Notas iniciais
Desculpem pela demora, a história não acaba aqui, ainda temos muita água para passar por essa ponte.

Eu não levantei. As lágrimas ainda escorriam pelo meu rosto, mas agora estavam silenciosas. Eu não tinha forças para chorar, e nunca me senti tão vazia.

- Duda... — era a Bia – Você tá bem?

- N-não. Mas você não precisa se preocupar...

Ela fungou e se sentou em um canto da cela. Eu continuei chorando, mas dessa vez de raiva. Nunca pensei em vingança, nem quando meus avós faziam maldades comigo, mas agora, era a única coisa que eu queria.

Passaram-se horas, e o silêncio só foi quebrado com um rangido, que provavelmente vinha da porta. Ouvi passos, até que Leo surgiu na minha frente novamente.

Levantei a cabeça e fitei ele. Seus olhos pareciam vidro, que refletiam toda minha dor como se fosse a dele também. Eu me levantei e fixei meus olhos nele:

- Bia, Tom vai levar você – Tom surgiu atrás dele e pegou o braço de Bia, abrindo a cela para ela passar. Ela pareceu pedir ajuda, mas eu não liguei dessa vez. Tinha que encerrar com Leo.

Logo, ficamos a sós. Ele abriu a cela e entrou, soltando minhas algemas. Eu encarei ele, e logo percebi o revólver em sua cintura. Minha vingança.

- Duda, eu...

- Não quero que diga nada. Só... me beije mais uma vez.

Leo pode ter achado estranho, mas cedeu ao meu pedido. Quando ele se aproximou, tirei a arma da cintura dele e a coloquei em sua barriga, rápida como um relâmpago.

Ele pareceu ter empalidecido. Eu apertei o cabo do revólver, meus dedos tremendo e tudo pareceu desfocar um pouco. Minha decisão estava tomada.

O barulho do tiro ecoou pelas paredes. Leo me encarou, abismado, meio que com uma careta de dor.

- Por quê? — ele perguntou, a voz falhando.

- A minha sociedade é a Red Vingance – eu disse, minha voz fria como gelo – E eu me vinguei.

Ele caiu de joelhos, o ombro empapado de sangue. Eu senti que estava ficando tonta, mas mesmo assim me ajoelhei e terminei minha tarefa. Eu ia matá-lo como Robert tentou me matar: um tiro na cabeça.

- Você já me feriu – ele disse, a voz desesperada e chorosa ao mesmo tempo – Por que me fazer sofrer mais?

- Quero ver você sofrendo tanto quanto eu – minha voz soou cruel, o que eu não queria – Quero que chore e sofra.

- Estou chorando! — ele berrou, desesperado – Estou sofrendo! O que mais você quer?! — a voz dele saiu rouca, já que ele estava gemendo de dor e soluçando ao mesmo tempo.

Eu abaixei a arma. Encarei os olhos verdes dele, agora úmidos. Senti os meus ficando marejados. Comecei a chorar novamente. Mesmo ferido, Leo tentou passar seus braços pelos meus ombros.

- Me desculpe... — eu disse.

Mas eu fui afastada dele, puxada por Tom. Nunca odiei tanto aquele velho como agora. Eu fui levada para o mesmo lugar que Bia: uma sala ampla e com algumas poltronas. Sinceramente era melhor que uma cela.

Mas o que me surpreendeu foi quem eu encontrei lá: além de Bia, Kadu também estava lá. Mas Milena não. Kadu me encarou, provavelmente vendo o meu estado:

- Você tá bem? — ele perguntou, se aproximando de mim.

- Tô – eu disse, e encarei ele – Tenho uma boa notícia para você: Leo não está mais conosco. Ele... me traiu.

Kadu pareceu sorrir, mas ao ver que eu estava totalmente destruída por causa daquilo ele parou. Bia me encarou, triste também. Eu gostava tanto dela que compartilhávamos até sentimentos.

A porta abriu e Robert entrou. Ele me encarou e apontou para uma das poltronas:

- Pode sentar.

Eu não fui contra. Sentei e afundei na cadeira. Bia e Kadu continuaram de pé, mas Robert pareceu não se importar.

- Bem, eu vim aqui para te fazer uma proposta Eduarda.

- O quê? — eu perguntei.

- Uma chance de rendição e paz.

Eu encarei Robert. Aquilo não era o que eu esperava dele. Paz? Ele odiava paz. Rendição? Ele adoraria que eu lutasse para poder me matar. Mas, depois do que eu passei e vi...

- Eu aceito sua paz... — eu comecei – Quando você morrer seu idiota. Fora isso, vamos lutar.

Eu tirei o mesmo revólver que eu tinha atirado em Leo e atirei em Robert.

A guerra tinha acabado.

Notas finais
Estamos no começo da parte importante. Tudo que se passou até agora foram só preliminares, agora que a coisa pega fogo. Até mais!