outra ele ergueu o queixo de Syo que estava com a costa grudada a porta.

Ai: por que foge?

Ele perguntou sussurrando aproximando a boca da de Syo.

Ai: isso tudo é medo de mim… ou de você mesmo e do Syo que mora aí dentro que quer se libertar?

Syo: d-do que v-você ta falando??

Ai esboçou o seu sorriso cínico.

Ai: você tem um belo rostinho sonso Syo…

Ele falou ao pé do seu ouvido.

Ai: mas ele não me engana.

A voz estava rouca causando um arrepio em Syo.

Syo: m-me solta.

Ele pediu desviando os olhos de Ai.

Ai: por que não me olha? Se eu não te atraio… por que me evita tanto?

Syo arregalou os olhos.

Syo: me atrai?! O que te faz pensar q-?!

Ai pegou o braço de Syo e deslizou os dedos até o pulso do loiro que engoliu em seco, seus pelos se eriçaram com o toque de Ai.

Ai: eu sinto seu pulso acelerado.

Syo corou.

Ai: você é uma graça chibi…

Passou a mão pelo rosto dele o acariciando e pela primeira vez em muito tempo Syo sentiu seu estomago se revirar dentro de si, não conseguia desviar dos olhos penetrantes que Ai tinha, se ao menos sua pulsação se acalmasse!

Syo: “maldição!”

Ai sorriu vendo como Syo estava nervoso. Aquele sorriso fez um calor se espalhar pelo seu abdômen como fogo liquido.

Syo: eu… eu não sou gay. Você tem que parar de dar em cima de mim.

O chibi se surpreendeu pela capacidade que ele teve de conseguir proferir aquelas palavras. Ai sorriu cinicamente.

Ai: vou lhe dizer uma coisa Syo, é a mais pura verdade. Não há como criticar um estilo de vida de forma acurada se não entrar nele. Tem de experimenta-lo, mergulhar nele.

Syo estremeceu.

Ai: sensações físicas, psicológicas, emocionais… é tudo intenso. Por isso eu gosto.

Ai acariciou com as pontas dos dedos o pescoço de Syo, a pele dele era quente e a de Syo ficou mais ainda com aquele toque.

Syo: a-aquela música… era sua?

Perguntou mudando de assunto, ou pelo menos tentando.

Ai: não… na verdade mais ou menos. Compus ela com uma pessoa há três anos.

Respondeu sem dar importância merecida a pergunta.

Syo: e-ela é bem bonita e…

Ai: não fuja do que falávamos antes.

Syo estremeceu.

Ai: não haja como se fosse indiferente. Eu já disse… eu sinto seu pulso acelerado. Vamos lá Syo… não precisa repreender essa vontade para mim. Só estamos você e eu aqui.

Syo abriu a boca tentando dizer algo, mas tava sendo impossível. Era como se seu corpo estivesse entrando em uma maquina de excitação, era como se todos os nervos do seu corpo estivessem gritando pelo maior a sua frente e Syo nunca sentiu nada parecido, nem com mulher. Ai vendo que ele estava com a guarda baixa se aproximou mais dele.

Syo: por que faz isso?

Perguntou baixo. Ai sorriu.

Ai: porque sua boca me atrai…

Ele roçou seus lábios nos do chibi.

Ai: não só ela.

Syo sentiu sua cintura ser enlaçada pelo braço que estava apoiado a porta e a boca coberta pela do Mikaze em um beijo quente e intenso. Syo não sentiu nada, ou pelo menos não percebeu quando seu corpo foi empurrado para o outro lado da sala e quando viu já estava sendo imprensado por Ai no piano. Ai desceu com sua mão pela lateral do corpo de Syo indo para a coxa a pegando firme, o beijo ficava mais intenso, Syo não havia lutado e ainda estava correspondendo. Automaticamente o menor agarrou a nuca do Mikaze o puxando para si como uma forma de reprimir o gemido que viria quando sentiu seu corpo ser tocado de forma libidinosa pelo mais velho. Ai agarrou com seus dentes o lábio inferior do menor o puxando pra ele, seus olhos encaravam os de Syo de forma maliciosa. O bluenette lambeu lentamente os lábios do chibi, dando um selinho demorado no canto de sua boca, depois nos lábios, ele ficou brincando com a boca de Syo sem colocar a língua dentro e sorriu mentalmente ao ver que Syo estava quase gemendo com aquilo. Ai não aguentou e voltou a beija-lo, entrando com suas mãos por dentro da camisa de Syo arranhando de leve a pele do quadril do loiro que dessa vez não segurou o gemido de satisfação.

A porta da sala foi aberta e Reiji deixou cair com tudo os papeis que segurava, havia ido procurar o bluenette e entrou em transe vendo aquela cena.

Reiji: eh… eh…

Syo estava mais corado que o cabelo de Otoya e Ai fuzilou o amigo por entrar em horas improprias.

Reiji: eu… n-não… eh…

Syo: e-eu j-já vou…!! Tchau!

Ele saiu correndo com todo o folego que ainda lhe restava daquela sala. Reiji e Ai ficaram olhando na direção que ele foi e depois o moreno voltou seu olhar para o amigo.

Reiji: Ai-Ai…

Ai: não começa Reiji.

Disse entediado.

Reiji: o que pensa que estava fazendo?!

Ai: beijando o Syo.

Disse com uma naturalidade incrível.

Reiji: sem esses joguinhos!

Ai: quer dizer sarcasmo? Imagina. Eu não fui sarcástico, eu jamais seria sarcástico com você Reiji.

Disse sorrindo. Reiji bufou.

Reiji: Ai-Ai!! Syo-chan não é gay!

Ai arqueou a sobrancelha.

Ai: bom, pelos meus humildes conhecimentos de mundo. Se ele correspondeu meu beijo daquela maneira, é porque gosta disso.

Passou o dedo indicador nos lábios e depois abriu um sorriso cínico.

Reiji: você o atrai!

Ai: exatamente.

Reiji: mas não é amor.

Ai estranhou.

Ai: e por que eu iria querer que fosse amor?

Reiji suspirou.

Reiji: você realmente não ta percebendo?!

Ai olhou ao redor.

Ai: minha visão não tá muito boa hoje.

Reiji estreitou o cenho.

Reiji: você vai se apaixonar por ele.

Ai arregalou os olhos com aquilo.

Reiji: não percebe que ninguém nunca o atraiu como o Syo-chan faz??

Ai: não exagera Reiji.

Revirou os olhos.

Ai: nem ao menos consigo imaginar eu apaixonado pelo chibi, admito que ele é uma gracinha…

Sorriu cinicamente.

Ai: mas nada que me apaixone.

Deu de ombros.

Reiji: por que o beija?

Ai levantou sua vista encarando Reiji.

Reiji: você tem quem quiser, porque dar em cima do Syo-chan sendo que nem gay ele é?

Ai: eu gosto do jeito dele. É marrento, mal-humorado, egocêntrico… e eu gosto disso. Me atrai.

Mordeu levemente os lábios lembrando do menor.

Reiji: é disso que eu tenho medo, dessa atração que é reciproca pelo beijo que vi aqui! Se continuarem brincando com fogo, os dois vão se queimar!

Ai: fogo? Prefiro agua. Sou um amante das aguas.

Reiji arqueou a sobrancelha fazendo Ai rir.

Reiji: vocês dois vão acabar indo pra cama assim.

Ai arregalou os olhos e corou imaginando isso, algo que fez Reiji entrar em pânico.

Reiji: v-você corou??

Ai virou o rosto emburrado.

Ai: já chega desse assunto.

Reiji: eu… nunca te vi corado na vida…

O bluenette revirou os olhos caminhando rumo a porta.

Reiji: você esqueceu de quem ele é irmão?

Ai paralisou ao lembrar do rosto de Kaoru.

Reiji: se os dois se apaixonarem, ótimo! Fariam um casal lindo. Mas… tem o Kaoru nessa historia, ele ainda te ama e você sabe disso! Syo-chan é louco por ele! Vai ficar feliz magoando o Kaoru pela segunda vez?

Ai se virou para o moreno.

Ai: eu e o Syo não vamos nos apaixonar. Eu não amei o Kaoru, por que amaria o irmão gêmeo dele?!

Reiji: o amor prega peças Ai-Ai. Eles têm a mesma aparência, mas personalidades diferentes. Talvez o Syo-chan te encante de uma forma que o Karuyan não conseguiu. O beijo deles são diferentes sensações não?

Ai arregalou os olhos e bufou.

Ai: eu to com fome. Ta quase na hora da janta.

Disse indo embora, Reiji suspirou.

...............................

Syo chegou ofegante no quarto, seu rosto estava tão vermelho que até assustou as pessoas que passaram do lado dele, achando que o mesmo estava passando mal.

Natsuki: S-Syo-chan?? O que houve? Por que esta tão vermelho?? É febre??

Perguntou colocando a mão na testa do menor que se afastou rapidamente.

Syo: n-não! É… eu to apenas suado. Ta muito quente aqui!

Natsuki o olhou sem entender.

Natsuki: quente?? Mas o ar ta ligado… quer que eu aumente?

Syo: é, pode ser. Eu vou tomar um banho.

Natsuki: não vai jantar?

Syo congelou. Não queria encontrar Ai, ou melhor, não podia.

Syo: você… pode me trazer alguma coisa? Eu realmente não quero sair.

Natsuki estava achando estranho o comportamento de Syo, mas concordou.

Syo: até mais.

Ele disse subindo para o quarto rapidamente.

Natsuki: o que houve com ele?

Perguntou preocupado.

.........................

Syo entrou e rapidamente trancou a porta. Sua costa deslizou até o chão, ele ainda ofegava.

Syo: o que eu…?

Ele tocou seus lábios lembrando que em minutos tava os de Ai ali sobre os seus. Seu rosto voltou a ficar mais vermelho que um tomate.

Syo: não! Não! Eu não posso me sentir atraído por ele!

Ele balançava a cabeça freneticamente.

Syo: eu o odeio! Isso! Odeio, odeio e odeio!!

Ele fechou fortemente os olhos lembrando de Ai cantando e depois de como o encurralou, o beijou…

Syo: kami-sama… eu to ferrado.

Suspirou pesadamente abraçando as pernas.

.............................

Ranmaru e Reiji caminhavam em direção ao restaurante. O moreno não parava de falar sobre o que aconteceu com Ai e Syo.

Reiji: Ran-Ran você ta me escutando??

O maior o olhou de esguelha.

Ranmaru: sim Reiji, aliás, o colégio inteiro deve ta escutando.

Respondeu de uma forma entediada, Reiji soltou um muxoxo.

Reiji: eu só to preocupado com o Ai-Ai! Ele é seu amigo também.

Ranmaru: não vejo problema em dele se apaixonar pelo chibi.

Reiji o olhou chocado.

Reiji: você ta brincando né?

Ranmaru: prefere que ele fique um galinha para sempre?

Reiji: eu quero que ele ame alguém e seja correspondido! Syo-chan é hetero.

Ranmaru sorriu.

Ranmaru: me desculpa, mas quem corresponde um beijo do jeito que você disse que o Syo tava correspondendo. A masculinidade ta meio duvidosa.

Reiji acabou rindo.

Reiji: é, eu sei. Mas quem garante que é amor?

Ranmaru parou o passo e se virou para o Kotobuki.

Ranmaru: eu só acho que o Ai precisa tentar, tentar sair com alguém que seja mais do que uma aventura de um dia. E se essa pessoa for o Kurusu, eu não tenho nada contra. Eu só sei que ele vai tentar, pode quebrar a cara, machucar o coração ou não. Talvez tenha sorte de encontrar alguém que dê razão pra sua existência assim de primeira. Pode ser o Syo, como também pode não ser. Mas isso ele precisa descobrir sozinho, se for pra quebrar a cara com o Syo ou com o outro, estaremos aqui do lado dele… como sempre tivemos. Se ele tiver o coração partido, sentaremos em um bar, todos vamos encher a cara e ficar deprimido com ele e depois partiremos em dois a cara do sujeito que partir o coração do Ai.

Disse naturalmente e isso fez Reiji sorrir.

Reiji: certo! Afinal Ai-Ai é nosso caçulinha. Apesar dele odiar quando falamos disso.

Ranmaru riu.

Ranmaru: vai ser bom ele descobrir o que é o amor. Quem sabe não descubra com o irmão gêmeo do ex dele.

Sorriu cinicamente.

Ranmaru: é bom ter alguém que faça você feliz somente por existir.

Disse olhando nos olhos de Reiji que arregalou levemente seus orbes acinzentados e corou furiosamente entendo bem o recado.

............................

Todos estavam na mesa do restaurante jantando. Ren se aproximou e sentou.

Ren: cadê o baixinho Natsuki?

Natsuki: Syo-chan ta indisposto.

Todos olharam meio confusos.

Natsuki: eu não sei o que deu nele. Chegou vermelho e ofegante no quarto.

Ai não segurou o sorriso cínico pelo que ouviu e recebeu um chute por debaixo da mesa de Reiji.

Ai: Reiji!!

Camus: o que foi?

Ai: o Reiji me chutou!

Ranmaru: por que você chutou ele?

Reiji: é que… desculpa Ai-Ai, foi sem querer.

Disse rindo sem graça.

Ai: está tendo espasmos pelo corpo Reiji?

Perguntou cinicamente fazendo Reiji corar violentamente.

Ai: é melhor dar um jeito nisso Ranmaru.

Reiji: Ai-Ai!!

O repreendeu fazendo o bluenette rir. Masato se irritou por Ren ter se sentado do lado dele.

Masato: Ranmaru você me ajuda com isso depois do jantar?

Estendeu ao albino umas folhas que era do trabalho de literatura, o moreno se levantou e sentou numa cadeira perto do Kurosaki, fazendo Reiji e Ren arquearem uma sobrancelha.

Ranmaru: romeu e julieta? Foi esse tema que pegou?

Masato: sim.

O maior sorriu.

Ranmaru: “Duvide que as estrelas sejam fogo. Duvide que o sol se mova”

Masato: “Duvide que a verdade seja mentirosa, mas jamais duvides que eu te amo.”

Eles riram. Ren estreitou o cenho e Reiji segurou a faca com força fazendo Ai se afastar um pouco dele.

Camus: Reiji… me devolve a faca.

Pediu sorrindo ao moreno que tava quase explodindo.

Ai: “eu não sei se o amo. Ele me abandonou, foi embora sem dar explicações… Não sei se posso passar por cima disso.”

Repetiu as frases que Reiji falara umas quinhentas vezes fazendo o moreno olha-lo irritado. Camus riu.

Camus: não provoca Ai.

Ai: eu não provoco, só digo verdades que as pessoas não gostam de ouvir.

Piscou ao loiro que sorriu.

Reiji: por que de milhares de alunos nesse internato ele tem que pedir ao Ran-Ran??

Ai: talvez ele ache excitante a voz grave do Ranmaru recitando a peça.

Respondeu com um sorriso sarcástico.

Reiji: dá pra parar?

Ai: muitos gostam né??

Piscou a Reiji que estava começando a ficar vermelho de raiva.

Ai: “Meu coração amou antes de agora? Essa visão rejeita tal pensamento, pois nunca tinha eu visto a verdadeira beleza antes dessa noite.”

Ele recitou o trecho fazendo uma pose com a mão pra cima como se segurasse a de uma dama. Camus não aguentou e riu da cara que Reiji fez.

Ranmaru: a melhor parte é a do beijo.

Reiji que não prestava mais atenção na conversa por estar conversando com Ai e Camus arregalou os olhos escutando o que o albino dissera, Ren não ficou muito atrás.

Ranmaru: vamos lá…

Ranmaru olhava o papel e começou a falar.

Ranmaru: Se minha mão profana o relicário em remissão aceito a penitência: meu lábio, peregrino solitário, demonstrará, com sobra, reverência.

Masato sorriu.

Masato: Ofendeis vossa mão, bom peregrino, que se mostrou devota e reverente. Nas mãos dos santos pega o paladino. Esse é o beijo mais santo e conveniente.

Ranmaru: Os santos e os devotos não têm boca?

Masato: Sim, peregrino, só para orações.

Ranmaru: Deixai, então, ó santa! Que esta boca mostre o caminho certo aos corações.

Masato: Sem se mexer, o santo exalça o voto.

Ranmaru: Então fica quietinha: eis o devoto.

O albino se aproximou perigosamente do Hijirikawa, na verdade eles já estavam muito próximos. Os olhos de todos na mesa estavam arregalados os encarando.

Ranmaru: Em tua boca me limpo dos pecados.

Reiji e Ren se desesperaram e quando viram, Ranmaru e Masato foram puxados bruscamente por eles. Ranmaru quase caiu da cadeira com o puxão que Reiji deu nele, se pendurando em seu pescoço e Ren puxou o braço de Masato o fazendo vir com a cadeira e tudo para ele.

Ai: me senti naquelas novelas mexicanas, quando o casal secundário ia se beijar, os pares protagonistas chegam no ultimo minuto e param o beijo.

Todos riram do comentário do bluenette.

Masato: mas-! Mas-! O que você ta fazendo Ren?!

Ren: eu é que pergunto! Ia beijar o Ranmaru por acaso?!

Reiji: exatamente!! Você ia beijar o Masato?!!

Ranmaru e Masato se entreolharam e seguraram o sorriso que queria vir.

Ranmaru: bom, até…

Ele olhou no relógio.

Ranmaru: meia hora nós ainda estávamos separados. Voltamos e esqueceu de me avisar?

Perguntou ironicamente ao moreno que corou pela crise de ciúmes que teve.

Masato: e pelo que eu saiba… um beijo não significa que estamos namorando Ren. Que mal eu teria de beijar o Ranmaru?

Ranmaru: exatamente. Já nos beijamos antes não é Masa?

Eles se olharam sorrindo, fazendo Reiji e Ren terem outra crise de nervos.

Tokiya: vocês dois se beijaram?

Perguntou surpreso ao Masato e Ren.

Masato: sim, ele me agarrou.

Deu de ombros, embora seu corpo estremecesse cada vez que se lembrava.

Ai: prevejo o momento que Reiji virará um assassino. Cuidado Ranmaru, tem faca demais aqui.

Avisou rindo.

Reiji: você não pode beijar o Masato!!

Ranmaru: por quê?

Perguntou o desafiando. Reiji paralisou.

Reiji: porque… porque…

Ele não sabia o que dizer.

Otoya: será que só eu percebo que esses quatro se amam?

Perguntou para si mesmo sem notar que falou alto demais e todos os olharam. Otoya atingiu um vermelho profundo.

Otoya: err… q-quer dizer… eh…

Tokiya riu.

Tokiya: Otoya seu poder de observação é incrível! Percebeu algo que nem eles querem perceber.

Disse rindo e todos riram da cara dos quatro.

Reiji: Toki!! E você também Otoyan!!

Masato: Reiji e Ranmaru tudo bem, mas eu e o Ren… sem chances!

Ren o olhou.

Ren: eu ainda conquisto você.

Masato sorriu.

Masato: vamos ver.

Ficaram se encarando. Reiji ainda estava irritado com Ranmaru e saiu da mesa a passos pesados.

Cecil: é melhor falar com ele Ranmaru.

O albino bufou.

Ranmaru: ele não volta pra mim, mas tem essas crises de ciúmes.

Balançou a cabeça negativamente.

Ranmaru: barbie manda embalarem a comida que eu pedi e entrega-la lá no quarto.

Camus se irritou.

Camus: eu não sou seu empregado cachorro!

Ranmaru sorriu.

Ranmaru: eu sei. Mas não resistir em chama-lo de barbie. Sabe que eu tava com saudade desse apelido?

Falou ironicamente saindo antes que Camus o jogasse um prato cheio de comida.

Camus: eu odeio esse cara!!

Meteu a faca com toda a força na carne que estava no prato fazendo todos se arrepiarem.

Natsuki: Myu-chan-sempai se acalme.

Cecil: relaxa… ele gosta de te provocar.

Camus suspirou.

Ai: é tão emocionante estar com todos. Esse clima amável, confortável e super tranquilo que só nós temos.

Disse sarcasticamente e os outros acabaram rindo do comentário.

..........................

Ranmaru: REIJI!! REIJI! Dá pra parar baka??!!

O albino corria atrás do moreno que estava correndo também, não queria falar com Ranmaru.

John: Reiji?

O Kotobuki paralisou quando esbarrou em alguém e pior foi quando reconheceu a pessoa.

Reiji: John??

Ranmaru desacelerou o passo quando chegou perto dos dois.

Reiji: o que você ta fazendo aqui?

John: eu estava te procurando. Tava com saudade amor.

Ranmaru arregalou os olhos.

Ranmaru: “amor”?

Indagou olhando irritado para Reiji.

John: você quem é?

Perguntou meio desconfiado vendo Ranmaru ao lado de Reiji.

Ranmaru: alguém que com certeza não tem interesse que saiba o seu nome.

John: educação manda “oi”.

Ranmaru: a minha já se despediu, que pena.

Eles estavam se encarando, Reiji engoliu em seco.

Reiji: Ran-Ran, o John… eh… é meu ex namorado.

Ranmaru o olhou sério, Reiji desviou o olhar do dele.

John: você é o que? Alguém tentando conquistar o Reiji, sugiro que desista. Nem eu consegui com quase um ano de namoro.

Ranmaru sorriu de canto.

Ranmaru: não preciso conquistar algo que já é meu.

John arqueou a sobrancelha.

Ranmaru: e o motivo pra ele não ter te amado, estar na sua frente. É um desprazer conhece-lo.

Ele sorria sarcasticamente. John chocou com aquilo.

John: você é… Ranmaru Kurosaki?

Ranmaru: ooh então me conhece? Incrível como o mundo inteiro sabe que seu coração me pertence e só você não quer aceitar Reiji.

Reiji: Ran-Ran eu-!

Ranmaru: eu vou deixa-los a sós. Quem sabe como ex, você tenha mais sorte John.

Ele saiu de perto deles depressa.

Reiji: Ran-Ran!!

Reiji o chamou, mas o Kurosaki não ligou e seguiu seu caminho ao dormitório.

..................................

Ranmaru chegou chutando a primeira coisa que viu pela frente.

Ranmaru: namorado??! Idiota!!

Reiji chegou ofegante e fechou a porta.

Reiji: Ran-Ran! Eu fiquei te chamando que nem louco!

Ranmaru: pensei que quisesse ficar na companhia do seu ex.

Reiji: você é meu ex!

Ranmaru: mas parece que gosta mais daquele!

Disse se virando para o moreno.

Ranmaru: namorou aquilo? Desde quando mauricinho engomadinho faz seu tipo?

Reiji revirou os olhos.

Reiji: você também é rico Ran-Ran, não exagere. Até mais rico que o John!

Ranmaru: tem uma pequena diferença, eu não sou mauricinho, nem você é! Faço mais o estilo bad boy, sempre foi assim.

Disse cinicamente.

Reiji: eu queria esquecer você!! Me envolver com pessoas parecidas só piorariam minha vida! Eu fiquei com caras como você e lembrava a cada um segundo! Fiquei com pessoas que eram o oposto e começava a sentir falta do seu jeito! Tudo sobre você me rodeava e se me afastava…

Ele segurou as lagrimas.

Reiji: eu sentia falta.

Ranmaru estava surpreso.

Reiji: agora por que tanto incomodo?! Vocês mesmo disse que não estamos juntos, não tem o porquê sentir ciúmes!!

Ranmaru: mas eu não escondo que ainda sou louco por você!!

Os olhos do moreno alargaram.

Ranmaru: você me afasta e ao mesmo tempo se aproxima!

O moreno mordeu os lábios.

Reiji: você me machucou!!

Ranmaru: eu não tive escolha!! Foi mais por você do que por mim!!

Reiji riu sarcástico.

Reiji: então me deixou sentindo aquela dor desgraçada e foi tudo por mim?!! É impressionante como as coisas não mudam!

Ranmaru: a sua insanidade é uma delas!

Reiji: e a sua cara de pau também!!

Os dois ficaram se olhando, Reiji sentiu seus olhos se encherem de lagrimas.

Reiji: já chega… eu cansei de brigar com você.

Ele foi em direção da porta.

Ranmaru: aonde vai?

Reiji: dormir em outro lugar.

Ranmaru: espero que não seja nos braços do John.

Reiji: e espero que não traga o Masato enquanto estiver sozinho.

Bateu a porta com força indo embora. Ranmaru suspirou desabando na cama.

...............................

Ren e Masato andavam pelos corredores… discutindo.

Masato: aaah!! Dá pra parar?!! Isso ta ficando insuportável!

Ren: insuportável é ver você se jogando nos braços do Ranmaru!! Cria vergonha na sua cara Hijirikawa!

Masato começou a rir sarcástico.

Masato: deixa de ser ridículo! Você é a ultima pessoa do mundo que pode falar de vergonha na cara!!

Ren revirou os olhos.

Masato: e pra sua informação eu não tava dando em cima do Ranmaru! Apenas queria uma ajuda no tema!

Ren: por que não pediu a mim?? Somos colegas de quarto!

Masato: prefiro tirar zero em literatura.

Respondeu sarcástico e na hora sentiu seu braço ser puxado. Eles ficaram centímetro um do outro.

Ren: seu coração é incapaz de sentir algo por mim?

Masato: que coração? Porque esse aqui funciona só para manter meu corpo funcionando com o auxilio do cérebro.

Respondeu indiferente. Ren suspirou ainda o encarando até que eles viram Reiji passar a beira das lagrimas indo em direção ao quarto de Tokiya e Otoya.

Ren: era o Reiji?

Perguntou incrédulo.

Masato: ele tava chorando. Será que ele e o Ranmaru brigaram?

Ren suspirou.

Ren: viu o que fez??

Masato: eu?? Não é possível que ele tenha ficado assim só por causa daquilo!

Ren: seja pelo que for, a briga foi feia. Pra ele correr daquele jeito na direção do quarto do Ichii.

Eles se olharam.

Masato: Ranmaru não deve ta diferente.

Ren: vamos ver como ele ta. Só tente não se jogar na cama dele.

Masato revirou os olhos com o sarcasmo.

Masato: não se preocupe amor, eu não sou dele… muito menos seu.

Respondeu presunçosamente andando na frente.

Ren: vamos ver por quanto tempo.

Rebateu andando mais rápido e deixando Masato pra trás que acabou sorrindo sem perceber que o Jinguji também tinha um mínimo sorriso.

..............................

Tokiya escutava música em seu iPod, Otoya havia saído a biblioteca pegar um livro para o trabalho que faria. Reiji entrou como um furacão histérico.

Reiji: Toki!!

O moreno suspirou, agora não teria sossego.

Tokiya: Reiji o que você t-?

Ele paralisou vendo o rosto do mais velho coberto pelas lagrimas.

Tokiya: o que aconteceu?

Reiji correu até a cama dele desabando na mesma chorando mais.

Reiji: Ran-Ran~~ ele é mau!! Ele… ele…

Ele chorava como uma criança, Tokiya suspirou desconfiando que eles tinham brigado.

Tokiya: por que brigaram? Pelo Masato?

Reiji negou.

Reiji: não exatamente. Brigamos porque ainda nos amamos e… não conseguimos nos entender.

Tokiya: não faz sentido.

Reiji: eu sei.

Ele levantou o rosto que estava afundado nas almofadas.

Reiji: eu o amo tanto! Mas não consigo engolir meu medo e voltar pra ele, Ran-Ran se cansou e…

Tokiya: acabou brigando com você por isso, é… agora entendi.

Reiji soltou um muxoxo.

Reiji: faz sentido ele brigar comigo por isso?

Tokiya: pra ele faz.

Reiji: e eu como fico??

Tokiya: você que fica em cima do muro e não sabe o que quer.

Reiji chorou mais.

Reiji: eu to um trapo. Você vai ficar me tratando assim?

Tokiya sorriu.

Tokiya: é claro que não. Mas… não tem sentido vocês ficarem longe um do outro! Cara… vocês se amam!

Disse sorrindo.

Reiji: é isso que mais me machuca.

Tokiya: o que?

Reiji: minha vida sem ele.

Tokiya: volta.

Reiji: não!

Respondeu rápido, mas depois suspirou.

Reiji: será…?

Tokiya: Reiji se decide! Pra saber que linha de ataque eu uso com você.

Disse sarcástico. Reiji passou as mãos no cabelo irritado.

Reiji: todo mundo vai me achar louco.

Tokiya revirou os olhos.

Tokiya: dane-se todo mundo! Você tem que fazer o que quer! Você o ama, ele te ama! Não tem sentido ficarem longe um do outro! Machuca você e ele!

Reiji abaixou o olhar.

Reiji: posso só chorar?

Perguntou manhoso, Tokiya sorriu.

Tokiya: você já ta chorando baka.

Disse sorrindo e se aproximou dele colocando uma almofada em seu colo. Reiji deitou a cabeça chorando.

Reiji: obrigado, eu não quero voltar pra lá hoje.

Tokiya: pode dormir aqui.

Reiji sorriu.

Reiji: só hoje, você não vai brigar comigo.

Tokiya riu.

Tokiya: ok. Ser amigo é cansativo, além de ter quase minha cama afogada nas lagrimas, ainda vou perder uma noite de sono cuidando de coração partido.

Reiji riu e se aconchegou mais a ele.

..............................

Otoya estava procurando o livro e já tinha o encontrado quando virou em um corredor e se deparou com Syo que estava meio perdido no mundo da lua.

Otoya: Syo? Você ta bem?

O menor se assustou e rapidamente sorriu.

Syo: bem, sim. Por que?

Otoya: você não foi jantar e ta meio pensativo aí.

Respondeu sorrindo. Syo abaixou o olhar.

Syo: não é nada.

Otoya arqueou uma sobrancelha.

Otoya: tem certeza? Sabe… se quiser falar, eu to aqui. Já me disseram que sou ótimo ouvinte.

Piscou ao chibi que riu.

Syo: é… um assunto meio delicado.

Disse corando. Otoya colocou uma mão no ombro do Kurusu.

Otoya: se quiser me dizer, qualquer hora estarei aqui.

Falou gentilmente.

Syo: obrigado.

Otoya ia sair, quando Syo o chamou.

Syo: Otoya! Eh… bom, falta um pouco antes do toque de recolher. Seria um incomodo aluga-lo até lá?

Otoya ficou um pouco surpreso, mas rápido sorriu.

Otoya: imagina.

Eles andaram até uma mesa que era bem afastada do resto das outras e pra se certificarem que ninguém escutaria.

Otoya: então, qual o problema Syo?

O menor olhava pra baixo e suas bochechas começaram a esquentar de vergonha só de pensar no assunto, ele apertou o tecido de sua calça com força.

Syo: é c-constrangedor, mas… eu preciso falar isso com alguém se não vou acabar pirando. E se falar com o Natsuki ele vai passar o resto da eternidade dizendo: “Syo-chan como você é kawaii, pequeno e fofinho.”

Otoya acabou caindo na gargalhada dele imitando a voz e o jeito de Natsuki.

Syo: você é a pessoa mais indicada. Tipo… nos falamos a pouco tempo, mas eu sinto que posso contar com você. Somos amigos né?

Otoya arregalou minimamente seus olhos. “Amigos”? O ruivo sorriu com que Syo havia dito.

Otoya: sim. Fico feliz que me considere um amigo.

O menor acabou sorrindo com ele.

Otoya: mas me fala, o que é?

Syo suspirou.

Syo: é sobre o Ai.

Só de dizer o nome do bluenette Syo sentiu seu rosto pegando fogo de vergonha outra vez.

Otoya: ah sim, mas o que tem ele?

Otoya perguntou apoiando seu queixo na palma da mão que estava com o ombro em cima da mesa, o ruivo sorriu imaginando qual era o problema do chibi.

Syo: você já teve relacionamentos com homens antes?

Otoya: sim, namorei um ano passado. Mas ele foi embora. Por que?

Syo: quando você descobriu que gostava de…?

Otoya: homens?

Syo afirmou.

Otoya: bom, desde criança, quando comecei a entrar na fase dos namoros e tal… eu sentia algo diferente em relação ao sexo masculino do que feminino. Era capaz de achar homens atraentes, mas descobrir mesmo… descobri quando me apaixonei pelo meu ex. Ele foi meu primeiro amor.

Disse sorrindo lembrando do garoto.

Otoya: mas o que esse assunto tem a ver com o Ai?

Syo corou outra vez.

Syo: Otoya, eu sou hetero sabe? Sempre me atrair só por mulheres, me apaixonei e quebrei a cara por uma. Vim estudar em Los Angeles porque não conseguia mais ficar perto dela lá em Tóquio. Mas… o Ai… ele… já nos beijamos três vezes.

Otoya arregalou os olhos.

Otoya: t-três?? Mas eu pensei que tivesse sido só um e por acidente ainda.

Syo soltou um muxoxo.

Syo: a segunda vez ele me agarrou por conta própria, mas… eu correspondi como correspondi da primeira vez. Mas pior foi mesmo hoje. Ele me beijou e eu não resistir, não me afastei… deixei ele fazer o que quisesse e o beijo de hoje foi mais intenso que os outros.

O ruivo estava pasmo.

Syo: é possível alguém hetero gostar de um beijo de alguém do mesmo sexo?

Otoya sorriu.

Otoya: você gosta?

Syo abaixou o olhar.

Syo: infelizmente, sim. Estaria mentindo se dissesse que odeio o beijo dele ou que o Ai beija mal. Acho que por essa razão sempre acabo correspondendo.

Suspirou pesadamente.

Syo: mas eu não posso gostar!! Eu sou hetero!

Otoya: Syo… gostar do beijo do Ai não significa que você esteja virando gay.

Syo o olhou confuso.

Otoya: já parou pra pensar que talvez o problema esteja no Ai e não em você?

Syo: hãa? Como assim??

Otoya sorriu.

Otoya: você, antes do Ai, se atraiu por algum homem?

Syo: é claro que não Otoya!!

Respondeu bravo fazendo o ruivo rir baixinho.

Otoya: e o que sente ou pensa do Ai?

Syo foi pego de surpresa pela pergunta.

Otoya: sem mentir.

Avisou divertido.

Syo: b-bom, ele é… peculiar.

Otoya riu.

Syo: ele tem o jeito dele, estilo, personalidade, não liga para o que as pessoas falam. É um cínico extremo com a língua afiada…

Fez uma careta emburrada.

Syo: mas apesar de ser cínico, ele não é daquele tipo irritante, maldoso. É até divertido… inteligente, talentoso.

Syo corou.

Syo: muito bonito.

Abaixou o olhar.

Syo: não é mais tão incompreensível o Kaoru ter se apaixonado por ele. Além disso, ele é uma boa pessoa, aquela serenidade dele… é impressionável.

Otoya o examinava minuciosamente enquanto Syo descrevia o que pensava de Ai.

Otoya: Syo… talvez você não se sinta atraído por homens, você se sente atraído pelo Ai.

Syo: o que??

Otoya: que outra razão corresponde ao beijo dele? Syo não é doença você gostar de homem.

Syo corou.

Syo: você ta falando de um jeito como se estivesse apaixonado por ele.

Falou fazendo um bico mal-humorado. Otoya riu.

Otoya: você é que ta dizendo.

Syo: ei!!

Otoya riu mais.

Otoya: eu não sei o que aconteceu com a sua ex, mas com certeza ela te machucou pelo olhar que fez ao lembrar dela.

Syo mordeu o lábio inferior.

Otoya: ficar preso à imagem dela vai te fazer se fechar para o mundo. Pode descobrir novas experiências Syo. E se o Ai te faz bem como eu vi que faz… por que não se permite viver essa aventura?

Syo arregalou os olhos.

Syo: e-eu?? Mas… mas…

Otoya: você tem medo de experimentar e gostar? Se arrepender? Ou de se apaixonar pelo Ai?

Perguntou e esperou pacientemente a resposta do chibi.

Syo: os três.

Otoya sorriu e se aproximou dele.

Otoya: faça o seguinte, tente descobrir se sua atração é pelo Ai ou é por homens. Acho que você sabe como descobrir né?

Piscou ao menor que corou como um tomate.

Syo: se for pelo Ai?

Otoya: aí entre no jogo dele. Se divirta. Você é tão novo ainda Syo, nós somos. Se gosta tanto assim do beijo dele, experimente mais.

Disse sorrindo meio malicioso, isso fez Syo chocar.

Syo: não sabia que tinha esse lado pervertido.

Otoya riu.

Otoya: eu não sou nenhum santo. Mas também passo muito longe de ser uma pessoa experiente. To no meio termo.

Eles riram.

Syo: obrigado Otoya, por me escutar e também por aconselhar.

Otoya: de nada, agora vamos porque já ta tarde.

Eles se levantaram da mesa.

Syo: seria muito te pedir pra não dizer a ninguém?

Otoya sorriu e passou o braço no ombro do menor.

Otoya: eu não ia dizer de qualquer forma.

Piscou ao Kurusu que agradeceu sorrindo.

.......................

Ranmaru estava jogado em sua cama, não conseguia pensar em nada que não fosse Reiji. Ele não queria discutir com ele, o amava, será que era tão difícil pra aquele idiota aceitar isso??

Ranmaru: tsc.

Ele fechou os olhos com força, não ia chorar, não ia! Sua cota de lagrimas havia sido extinta durante os quatro anos longe de Reiji. Ele não ia se permitir ficar tão vulnerável de novo. A porta foi aberta e Ranmaru abriu os olhos levemente para ver quem era.

Ren: Ran-chan como está?

Masato: você e o Reiji brigaram não foi?

O albino suspirou.

Ranmaru: ele é um idiota! Ele não quer voltar pra mim, não aceita que eu ainda o amo e nem me deixa explicar o motivo que fui embora.

Ren e Masato sentaram na cama de Reiji de frente para o Kurosaki.

Ren: por falar nisso… por que foi embora? Você nunca nos disse.

Ranmaru se levantou, ficando sentado em sua própria cama.

Ranmaru: foi porque…

Ele contou tudo aos dois que ficaram atônitos, não imaginariam o motivo nem em cem anos.

Ranmaru: e pra completar minha vida aquele maldito John aparece!

Ren: aah… o John tava aqui?

O albino os olhou fuzilando os dois.

Ranmaru: vocês sabiam que o Reiji tava namorando aquele engomadinho?!

Masato: bem, sim. Mas não poderíamos ter dito. Você queria o que? Estava tentando esquecer o Reiji aí quando falássemos com você íamos dizer que ele tava namorando outro?

Perguntou ironicamente.

Ranmaru: ok, ok.

Passou a mão no cabelo impaciente.

Ranmaru: se bem que isso não interessa. Ele não namora mais com ele mesmo.

Disse suspirando.

Ranmaru: queria saber onde ele vai passar a noite?

Ren: nós o vimos entrando com um diluvio no rosto de lagrimas no quarto do Ichii.

O albino arregalou os olhos.

Ranmaru: ele tava chorando tanto assim?

Masato: sim.

Ranmaru mordeu de leve a parte interna de sua bochecha, odiava ver Reiji chorando por sua causa.

Ren: não se faça de forte Ran-chan, você ta quase não muito diferente do Reiji.

Ranmaru o olhou irritado.

Ranmaru: cala a boca Jinguji!

Masato: ih… pra ele falar o sobrenome, é porque o caso ta mais sério que imaginava.

Ren: pode chorar Ran-chan! Podemos consolar você.

Ranmaru rosnou.

Ranmaru: calem a boca!! Vão embora daqui! Quero ficar sozinho!

Ren e Masato se entreolharam e suspiraram.

Masato: não vamos sair.

Ranmaru: hã?!

Ren: você ta sofrendo, não quer demonstrar, mas ta. Somos seus amigos.

Masato: e vamos ficar do seu lado, mesmo que queira nos expulsar daqui.

Eles sorriram cumplices ao albino que estava meio surpreso.

Ranmaru: é barra aguentar vocês…

Disse escondendo o sorriso fazendo os outros sorrirem também.

..........................

Otoya entrou no quarto e arregalou os olhos vendo Reiji deitado com a cabeça em um travesseiro no colo de Tokiya, os dois na cama do moreno com Reiji a beira de lagrimas.

Otoya: Rei-chan??

Reiji levantou a vista olhando para a porta.

Otoya: o que aconteceu??

Perguntou se aproximando lentamente.

Tokiya: problemas amorosos.

Disse calmamente. Otoya olhou pra ele que fez uma expressão tipo : “Me ajuda, não sei o que fazer com ele!”

Otoya: “hoje é o dia dos dilemas amorosos.”

Pensou enquanto sorriu minimamente da cara do Ichinose.

Reiji: Otoyan eu to péssimo!! Eu preciso de você e do Toki!!

Ele estendeu os braços para o ruivo que riu.

Reiji: vem aqui! Vamos ficar todos juntos.

Tokiya revirou os olhos.

Tokiya: ta começando a abusar.

Falou sarcástico. Otoya foi até os dois e se deitou também na cama por cima do moreno que o abraçou apertado.

Otoya: R-Rei-chan eu não sou um bichinho de pelúcia.

Reiji riu.

Reiji: mas é tão kawaii que parece!

Tokiya riu do ruivo corando.

Reiji: eu amo vocês! Meus irmãozinhos mais novos.

Disse sorrindo abertamente.

Reiji: vamos ficar assim até amanhã.

Tokiya e Otoya: EEEEEEEEEEEH???!

Exclamaram assustados.

Reiji: nee nee eu preciso do cafuné do Toki e do abraço do Otoyan.

Tokiya: e nós precisamos dormir! Tem aula amanhã sabia?? Otoya e eu não podemos chegar com a costa dura e você com o rosto inchado.

Reiji soltou um muxoxo e encarou os dois que o olhavam, Reiji fez uma cara tão chorosa e carente que fez os dois bufarem derrotados.

Tokiya: tudo bem, mas é a ultima vez! Na próxima briga vá para o quarto do Ai e do Camus.

Otoya riu junto com Reiji.

Otoya: nee nee por que brigaram?

Reiji suspirou e contou tudo ao ruivo.

Otoya: se eu fosse você, deixava que ele se explicasse.

Reiji: mas e se ele mentir?

Tokiya: ele nunca mentiu pra você. Até mesmo quando foi embora, ele não disse o motivo. Acho que era justamente pra não mentir.

Reiji olhou para o Ichinose.

Tokiya: algo muito sério deve ter o levado a tomar essa decisão.

Otoya: você não desconfia de ninguém que possa saber a verdade? Sei lá… tipo, alguém que não tenha mudado com ele apesar do que ele te fez.

Reiji ficou pensando.

Reiji: bom, tem os nossos amigos. Mas se eles sabem de alguma coisa… não vão me dizer. Com certeza preferem que o Ran-Ran fale.

Suspirou, até que lembrou de alguém.

Reiji: espera! Meus pais!

Tokiya: seus pais??

Reiji: sim! Eu fiquei com muita, muita raiva do Ran-Ran, mas eles nunca pareceram concordar comigo nisso. Nunca falaram mal dele e nem ao menos ficaram com raiva. Meu pai até continua com a amizade do meu ex sogro.

Otoya: talvez eles saibam o motivo que o Ranmaru foi embora.

Reiji: mas… por que me deixariam sofrendo esse tempo todo?

Tokiya: isso é algo que você tem que perguntar a eles.

Os três ficaram em silencio por uns segundos.

Reiji: ok, esse fim de semana eu vou falar com a mamãe. Ela chega na sexta de New York, o papai ainda vai demorar pra chegar da Europa.

Falou decidido.

Otoya: então até lá… tenta não brigar mais com ele.

Tokiya: eu concordo. Porque se em cada briga você vier pra cá, até o final de semana estarei pior que um velho de 80 anos com reumatismo.

Eles riram.

Reiji: vamos dormir??

Otoya: Rei-chan… v-você tava falando sério em dormimos todos juntos na mesma cama??

Tokiya: por favor… diz que não.

Reiji deu um sorriso maquiavélico.

Reiji: é obvio que sim!! Vamos! Vamos! Cheguem mais perto.

Ele jogou Otoya para o lado do Tokiya, os fazendo quase ficar por cima um do outro, o ruivo acabou corando de leve com isso.

Reiji: Otoyan fica no meio, Toki aí na esquerda mesmo e eu fico aqui na direita.

Eles se acomodaram.

Reiji: boa noite!

Disse sorrindo fazendo os dois suspirarem.

Reiji: ah! E… não façam coisas libidinosas aí. Segurem esses hormônios a flor da pele. Rei-chan não quer escutar nada “intimo” durante a madrugada.

Falou com uma voz totalmente pervertida fazendo os rostos dos dois virarem uma maça de tão vermelhos. Reiji riu da reação deles e deitou a cabeça adormecendo.

Otoya: ele é sempre assim?

Perguntou baixinho para Tokiya que sorriu.

Tokiya: sempre. De puro só tem a cara.

Eles riram bem baixo para Reiji não escutar.

Tokiya: boa noite.

Disse olhando para Otoya, eles ficaram se olhando por uns segundos que pareceram horas.

Otoya: b-boa noite.

Sorriu sem jeito fechando os olhos. Tokiya ainda ficou o analisando por mais um tempo.

Tokiya: “realmente é lindo…”

Sorriu com o pensamento e resolveu dormir também.

Notas finais
O que acharam??? Sentimentos fluindo... uns se complicando... é assim a vida *_~ kkkkk Quem ainda não tiver add o grupo que fiz para minhas fics https://www.facebook.com/groups/524181504357688/ esta aí, lá todas serão informadas sobre fics minhas e de outros autores e também pra todo mundo se interagir e ficar mais fujoshi do que já é. kkkkkkkkkk Beijos!!