A Vida De Uma Garota Estranha
5 Escapo Cheia de Planos de Guerra
Notas iniciais
Robet apontou sua faca para mim, mas quando ia me matar, o celular dele tocou.
Ele discutiu longos minutos com alguém e por fim se virou para mim:
- É garota, parece que sua hora não chegou.
Ufa, salva pelo gongo!
Robert saiu da sala, e como ele é muito sádico e mal, me deixou amarrada lá. Foi então que eu vi aquele garoto que tinha levado a Bia para outra sala.
Ele estava sentado lendo o jornal matinal. Aparentava ter a mesma idade que eu, mas seus gestos eram de uma pessoa bem mais velha. Fiquei alguns minutos encarando-o até que ele tirou os olhos do jornal e me encarou de volta:
- O que foi? — ele perguntou.
- Oh, nada. É que eu tava aqui pensando, você poderia me desamarrar como um gesto de amigo.
- Não te conheço, então não sou seu amigo — ele respondeu friamente, voltando a ler jornal.
Tudo bem Duda, nem sempre tudo dá certo de primeira. Eu voltei a tentar puxar assunto:
- Também foi sequestrado? — perguntei em tom descontraído.
- Não.
- Então o que está fazendo aqui?
- Sou filho do Robert.
Eu engasguei (não sei com o quê) e olhei era mais ainda. Nem se estivesse escrito em sua testa eu acreditaria que ele é filho daquele maníaco do Robert.
- Robert tem esposa? — perguntei.
- Não.
Ficamos em silêncio. Ele virou a página do jornal e o fechou em seguida. Suspirou cansado.
- Qual é o seu nome? — perguntou para mim.
- Eduarda. Mas pode me chamar de Duda. E o seu é...
- Leonardo. Escuta, pelo que eu conheço, Robert deve estar na sala de reuniões agora. Eu posso te soltar e soltar sua amiga também, mas para isso vão ter que me levar junto com vocês.
Só isso? Ele ia pedir SÓ ISSO? Putz, por que não falou antes?
- Hey, peraí — eu disse — Se você é filho do Robert, faz parte daquela sociedade estranha que eu esqueci o nome mas que é minha inimiga, provavelmente é um espião...
- Não, não sou. Mas tudo bem, se quer ficar presa aí...
- Espera! Me garante que não é um espião?
Ele afirmou com a cabeça.
- Então estamos okay! Me solte e me leva até a Bia!
Ele suspirou e me desamarou rapidamente. Depois disso, ele me levou até uma sala a alguns metros e abriu a porta. Bia estava lá dentro.
Ela estava quase derretendo de medo. Quando me viu, levantou e pulou no meu pescoço, me abraçando forte. Mas ao ver Leo, ela recuou alguns passos.
- Espera Bia, ele tá do nosso lado!
- Lado? Por favor, que história é essa?!
Eu expliquei de uma maneira simples tudo que Robert havia me contado e pensei que Bia ia explodir ali mesmo.
- Meu Deus, você é líder de uma sociedade super foda de assassinos e sequestradores? Por que não me disse antes?
- Porque eu descobri agora também! — eu disse, tentando acalmá-la — Mas a sociedade não é tão foda assim, nem encontraram o próprio líder!
- Isso que você pensa. — Leo me interrompeu — Todos da Red Vingance já sabem sua localização e te observam a dias. Por acaso, alguns desses dados sobre você vazaram e Robert tinha nas mãos um arsenal de informações sobre o líder da sociedade inimiga.
- E depois ele me sequestrou... Robert é esperto — eu concluí o raciocínio.
- Pena que só use o conhecimento para o mal — Bia disse — Como vamos sair daqui?
- Espera, Robert tem quais outras informações além das minhas? — perguntei para Leo.
- Acho que uns planos de guerra da sua sociedade. Por que?
- Temos que pegar esses planos!
- Por que diacho? — a Bia perguntou — Essa guerra não é nossa Duda! Vamos embora logo!
- Você está errada Bia! Essa guerra é sim minha, já que sou líder de uma das sociedades!
- Por favor, querem falar baixo? — Leo pediu, e percebi que estávamos quase gritando.
- Desculpe — Bia disse — mas não sei se vou te acompanhar nessa aventura suicída... é muito para mim Duda.
- Bia, eu vim até esse lugarzinho de quinta te salvar, e agora você me diz que não vai me ajudar?!
Bia abaixou os olhos e percebi que ela estava fazendo força para não chorar. Leo ainda estava na porta, vigiando, então imaginei que tínhamos tempo. Andei até Bia.
- Desculpa Duda, eu só tenho medo... de coisas ruins acontecerem. Não sou corajosa como você. Só sou uma garota.
- Bia, coisas ruins vão acontecer se não impedimos o Robert. Vão jogar uma bomba em algum lugar, e tenho certeza que isso vai ferir muita gente. Então, temos que ir.
Bia pensou por alguns instantes até que assentiu. Eu fui até Leo e ordenei:
- Nos leve até esses planos de guerra okay?
Ele começou a andar, seguindo pelo corredor.
O caminho foi o mais longo da minha vida. Direita, direita, esquerda, direita... era impossível memorizar o caminho. Até que chegamos em um alçapão.
- Bem, aqui que é a parte difícil. Os planos estão com Robert, vão precisar pegá-los sem que as perceba entenderam? — Leo explicou.
Ele abriu o alçapão devagar e eu pude ver a reunião que Robert estava fazendo. Os planos estavam pregados em um mural, atrás dele. Porra, aquilo ia ser difícil...
Me esgueirei pelo alçapão junto com Bia, até que meus pés tocaram o chão. Eu me escondi nas sombras, mas Bia teve que se jogar no chão.
Fiquei observando a reunião alguns instantes. Aqueles homens que estavam ali deviam ser os integrantes da Secret Dead.
Estavam vestidos com ternos e gravatas azuis. Podia ver que na cintura cada um tinha um revólver. Putz, armas...
Eu me esgueirei devagar até o mural e tirei os pregos mais baixos. Todos pareciam estar vidrados nas palavras de Robert, tanto que nem me perceberam tirar o restante dos pregos.
Mas como nada pode dar certo na minha vida, o mural tinha que se soltar da parede e cair em cima de mim, fazendo o maior barulho.
Ouvi o barulho de cadeiras sendo arrastadas e passos até onde eu estava. Senti mãos fortes levantando o mural. Droga, eu estava morta.
Foi quando ouvi o barulho de um tiro e algo caindo ao meu lado. Senti o cheiro forte de pólvora e sangue misturados.
- Cuidado, ele tem uma arma! — ouvi alguém gritar.
Foi um rebuliço geral. Aproveitei a bagunça e me levantei, enrolando os planos de guerra e os prendendo na minha cintura. Levantei os olhos e vi quem estava atirando feito um retardado.
Era o Leo. Ele segurava o braço da Bia e tinha uma arma apontada para o peito de Robert. Quando ele me viu, atirou em mim... MAS QUE MERDA É ESSA?! ELE ATIROU EM MIM?!
Me abaixei e vi onde ele queria acertar: a vidraça atrás de mim. O vidro se despedaçou e pude ver que estávamos no segundo andar.
Quando me virei, vi Leo correndo feito um doido em minha direção. Ele estava com Bia nas costas e pulou, agarrando minha cintura.
Desnecessário dizer o que aconteceu depois né? Mas para quem não se tocou:
Nós caímos pela janela do segundo andar. Eu comecei a berrar desesperada e constatei que perdi um jeans novo nesse pulo.
Mas, graças a Deus, caímos em cima de uma copa bem volumosa de uma árvore. Rodamos pelas folhas e caímos perfeitamente de pé.
- Vamos! — Leo disse, colocando Bia no chão.
- Ai ai, o que você fez? — perguntei.
- Salvei sua vida, matei um homem e pulei de uma janela! Agora você vai correr!
Andei com um pouco de dificuldade os primeiros metros, mas logo comecei a correr, me embrenhando na florestra próxima. Ainda podia ouvir gritos e passos atrás de mim. Graças a Deus eram os de Bia...
Notas finais
Vlw a todo mundo que comentou, fico muito agradecida pelas dicas, opiniões ou até mesmo ameaças. Muito mais agradecimentos a JotaBe, que fez essa capa para mim. Obrigada. Só para poder incentivar vocês a participar mais, só por essa pequena participação, JotaBe ganhou um preview desse capítulo ontem, um dia antes da história ser postada. Participem e podem ganhar como ela!
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