A Vida Da Miss Invisible

9 Júlia Batista?! De onde saiu essa?!


Notas iniciais
Bem, bem... demorei horrores para postar mais caps mas fui abandonada pela minha única leitora... T^T Angel-chan... não me deixa não... Caham! *tosse* Já parei! u.ú Boa leitura! ~.o

Não é possível ser ele. Tantos anos que se passaram, tanta coisa que mudou, amizades que foram e vieram mas nunca esperaria que um dia isto acontecesse. O retorno do meu melhor amigo... Ou pelo menos era o que eu pensava que eramos! Nem um telefonema durante este tempo todo. Será que ainda se lembra de mim?

Eu sou uma pessoa como as outras! Também choro, fico zangada, raivosa, triste, só, deprimida... mas ele não se importou comigo não é?! Nem um simples "adeus" e agora volta sem avisar como se nada fosse?! Como se fossemos simplesmente... desconhecidos.

– Estás a chorar? — ouço a ruiva perguntar-me enquanto limpava a única lágrima que me escorria pela cara.

– Não! Isto passa! — respondo com mais um dos meus largos sorrisos falsos.

– Então e tu? — pergunta o Leo para mim.

– Eu o que?

– O teu nome? Eu vivi aqui em pequeno, pode ser que me lembre de ti.

Olho bem no fundo dos seus olhos. Consegui ver que esperava algo mais de mim, como se no fundo duvidasse que eu fosse a sua Drika.

O problema foi que na hora H, algo falhou em mim e pela minha boca saiu isto:

– Júlia... Batista... — murmuro incerta.

– De certeza?

Eu apenas abano a cabeça positivamente como resposta.

– Só para terminar — ouço a ruiva interromper este momento de pressão. — O meu nome é Isabel, mas prefiro Isa, ou então Bela, como o meu fofinho me chama, não é?

Dito isto ela beija-o rapidamente e depois sorri para mim de forma meiga e doce. Na minha mente aquela foi uma maneira rápida e disfarçada de dizer: "Ele é meu! Mas gostei de ti! Podemos ser amigas."

– Bom... — digo voltando a interromper o silêncio — tenho que ir agora. O meu cão deve estar doido para ir dar um passeio. Conhecendo-o bem já deve ter destruído metade da casa! — digo a sorrir enquanto me afasto para ir embora.

– Só uma pergunta! — grita o Leo, por já estarmos a alguma distância — Qual é a raça do teu cão?

– É um Golden Retriver! — respondo no mesmo volume.

***

No caminho de volta a casa vou a brigar com a minha consciência.

Como é que eu consegui mentir sobre o meu nome?! E porque?!

Provavelmente estavas com medo da reação dele. Afinal, ele regressou sem mais nem menos!

Mas porque é que eu não menti acerca do cão...?

Algo em ti quer que ele descubra a verdade. Deve ter sido isso...

Foi tudo muito depressa. Eu não sabia como agir. Simplesmente congelei! Será que eu devia ter dito quem era?

É uma pergunta que nunca vai ter resposta. Nunca saberás como teria sido.

Infelizmente não se pode voltar atrás nos nossos atos...

Isso mesmo. Mas tenta abrandar um pouco. Tantas emoções em tão poucas horas não fazem

bem.

Um dia de anos bem agitado não é? A festa, a noite no hospital, as prendas e agora descubro que o Leo voltou! Preciso de descansar um pouco...

Assim que termino a "conversa" vejo que já estava em casa.

Arrumo a mota na minha garagem (estão aqui as minhas motas e o carro que a minha mãe me tinha disponibilizado para ir para a escola) e, assim que ponho um pé dentro de casa, sou derrubada por algo grande e felpudo (e um pouco babado também...).

– Leo! — reclamo a rir enquanto ele lambia a minha cara — Pára! Senta! Quieto! Ahhh!

Esperneio tanto que o bicho acaba por se sentar quieto ao meu lado.

Levanto-me e acaricio o seu pêlo dourado.

– Então seu gordo! Saudades minhas né? — digo num tom de brincadeira enquanto abraçava o cão.

Foi muito divertido ver a reação dele depois de eu o chamar gordo. Fez uma cara que parecia zangada, como se tivesse ficado ofendido!

– Está bem... desculpa.

Largo o Leo e vou até à cozinha procurar a Olga.

A ruiva estava toda atrapalhada tentando equilibrar alguns pratos e panelas sujos ao mesmo tempo que se esticava para desligar o fogão.

– Precisas de ajuda Olga? — pergunto preocupada.

Mas ela assustou-se com a minha presença repentina e largou tudo no chão causando um grande estrondo de pratos partidos e metal a embater um contra o outro.

Quando recupera do susto estica-se rapidamente para desligar o fogão onde a chaleira já apitava à um bocado.

– Ai menina! Assustou-me! Olhe só para esta confusão! Ai, ai, ai... — murmura a última parte enquanto pegava numa vassoura para varrer os estilhaços de pratos.

– Desculpa Olga — peço. — Deixa-me ajudar-te.

– Nem pense nisso menina! Eu trato de tudo por aqui. Estou a terminar o jantar por isso é melhor ir tomar um banho para relaxar – diz enquanto varre o chão sem olhar para mim.

Suspiro derrotada e cansada mas quando estava quase a sair da cozinha ela chama-me.

– Menina Mendes?

Volto-me de novo para ela e vejo que continua sem me olhar. Fico à espera que ela diga algo e depois de uns segundos de silêncio Olga decide continuar, já com os olhos postos em mim.

– Dia cheio? – pergunta.

– Uhum… muito mesmo — murmuro sem saber se lhe contava sobre o Leo, afinal ela só veio para cá trabalhar depois dele se ir embora.

– Quer desabafar?

– Acho que não é preciso Olga. Não é algo assim tão grave… — ela interrompe-me.

– A menina sabe que não me pode mentir, não sabe? – pergunta com uma sobrancelha arqueada.

– Sei…

– Então tem certeza que não quer mesmo falar sobre o seu dia?

– Não é preciso Olga… mas obrigada mesmo assim.

Subo para ir tomar o tão esperado banho.

Encho a banheira com água (e muitas bolhinhas de sabão!) e afogo-me em pensamentos enquanto escorrego pela banheira ficando apenas com a cabeça fora de água.

Este dia foi muito cansativo... E com tudo isto que aconteceu acabei por me esquecer de tomar os comprimidos que o médico pediu. Só espero que não façam muita falta...

Estou confusa. Mas afinal, quem não estaria?

Leo... o meu Leo voltou e vejam só! Trouxe um brinde surpresa consigo...! Não é que eu tenha algo contra mas... podia pelo menos ter telefonado não? Avisar: "Olá Mendes! Era só para te avisar que vou voltar e levo a minha namorada comigo!", acho que não daria assim tanto trabalho. Mas talvez ele ache que eu não mereço que ele perca UM minuto da sua vida só para falar comigo. Sou demasiado estranha e sem graça!

Por todos estes anos senti saudades, e consegui pesar bem a sua falta no meu dia-a-dia. Sem o Leo comigo passei a ficar sozinha, passei a ser a nerd esquisita da escola, aquela que acata as ordens de todos sem reclamar, aquela que está sempre sozinha, mas acima de tudo, aquela com o sorriso mais falso que o da Barbie. Sem o Leo para me apoiar e defender... eu passei a ser uma nada.

Depois de terminar o banho atiro-me de costas na cama, ainda com o cabelo e o corpo enrolados em toalhas. Seco o cabelo com a toalha e fico a olhar o teto, que neste momento parece ser a resposta para conseguir esvaziar a mente.

Será que o Leo não se lembra mesmo de mim...? A nossa amizade não significou nada? Eu sei que passaram muitos anos, ambos mudámos, estamos mais velhos e temos novos interesses, mas, além daquele olhar esperançoso, não notei mais nenhum sinal de saudades.

É melhor começar a habituar-me... para o Leo sou só a Júlia, uma adolescente louca por fotografia e que não tem a palavra "privacidade" no dicionário. Provavelmente nem se vai lembrar de mim amanhã.

Acabo por adormecer assim mesmo. Sem jantar e de toalha. Devo estar a querer ficar doente...

Notas finais
Então, então? Comentem, por favor! Iria adorar ter mais leitores, sim? ~.o Cherry kisses!