A Vida Pela Música.

4 Desculpas E Um Novo Começo.


Notas iniciais
desculpa pela demora meus amores!! Espero que não tenham me abandonado. Acho que gostarão desse cap *_* Espero seus reviews, eu vivo deles e minha fic também kkkkkkkkkk expressem o que sentem pela fic, me deixa muito feliz.

Uma semana se passou e estavam no primeiro dia de aula. Os alunos estavam acordando e a maioria atrasados. Reiji estava dentro do box tomando banho quando Ranmaru entrou somente de roupão.

Reiji: aaaaaaaahh!!! Ran-Ran!! Eu to tomando banho!!

Ele entrou em pânico tentando se cobrir com as mãos.

Ranmaru: relaxa Reiji. O box ta turvo e nem parece nada, além disso…

Ele se virou ao moreno que apesar do box ta todo turvo e não ver nitidamente o corpo de Reiji, mas podia ver a silhueta perfeita que o moreno tinha, inclusive o rosto completamente corado.

Ranmaru: somos homens, fora que…

Ele se aproximou do box.

Ranmaru: não a nada aí que eu já não tenha visto antes.

Reiji corou muito mais.

Reiji: Ran-Ran!!

Ele choramingou.

Reiji: sai, por favor! Ainda não terminei meu banho.

Ranmaru: eu vou fazer a barba. Pode terminar seu banho a vontade.

Ele se virou para o enorme espelho pegando o creme e o aparelho de barbear.

Reiji: barba?!! Você nem tem barba Ran-Ran!!

Disse irritado sabendo que Ranmaru estava apenas o provocando.

Ranmaru: justamente por isso, estou tirando antes que nasça.

Ele falava com a cara mais cínica sabendo que Reiji estava irritado.

Reiji: Ran-Ran!

Ranmaru: se eu fosse você tomava logo esse banho, porque quando eu terminar daqui vou entrar no box. Com ou sem você dentro…

Ele levantou a vista e olhou para o rosto de Reiji pelo espelho e o sorriso se formou em seus lábios vendo Reiji corar e virar o rosto emburrado.

Reiji: baka…

Reiji colocou a cabeça em baixo da agua tentando fazer seu rosto que estava pegando fogo de vergonha esfriar com a agua gelada.

Ranmaru: pelo visto você ta querendo mesmo que eu entre aí né?

Reiji mordeu o lábio inferior.

Reiji: eu já to saindo!

Falou irritado. Reiji olhou pelo rabo do olho para o albino e viu que o mesmo havia aberto o roupão deixando a mostra o corpo definido e másculo que os anos o presenteou. O Kotobuki mordeu o lábio tentando não ficar “animado” demais com aquela visão… senão outra coisa em si cresceria bem rápido e isso seria péssimo. Reiji terminou seu banho rapidamente e se lamentou ao notar que havia esquecido a toalha.

Reiji: err… Ran-Ran…

Ranmaru: hm?

Perguntou ainda se concentrando na “barba”.

Reiji: poderia, por favor, pegar a toalha pra mim? Eu esqueci.

Perguntou sentindo novamente as bochechas esquentarem.

Ranmaru: claro.

Respondeu e o moreno não percebeu quando o Kurosaki abriu um sorriso malicioso indo pegar a toalha e depois voltou para o box.

Ranmaru: toma.

Reiji abriu levemente a porta apenas para pegar a toalha e rápido se cobriu quando Ranmaru abriu a porta de vez.

Reiji: Ran-Ran eu disse que não tinha terminado!

Ranmaru: e eu disse que entraria no box com ou sem você dentro quando terminasse de fazer a barba.

Reiji fez um bico emburrado e tentou passar, mas o albino não deixou.

Reiji: com licença.

Ranmaru não saiu da frente e ele desceu com seu olhar para o corpo de Reiji, infelizmente, coberto com apenas a toalha em sua cintura. A face do moreno atingiu um vermelho intenso com o olhar faminto do maior. Reiji conhecia e havia namorado Ranmaru para saber todos os tipos de olhares que o mesmo tinha, o olhar quando tava irritado, quando estava com ciúmes, triste, feliz, decepcionado, surpreso e principalmente… olhar quando o desejava. O tom opaco que sua íris ficava, as sobrancelha levemente juntas estreitando os olhos, o brilho que sua pupila dilatada tinha… Reiji sabia que Ranmaru estava o desejando e reprimindo a vontade de beija-lo naquele momento.

Ranmaru: você realmente mudou…

Ele deu um passo à frente e Reiji recuou.

Reiji: Ran-Ran… para…

Ele estava com os olhos levemente assustados, temia o limite em que a sanidade do albino ainda poderia aguentar.

Ranmaru: tem tanto medo assim que eu te toque? Ou de você não resistir?

Reiji engoliu em seco.

Reiji: você prometeu que não ia mais fazer isso, que seriamos só amigos…

Ranmaru suspirou.

Ranmaru: é difícil ser amigo de alguém que eu amei mais que tudo na vida. Ter na minha frente à pessoa com quem troquei emoções intensas e não pode tocar, beijar.

Ele olhava fixamente nos olhos do menor que voltou a corar.

Reiji: eu não posso… não posso fazer isso.

Ranmaru: o que?

Reiji: não posso deixar você fazer o que quiser com os meus sentimentos. Quem me garante que daqui a quatro anos não irá embora de novo??

Ranmaru: então… ainda tem amor?

Ele reprimiu um sorriso no rosto.

Reiji: seria hipócrita se dissesse que te esqueci, que não mexe mais comigo e que preciso de muita força pra não te beijar e esquecer tudo que me fez.

Eles ficaram se olhando.

Reiji: por favor… não me machuca ainda mais.

Abaixou o olhar, Ranmaru suspirou pesadamente e deu passagem pra ele sair do box.

Ranmaru: eu ainda vou provar que nunca quis machucar você.

Reiji não respondeu e saiu do banheiro rapidamente.

.................................

Syo estava sentado em sua cama com uma cara de dar medo. Motivo? É simples. Ele passou a semana inteira fazendo de tudo pra ficar o mais longe possível de Ai, o que era bem difícil já que os amigos do bluenette eram seus amigos também, outra razão é porque o Mikaze não fazia o menor esforço pra se manter longe de Syo. Aquele cara era um provocador dos infernos, ele sempre fazia de tudo pra tirar o chibi do serio e pra piorar a vida do menor… Natsuki resolveu virar o mais novo “best friend forever” do bluenette.

Syo: “traído pelo melhor amigo!”

Pensou ao observar Natsuki conversando animadamente com Ai, ele tinha ido ao quarto deles logo cedo e acabou pegando Syo saindo do banho só de toalha o que fez Syo ficar vermelho dos pés a cabeça de raiva pelo sorriso cínico que o maior deu.

Natsuki: Syo-chan você já está pronto??

Syo: há uma hora! To esperando você resolver colocar o uniforme e parar de conversar!

Disse mal-humorado, Ai levantou a sobrancelha e deu um sorriso de canto pela carranca do menor.

Natsuki: S-Syo-chan não seja mal educado com o Ai-chan!!

Ai: tudo bem Natsuki. Sou vacinado contra pessoas azedas.

Natsuki riu da cara que Syo fez.

Syo: quem você ta chamando de azedo seu pervertido?!!

Ai: quanto tempo você não faz sexo?

Syo arregalou os olhos corando furiosamente.

Ai: porque esse mal humor todo deve ser resultado disso.

Ai sorria maliciosamente.

Syo: nem todos são uns maníacos sexuais como você!!

Ai: somos homens Syo… que homem não gosta de sexo?

Deu de ombros.

Syo: homem?

Perguntou sarcasticamente.

Ai: essa ironia na pergunta é porque namorei seu irmão?

Arqueou a sobrancelha se levantando da cama e chegando mais perto de Syo que engoliu em seco.

Ai: pra sua informação chibi seu irmão e eu fomos muito mais felizes que muito casal hetero por aí.

Syo estreitou os olhos.

Ai: gostar de outro homem não te torna menos homem.

Natsuki: Ai-chan… o Syo-chan não falou por mal.

Ai: tenho certeza que não.

Disse não tirando os olhos de Syo que também o olhava.

Ai: Natsuki vá se arrumar, eu espero.

O loiro maior sorriu e rapidamente correu para o banheiro.

Syo: tsc.

Ele se virou arrumando seus livros que levaria para a aula. Syo sentiu dois braços o virarem o deixando de frente para Ai.

Ai: por que tanta repulsa chibi? Ainda é pelo beijo?

Syo estava com os olhos arregalados.

Syo: claro que é!! Eu nunca vou superar isso!

Ai: superar… ou esquecer?

Perguntou sorrindo.

Syo: hã?? Do que está falado baka?!

Ai: nunca quis ter uma experiência assim antes?

O menor estava paralisado.

Syo: é claro que não!

Ai tocou a gravata que fazia parte do uniforme de Syo e a puxou trazendo o menor pra ele.

Ai: se nunca teve nenhuma experiência com um homem… não pode afirmar se gosta ou não.

Seus rostos estavam próximos demais, Ai desceu seu olhar para a boca de Syo fazendo o mesmo corar.

Syo: posso ter a cara dele, mas eu não sou o Kaoru!

Disse irritado.

Ai: é evidente que não é. Por trás de um rostinho de anjo… tem um garoto bem estressado não é?

Syo bufou tirando sua gravata da mão de Ai.

Ai: não tem problema Syo. Eu gosto de chibis com a língua afiada.

O Kurusu arregalou os olhos e o encarou perplexo.

Ai: e quanto ao beijo… você gostou.

Syo: o que?!!

Ai: lembro que você correspondeu muito bem.

Syo: você não me deixou escolha!

Ai: ninguém beija alguém por falta de escolha.

Syo bufou.

Syo: sou bem convicto da minha opção sexual.

Ele ia se afastar do bluenette quando o mesmo o puxou pra ele.

Syo: o que você es-?!

Ai o beijou. Syo paralisou com aquilo, Ai estava o beijando de novo?! O chibi esperneou, mas por alguma razão os lábios do maior desligavam todos os sentidos de Syo e apesar dele odiar admitir… o beijo de Ai era muito bom. Quando viu ele já estava correspondendo o beijo na mesma intensidade que o outro beijava, Ai desceu as mãos para a cintura do menor o rodeando e o trazendo mais para si. Eles encerraram o beijo quando o ar se fez necessário.

Syo: o-o que v-você ta p-pensando baka?!!

Ele colocou as mãos na boca, corado completamente.

Ai: apenas te mostrando… que você gosta do beijo.

Syo começou a fumaçar de ódio.

Syo: idiota!! Você não tem direito de beijar ninguém assim!! Eu não sou gay!! Baka!!

Ele voou pra cima do bluenette tentando bate-lo. Ai riu um pouco de Syo, ele parecia uma criança.

Ai: você não precisa ser gay pra gostar de um beijo de um homem, assim como namorar uma mulher não te faz hetero.

Syo parou de tentar bate-lo. Eles ficaram se encarando por uns segundos até Natsuki aparecer.

Natsuki: minna! Vamos?

Chegou perto deles com a animação de sempre.

Ai: vamos.

Syo não disse nada apenas saiu na frente deles seguido por Ai. Natsuki ficou os observando e sorriu.

Natsuki: Syo-chan e Ai-chan hein??

Ele deu uma risadinha.

Natsuki: formam um belo casal.

..........................

Otoya estava se arrumando, desde a aquela briga com Tokiya ele mal o olhava e evitava o máximo ficar no quarto com ele, voltava só pra dormir mesmo. Tokiya apesar de dizer a si mesmo que era ótimo, assim ele não precisava lidar com o Itokki no fundo ele até que se sentiu meio solitário no quarto, mas jamais admitiria. Naquela manha o moreno acordou cedo para combinar com algum “comparsa” o plano pra envergonhar seu pai diante do colégio inteiro e sem querer – de novo- Otoya acabou escutando a conversa.

Otoya: “o que eu faço Kami-sama??? Se esse baka fizer isso vai ser expulso… ou então morto pelo pai, já que não sei como ele deve ser. Mas como é um grande empresário com certeza deve ser meio autoritário… droga! Droga!!”

Ele pensava enquanto arrumava sua mochila. Otoya olhou discretamente para Tokiya e o viu colocando a parte de cima do uniforme, o corpo do moreno era perfeito… o ruivo corou furiosamente pelo pensamento.

Otoya: “não seja pervertido Otoya!! Tudo bem que ele é muito bonito, mas… é um idiota, egocêntrico, mesquinho, preconceituoso e irritante!”

Ele suspirou.

Otoya: “mas eu também não posso… ser indiferente a isso. Eu vejo nos olhos dele que tem um grande vazio, é como se ele fosse ferido por dentro e por isso age assim…”

Otoya pegou sua mochila e caminhou a porta para sair, Tokiya o olhou de esguelha… mais uma manha que Otoya nem o olhava.

Tokiya: baka…

Disse quando o menor saiu. Lá fora o ruivo caminhava já com um plano na cabeça.

Otoya: já que eu não posso ajuda-lo… que faça seus amigos.

Sorriu caminhando na direção ao refeitório.

.......................

Todos estavam em uma única mesa causando um certo alvoroço para fazer seus pedidos.

Masato: calem a boca!! Desse jeito vamos deixar a senhora louca!

Disse irritado.

Ren: está novamente na TPM Hiji?

Masato o fuzilou.

Masato: TPM sua vó!! E é Hijirikawa!!

Ren: mas eu sempre te chamei de Hiji…

Masato: isso me irrita!!

Ranmaru: por que vocês não param logo com essa frescura e se pegam?

Masato corou e Ren sorriu.

Ren: bem que eu queria.

Masato: cala a boca!

Ai: o conselho serve para você e o Reiji também.

Reiji: Ai-Ai!

Ranmaru: isso aí não é minha culpa, seu amigo aqui que é muito cabeça-dura.

Reiji: calado Ran-Ran!!

Ele tava corando.

Syo: o seu problema é que acha que tudo se resume em agarração.

Alfinetou o bluenette.

Ai: antes agarração do que violência. Preserve o amor chibi.

Disse ironicamente deixando o menor irritado pelo cinismo.

Camus: desiste Kurusu, esse aí sempre tem uma resposta na língua.

Reiji: e na maioria das vezes é sarcasmo.

Syo bufou.

Syo: deu pra notar.

Cruzou os braços. Ai riu.

Ranmaru: mas nisso eu concordo, “mais amor e menos brigas”.

Todos riram. Todos fizeram os pedidos e enquanto esperavam Otoya chega ofegando perto deles.

Otoya: minna!

Reiji: o que foi Otoyan?? Parece que veio de uma olimpíada.

Perguntou rindo um pouco.

Otoya: eu preciso que vocês façam algo pelo Tokiya, já que são amigos dele. Provavelmente ele os escutará mais do que eu.

Masato: o que aconteceu Otoya?

Otoya contou tudo que ouviu da conversa do moreno com o desconhecido.

Reiji: aquele grande baka!!

Ele levantou da mesa quase derrubando a cadeira em que estava sentado.

Ranmaru: onde vai??

Reiji: bater no Toki até ele voltar pra razão!

Ele ia sair, mas o albino o segurou.

Ranmaru: não podemos ajudar o Tokiya desse jeito.

Reiji: isso não é hora de você ser adulto Ran-Ran!

Disse irritado.

Ranmaru: não é ser adulto, é ser coerente! Bater nele não vai ajudar de nada, apesar de eu amar uma boa briga.

Disse sarcástico.

Ren: o Ichii realmente adora causar dor de cabeça para o pai.

Suspirou pesadamente.

Natsuki: se o Tokiya-kun fizer isso… ele será expulso sem sombra de duvidas!

Ai: precisamos nos acalmar e decidir o que fazer. Esse cara que ta ajudando o Tokiya com certeza deve ser o Naoki, ele é o parceiro numero um das confusões que o Tokiya se mete.

Reiji: nunca fui com a cara daquele cara!

Otoya: etto… quem é Naoki?

Ren: um ex-ficante do Tokiya. Ele ainda é apaixonado por ele, apesar do Ichii nunca ter gostado dele de verdade.

O ruivo arregalou os olhos.

Otoya: o Tokiya é… gay?

Camus: já teve uns namoros com homens e mulheres.

Reiji: mas gostar mesmo, ele gostou só de um. Apesar do Yamato ter sido um imbecil!

Disse emburrado.

Cecil: ok, mas foco! Precisamos impedir o Tokiya de fazer uma loucura!

Reiji: tem razão! Ran-Ran, Otoyan e eu vamos até o Toki e impedir ele de sair daquele quarto. Os resto se dividam em dois grupos, um para entreter o Ryuya e o Rin-chan e o outro para ir atrás do Naoki e o arrasta-lo até o auditório o obrigando a parar aquela maquina.

Disse seriamente.

Reiji: vamos nessa!!

Gritou animado.

Ai: Reiji não estamos em uma missão do CSI.

Falou ironicamente.

Reiji: você sempre corta meu barato Ai-Ai!

Choramingou fazendo todos rirem.

Camus: vamos logo.

Todos saíram e ficaram só Reiji, Ranmaru e Otoya.

Otoya: nee Rei-chan… acho melhor eu não ir.

Disse baixo.

Reiji: hm? Por que?

Otoya: o Tokiya não vai muito com a minha cara… ele já vai ficar com raiva por vocês o impedirem.

Ranmaru: o Tokiya é um saco como pessoa mesmo…

Reiji: Ran-Ran!!

O repreendeu.

Ranmaru: o que? O Tokiya é um saco mesmo! Mal-humorado, irritante, mimado, cheio de capricho e se acha o centro do universo.

Reiji estava com uma gota na cabeça.

Reiji: você acabou de se descrever.

Otoya riu da cara do albino.

Ranmaru: mas mesmo sendo assim… você me amou um dia.

Piscou cínico ao moreno que voltou a corar pela trigésima vez naquela manhã.

Reiji: damare!

Otoya: nee nee vocês formam um casal bonito.

Os dois arregalaram os olhos com o comentário.

Otoya: desculpem… é que… vocês realmente parecem se amar.

Os dois se olharam.

Reiji: somente aparenta…

Ranmaru: não foi isso que me disse hoje no banho.

Sorriu malicioso e Otoya corou com uns pensamentos que surgiu em sua cabeça.

Reiji: Ran-Ran!! O que o Otoyan vai pensar??

O moreno estava envergonhado.

Reiji: Otoyan não pense besteira. É que , infelizmente, divido o quarto com este ser!

Apontou para o albino.

Reiji: e ele praticamente invadiu meu banho, apenas isso.

Sorriu sem graça.

Ranmaru: continuando… o Tokiya é tudo isso, mas aquele garoto tem uma ferida no coração…

O ruivo o olhou meio surpreso.

Reiji: sim. Otoyan a dor e a raiva, transformam as pessoas… na maioria das vezes pra pior.

Reiji e Ranmaru se entreolharam.

Reiji: eu sinto falta do garoto amável que o Toki era.

Ranmaru: ele não mudará enquanto não superar tudo aquilo.

Otoya não estava entendendo nada, mas pelo olhar dos dois a sua frente sabia que algo sério tinha acontecido com o moreno.

Otoya: etto… acho melhor irmos.

Os dois assentiram.

......................................

No dormitório…

Tokiya: saiam da frente!!

Ele gritou enfurecido com Reiji e Ranmaru.

Reiji: Toki isso é para o seu bem!!

Ranmaru: você pode ser expulso seu idiota!

O moreno fechou o punho.

Tokiya: isso é problema meu!!! Parem de se meter na minha vida!!

Ele empurrou Reiji com força que caiu sobre a cama, o albino se irritou e puxou Tokiya com força pelo colarinho da blusa e o jogou contra a parede chocando bruscamente a costa do moreno.

Tokiya: ai!!

Ranmaru: nós só queremos ajudar você imbecil!! Mas eu não tenho a paciência do Reiji pra caprichos de moleque mimado!!

Tokiya cerrou os olhos fitando Ranmaru.

Reiji: Ran-Ran se acalma… você vai machuca-lo.

Ranmaru: talvez ele precise disso!! Uma boa surra pra voltar ao normal!!

Tokiya: eu não tenho medo de você!! Vamos! Bate!!

Ranmaru: paciência não é o meu forte, então não abusa!!

Reiji: Tokiya não provoque o Ran-Ran!! Você sabe o que ele pode fazer!!

Tokiya: você e ele não sabem de nada!! Ninguém nunca é capaz de entender outra pessoa a não ser que passe por aquilo que ela passou!! Vocês adoram dar lição de moral, mas no fim não passam de dois idiotas que nunca perderam nada na vida!!

Ranmaru estreitou o cenho e deu um soco forte no estomago do moreno que quase morreu por falta de ar.

Reiji: Ran-Ran!!

Ranmaru: ele mereceu pra deixar de ser tão ridículo! Você não é o único que sofre!! Os seus problemas não são os únicos e maiores do mundo Tokiya!! O mundo não gira ao seu redor moleque!! Aceite esse fato!!

Tokiya colocou as mãos no estomago.

Tokiya: tsc!

Ranmaru: se continuar com esse temperamento insuportável… no fim ninguém aguentará mais você. Nem mesmo seus amigos.

Tokiya suspirou.

Tokiya: talvez seja bom não ter ninguém. Porque assim ninguém te machuca, ninguém te engana, ninguém te ilude e ninguém vai embora.

Houve um momento de silencio.

Reiji: Toki… nos preocupamos com você, somos seus amigos.

Ele chegou perto do moreno.

Reiji: não queremos que você fique pior… pior do que já se tornou.

Tokiya: pessoas boas sofrem… até se tornarem más. É a lei da vida.

Ele levantou a vista e viu Otoya parado perto da porta.

Tokiya: foi você não foi?

O ruivo estremeceu pelo olhar fulminante do moreno.

Otoya: T-Tokiya… eu só…

Tokiya: qual é o seu problema?!! Eu disse pra não se meter nisso!!! Por que os contou?!!

Ele gritou com o menor que se encolheu. Tokiya se levantou pra ir na direção do ruivo, mas Ranmaru o segurou.

Reiji: Toki se acalma!! O Otoyan só fez o que achou melhor…

Tokiya: ele é um pé-rapado enxerido isso sim!!

Ranmaru: cala essa boca Tokiya!

Otoya: por que você é assim?? Quer prejudicar seu pai! Você deveria ama-lo e não fazer isso contra ele! Seus pais não merecem isso Tokiya!

O moreno arregalou os olhos com aquilo.

Tokiya: eu já disse uma vez… você não sabe nada da minha vida.

Ele fuzilava-o com os olhos.

Tokiya: você acha que minha vida é fácil e perfeita só por ser rico é?? Seu grande imbecil! Mas quer saber? Eu não espero que você entenda mesmo!! Afinal você não faz ideia do que é perder alguém de verdade!!!

Otoya se surpreendeu pelo que o Ichinose havia dito e depois abaixou o olhar.

Otoya: e-eu já vou…

Ele saiu dali correndo. Tokiya ofegava por ter gritado tanto.

Reiji: seu grande bakaaa!!!

Ele deu um soco na cabeça do moreno.

Tokiya: ai!

Reiji: como disse isso ao Otoyan Tokiya?!

Ele estava realmente irritado.

Tokiya: talvez agora ele pare de se meter na minha vida.

Disse se soltando do albino e indo sentar em sua cama.

Reiji: você diz que ele não sabe nada da sua vida, mas você também não faz ideia de como o Otoyan viveu.

Tokiya revirou os olhos.

Tokiya: ele deve ser aquele “bebê da mamãe”, viu o jeito infantil e irritante dele??

Reiji bufou.

Ranmaru: o que você sabe em?

Perguntou a Reiji que abaixou o olhar.

Reiji: eu… eu fiquei curioso sobre a vida do Otoyan. Então perguntei ao Ringo.

Tokiya e Ranmaru estavam curiosos sobre o que ele descobriu.

Reiji: o pai do Otoyan o abandonou quando ele era bem pequeno.

Tokiya arregalou os olhos.

Reiji: por isso ele sabe sim, o que é perder alguém Toki.

Tokiya: é diferente Reiji, é diferente.

Disse baixo.

Reiji: é, pode ser. Mas o pai do Otoyan escolheu abandona-lo, já você nunca teve duvida alguma que sua mãe te amava. Seu pai ficou com você, por que ele te ama. Já o Otoyan não teve a mesma sorte.

Tokiya estava em choque com aquilo, Otoya não teve um pai? Ele não parecia que tinha um trauma de infância… era sempre tão alegre e amável.

Ranmaru: até a pessoa mais idiota do mundo, sabe quando tem que pedir desculpas. Ele só quis ajudar você Tokiya, nem todas as pessoas são interesseiras como você pensa. Otoya não ganhou nada em troca pra ajudar você, só ofensas.

Tokiya abaixou o olhar.

Tokiya: vocês dois… me deixem sozinho, por favor.

Pediu como um sussurro. Reiji e Ranmaru se entreolharam e concordaram.

Reiji: não faça nenhuma besteira Toki.

Eles saíram deixando o menor sozinho.

Tokiya: droga.

....................................

As horas se passaram e ninguém foi pra aula, levando uma bela bronca de Ryuya.

Ren: o Ryuya-san tava bem estressado hoje.

Resmungou entediado.

Masato: todos faltamos a aula né?

Syo: pelo menos conseguimos impedir o Tokiya e o Naoki de fazer aquela filmagem.

Natsuki: por falar nisso… eu não vi o Oto-chan. Onde ele ta?

Reiji: depois do que o Toki falou pra ele, Otoyan sumiu.

Ranmaru: ele deve ta em algum lugar escondido, com certeza quer evitar o Tokiya.

Camus: Tokiya é uma pessoa difícil de lidar, acho que de todos nós… ele é o pior.

Ai: ele sofre de pistantrofobia.

Todos o olharam incrédulos.

Ai: é medo excessivo de confiar nas pessoas.

Syo: você diz cada coisa.

Ai: mas é verdade!

Ranmaru: o Ai e essa inteligência paranormal.

Todos riram.

Ai: não tenho culpa se não estudam.

Reiji: Ai-Ai!!

Ai sorriu da cara que todos fizeram. Todos se dispersaram um para cada lado dos seus dormitórios e por um caminho foi somente Camus, Ai, Syo e Natsuki.

Natsuki: Syo-chan está quase na hora da nossa aula de música!

Ai: música?

Perguntou meio surpreso.

Natsuki: hai! Syo-chan e eu tocamos violino, estudávamos meio período na escola de música Saotome em Tóquio.

Ai olhou para Syo ainda abismado, não esperava que o chibi gostasse de música e muito menos que tocasse violino.

Camus: violino sério?

Syo: por que estão tão surpresos?

Indagou com a sobrancelha levemente arqueada.

Camus: Natsuki tudo bem, mas você é meio “hiperativo” demais pra tocar um instrumento assim.

Natsuki riu da careta que Syo fez ao ouvir aquilo.

Syo: é, concordo que é meio paradoxo, mas… a música me acalma.

Ai o observava comentar como se sentia quando tocava violino, Syo realmente era surpreendente.

Camus: eu toco violoncelo, Saotome permitiu que eu fizesse parte da escola de música, apenas não posso ingressar nas aulas pra ser um ídolo.

Syo: hm, por que?

Camus suspirou levemente.

Camus: complicado. Família real… responsabilidades… monarquia… e mais um monte de chatice.

Disse entediado.

Natsuki: você é um conde não é?

Camus assentiu.

Natsuki: mas não é bom?

Camus: é, até isso começar a interferir no que você quer pra sua vida de verdade.

Natsuki: e você Ai-chan? Toca ou gosta de música?

Syo: acho improvável.

Ai: hm… posso saber o porque?

Syo deu de ombros.

Syo: você não tem cara que gosta de música, pior ainda levar jeito pra tocar ou cantar. É mais daquele tipo quando não ta jogado nos livros, ta azarando ou agarrando a força alguém.

Disse sarcástico.

Ai: é sempre assim tão mau?

Perguntou com um sorriso cínico.

Syo: na verdade, esse sou eu sendo legal.

Respondeu com um meio sorriso na face e o tom sarcástico. Camus e Natsuki riram.

Ai: pois errou feio psicólogo chibi. Eu toco sintetizador e tocava piano quando mais novo.

Os olhos azuis do menor alargaram com a descoberta.

Camus: canta também, Ai tem uma voz muito bonita.

Syo ficou mais surpreso ainda.

Natsuki: sério Ai-chan?? Que legal! Por que você não faz a escola de música junto com a gente?

Ai estremeceu e lembrou de algo.

Ai: é… eu não posso.

Syo: por que?

Cruzou os braços.

Ai: é assunto meu. Mas música pra mim é só hobby.

Disse ficando sério e Syo estranhou.

Camus: mas vocês querem ser ídolos?

Perguntou mudando o foco da conversa.

Syo: Natsuki quer, mas eu to decidindo ainda. Por isso estamos fazendo só as aulas e quando terminarmos o ensino médio eu decido se ingresso no curso de mestrado.

Ai: eu tenho que ir, preciso fazer uma ligação.

Ele se despediu deles e foi embora rapidamente.

Natsuki: aconteceu alguma coisa? Ele mudou de repente.

Camus: err… coisas do Ai.

Sorriu tentando disfarçar.

.............................

Tokiya estava em seu quarto e se irritou ao passar das horas e Otoya nada de chegar.

Tokiya: onde ele se meteu?

Se levantou da cama.

Tokiya: será que eu fui muito rude?

Ele mordeu o lábio e pegou o celular ligando para Reiji.

Reiji: moshi, moshi.

Tokiya: Reiji você tem o número do Otoya?

Reiji: do Otoyan? Sim, claro. Mas por que você quer?

Tokiya: esse baka ainda não voltou e eu quero falar com ele antes que me arrependa de pedir desculpas.

Reiji: ok, ok. Mas não vá maltratá-lo mais. Porque quem vai dar porrada em você dessa vez será eu e não o Ran-Ran!

Tokiya: eu já sei! Agora me passa logo esse número.

Reiji falou o número e rápido Tokiya ligou, mas o mesmo tocou e tocou, mas não atendeu.

Tokiya: esse idiota… merda!

Tokiya ligou para Ai.

Tokiya: Ai!

Ai: o que foi Tokiya?

Tokiya: você ainda consegue rastrear a localização do celular com o numero?

Ai: hm, sim. Por que?

Tokiya: eu vou te dar um numero e quero que você veja onde ele está.

Ai: posso saber de quem é?

Tokiya: err… do Otoya. Quero me desculpar com ele, falei coisas que não devia. Mas ele não volta para o quarto e nem me atende.

Ai: hmm… ok. Me dá o numero.

Tokiya: por que a voz cínica posso saber??

Ai: nada, nada. Agora me dá logo o numero se não eu não vejo mais nada!

Tokiya bufou e disse o número do ruivo, esperou uns minutos e logo Ai disse onde se encontrava o celular.

Tokiya: valeu Ai.

Ai: de nada e não brigue com ele.

Tokiya: eu sei, eu sei. O que não falta é gente o defendendo.

Ai: ele é bem mais acessível que você.

Tokiya: “obrigado” amigo.

Disse sarcástico e ouviu uma risada baixa do bluenette. O moreno desligou e rápido saiu do quarto rumo ao porão do internato.

Tokiya: ele realmente queria se esconder.

Disse emburrado indo na direção do lugar e rápido o encontrou por conhecer aquele lugar tão bem. Tokiya entrou sem fazer barulho e procurou sorrateiramente o ruivo.

Tokiya: Otoya?

Ele viu o ruivo sentado perto de uma estante de livros com as costas apoiadas a parede e abraçava suas próprias pernas.

Otoya: T-Tokiya??

Ele perguntou perplexo vendo o moreno a poucos passos dele em pé.

Tokiya: err… eu… eu… queria pedir desculpas… pelo que falei no quarto…

Otoya arregalou os olhos com o pedido do moreno. Tokiya virou um pouco o rosto, ele estava corando? Se sentia ridículo assim.

Otoya: não se preocupe. Você tem razão, eu não sei nada sobre você… não deveria ter me metido na sua vida. Desculpa.

Abaixou a cabeça. Tokiya não conseguia acreditar no que ouvia, ele havia gritado com ele, o ofendido, o tratado mal por uma semana e ele ainda o pedia desculpas?? Tokiya se aproximou e se sentou ao lado dele encostado também a parede.

Tokiya: sabe… a minha raiva por gente que não tem dinheiro, não é por preconceito.

Ele respirou fundo antes de continuar.

Tokiya: minha mãe… ela conheceu meu pai na faculdade, eles se conheceram, se apaixonaram e acabaram iniciando um relacionamento. Minha mãe era de família rica, não tanto como a do meu pai, mas era. Ela tinha uma melhor amiga que ela conheceu no ensino médio, a garota era pobre, bolsista no internato… minha mãe nunca se importou com classes sociais então virou a melhor amiga dela. Eu não sei dizer se ela sempre teve inveja da minha mãe ou isso começou quando ela se apaixonou pelo meu pai.

Otoya: a melhor amiga da sua mãe se apaixonou pelo seu pai também?

Tokiya: sim. Meu pai é um homem muito bonito, era natural atrair o desejo das mulheres, mas o amor dela por ele foi doentio… minha mãe nunca desconfiou que ela compartilhava esse sentimento. Eu acho que talvez ela tivesse a esperança do namoro dos meus pais acabarem como tantos… mas não acabou. Quando terminaram a faculdade, eles casaram e depois de dois anos eu nasci. Acho que quando minha mãe deu um filho e herdeiro para o meu pai, ela viu que não teria chance alguma de um dia eles se separarem, eles tinham um amor grande, forte, avassalador… um amor… que acho meio irreal ainda existir no mundo.

Otoya o observava.

Tokiya: ela guardou anos e anos de inveja, raiva e ódio da minha mãe… sempre se fingindo de “perfeita melhor amiga”. Quando eu tinha 9 anos… eu queria muito andar de lancha, nunca havia ido por ser muito novo, seria meu primeiro passeio. Meu pai nesse dia teve uma reunião e não pode ir com a gente, minha mãe convidou a amiga dela, mas ela também recusou alegando ter compromissos com seu trabalho… então fomos só nós dois.

Tokiya fechou os olhos reprimindo a emoção que toda vez vinha quando ele lembrava disso.

Tokiya: já estávamos uns 15 minutos na lancha no meio do mar… minha mãe começou a sentir um cheiro estranho no motor da lancha e foi ver o que era… não lembro bem o que ela viu… ou sentiu… só lembro dela vir correndo até mim colocando o colete salva-vidas… ela tava muito desesperada… não entendia o que estava acontecendo e o tempo inteiro perguntava se ela tava bem e a única coisa que ela dizia era… “você vai ficar bem, eu prometo. Mamãe não vai deixar nada acontecer com você.”

Otoya: Tokiya…

Ele viu que o maior estava sofrendo.

Tokiya: ela pegou uma boia inflável enorme e atirou no mar e me jogou em cima dela. Eu ficava o tempo inteiro gritando pra ela vir logo, não queria ficar sozinho… acho que ela viu que não tinha mais tempo e… virou pra mim dizendo: “eu sempre vou estar com você, de onde estiver… a mamãe vai te proteger para sempre… eu te amo e, por favor… não feche seu coração…” depois eu só vi a lancha explodindo com ela dentro. A imagem da minha mãe se desfez na minha frente junto com a vida dela…

Otoya estava com os olhos arregalados, não imaginava que Tokiya tinha passado por isso.

Tokiya: a guarda costeira chegou rapidamente me socorrendo, eu entrei em estado de choque e fiquei assim por semanas, precisou de muito psicólogos, psicanalistas pra fazer com que eu voltasse ao normal. Meu pai chorou todos os dias, por meses… ele se fechou depois da morte dela… não sorria… não dava muita atenção pra mim… ele começou a viver para o trabalho… todas as fotos que ela estava ele tirou dos porta-retratos da casa… acho que não queria lembrar dela… o que viveu ao seu lado e do quanto a amava. Foi feito investigações e viu que foi sabotagem na lancha, demorou um mês e descobriram o culpado… a melhor amiga dela. Ela tinha provocado o acidente sabendo que um de nós dois morreria e claro que seria minha mãe… que tipo de mulher deixaria seu filho morrer pra salvar sua própria vida…? Ela torcia para os dois morrerem assim se livraria de dois fardos e poderia “consolar” meu pai e casar com ele.

O ruivo ainda estava incrédulo e nem sabia o que dizer depois de tudo aquilo.

Tokiya: eu cresci com aquele dia me assombrando todas as noites e manhãs, vendo meu pai se afogar no trabalho, ser criado pela babá, vivendo culpando a mim mesmo por ter ido naquele maldito passeio, ter insistido tanto… nisso passei a repelir todas as pessoas que se aproximavam de mim, não confiava em nenhuma, achava que todos os que não tinham dinheiro poderiam fazer o mesmo que aquela infeliz fez com minha mãe… eu fui quebrado em mil pedaços e ninguém percebeu. Amadureci vendo a pessoa que mais amava no mundo morrendo na minha frente pra me salvar…

Tokiya olhou para o menor e sorriu fracamente.

Tokiya: eu to deprimindo você não é?

Otoya balançou a cabeça negativamente.

Otoya: eu gostei de ter me falado, as vezes precisamos colocar pra fora o que sentimos.

Tokiya: os meus sentimentos estão mortos… não tem um que valha a pena. Eu to farto de tudo… da vida… das pessoas… é como se não encontrasse nada que possa me fazer querer viver… não tenho um sonho… o mundo ta cheio de pessoas chatas, idênticas e sem sentido.

Otoya: você odeia isso aqui não é?

Tokiya riu.

Tokiya: eu estudo aqui a vida toda. E todo ano é a mesma coisa… eu olho pra essa gente toda e vejo pessoas que não fariam falta alguma no mundo.

Otoya: mas… você tem pessoas que te amam. Seus amigos… eles são verdadeiros.

Tokiya sorriu de canto.

Tokiya: é, eles são ótimos mesmo. Brigamos muito… até levei um soco do Ranmaru e do Reiji agora.

Ele riu junto com o ruivo.

Tokiya: mas tem vezes que acho barra eles serem obrigados a me aguentar. Nem mesmo eu me suporto.

Deu de ombros.

Otoya: eu não conheci meu pai, ele deixou a mim e a mamãe antes mesmo de nascer. Acho que ele não me queria.

Riu sufocado. Tokiya o olhou.

Tokiya: sinto muito.

Otoya: eu passei a vida inteira querendo conhece-lo e perguntar se ele tivesse uma segunda chance… se deixaria minha mãe de novo. Será que ele não a amava? Ou fui eu que estraguei o relacionamento deles?

Abaixou o olhar.

Tokiya: mas e sua mãe? Você vai visita-la nos fins de semana?

Otoya levantou a vista o olhando nos olhos.

Otoya: eu a perdi quando tinha 9 anos.

Os orbes azuis do moreno alargaram na mesma hora.

Tokiya: O-Otoya… você é órfão?

Otoya: minha mãe batalhou muito pra me criar, trabalhava em um supermercado e naquele dia ia me levar para a escola… como ela acordou um pouco tarde, estava atrasada e andava pelas ruas afobada comigo… numa travessia ela não viu… e acabou sendo atropelada pelo carro, era pra eu ser atropelado… mas ela se jogou na frente e…

A fala se perdeu no ar.

Otoya: ela foi levada para o hospital, mas não resistiu que eu ouvi falar. Naquela manha eu fiquei perdido… vaguei pelas ruas por umas duas semanas… dormindo em qualquer lugar… comendo a comida que me davam de esmola e não sei como eu cair desmaiado em um orfanato. Uma senhora que é a responsável me acolheu naquela noite… me deu veste, comida e uma cama pra dormir… no dia seguinte contei tudo a ela e me deixou ficar, nisso vivi lá até agora.

Tokiya: eu… eu… não sabia. Você sofreu tanto e…

Otoya: não se preocupe Tokiya. Não é uma historia deprimente sabe… doí, claro que sim. Eu amava minha mãe e tem vezes que sinto falta do pai que nunca tive. Mas sou feliz com que sou hoje.

Ele sorriu abertamente ao moreno que ficou mais surpreso ainda.

Tokiya: Otoya… por que não começamos do zero?

Otoya: hm? Como assim?

Tokiya: não quero brigar com você. Você aceitaria essa pessoa desagradável como seu amigo?

Otoya ficou surpreso, mas acabou rindo.

Otoya: eu acho que posso fazer esse sacrifício.

Eles riram.

Otoya: mas se você quiser nos falamos só no quarto mesmo! Não quero deixar você com uma má fama de andar com pobres. Já percebi que a aparência conta muito aqui, status e tudo isso.

Ele disse meio rápido demais deixando Tokiya confuso que acabou rindo.

Otoya: que foi?

Tokiya: você precisa respirar entre as palavras.

Otoya corou um pouco.

Otoya: d-desculpa…

Tokiya ficou o olhando.

Otoya: mas é serio, não quero arrumar problemas pra você!

Tokiya: ok.

Disse, mas no fundo sabia que não ia concordar. Não dava a mínima para o que aquele povo falava.

Otoya: entretanto… por que mudou de ideia?

Tokiya ficou pensativo.

Tokiya: talvez tenha percebido que nem todas as pessoas são iguais. Você me ajudou, eu não era seu amigo e outro no seu lugar deixaria que eu fosse expulso por vingança e também pra se ver livre de mim. Mas você não fez, foi falar com meus amigos e me protegeu mesmo tratando você tão mal.

Otoya sorriu.

Otoya: se bem que mesmo que fosse expulso, com certeza viria outro riquinho e ia encrencar comigo. Não teria logica querer sua expulsão.

Disse sarcástico. O moreno arregalou os olhos.

Tokiya: baka.

Eles riram de novo.

Otoya: nee… como era sua mãe?

Tokiya: era talentosa, ela amava música e cantava muito bem, divertida, amável e algumas pessoas dizem que eu sou todo minha mãe, a única diferença é que nasci homem. Mas ela era assim, branca, olhos e cabelos da mesma cor e até mesmo alguns traços do meu rosto.

Otoya: então ela devia ser muito linda!

Disse animado e só então notou o que havia dito pelo olhar que Tokiya fez.

Otoya: err… b-bem… é que… você não é feio né Tokiya? Por isso eu disse… que…

Ele tava corando furiosamente. Tokiya riu.

Tokiya: eu entendi Otoya.

Sorriu de canto pela vergonha do menor e naquele momento que o ruivo estava tão perto dele, Tokiya notou que ele era mais bonito ainda. Aqueles olhos… o sorriso… o rosto… tudo nele era encantador…

Tokiya: e você é parecido com sua mãe?

Otoya: hai! Eu sou a cara dela! Esses olhos e cabelos chamativos eu puxei pra ela.

Disse rindo.

Otoya: também tenho o sorriso dela e características do rosto também.

Tokiya sorriu.

Tokiya: então ela devia ser uma mulher linda também.

Otoya arregalou os olhos pelo que Tokiya havia dito. O moreno sorriu de canto e se levantou.

Tokiya: vamos? Eu to morrendo de fome!

Otoya: h-hai!

Ainda estava meio perplexo. Tokiya estendeu a mão pra ele o ajudando a levantar.

Otoya: espero que sejamos bons amigos!

Disse animado.

Tokiya: tenho a impressão que seremos sim.

Sorriu em resposta.

Notas finais
cap grande né?? até o nome dele ta grande kkkkkkkkkkkk mas espero que tenham gostado, beijinhos.