A Vida Como Ela É
10 Capítulo 10
Notas iniciais
Olhei para o relógio que marcava 2:00 da manhã e soltei um chiado, virei para o lado e encarei a parede. Eu estava brigando com a cama desde as 23 horas, fiquei em todas as posições, escutei musica, contei até 100 sete vezes, mas o sono insistia em não vim. Puxei o coberto até debaixo da cabeça, fazendo um travesseiro e fechei os olhos. Senti minha mente finalmente ser levada pelo cansaço e adormeci.
—Charlie —Senti alguém me cutucando, abri os olhos e me vi deitada na mesa que eu ensinava Amanda, fora ela que me cutucara. — Hey, você deve estar cansada?
— Aham — Resmunguei fechando os olhos novamente.
— Você treina muito. Seu pai sabe pelo menos quando vai começar o torneio? — Amanda estava com uma voz que se parecia uma irmã ou mãe brigando com alguém. Virei o rosto e olhei para ela, Amanda estava vestindo uma camisa branca longa, como se a camisa fosse de seu pai ou algo do tipo, não sabia se ela estava vestindo algo por baixo.
— Ainda não, mas os organizadores podem dizer a qualquer momento — Respondi.
—Ei,ei . Não dorme ai não — Disse ela sacudindo meu braço, olhei para o se rosto que parecia preocupado, seus olhos estavam cinza. — Vem deite ali na minha cama.
—Ok — Sussurrei, tentei me levantar, mas meus braços e pernas não se moviam. Amanda passou os braços na minha cintura e me pós de pé, me arrastou até a cama e me deitou.
— Vou fazer um chá para você, ok? — Disse ela acima de mim, acenei com a cabeça e fechei os olhos. Eu estava muito cansada, acho que treinei muito hoje. Acho que não faz mal eu dormir hoje aqui. Minha mente começou a escurecer, senti um arrepio vindo do meu peito até a minha barriga. Deve ser uma brisa que entrou no quarto pensei e ignorei totalmente aquela sensação.
Sabe a sensação de quando você sente algo entrando na frente do seu rosto? Pois é foi essa sensação que eu senti. Abri meus olhos para ver o que era e dei de cara com Amanda, seu rosto estava acima do meu, muito próximo. Tentei dizer alguma coisa, porem nenhum som saiu, Amanda inclinou o meu rosto para o lado e se aproximou, sua boca encostou no meu pescoço e logo em seguida sua língua. Um calafrio percorreu todo meu corpo fazendo meus cabelos se arrepiarem, Amanda soltou um riso baixo e continuou beijando meu pescoço. Desceu até o meu peito, tentei dizer algo para Amanda só que minha boca estava seca, tentei mover minha mão, mas nenhuma resposta veio dela também.
Sua língua percorreu pela minha barriga, meu corpo começou a tremer. Oh Deus faça ela parar. Ela parou em cima da minha cicatriz, levantou os olhos e me deu um sorriso bem indecente. Sua mão desceu para o botão da minha calça jeans e desabotoo o primeiro botão, havia dois. Senti um dos meus braços voltando a vida e segurei a sua mão, ela me encarou com aqueles incríveis olhos cinza, puxei ela pra cima e viramos.
Senti um solavanco, aqueles de quando você pensa que tá caindo, e cai de costas no chão. Demorei um minuto para perceber que eu estava no meu quarto e não no de Amanda, abri meus braços e dei uma longa e lenta respirada.
— Foi um sonho — Falei um pouco aliviada para o quarto vazio.
Agora me diz por que diabos eu sonhei isso? Logo com Amanda? Tá eu sei que alguns sonhos podem refletir o que você sente e pensa, mas...
—Droga.
Reflete o que você pensa ou sente as vezes né? Bem ultimamente eu tive estado pensando muito na Amanda. Pensando em algumas coisas que ela tem feito, como me dá uma piscada, tocar a barriga de alguém que por acaso conheceu não a muito tempo, da vez que seu rosto corou quando ela me deu um abraço logo depois de receber uma nota de estudos sociais, da forma como ela ficava um pouco sem jeito e descontraída quando Yoi abraçava ela ou de quando ela insistia em tomar banho comigo depois que ela soube que tomar banho juntos era um costume japonês.
Eu tinha minhas duvidas sobre Amanda, talvez por isso que eu tive um sonho um pouco constrangedor com ela e por que eu não tinha certeza do que eu sentia. Durante todo esse tempo que ela surgiu na vida, que agora faz 1 mês que ela entrou na escola, eu venho sentido algumas coisas, eu ficava tímida mas do que o normal quando estava sozinha com ela ou de quando ela se aproximava de mim, varias vezes eu me peguei observando o seu jeito de andar e de agir. Nunca me apaixonei antes e se eu de fato estivesse apaixonada por Amanda, isso queria dizer que eu era lesbica, e se eu era lesbica eu teria que descobrir se ela era, se gostava de mim do mesmo jeito que eu gostava dela ou se tudo não passava de coisa da minha cabeça e de um amor platônico. Mas uma coisa eu tinha certeza, se eu fosse lesbica e meu pai descobrisse eu estava ferrada.
Botei a mão na cara e esfreguei os olhos, o chão estava bem confortável, me sentei e olhei para o despertador. 4:00 da manha.
— Ok, eu desisto de tentar dormir — Tirei o coberto de cima e fiquei de pé. Peguei uma bermuda e uma camisa do closet e tirei o pijama. Vesti-os, peguei o celular e sai do quarto. Caminhei pelo corredor silenciosamente e abri a porta dos fundos, o céu ainda estava escuro, havia um reflexo da lua sobre o lago, andei até ele e me sentei sobre as pedras da beira. Coloquei meus pés dentro d’água e fiquei observando a lua.
Coloquei uma musica bem baixinha no celular e fiquei mexendo os pés na água vendo o reflexo da lua se distorcer. Acho que sonhar com Amanda hoje me fez pensar que esta na hora de descobrir a verdade, agora como eu iria descobrir se ela sentia algo por mim era uma coisa diferente, por que eu não poderia chegar e perguntar se ela gostava de mim mais do que amiga.
Deitei sobre as pedras e encarei a lua e o céu que aos poucos ia ficando claro. Fiquei pensando por um bom tempo uma maneira de descobrir, mas foi inútil, nenhuma ideia parecia boa o suficiente. Fechei os olhos por um momento e esvaziei a mente, meu corpo ficou leve por um momento e senti me cochilando. Quando abri os olhos o céu já estava bem claro, olhei no relógio e vi que era 6:00, me coloquei de pé e entrei em casa, fechando a porta dos fundos a minha costa. Peguei dinheiro para o pão e a chave na mesa da cozinha, calcei meu tênis de caminhar e sai de casa.
Passei pelas salas do dojo e destranquei a porta, me alonguei e comecei a descer as escadas da entrada. Olhei para a rua que estava sem movimentação e corri. Fiz uma rota diferente da normal e parei em um playground de criança que ficava perto de um morro. Caminhei ate a barras de ferros que impediam de as pessoas cair. O sol começou a sair, invadindo e iluminando todo os lugares, fiquei observando por um bom tempo. Olhei no relógio e comecei a correr novamente, voltando a rota original.
Diminui o passo quando avistei a padaria, abria porta e vi o filho do padeiro lá, ele estava com a cara de sono ainda.
— Bom dia — Falei sorrindo.
— Hm, Bom dia Tanaka-san —Disse ele sonolento.
— Acabou de acordar?
— Aham, fiquei até tarde estudando para uma prova da escola — Resmungou dando um bocejo. — Caminhando logo cedo?
— Eu não consegui dormir — Falei me apoiando no balcão, ele me deu um olhar de compreensão e sorriu — Mesmo pão de sempre?
— Não sei, quais outros pães vocês tem aqui? — Perguntei dando uma olhada em volta em vendo vários tipos.
— Milagre você mudar — Disse saindo de trás do balcão e se aproximando — Olha, temos pão de melão, de ... — Começou ele a explicar, depois de uns 2 minutos ele olhou para mim com um sorriso — Então qual escolhe?
— Ah, me dá o de coco mesmo — Falei sorrindo, ele riu disso e disse que eu não tinha jeito mesmo, mas pegou os pães para mim.
— Obrigado e volte sempre!
Caminhei calmamente para casa, subi as escadas e destranquei a porta. Tirei os sapatos e observei a casa que estava totalmente silenciosa, todos ainda estavam dormindo, olhei as horas, 6:58. Preparei o café da manhã e juntei os ingredientes para o obento. Aos poucos eles se levantaram e tomaram café, quando terminei de preparar o almoço para escola e limpar a cozinha já estava na hora de me arrumar.
Tomei um banho rápido e entrei no quarto, vesti minha farda. Que graças a Amanda e Yoi eu me acostumei a usar a blusa por cima da saia, gravata frouxa e o casaco aberto. Penteei meus cabelos loiros e dei um sorriso para o espelho. Peguei a mochila e fui para a cozinha, coloquei o obento dentro do bolso e tomei um copo de água. Mamãe me deu um olhar e se aproximou de mim, sempre quando ela podia ela ajeitava meu uniforme.
— Sinceramente, não entendo porque veste o uniforme assim — Disse apertando a minha gravata, acenou para minha camisa, coloquei ela para dentro da saia e fechei o botão do meu casaco. — Assim é melhor.
— Ta bom mãe — Disse me afastando e me abaixando para calçar o tênis da Nike preto com branco, ele era o meu favorito. — Estou indo!
— Tome cuidado — Mamãe disse quando eu abri a porta.
Sai de casa e caminhei pela calçada da rua, acenei para a vizinha que estava saindo de casa no carro, dei um oi para a vovó da rua e fui em direção até o ponto onde eu encontrava Yoi. Ela estava encostada na parede, com a mochila ao seus pés, quando me viu deu um sorriso de lado. Olhou meu uniforme e abri a boca para falar.
— Minha mãe — Interrompi ela, afrouxei a gravata e soltei a camisa e casaco. Yoi deu um sorriso.
— Eu me acostumei com você assim — Disse ela me dando um abraço — Fica mais legal.
— Obrigada eu acho — Falei retribuindo o abraço e me afastando logo em seguida. Caminhamos até a estação e pegamos o trem. Saímos dele depois de 5 minutos e andamos em direção ao parque, estávamos sem pressa, caminhamos sobre a calçada que cortava o parque e avistamos o prédio da casa de Amanda. Senti meu coração bater mais rápido a medida que nos aproximarmos, Yoi deu um abraço em Amanda, que retribuiu depois de uns dois segundos parada.
— Bom dia — Disse dando um sorriso tímido quando Yoi se afastou.
— Bom dia Amanda — Yoi estava elétrica hoje.
— Bom dia Charlie — Amanda me deu um olhar alegre, senti minhas bochechas esquentarem e sacudi minha cabeça.
— Bom dia — Falei. Yoi olhou de Amanda para mim, engoli em seco — Bem, vamos indo?
— Vamos — Confirmou Amanda, dei um olhada rápida para Yoi que estava com o rosto pensativo. E começamos a andar, pegamos o próximo trem e chegamos a entrada da escola.
Trocamos os sapatos e subimos as escadas até o 3º andar. Algumas alunas estavam andando por ele e outras estavam nas salas. Yoi se despediu de nos e entrou na sala ao lado.
— Bom dia Tanaka-san, Schmidt-san — Disse Sato quando entramos na sala.
— Bom dia Sato-san — Disse Amanda dando um sorriso. — Como foi a noite?
— Foi boa — Respondeu Sato, no mês passado ela estava indecisa em qual clube iria entrar, acabou permanecendo no mesmo clube do ano passado o de artes, de forma que ela era amiga de Amanda. Deixei as duas conversando e fui ate minha carteira no fundo, coloquei minha mochila em cima da mesa e puxei minha cadeira para sentar.
— Hey Tanaka-san!
Olhei para o lado para ver quem tinha me chamado e vi Yuku com a mão levantada e vindo em minha direção.
— Bom dia Yuku, tudo bem?
— Tudo sim — Deu um sorriso. — Eu queria te avisar sobre a treinadora do clube.
— Aconteceu alguma coisa com ela — Perguntei preocupada, Yuku balançou a cabeça.
— Nada muito grave, ela pegou um resfriado e disse que não podia vim hoje.
— Então hoje não vai ter kendo? — Perguntei.
— Bem, ela disse que se quisermos podemos usar a sala para treinar ou ensinar as novatas, ou apenas ir fazer outra coisa — Yuku parecia triste e animada com isso. — Eu vim perguntar o que você acha.
— Por mim tanto faz — Falei, o sinal tocou indicando o primeiro tempo. — Mas eu acho que seria bom darmos um dia de folga para as meninas.
— É verdade, temos pegado um pouco pesado recentemente — Disse dando de ombros. Colocou a mão no meu ombro e deu um sorriso — Vou indo nessa.
— Te mais — Yuku deu as costas e saiu da sala.
— O que ela queria? — Disse Amanda de repente ao meu lado, me dando quase um susto. Ela estava me encarando seria, seus olhos estavam azuis hoje.
— Ela veio ...
Foi então que escutamos a voz da vice-diretora, quero dizer diretora, saindo da caixa de som que ficava na parede, que servia para dar avisos. O professor de Matemática entrou bem na hora e parou na porta da sala para ouvir o aviso também.
“ Por favor, a aluna Charlie Tanaka se dirija a sala da diretora”
— Eu? — Perguntei sem entender.
“ Repetindo, a aluna Charlie Tanaka por favor se dirigir a diretoria”. Então o som ficou mudo. Olhei para Amanda que me olhava preocupada.
— Só o que me faltava — Sussurrei, passei por Amanda e vi Sato me dando um olhar preocupado, caminhei ate a porta e olhei para o professor — Eu vou...
— Pode ir — disse me deixando passar.
Desci as escadas e fui para o 1º andar, a sala da diretora ficava ao lado da dos professores. Bati na porta devagar e abri.
— Tanaka-san, por favor, se sente — Disse a vice diretora apontando para a cadeira vazia do lado oposto a mesa. Puxei-a um pouco para trás e me sentei. Olhei para a vice-diretora, quero dizer diretora, ela tinha os cabelos pretos longos, olho castanho claro era magra de um jeito bonito e tinha a fama de ser festeira entre as alunas. Fico chamando ela às vezes de vice diretora porque ate duas semanas atrás ela era vice, só que a antiga diretora teve que sair por motivo de saúde e agora ela era a nova diretora. Ela tinha lá pela base dos 32 anos e se chamava de Chuhako Kinochita.
— Fiz algo de errado Diretora? — Perguntei em duvida e sem ter a mínima ideia de o porquê de eu estar ali. Dei uma olhada discreta para o meu uniforme e vi que ele estava no estilo largado.
— Bem, apesar do seu uniforme não esta da forma certa, você não desrespeitou nenhuma regra do colégio, desde que você não o modifique — Disse ela cruzando os braços e me deixando um pouco aliviada.
— Bem, então o que posso fazer pela senhora? — Se não era o uniforme eu não sabia o que era.
— Você sabe que Sexta-feira da semana que vem o nosso colégio estará completando 70 anos — Eu acenei com a cabeça. — E sabe que todos os anos nos fazemos uma festa para comemorar.
— Sim — Concordei me lembrando da festa do ano passado que tinha sido uma droga de chata.
— Só que todos os anos são as mesmas coisas chatas — Falou parecendo que estava lendo a minha mente. Ela deu um sorriso e continuou — Como eu sou a nova diretora aqui, pensei em fazer algo diferente de todos os anos, algo que pudesse fazer os convidados se divertirem e não morrerem de chatice.
— Hum...
— E eu estive pensando, já que você veio dos EUA você concerteza sabe como se deve fazer uma festa animada — Eu olhei para ela, de fato os rumores sobre ela ser festeira era verdade. — Sei que você tinha 12 anos quando veio para cá, mas você deve lembrar algo, certo?
—Certo — Falei, cruzei os braços e relaxei na cadeira — Acho que posso ajuda-la com isso.
— Serio? — Perguntou animada.
—Aham. Olha já que esta me perguntando sobre como são as festas americanas eu vou te dizer de algumas que eu vi quando eu morava lá — Não era uma má ideia fazer uma festa. — Nas festas sempre tinham musicas agitadas, eletrônicas, que um DJ controlava. Tinha bebidas alcoólicas, algo que você não vai poder colocar. Jogos de luzes, dança, comida, de preferência que seja salgados ou algo fácil de ser pego.
— Um Dj? Jogos de luzes e dança — Disse pensando.
— Sim.
— Isso não seria bom o suficiente — Disse ela cruzando os braços e pensando.
— Pensando bem é verdade. Os japoneses, sem ofensa — Ela balançou a cabeça e acenou para prosseguir. – São muito tímidos para simplesmente dançarem em publico assim.
A diretora confirmou e ficou quieta, fiquei ali olhando para ela e olhando em volta. A sala da diretora tinha um armário cheio de livros, havia uma pequena mesa onde estava uma maquina de café, uma porta que sabe Deus onde daria, um sofá pequeno em um canto, que eu imaginei que seria para o caso de muita gente de castigo, e a mesa onde nos estávamos sentadas. Ela me encarou por um momento e vi seu rosto se iluminar, como se tivesse uma grande ideia.
— Um baile — Falou ficando de pé. Olhei para ela em duvida, como um baile ajudaria as pessoas, adolescentes em maioria, se animar? — Um baile de mascaras.
— Humm — Pensei, foi então que vi que poderia dar certo. — é pode ser. Um baile de mascaras daria para as pessoas dançarem sem terem vergonha, sem dizer que seria elegante.
— Exato! — Disse ela me puxando para ficar em pé e me dando um abraço surpresa.
— Hã, diretora? — Falei quando ela ainda estava me abraçando, ela me soltou e se afastou envergonhada.
— Me desculpe, é que estou animada — Disse dando um sorriso enorme. — Bem, então é isso, nos vamos fazer um baile de mascaras, com Dj, comida e dança.
— É — Sorri da animação dela, acho que concerteza ela adorou ter ficado no cargo da diretora. — Tem um problema.
— Tem?Qual?
— Geralmente as festas de aniversario do colégio são abertas ao publico, as famílias em geral dos alunos e se for um baile de mascaras, não vai ser um pouco estranho e ate mesmo perigoso?
— Vendo por esse lado sim — Disse pondo a mão no queixo e pensando, olhou para mim e então para o relógio no seu pulso. — Deixa que essa parte eu resolvo. Você pode ir para a sala agora.
— Ok — Falei indo em direção a porta e a abrindo.
— Tanaka — Virei o rosto e encarei a diretora — Eu queria que você não comentasse nada sobre essa conversa com suas amigas.
— Tudo bem — Falei dando um sorriso e saindo da sala.
— Mas uma coisa — Olhei para ela novamente — Obrigada pela ajuda.
— Não tem de que diretora — Falei me curvando e fechando a porta. Caminhei até as escadas e comecei a subir, parei no meio do caminho, olhei para a parede. — Definitivamente essa diretora é louca.
Bati na porta da sala e abri, o professor e as alunas me encararam, o professor de matemática me pediu para sentar na minha carteira, passei por Sato e me sentei. Amanda me olhou querendo saber o que houve.
— Depois eu explico — Sussurrei, prestei atenção no resto da explicação do assunto, Amanda estava concentrada no que o professor dizia, ela tinha melhorado muito o japonês dela. A mãe dela um dia me contou que depois que eu saia do apartamento delas, Amanda continuava a estudar sozinha por mais algum tempo. Olhei para o rosto dela e senti um arrepio me percorrendo, lembrei-me do sonho de mais cedo. Foi então que decidi que iria descobrir se ela gostava de mim no dia do baile.
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