Notas iniciais
Bem... confesso que não planeava postar mais caps mas recebi uma leitora e nova e isso deixou-me imensamente feliz! ^^ Belle! Este cap é para você cerejinha! ~.o Boa leitura!

Quando dou por mim já é segunda-feira. De volta à escola, aos sorrisos falsos, à solidão nos intervalos, ao meu poder da invisiblidade, às provocações da Sousa... Ug! Que inferno!

– Menina Mendes? Já está acordada? — pergunta Olga batendo à porta do quarto; provavelmente ouviu o meu movimento pelo quarto.

– Sim, Olga! Estou quase pronta. Desço já! — respondo enquanto termino de me arrumar.

– O pequeno-almoço está pronto! Não demore!

Ouço passos a descer as escadas quando já estava a pegar na mochila. Também desço para ir comer e, quando estava prestes a morder o primeiro pedaço de torrada, sou saudada por um abraço de braços pequeninos e um beijo na bochecha.


– Bom dia, Gabi!

– Bom dia maninha! — diz sentando-se ao meu lado para também começar a comer.
Ela parece ficar a pensar em algo e depois olha para mim confusa.

– Mana? Os cães comem despertadores?

Engasgo-me com o susto e corro para o quarto. Oh, que ótimo! O Leo lembrou-se outra vez de mordiscar o despertador!

(...)

Ainda passei um tempinho a correr atrás do bola de pêlos pela casa, a chutar móveis e tapetes e a escorregar nos brinquedos da Gabi. Aconteceu basicamente o mesmo que da última vez mas com a pequenina diferença que o Leo fugiu para o jardim das traseiras. Depois de recuperar o despertador tive que ir trocar de roupa rapidamente porque fiquei suja de relva quando tentei segurar o Leo e cai no chão.

Agora a caminho da escola, um pouco apressada por só ter cinco minutos para lá chegar, percebo que a Vespa vermelha que a minha mãe me ofereceu nos anos até que dá muito jeito!

Sou obrigada a parar uns segundos numa passadeira para deixar a velhota passar. Foi tempo suficiente para relembrar o que aconteceu ontem com o Leonardo... A senhora atravessa totalmente a estrada e eu arranco novamente apressada.

Apesar de estar magoada por ele não se importar ou sequer lembrar de mim, sei que também estou errada. Talvez se eu tivesse dito mais cedo quem era ele voltasse a ser o Leo que eu conhecia e amava... tanto como se fosse meu irmão! Será que devo dizer-lhe...? Não... ele não iria compreender.

Ao chegar à escola deixo a minha nova bebé perto das motas dos professores mais novos. É melhor jogar pelo seguro! Se a Sousa colocar os olhos na Vespa é possível que a risque ou algo assim, apenas para me martirizar.

Estranho um pouco o fato de estar ali uma mota a mais. Normalmente só três professores vêm de mota para escola mas hoje estão aqui quatro! Fora a minha, é claro. Será que mais alguém teve a mesma ideia que eu?

Ignoro isso e ajeito a alça da mochila antes de seguir até ao edifício onde teria aulas. Antes de entrar sinto um arrepio desconcertante, como se algo me quisesse avisar para não entrar agora. Ignoro mais uma vez o meu sexto sentido (que de pouco me tinha servido até agora) e entro na escola, ato que me faz arrepender profundamente de não ouvir a minha intuição.

A poucos metros, de costas para mim, está o Leo e a sua namorada ruiva, que agora não me recorda o nome. Estão a caminho das escadas que levam ao segundo piso, provavelmente para ir à secretaria pedir os horários e saber as turmas. A ruiva parece lembrar-se de algo e beija o Leo saindo a correr em seguida. Não sei porquê mas sinto-me a franzir as sobrancelhas, num gesto involuntário, quando vejo esta última cena.

Começo a caminhar calmamente na direção contrária à de onde está o meu ex-melhor amigo mas algo desperta a minha atenção. Duas raparigas passaram por mim a cochichar algo como "É aquele ali né? Porque é que será que a Sousa decidiu castigar o novato? Coitado... ele é tão lindo e vai ficar coberto de comida...". Percebi bem que eram lamentações irónicas. Sigo as duas com o olhar e vejo que correm até ao topo das escadas acabando por desaparecer do meu campo de visão. Leo continua na base das escadas; está a falar com alguém que não consigo distinguir as feições e... Maya...?! Oh não... boa coisa não é de certeza! Percebo que terminam a conversa segundos depois e ela afasta-se com alguma pressa. Está a tramar algo...

De repente a Sousa surge no topo das escadas com uma pose triunfal. Aproximo-me cautelosa, passo a passo, cada vez mais rápido, à medida que vários alunos formam uma meia-lua ao seu redor (do Leo) mas suficientemente afastados dele para que o que estava prestes acontecer não os afectasse.

– Com que então voltaste, Leonardo... Estou felicíssima por estares aqui! — diz a rapariga no topo das escadas, com um tom extremamente sinico.

– Também é bom voltar a ver-te, Talita — consigo perceber o tom desafiador na sua voz — Continuas a mesma, se é que me permites dizê-lo.

O seu tom de voz cortês expõe ainda mais a ironia da sua voz.

– Em breve vais perceber que te enganaste, queridinho! — retruca ela com um sorriso de lado.

As gémeas Stark aparecem no topo das escadas atrás da Sousa juntamente com mais duas ou três seguidoras dela pertencentes à claque da escola. Todas elas trazem algo nas mãos que não consigo identificar à primeira. Será que...? Seriam assim tão idiotas?! Passo por entre algumas pessoas para tentar ver melhor e assim consigo chegar à frente. Pelo menos ninguém reparou em mim...!

– Que tal dar as boas-vindas ao novo aluno? — pergunta Talita de forma retórica.

Os segundos seguintes passaram de forma tão rápida e vagarosa em simultâneo, que nem se quer tive tempo para pensar em algo lógico; ou no mínimo algo que não fosse uma perfeita loucura!

Tenho quase a certeza absoluta de que Leonardo sabia perfeitamente que tipo de "boas-vindas" iria receber, mas mesmo assim... Eu não o podia permitir! É o Leo! O meu Leo! O Leo com que a Sousa (de um modo quase inexplicável) sempre implicou e brigou!

Eu não podia deixar que o humilhassem...

Assim que a Sousa e as suas seguidoras prepararam os poucos punhados de ovos fedorentos que tinham, prontas a atirá-los contra o meu ex-melhor amigo, coloco-me à sua frente com um salto repentino, de braços abertos e olhos temerosamente fechados. Sem tempo para parar o movimento, o grupo, ou pelo menos verificar a "vitima", Tali e as suas sombras arremessam os ovos contra mim. Risos e mais risos... é a única coisa que consigo notar para além dos ovos a embaterem contra o meu corpo cada vez mais sujo, pegajoso e fedorento e da minha visão turva pelas claras dos ovos nos óculos.

Quando a chacina termina e a "Rainha" percebe que atingira a mim e não ao moreno e que eu o estava a defender... bem, ela não ficou muito preocupada. A única coisa que, a mim, me preocupou, foram os momentos seguintes.

– Júlia?! O que é que pensas que estás a fazer?! — reclama em sussurros o rapaz atrás de mim.

Eu nada respondo. Já sei que a Sousa o vai fazer por mim e humilhar-me apenas um bocadinho mais.

– Ora vejam só! A bebezinha a defender o seu amiguinho... que ternura! — exclama com cinismo e desprezo.

– Não precisavas ter feito isto, Júlia...

Sinto a culpa na voz do rapaz. Acabo por sorrir levemente ao sentir que (mesmo que não saiba ao certo quem sou) se preocupa comigo.

Não saio da frente. Apenas me limito a baixar os braços e ficar calada, à espera que a Sousa termine.

– Júlia?! Quem é essa?! — pergunta a Sousa arqueando uma das suas sobrancelhas perfeitamente penteadas.

– Esta rapariga à minha frente! O nome dela...

Ele é interrompido pelas gargalhadas forçadas da morena no topo das escadas. Ela desce ficando no último degrau, olha para mim abanando a cabeça em negação e volta a rir de forma exagerada.

– Essazinha?! Júlia?! HAHAHA! Deixa-me rir! — exclama apontando para mim com desprezo.

A cara confusa de Leo só atiçou ainda mais a satisfação da Sousa em humilhar-me.

– Tsc... que triste, bebézinha... — finge-se desapontada e faz um beicinho triste — O que te levou a mentir...? Pensavas que irias esquecê-lo assim...? — a sua expressão de pena transforma-se em raiva pura — Que patética! A maior nerd da escola, Adriana Mendes, a rebaixar-se por alguém que não quer saber dela?! Pfff... Que mentira! Já fazes isso à tantos anos!

Isso! Humilha-me! Rebaixa-me! Talvez assim eu consiga cavar um buraco com tanto peso e desaparecer de vez...

– Adriana... C-Como assim?! — intromete-se Leo confuso.

– Lamento ter-te mentido Leo... — murmuro retirando os óculos para tentar vê-lo melhor — Eu só não queria meter-me na tua vida... e preferia que nem soubesses quem sou...

– Então ontem... por isso tu...

– Fiquei magoada, é verdade... Mesmo assim não podia deixar que fosses humilhado...

– E-Eu...

– Ah! Já chega de mimimi!

Nesse momento levo um susto ao sentir o meu braço ser puxado com demasiada força, fazendo com que eu caísse de joelhos no chão. Pressinto que o Leo me tenta ajudar mas as gémeas colocam-se à sua frente não o deixando passar.

– Vou chatear-te só mais um pouquinho... — murmura a Sousa, venenosa, apertando o meu braço com mais força — Que tal um pedido de desculpas por me atrapalhares?

– Já chega, Tali!

O grito vindo da multidão assusta todos. Por alguma razão as pessoas começam a afastar-se para deixar essa pessoa passar.

Não vejo de quem se trata por estar de cabeça baixa mas quem-quer-que-fosse solta-me das garras da Sousa e ajuda-me a levantar delicadamente. Pega nos meus óculos e sinto que os limpa à própria roupa. Fico desesperada com esse ato.

– O-Oh! N-Não faças isso, por favor... vais sujar a tua roupa e...

– Eu não me importo — murmura confiante.

Volta a colocar os óculos na minha cara com cuidado e qual não foi o meu espanto ao ver de quem se tratava.

– Tu não eras assim antes! Como é que a minha namorada se pode tornar alguém tão vingativa e má...?! — diz virando-se para a Sousa.

A morena fica sem palavras. Era, provavelmente, muito ter que suportar a dor de ter o próprio namorado contra si.

– Vamos sair daqui, Mendes... — sussurra para mim, para de seguida afastar a multidão com se fossem galinhas — Xô! Vão-se embora! Não há mais nada para ver!

Assim que as pessoas dispersão Lucas dirige-se até mim e pega na minha mão, sem se importar em ficar sujo de ovos, para me começar a puxar até um lugar indeterminado.

Quando olho para trás já não vejo a Sousa, apenas um rasto cor-do-rosa a subir as escadas em fúria. Já o Leo... Não, não é o que vocês pensam. Ou pelo menos, o que eu queria... Não, ele não está a olhar para mim de forma preocupada, com ciúmes, a procurar palavras para se desculpar... ou até mesmo com raiva! Não... ele simplesmente ignorou a minha situação a partir do momento em que a sua namorada chegou para ver se ele estava bem. Mais uma vez ele conseguiu provar-me que a nossa amizade não vale nada...

Notas finais
Então...? Como foi? Esperavam por esta reviravolta? Sempre ouvi dizer que "a mentira tem perna curta" e acho que isto foi um bom exemplo disso, não? E o Lucas? Lembram que eu mencionei que ele seria importante para a fic? Então... isto é apenas o começo! ~.o Comentem please! Cherry kisses!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.