A Vida Da Miss Invisible

10 Eu não sou importante...


Notas iniciais
Decidi postar já o cap 10 também (mesmo que ninguém leia esta bodega >3< ) por isso... para quem-quer-que-tenha-coragem-de-ler-esta-coisa... Boa leitura! ~.o

– AHHHHHHHH!!! — sou acordada por um grito vindo lá de baixo.

Desço as escadas a correr, sem me importar por ainda estar de toalha, e dirijo-me à cozinha, de onde vinham os gritos.

– AI SE EU TE APANHO SEU CÃO GORDO!!! TU VAIS VER SÓ QUANDO EU TE DER COM A VASSOURA!!! — ouço a Olga gritar.

Mesmo antes de alcançar a cozinha vejo uma "coisa" chamada Leo, passar a correr à minha frente (quase me atropelava) com algo na boca, e logo a seguir aparece a ruiva de vassoura em punho. Ela passa por mim sem me ver e entro na cozinha. Foi, sem dúvida, uma das piores ideias deste fim-de-semana! Alguém que me explique como é que uma pizza foi parar ao teto?! E quase que levava com isto na cabeça.

Volto a sair da cozinha mesmo a tempo de conseguir segurar o Leo.

– O que é que tu andaste a aprontar para chatear tanto a Olga? Dá cá — consigo tirar o que ele tinha na boca e vejo que é um rolo da massa.

– O seu cão lembrou-se de jogar ao "busca" enquanto eu fazia o almoço! — reclama a ruiva — Comeu grande parte dos ingredientes e estragou o resto! Vou ter que ir às compras a correr... — murmura a última parte enquanto prendia o Leo a uma trela e ma entregava.

Ela entra a correr na cozinha e volta a sair de lá passados poucos minutos.

– Olga? — chamo.

– Sim menina? — pergunta já com a mão na maçaneta da porta.

– A Gabi passou a noite outra vez em casa dos meus avós, não foi?

– Sim.

– Então se eu não estiver em casa quando voltares é porque fui passear o Leo. Ainda faltam umas horas antes do almoço.

– Está bem. Mas não se esqueça de levar o telémovel!

Dito isto sai de casa e assim que ouço o seu carro afastar-se, corro para me ir arrumar. Visto algo básico já que vou apenas passear o cão e volto para perto dele.

– Vamos esticar as pernas? — pergunto animada e ele ladra como resposta.

Coloco o telémovel no bolso, verifico a coleira e pego nas chaves saindo de casa.

No momento seguinte o meu corpo foi invadido por uma sensação de ansia estranha, só de ver o que se passava na casa ao lado. Podia ser em qualquer sitio, podia ser qualquer pessoa ou qualquer coisa... menos isto! O Leo... o meu ex melhor amigo está de volta à casa das rosas azuis.

Devo estar a parecer uma parva agora mas parei no meio do passeio para ver o que se passa. À primeira vista nada muito interessante, apenas um camião de mudanças e alguns homens a entrar e a sair da casa para arrumarem a pouca mobilia que falta. Mas, mais uma vez, como tantas outras parecidas, o rapaz de olhos cor mel que eu tanto adoro, está pensativo, sentado debaixo de uma das árvores do jardim da casa com uma rosa azul nas mãos que olha tão intensamente como se os seus desejos se tornassem realidade só por fazê-lo.

Sem me aperceber, a bola de pêlos soltou-se da trela e correu até ele a uma velocidade louca enquanto "fintava" arbustos, pessoas e árvores. Assim que acordo para o mundo real corro atrás dele enquanto gritava como doida, mas apenas o consigo segurar depois dele se atirar para cima do Leo "verdadeiro".

– Cão feio Leo! Muito feio! Não podes fugir assim de mim! — resmungo enquanto o volto a prender melhor na trela.

– Não faz mal. Ele só queria brincar, não é rapaz? — diz Leonardo fazendo festas no bola de pêlos.

– Mas mesmo assim não devia ter fugido...

Tento ao máximo esconder a cara para poder sair dali o quanto antes mas, como nada neste mundo está a meu favor, sou "descoberta".

– Júlia?! És tu?

Aceno positivamente com a cabeça mas continuo sem olhar para ele.

Vergonha? Timidez? Medo de ser reconhecida? De tudo um pouco. Não sei o que dizer ou como agir! Talvez a melhor opção seja ir embora e tentar esquecer que ele existe...

Estava prestes a ir embora mas novamente o mundo conspira contra mim. Já ouvi dizer várias vezes que o cão é o melhor amigo do homem, mas não deve ser o melhor amigo da mulher porque o Leo senta-se no chão e não tem intenção de se levantar tão cedo.

– Cão teimoso... — resmungo entre dentes enquanto o tentava puxar para se levantar.

– Não vás embora já...!

Sinto uma mão agarrar o meu pulso de uma forma suave e ao levantar os olhos encontro o olhar preocupado de Leonardo.

– Porque? — pergunto tentado parecer antipática.

– Queria falar contigo. É que eu precisava saber umas coisas — diz encolhendo os ombros.

Suspiro derrotada. Ele volta a sentar-se debaixo da arvore e eu acompanho-o fazendo o Leo deitar-se a meu lado, com a cabeça no meu colo, de modo invulgarmente quieto para a sua personalidade brincalhona.

Isto é simplesmente estranho e confuso! Sinto que a nossa conversa vai estar relacionada àquilo que quero esconder mas por mais que me negue a mim própria sei que preciso falar com ele. Não... A menina timida e sonhadora que ele conheceu em pequeno é que tem que esclarecer as coisas! O que é que eu significo neste momento? Nada! Sou apenas a maluca da máquina fotográfica que vive na casa ao lado... Odeio mentir...

– Então... o que é que queres falar? — pergunto olhando para ele.

– À pouco vi-te a sair da casa ao lado — comenta pensativo — Tu vives lá?

"Oh não... será que ele...? Nã...", penso meio atrapalhada.

– Olá...? Estás bem? — pergunta abanando a mão em frente aos meus olhos.

– Ahn? Ah, sim, claro! — respondo com um sorriso amarelo — Sim, eu vivo ali — e aponto com o polegar para a minha casa — Porquê?

Leonardo fica uns segundos em silêncio, com uma expressão triste no rosto e olhos fixos num ponto algures no jardim de rosas azuis. Estico-me um pouco para ver o seu rosto, coloco, mesmo relutante, uma mão no seu ombro e pergunto:

– Estás bem? Pareces triste e... — mas ele interrompe-me.

– Não é nada importante. Vivia ali uma amiga minha, só isso.

Okay, esta foi a gota de água! Nada importante?! Desde quando é que eu me tornei "nada importante"?! Idiota! Fiquei tão feliz por voltar a vê-lo, mesmo que tivesse trazido a namorada à tira-colo... O meu grande amigo, melhor amigo de infância, quase irmão. Não ser reconhecida fez-me sentir em baixo mas apenas o facto de tê-lo de volta já me deixava melhor. Agora descobrir isto... que para ele sou apenas uma amiga, que não sou nada importante. Estupido! Odeio-te por seres assim! Onde está aquele menino adorável, leal e corajoso que um dia conheci?!

– É assim que pensas?! Que uma amizade antiga não é importante?! — grito levantando-me com os olhos marejados.

– O que?! O que é que te deu?! — pergunta irritado levantando-se também.

– Esquece! Eu vou-me embora! — resmungo agarrando a trela do bola de pêlos com firmeza e murmuro — Vamos Leo...

Afasto-me de Leonardo com o bola de pêlos a acompanhar-me com um semblante triste, de certa forma.

Mesmo antes de sair de perto do meu... ex-amigo... ouço-o murmurar algo como "Leo...?" e sinto os seus olhos desviarem-se até ao meu cão. "Será que fui muito óbvia...? Ah, não importa! Nunca mais vou ter que falar com ele de qualquer forma!", penso entrando em casa.

Retiro a trela ao Leo e dirijo-me à sala sendo seguida por ele. Assim que as minhs pernas alcançam o sofá deixo-me cair em cima deste e suspiro. Vejo o Leo sentar-se no chão perto de mim e começo a afagar-lhe o pêlo dourado.

– Leo... Eu acho que ele se esqueceu da nossa promessa... — murmuro com a voz falha — Seriamos sempre os melhores amigos, independentemente da distância que nos separa! — fungo duas ou três vezes mas continuo com vontade de chorar — Agora nada disso importa... Ele desistiu de mim à muito tempo! Será que eu devia ter feito o mesmo...?

Notas finais
Que tal um reviewzito para ajudar esta autora carente, ein? Não? *^* Cherry kisses!