A Vida De Uma Garota Estranha
10 Maldito Lustre
Notas iniciais
Eu particularmente adorei o final do capítulo...
Depois da maravilhosa novidade que aquela garota doida era irmã do Leo, prosseguimos com a história.
- Duda, de onde você conhece a minha irmã?!
- Eu não conheço a sua irmã, eu estava tentando fugir e ela me deu uma rasteira e começou a me xingar...
- Você ia fugir e nos deixar aqui?! — a Bia perguntou, desesperada.
- Bem, mais ou menos... — eu respondi sem graça.
- Mais ou menos... a cada dia que se passa você se junta mais ao inimigo! — Kadu gritou para mim — Primeiro esse esquisito depois a irmã dele!
- Hey, seu idiota, eu tenho nome! — Milena gritou.
- E não somos seus inimigos — Leo disse, aparentemente calmo.
- Não é nosso inimigo? Olhe onde estamos por sua causa!
- Ei ei — eu intervi — Querem parar de brigar? Eu vim aqui para soltar vocês e é isso que importa! Mas, antes disso eu quero uma coisa só.
- O que você quer ô garota?- Milena perguntou, entediada.
- Que você e o Leo me expliquem sua história.
Os dois ficaram mais brancos que papel, mas quando Milena se recuperou, foi grossa como de costume:
- Por que te contaríamos nossa história?
- Porque... — eu não tinha argumentos fortes o suficiente — Estou fazendo time com vocês, então, preciso saber de que lado estão!
- Do seu! — Leo disse.
- Silêncio Leonardo! — Milena suspirou — A minha história é muito sem graça, mas já que você quer ouvir...
" Tudo começou a 16 anos, quando vosso querido inimigo Robert conheceu uma garota alegre e feliz, de nome Melissa. Ele se apaixonou pela garota... e não foram felizes para sempre."
- Vai começar... — Leo suspirou e se sentou no chão.
" Bem, o sr. Robert engravidou a doce Melissa, onde eu, a íncrivel e super fodástica Milena nasceu. Mas como em histórias ruins desgraça pouca é bobagem, eles tiveram um segundo filho, meu amado irmão Leonardo, um ano depois. Depois disso Robert matou Melissa. Fim!"
Eu poderia ter batido palmas por Milena ter transformado uma história horrível em uma história para crianças, mas em respeito a memória da tal Melissa eu fiquei em silêncio.
- Bem, bela história — eu disse — mas como saímos daqui?
- Eu tive medo que você perguntasse isso... — Milena riu — Porque eu não sei a resposta...
Eu quase bati nela aquela hora. Não havia absolutamente nehuma semelhança com Leo, ela era estranha e muito "nem aí" para a vida. Não que eu também não fosse assim...
- Sua... — Leo começou, mas mudou de ideia e respirou fundo — Bem, a quanto tempo você conseguiu se soltar Duda?
- Anh... sei lá — respondi — Uns 20 minutos. Por quê?
- Droga, em breve vão notar sua falta — ele murmurou — Milena! Você conhece esse lugar melhor que nós, então NOS TIRE DAQUI!
- Não devia gritar com sua irmã mais velha... — ela olhou para Leo, ainda rindo baixo — Mas, como é você que está pedindo, vou fazer esse favor.
Ela tirou um molho de chaves do bolso e selecionou uma. Abriu a cela do Leo, logo depois a da Bia e do Kadu. Bia correu e me abraçou.
- Onde estamos?! Onde estamos?! — ela começou a perguntar freneticamente, e eu fiquei com sincero medo.
- Anh... no território inimigo — eu disse — Mas já estamos indo...
Ouvimos passos no piso acima e percebemos que já tinham dado por minha falta. Leo revirou os bolsos novamente e eu não pude me segurar:
- Não banque o heróis novamente Sr. Leonardo — sorri — está na hora que eu salvo vocês...
O silêncio em seguida foi humilhante. Ouvi Milena sussurar "isso vai dar merda", mas ignorei.
- Tem certeza? — Leo tirou as mãos dos bolsos — Você já viu que está em uma situação delicada.
- Situação delicada? — eu repeti feito uma idiota.
- Sim, está na base inimiga, cercada de inimigos e provavelmente com pouca sorte. Quer mesmo dominar a situação?
Eu pensei no que ele disse e automaticamente montei um plano.
- Sim, eu quero. Mas escutem... eu tenho um plano!
Expliquei o plano mas simples do mundo para eles: eu entraria novamente em uma cela, junto com o Leo, e a Bia e o Kadu na outra. Milena ficaria fora e fingiria que tinha me colocado lá porque eu tinha quase fugido. Desse jeito, conseguiríamos mais tempo.
Mal entramos nas celas, a porta se escancarou e um homem de prováveis 50-60 anos entrou. Ele me encarou cuidadosamente, como se eu fosse uma bomba prestes a explodir.
- O que ela está fazendo aqui?
- Ela estava fugindo quando a recapturei — Milena explicou — Acho que aqui é mais seguro.
- Avisou isso a Robert?
- Avise você velho preguiçoso — ela disse — Afinal, você tem boca.
O homem resmungou alguma coisa e subiu as escadas do alçapão vagarosamente. Milena se virou para nós.
- Eu improvisei — sorriu — espero que tenha ficado bom.
- Bom? — Leo exclamou, na típica admiração de irmãos — Aquilo ficou incrível!
Ela abriu as celas e nos deixou passar. Andamos devagar até o alçapão e voltamos a sala que eu estava anteriormente. Abrimos a porta que rangeu, mas felizmente o som não foi muito alto, e saímos correndo pelo corredor.
Foi aí que tudo ferrou novamente.
Eu, que estava na frente, topei com Robert no caminho. Meu único pensamento foi "ah que bosta, por que diabos ele está aqui?" antes de me estatelar no chão.
Robert ainda estava surpreso quando se levantou. Ele fitou Milena friamente. Ela revidou o olhar, mas ele já estava ME olhando.
- Você não vai ter a mesma sorte de antes garota... agora eu te mato.
- Só se me matar primeiro — Leo disse, dando uma rasteira em Robert e abrindo caminho — Disse que você não ia conseguir nos salvar...
- Ora, eu bolei um plano! O que mais você queria?
Nos saímos correndo novamente, mas todo o prédio já estava em alerta. Me virei e vi Robert a poucos metros de mim, espumando de raiva.
Descemos as escadas em direção ao salão de dois em dois degraus. Corremos até a janela, constatamos tarde demais que ela já estava trancada. Milena gritou de raiva:
- Estamos ferrados agora! Não tem como escapar!
Eu olhei deseperada pelo salaõ, ouvindo dezenas de armas sendo preparadas. Encontrei uma janela aberta do outro lado do salão.
- Vamos! — eu gritei.
Voltamos a correr, dessa vez desviando de uma saraivada de tiros. Mas como Leo disse, eu estava com azar: fui atingida no ombro poucos metros antes da janela.
Milena foi a primeira a pular, seguida de Kadu. Leo olhou para mim. Eu ainda não havia ido. Faltava Bia.
Eu a encontrei correndo em nossa direção, Robert atrás dela. Mas ele não apontava para ela e sim para... o lustre do teto.
A próxima cena ocorreu em segundos e nem eu a entendo direito.
Robert atirou para a corda que segurava o lustre, fazendo ele despencar e cair bem em cima de Bia. Em seguida veio uma chuva de vidro e eu a perdi de vista.
- NÃO! — eu berrei, desesperada — BIA!! NÃO ME DEIXA!
Leo agarrou na minha cintura e começou a me arrastar para a janela, mesmo que eu me debatesse. Podia ver lágrimas nos olhos dele.
Pulamos a janela e caímos em segurança no chão, voltando a correr, ou melhor, Leo voltou a correr, me carregando no colo, pois a única coisa que eu sabia fazer era chorar e me preparar para desmaiar.
Fale com o autor