Notas iniciais
Desculpem pela demora, eu estava em semana de prova e estou com alguns probleminhas que tô enrolando pra resolver, mas não esqueci da história não...

Eu acordei numa clareira. Não sabia como havia chegado lá. Não sabia minha situação, só sabia de uma coisa: eu tinha perdido Bia. Era cruel pensar naquilo, e a minha dor parecia nunca parar de aumentar, martelando no meu peito, dizendo que eu era culpada por aquilo.

De certa forma, eu era. Eu que havia insistido que ela viesse conosco, sendo que o melhor é que ficasse com sua vida normal e segura, sem correr todos aqueles riscos. Agora já era tarde.

Abri meus olhos devagar, sentindo eles arderem por algum ponto de luz que eu não consegui definir. Havia alguém do meu lado, também não consegui identificar quem era.

Tentei levantar e enxerguei melhor as coisas. O ponto de luz era uma fogueira e a pessoa ao meu lado era Milena. Era parecia concentrada mexendo no meu braço.

- Que bom que acordou — ela disse, continuando a mexer no meu braço — Pensei que tinha morrido... como a sua amiga.

- Bia não morreu — eu gemi — Ela não pode ter morrido. Não pode, eu não deixaria, nunca deixaria minha melhor amiga morrer num lugar daqueles!

- Duda... — era Leo, que parecia estar ao meu outro lado — Aceite os fatos. É bem provável que Bia tenha...

- Não! — eu gritei com ele — Ela não morreu! — as lágrimas voltaram, dessa vez mais fortes. Senti ele segurar meu braço.

- Não é culpa sua... não podia ser evitado — ele disse, baixo — Mas... não fique assim. Ainda temos muita coisa pra fazer... e...

- Onde está Kadu? — eu cortei ele.

Leo pareceu irritar-se quando eu citei Kadu, mas também podia ser por ter sido interrompido. Ele apontou para o outro lado da clareira, onde Kadu estava de costas para mim, apoiado numa árvore.

Me levantei com dificuldade e andei até ele. Ele estava de olhos fechados:

- Kadu... está tudo bem com você? — perguntei, baixo.

- Tudo bem? — ele sussurou — Você acha mesmo que está "tudo bem"?

Eu abaixei a cabeça. Eu não sabia o que dizer para ele. Na verdade eu não sabia o que dizer nem para mim mesma. Kadu deveria estar arrasado mais que ninguém, já que ele e Bia também eram muito próximos.

- Por que isso aconteceu com a Bia?! — ele gritou, dando um soco na árvore — Por que a gente tinha que perder ela?!

Eu fiquei em silêncio, as palavras travadas na garganta. Eram as mesmas perguntas que eu me fazia...

- Diz pra mim Eduarda! — ele continuou — Por que tinha que nos trazer para esse inferno?! Para nos matar?!

- Me desculpe... — sussurei — Não era minha intenção — minha voz já estava ficando embolada pelo choro.

- Não?! — ele apertou meus ombros — Olhe o que você fez!

- Não fui eu... — eu já não sabia o que dizer — Desculpa...

- Larga ela — ouvi Leo dizer — Ela não tem culpa de nada.

Kadu me largou, para minha alegria. Eu quase caí no chão novamente, mas Milena me segurou e conseguiu me deixar de pé.

Me virei para ver onde Kadu tinha ido, já que ele já não estava na minha frente. Encontrei-o na frente de Leo, encarando-o. Os dois iam acabar brigando, isso era óbvio.

- Vocês dois se merecem — Kadu disse baixo — Acabaram de matar a Bia!

- Ela não está morta — eu tornei a repetir — Por favor Kadu, acalme-se — é, acho que eu já estava melhor.

- Como quer que eu me acalme?! — ele voltou a gritar — Com Bia morta, e por você ter matado ela!

Eu me enganei novamente. Ainda estava frágil, e aquelas palavras me arranharam e senti meu coração se rasgar.

Eu saí correndo entre os dois, me embrenhando no mato. Ignorei Leo pedindo que eu voltasse, só queria me afastar, me enterrar e esquecer os problemas.

Corri entre as árvores, os galhos cortando o meu rosto. Perdi a noção da distância, só sabia correr. Até que tropeçei e rolei pelas folhas.

Senti a chuva caindo nas minhas costas. Chovendo. O frio já estava me dominando, e senti o sono tomando conta de mim, junto com a dor da queda.

Mas tudo não importava. O mundo podia acabar, mas nada importava. Bia era como minha irmã, Kadu um irmão.Agora tinha perdido tudo.

Senti alguma coisa me cobrindo, uma coisa um pouco pesada e grossa, mas também quente. Me virei e encarei Leo, me cobrindo com minha jaqueta.

- Foi uma das poucas coisas que consegui pegar da sua bolsa — ele explicou.

- Me deixa sozinha... — sussurei.

- Não. Deu muito trabalho te encontrar...

Ficamos em silêncio, a chuva engrossando. Leo parecia não se importar.

- Não ligue para ele — sabia que o "ele" que Leo se referia era Kadu — Esta muito nervoso...

- Eu perdi tudo... — murmurei — Minha vida, minha família, meus amigos... tudo. E não ganhei nada em troca. É muito injusto...

- Isso vai passar — ele me encarou com seus olhos verdes — Sempre passa. Agora, que tal você voltar para a clareira?

- Não sei se vou aguentar ver o Kadu — eu apertei o braço dele — É difícil...

- Vai ser mais difícil ainda ficar nessa chuva — ele tirou os fios de cabelo que estavam grudados no meu rosto — Você é forte Duda, vai conseguir recuperar Bia...

- Então você também acha que ela está viva? — perguntei.

- Não tenho tanta certeza mas... a esperança é a última que morre...

Me levantei e ajudei ele a fazer o mesmo. Leo parecia sem jeito...

- Você foi uma das poucas coisas que eu ganhei... — disse — Obrigada.

Tive a leve impressão de ver ele corar ao receber meus agradecimentos e elogios. Mesmo assim, começamos a fazer nosso caminho de volta.

Então eu vi o quanto tinha corrido. Era uma bela distância, e andamos pelo menos 15 minutos até chegar a clareira.

Milena cutucava distraidamente as brasas apagadas da fogueira, e Kadu estava sentado, de costas, em silêncio. Achei melhor não falar com ele agora.

Me sentei no chão, Leo ao meu lado. Milena cansou de cutucar as brasas e deitou um pouco afastada de nós, tudo em silêncio. Também parecia abalada pelo que aconteceu com Bia.

Eu não sei quando dormi, só sei que dormi apoiada em Leo.

* * *

Acordei com dor nas costas, e me surpreendi com Leo ainda dormindo. Kadu era o único que tinha levantado, e me encarava com uma expressão vazia.

- Kadu... — eu sussurei, sentindo Leo se mexer desconfortável ao meu lado. Até no sono ele não gostava do Kadu — Desculpe por ontem... e, em certa parte culpa minha também. Eu que trouxe ela...

- Deixa, vamos conseguir recuperá-la.

- Ai ai — era Milena, se espreguiçando — Todos vocês já acordaram é? — ela encarou Leo, que ainda dormia (ou fingia) — Menos o preguiçoso do meu irmão.

- Estou acordado — ele disse. É, ele estava fingindo.

- Que bom — ela disse — Temos muita coisa para fazer em pouco tempo... e com muita gente atrás de nós.

- Vocês vão fazer isso — Kadu interrompeu — Eu não vou.

- Por que? — perguntei, incrédula.

- Vou para casa, tentar esquecer isso — ele suspirou.

- E a Bia?! — eu perguntei, me levantando deseperada — Você não vai atrás dela?!

- Não, boa sorte para recuperá-la.

- Deixa de ser otário — Milena disse — Você nunca vai encontrar o caminho de volta, estamos bem isolados...

- Deixa, eu me viro — ele já estava longe. Já tinha ido.

Me sentei, novamente destruída. Mas dessa vez Leo não me consolou. Ele nem ficou perto de mim, se afastando também.

Parecíamos divididos por uma linha invisível: Milena e Leo de um lado, Kadu longe demais e Bia... longe.

Eu estava sozinha. Perdida, na minha missão impossível, sem ajuda ou apoio. Todos tinham se afastado, eu tinha perdido tudo.

Estava sozinha desse lado da linha.

Notas finais
Desculpe pela demora mais uma vez, mas agora a história começa a ficar um pouco mais dramática, e como eu já disse, não sei fazer drama muito bem...