A Vida Como Ela É

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Haha esse capitulo foi grande, pq tive que acelerar um pouco as coisas.

O sinal tocou para o segundo tempo da manha e enquanto esperávamos a professor de ciências, Endo Tsuki, chegar. Para minha surpresa Amanda segurou minha manga e me puxou em direção dela. Senti meu corpo gelar.

— Explica — Seus olhos estavam em indecifráveis, engoli em seco.

— Yuku veio me dizer que a professora de Kendo pegou um resfriado — Coloquei minha mão sobre a sua que estava sobre a minha manga e tirei sua mão da minha, seu rosto e o seu olhar ficaram um pouco relaxados. Seria ciúme ou minha mente me trolando de novo? — E perguntar sobre o que faríamos e decidimos não ter aula.

— E o que a Diretora queria? — Disse relaxando na cadeira, achei estranho ela me perguntar assim mesmo estando curiosa.

— O meu uniforme — Menti, não era uma mentira muito boa, mas eu não podia dizer a verdade já que a diretora tinha me pedido para guardar segredo.

— Humm — Disse ela sem perguntar mais nada. O professor entrou em começamos a aula novamente.

Falei com Amanda de novo quando o sinal tocou indicando o fim da aula da manhã. Tirei o obento da mochila e coloquei em cima da mesa, Amanda estava mexendo no celular, vi um brilho no seu olhar por um momento e ela fechou a tela. Yoi entrou na sala com o celular nas mãos e o obento em outra. Ela se sentou na cadeira da frente a minha e Amanda juntou sua mesa.

— Bem, o que foi aquela chamada da diretora? —Perguntou Yoi me encarando.

— Foi pra falar do meu uniforme — Falei o mais naturalmente possível, Yoi sabia quando eu estava mentindo.

— E o que ela disse? — Os olhos castanhos dela inspecionavam meu rosto. Droga Yoi!

— Nada demais — Respondi dando de ombros. Olhei para Amanda que já estava comendo, seu rosto estava bem feliz pra quem tinha me dado uns segundos atrás um olhar bem diferente. — Acho que só me resta da aula para você mais tarde — Falei para Amanda que estava segurando um pedaço de carne com os hashis. Eu ensinei ela a segurar eles direito em algumas das nossas aulas. Ela colocou o pedaço de carne na boca e negou com a cabeça.

— Nem, minha mãe disse que íamos sair hoje para um lugar — Disse ela.

— Então eu vou ter o resto do dia de folga — Falei dando um sorriso, não era sempre que eu tinha tempo vago assim.

— Vai curtir a sua Quarta feira, hein? — Balançou a cabeça rindo.

— Claro — Concordei.

O almoço tanto quando o resto das aulas da tarde passaram rapidamente e calmamente. A hora da saída chegou e as alunas começaram a ir para o outro prédio. Amanda se despediu e saiu da sala, me deixando sozinha, olhei para fora da janela e observei as alunas saindo. O céu estava limpo de nuvens, perfeito para se aproveitar a tarde inteira, fiquei olhando o movimento por uns 20 minutos e resolvi sair. Tirei o casaco, dobrei-o e coloquei dentro da mochila, dobrei as mangas da camisa ate o cotovelo e sai da sala.

— Tenham uma boa tarde garotas — Falei enquanto andava pelo corredor e passava por um grupo de garotas. Elas me deram um olhar e eu sorri.

Desci as escadas calmamente até o 1º andar, troquei os sapatos pretos pelos meus da Nike e sai do prédio. Resolvi dar uma passada no clube de Yoi e no de Amanda. Quando me aproximei do outro prédio, vi uma garota de cabelos pretos compridos se aproximando e percebi que era Fugi.

— Oi Fugi — Falei quando ela parou a minha frente. — Tudo bem?

— Tudo — Respondeu dando um sorriso. Ela olhou para o meu uniforme e depois para o meu rosto, o seu ficou um pouco corado. Senti uma vontade de sorrir, mas me segurei.

— Queria me dizer alguma coisa? — Perguntei ajeitando a mochila nas costas e dando um olhar gentil para ela.

— Sabe o que é — Começou a dizer, suas mãos estavam juntas, senti minha boca formando um sorriso, Fugi era fofa fazendo aquilo, pus a mão na sua cabeça. —Hã?

— Quer caminhar comigo? — Perguntei, um sorriso enorme se formou no seu rosto, acenei para ela entrar comigo no prédio dos clubes. Ela caminhou ao meu lado no corredor. — Conhece minhas amigas?

— Suas amigas? — Disse um pouco confusa, mas então seu rosto clareou como se tivesse lembrado — Você quer dizer Schmidt e Matsumoto-san?

— Sim — Respondi. — O clube de artes fica aqui nesse andar.

— Amanda faz artes?

— Aham, vamos — Acenei para subirmos as escadas. Subimos o primeiro lance e entramos no corredor, eu nunca tinha vindo aqui antes, apesar de alguns clubes receber as vezes visitantes de outros clubes. Paramos na porta da frente da sala que tinha a placa do clube e bati na porta.

— Sim — Disse uma aluna de cabelos castanhos presos, um avental sujo de tinta sobre a farda e óculos de armação prateada. Ela olhou para Fugi e depois para mim e deu um sorriso — Tanaka-san que milagre você passando por aqui, trouxe uma amiga?

— É verdade — Falei passando a mão no cabelo. — Ah, sim. Essa é Murasawa Fugi — Apresentei Fugi a ela, a garota estendeu a mão e deu um sorriso.

— Sou Ino Shibata, presidente do clube de artes — Apertou a mão de Fugi e depois a minha. A porta abriu um pouco mais e meus olhos se encontraram imediatamente com os de Amanda, que me observava surpresa.

— Nos queríamos fazer uma visita — Falei dando um sorriso. — Podemos?

— Claro — Disse Ino se afastando e deixando nos entrar, as outras alunas nos olharam. — Meninas, temos uma visita hoje.

— Oi — Disse Fugi e eu ao mesmo tempo.

— Podem ficar a vontade. — Fizemos um positivo com a cabeça.

Tinha no momento 8 alunas lá, todas elas estavam sentadas em um banco com uma tela de pintura na frente. Provavelmente estavam pintando algo, olhei em volta e não vi nenhum modelo.

— Estilo livre? — Perguntei me aproximando de uma tela de uma garota de cabelos curtos. O desenho dela estava pela metade, mas pude ver que se parecia com a base de um castelo. — Castelo?

— Sim — Disse ela me dando um sorriso.

— Estamos fazendo algo que achamos interessante — Disse outra garota de cabelos pretos que estava perto de Fugi.

— Isso é legal — Disse Fugi sorrindo para mim, retribui o sorriso.

Dei uma volta pela sala vendo os desenhos das alunas, uma era uma borboleta, castelo, torre Eiffel, o céu estrelado e etc. Parei do lado de Amanda que estava me encarando.

— E você, tá desenhando o que? — Perguntei olhando para a tela dela que estava com um desenho irreconhecível.

— Nada que você possa entender — Me cortou, fiquei surpresa com aquela resposta, seus olhos estavam com um brilho feroz, ela deu uma rápida olhada para onde estava Fugi.

— Para de ser sem graça — Falei, olhei para um lugar vazio, peguei o banco de madeira e coloquei ao seu lado.

— Porque veio aqui? — Disse molhando o pincel na tinta.

— Bem eu vim visitar, não posso? — Falei ironicamente, Amanda estava com ciúmes de Fugi, como ela estava de Yuku mais cedo, senti um riso querendo escapar dos meus lábios mas segurei. — Você sempre vai à sala de Kendo com Yoi, então acho justo eu vim no seu território pelo menos uma vez.

— Hunf — Resmungou ela, se concentrou na pintura, observei ela séria e brava por um momento, ela ficava linda, senti um sorriso involuntário surgindo, Amanda me deu um olhar de canto. — Rindo por quê?

— Nada, não posso rir?

— Não — Disse se virando e continuando a pintar, eu não estava entendendo nada. Olhei para as tintas que ela estava usando e tentei resistir a tentação de sujar ela, porem foi inútil. Melei meu dedo na tinha vermelha e passei no rosto de Amanda, ela parou de fazer o que estava fazendo, vi seu rosto ficar vermelho e me levantei. — Charlie!

— Foi mal — Falei rindo e me afastando dela, as outras meninas olharam de mim para ela, viram o rosto dela sujo de vermelho e seguraram o riso. Amanda se levantou, sujou a mão de tinta e veio na minha direção. — Ei, não, não. Eu tava só brincando —Corri para trás de Ino.

— Sai de trás da Ino, Charlie! — Brigou ela, eu estava sorrindo da situação, era divertido até que Ino saiu do meio, me deixando de frente para Amanda.

— Droga — Falei e tentei correr. Amanda segurou minha camisa com a mão limpa e a outra ela esfregou na minha cara. Ela soltou minha camisa, passei minha mão no rosto e veio tinta na minha mão.

— Bem feito — Disse Amanda dando as costas, as meninas estavam rindo daquilo, olhei para as tintas que Ino estava usando, ela me deu um aceno e peguei um pouco da tinta verde escura. Me aproximei de Amanda por trás e abracei ela, Amanda parou de andar, senti seu corpo contra o meu, seus cabelos cheiravam a morango. Tudo a minha volta ficou quieto e silencioso, senti apenas ela em meus braços, engoli em seco e me lembrei de onde estava e o que ia fazer, levantei minha mão e toquei seu rosto.

Amanda ainda estava paralisada, me afastei dela antes que eu fizesse algo, ela se virou para mim, seu rosto estava totalmente rubro e seus olhos estavam um azul limpo. Olhou para mim e depois virou o rosto para o lado vendo as meninas da sala, então seu olhar mudou, a vi ficando brava. Corri peguei Fugi pela mão e abri a porta.

— Desculpe qualquer coisa! — Me curvei e puxei Fugi para fora da sala, quando chegamos nas escadas escutei Amanda me chamando. Fugi estava morrendo de rir daquilo. Descemos as escadas e fomos para o vestiário.

— Aquilo foi divertido — Disse ela ainda rindo ao meu lado.

— Aham. Apesar de eu sentir que ela vai me bater quando nos vermos de novo — Sorri, olhei meu rosto no espelho, estava totalmente sujo, lavei meu rosto na pia e enxuguei o rosto com o papel toalha. — Bem, vamos na sala de Kyudo?

— Vamos, eu nunca fui lá — Disse Fugi saindo na frente, caminhamos pelo corredor e paramos na porta.

— É legal, só tem que ficar em silencio — Falei batendo na porta. Foi Yoi que abriu a porta, um sorriso enorme surgiu no rosto dela e ela pulou em cima de mim, me dando um abraço.

— Fazendo uma visita? — O abraço de Yoi era bom, sempre que ela me abraçava eu sentia o cheiro do shampoo em seus cabelos, ela se afastou de mim e deu um oi para Fugi. Yoi estava vestindo uma roupa folgada que eu não sei bem o que era e uma luva preta com amarela. — Vem, vamos entrar.

A sala de Kyudo era grande, havia apenas uma parte que era coberta, feita de madeira, onde estavam as outras alunas com seus arcos, Fugi e eu sentamos no chão ao lado. Mais a frente havia uma grama, então muito longe havia os alvos. A sala de Kyudo era a maior da escola.

— É enorme aqui — Sussurrou Fugi ao meu lado.

— Sim — Vi Yoi pegando o arco dela, uma flecha em seguida e dando um tiro, acertou bem no meio do alvo. Ela fez isso varias vezes.

— Agora eu entendo como ganharam o nacional ano passado — Disse Fugi boquiaberta. — Yoi é incrível.

Acenei com a cabeça e dei um sorriso. Yoi e as outras fizeram uma pausa, ela e Rieko Sasaki, a sua parceira vieram em nossa direção. Rieko tinha os cabelos pretos longos que sempre usava preso, olhos escuros, era um pouco alta e era tão boa quanto Yoi no arco e flecha.

— A quanto tempo Tanaka-san — Disse Rieko estendendo a mão a para mim.

— Verdade — Sorri e apertei a sua mão. — Culpa de Yoi que não me deixa vim. Acha que eu vou atrapalhar o treino.

— E de fato você vai — Yoi disse rindo da minha cara.

— Você eu não conheço — Rieko olhou para Fugi, seu broche estava sobre a camisa — Novata hein? Entrou em que clube?

— Me chamo Murasawa Fugi — Disse ela sem graça. — Entrei esse ano no colégio e estou no clube de kendo.

— Kendo hein? — Disse Rieko olhando para mim e dando um sorriso.

— Ela é minha pequena aprendiz — Falei colocando a mão na cabeça de Fugi que corou imediatamente.

— Ah sim, Yoi comentou que você tinha uma aprendiz.

— Né, eu fiquei feliz de escolher uma garota que pega rápido as coisas e sem dizer que tem boa pinta — Falei olhando para Rieko e Yoi que deram um riso rápido, Fugi tirou minha mão da sua cabeça.

— Ela vai ficar com raiva de você — Disse Yoi sorrindo ao ver a reação de Fugi.

— Não mais que Amanda — Fugi disse cruzando os braços e eu sorri.

— Amanda? — Yoi olhou para mim e eu dei de ombros. — Que você aprontou?

— Eu nada.

— Ela passou tinta no rosto de Amanda — Falou Fugi dando um olhar vingativo em minha direção.

— Eita — Disse Rieko sorrindo.

— Você já foi no clube de artes atrapalhar? — Disse Yoi me dando um tapa no braço. — Se não tem jeito mesmo hein.

— Não deu para resistir — Falei rindo.

— Idiota — Sussurrou Yoi para mim. Olhou para Fugi. — Achei que as meninas do kendo iriam para casa mais cedo.

— Eita, não gosta da gente não é? — Falei brincando, Yoi me deu um chute. Rieko começou a rir de nos duas e Fugi ficou meio assustada.

— Liga não elas são assim mesmo — Disse Rieko para Fugi. — Soube que a treinadora de vocês ficou doente.

— Aham — Disse fugi meio triste.

— Bem, então vão fazer o que agora?

— Eu vou dar uma volta, só depois que eu vou para casa — Falei esfregando minha perna onde Yoi tinha dado um chute. — E você Fugi?

— Não sei, acho que vou para casa — Disse ela dando de ombros e olhando para mim.

Ficamos caladas por um momento foi então que Rieko começou a rir. Olhamos para ela sem entender até que ela disse.

— Charlie.

— Sim — Falei vendo ela rindo.

— Eu soube que você estava vestindo o uniforme de um jeito diferente, mas não imaginava que seria tão diferente.

— Ah — Olhei para minha camisa que estava com as mangas dobradas. — Foi só hoje que fiz isso, sem dizer que não estamos em aula.

— Ok — Disse ela ficando seria. Deu uma olhada no relógio — Ta na hora de voltarmos ao treino.

— Certo — Yoi deu um tapa no meu braço — Não vai atrapalhar mais nenhuma aula.

— Ta bom — Respondi sorrindo. — E para de me bater.

— Até mais Fugi — Disse Rieko dando um tapinha no ombro de Fugi e Yoi deu um sorriso.

— Até — Disse um pouco sem graça. Saímos da sala e fomos para a entrada do prédio. Ela se virou para mim, seus olhos verdes se encontram com os meus, eu sabia que ela queria dar uma volta comigo. — E agora?

— Você não disse que iria para casa? — Perguntei.

— Ah, mais ainda são 4 horas — Disse cruzando os braços. Pensei em um lugar para irmos e foi então que tive uma ideia.

— Quer ir a um fliperama? — Vi seu rosto se iluminar de alegria.

— Claro.

— Vamos então — Falei correndo. Havia um fliperama que ficava no mesmo bairro da escola que tinha inaugurado ano passado só que poucos conheciam, caminhamos depois de um tempo pela calçada, olhamos algumas lojas de roupas, de doces e etc. Finalmente chegamos na frente do prédio. — Chegamos.

— Chegamos? — Disse Fugi olhando para o prédio que parecia muito normal, mas havia um segurança ao lado da porta com fumê escuro. Abri minha bolsa e peguei um cartão que tinha um cordão junto, nele estava escrito Passe duplo.

— Sim — Falei sorrindo. Peguei ela pela mão e fomos em direção ao segurança que automaticamente se pós na minha frente. Levantei o cartão para ele e ele nos deixou entrar. Entramos em um corredor meio escuro, Fugi agarrou meu braço. — Esse fliperama ele é grande e um pouco secreto como percebeu. Só algumas pessoas conhecem, quero dizer os viciados em jogos.

— Você gosta de jogos? — Disse surpresa.

— Sou otaku — Falei sorrindo, mostrei o cartão para ela — A maioria que frequenta o fliperama tem um cartão, eu pago ele mensalmente com a mesada que meus pais me dão, não é muito caro. O meu é passe duplo, que significa que posso trazer um amigo para jogar por uma hora e dez minutos por dia. Ei, mas é o meu segredo não conte para ninguém, ok?

— Certo — Disse soltando meu braço. O corredor terminava em uma porta preta dupla. Abri a porta para ela e vi seu queixo caindo. Olhei para o fliperama, ele era enorme, havia vários jogos lá, o teto brilhava de cor diferente, tinha uma mini montanha russa, havia muitos adolescentes e adultos também. — Minha nossa.

— Incrível não? — Falei sorrindo, segurei a mão dela e a fechei a porta. — Vem, vamos na recepção.

— O que deseja? — Disse uma mulher de cabelos vermelhos e olhos verdes, ela olhou para mim e depois para Fugi e sorriu.

— Me dê o cartão extra do passe duplo, por favor — Pedi, a mulher pego um cartão e passou pelo leitor que estava ao lado do computador, ela mexeu no teclado e depois colocou um cordão no cordão. — Você tem uma hora e dez minutos para jogar em qualquer coisa aqui.

— Certo — Fugi disse pegando o cartão e colocando em volta do pescoço.

— Você pode me dar uma chave de um armário grande para guardar as nossas mochilas? — Pedi.

— Claro, aqui — Disse me entregando uma chave que tinha um cordão também e o numero 15 gravado. — Boa diversão!

— Obrigada — Respondi. — Vem, vamos guardar nossas mochilas.

Entramos por uma porta que dava em uma sala enorme, nela tinha vários armários que iam desde pequenos a grandes. Achei o armário que tinha o numero 15 e destranquei a porta.

— Aqui guarde sua bolsa — Falei tirando a minha das costas. — Tire o seu casaco e a sua gravata também.

— Tá bom — Disse tirando o casaco, afrouxei a sua gravata e depois a minha. Guardamos as coisas dentro do armário e tranquei a porta.

— Agora — Falei colocando a chave e o meu cartão no pescoço, ajeitei a argola da camisa e prendi o cabelo em um rabo de cavalo. Esperei ela prender o cabelo também, quando ela terminou dei um sorriso — Vamos no divertir.

Então começamos a ir às maquinas de jogos da sorte, andamos na montanha russa, jogamos jogos de tiro e de corrida. Olhei as horas no celular e faltava dez minutos para o passe extra espirar, puxei Fugi para um jogo que eu gostava muito. Fugi me olhou em duvida.

— Sabe jogar esse — Falei apontando para a maquina de dança a minha frente. Fugi negou com a cabeça. — Vamos é fácil, você só tem que seguir os movimentos da personagem.

Passei meu cartão para iniciar e a tela da maquina brilhou, então apareceu uma lista de musicas para dançar.

— Conhece a musica Poker face? Da Lady Gaga? — Fugi acenou com a cabeça, acenei para ela ficar ao meu lado no outro tapete. — Vou colocar essa musica para você, ta bom? É fácil, deixe a musica te levar e siga os passos do personagem.

— Tá — Disse olhando para a tela e afastando os pés. Então a musica começou a tocar, ela errou no começo da musica, mas da metade pro final ela acertou quase tudo. Ela dançava de um jeito bonito e engraçado, sorri e dei um tapinha no braço dela quando a musica terminou — Isso cansa.

— Aham — Falei sorrindo, ajeitei minhas mangas e subi na pista. — Você foi bem, sem dizer que foi uma gracinha ver você dançando. — Olhei de relance para trás e vi que ela estava sem graça. Selecionei a musica que eu vinha tentando acertar todos os passos desde que inaugurou mas era difícil, tinha um recorde nela que um menino colocou e eu estava tentando quebrar.

Afastei os pés e respirei fundo, a musica começou a tocar, era All I Ever Wanted do Basshunter. Comecei a dançar, o começo era fácil, a coisa complicava quando chegava no meio do final. Vi algumas pessoas se aproximarem, engoli em seco e fingi não ver, o refrão começou, acelerei os passos, meu pé batia sobre os tapete que brilhava em cores diferentes.

— Vai Charlie — Fugi gritou, senti um sorriso rápido surgindo nos meus lábios e me concentrei na musica.

Ela ficou calma novamente e logo em seguida vinha o refrão e o final. Vamos, vamos. Então chegou a parte que era mais rápida, pisei para o lado e depois para o outro, vi a pontuação aumentando, faltava pouco para bater o recorde, então fiz o passo final, pisei no botão da direita duas vezes seguidas, depois esquerda e atrás e girei, parei com os dois pés em cima de cada seta, cabeça para baixo, um braço na cintura e outro apontando para o teto. A maquina apitou dando um novo recorde.

— Aeh!!!

Soltei um suspiro de alivio e felicidade, minha camisa estava grudada nas costas. Me virei e Fugi pulou em cima de mim.

— Eu consegui, finalmente consegui — Falei pulando de alegria junto com ela.

— Sim, sim — Disse sorrindo também. Então paramos de pular, dei um aceno para o pessoal que estava olhando e eles deram um aceno de volta. — Você dança bem pra caramba.

— Americana se lembra? — Falei sorrindo, estava morrendo de calor. Olhei no relógio tínhamos mais 4 minutos de sobra. — Dá para jogarmos um em dupla.

— Certo — Disse ela subindo e me puxando. Ela que escolheu a musica agora, que foi Sorry Sorry do Super Junior. A dança tinha um pouco de passos de hip hop e para minha surpresa Fugi ganhou um perfeito nesses passos. Dançamos em sincronia, quando a musica acabou tínhamos batido o recorde da musica. — Bem...

— Fala de mim, mas você dança bem também — Falei pegando fôlego. A maquina desligou.

— Acho que nosso tempo acabou — Disse ela sorrindo. Acenei com a cabeça e estendi minha mão, ela segurou. Pegamos nossas coisas no armário, colocamos as mochilas nas costas e paramos na recepção. — Aqui.

— Ah sim, obrigada — Disse a moça de cabelos ruivos quando entregamos a chave e o cartão extra. Deu um sorriso para nós e disse — Parabéns pelos recordes quebrados.

— Obrigada — Respondi, Fugi deu um aceno e nos entramos no corredor. Uma brisa nos atingiu quando saímos do prédio e passamos pelo segurança. Olhei no relógio, 17:10.

— E agora? — Perguntou olhando para mim.

— Agora eu vou te levar para casa — Falei dando um sorriso, ela fingiu ficar emburrada. — Vem, deixa de birra.

Caminhamos em direção a estação, Fugi morava na estação depois daquela que ficava perto do parque, passamos em frente a uma sorveteria e compramos sorvete. Nos separamos no trem, eu desci uma estação antes que ela. Cheguei em casa, liguei minha televisão e comecei a jogar videogame, depois eu peguei alguns livros da escola e o caderno e comecei a estudar. Estava assistindo alguns animes deitada no chão quando minha mãe entrou no quarto e me viu de uniforme ainda.

— Pelo amor de Deus você ainda está com o uniforme? — Disse minha mãe irritada, chegou perto de mim e me colocou de pé. — Tire seu uniforme para eu botar para lavar, vá tomar um banho e colocar alguma roupa bonita, vamos ter visitas para o jantar.

— Humm, por isso que eu não vi ninguém no dojo hoje — Falei tirando minha blusa e a saia, peguei minha gravata, o casaco da mochila e a vasilha de comida do almoço e entreguei a ela — Quem são os convidados?

— Apenas vá tomar banho — Ordenou ela.

— Ok. Ok — Peguei a toalha e sai do quarto. Tomei um bom banho, lavei os cabelos e depois de uns 10 minutos eu sai do banheiro enrolada em uma toalha. Deixei meus cabelos enrolados na toalha enquanto procurava algo descente para vestir. Achei um vestido cinza e preto quadriculado de alça, coloquei ele sobre a cama e vesti um sutiã cor de pele e uma calcinha branca, vesti o vestido, enxuguei e penteei os cabelos. Quando terminei de me arrumar fiquei sentada no sofá da sala.

Meu pai estava vestindo uma calça jeans e uma camisa branca de manga curta, ele sentou no sofá comigo, ficamos assistindo televisão, olhei no relógio era 20 horas. Me levantei e entrei na cozinha, mamãe estava vestindo um vestido branco de manga curta e vovó estava usando um vestido azul. Olhei para a mesa que estava repleta de comida, muita comida mesmo.

— Bem não me disseram quem seria as visitas — Falei olhando para a comida que parecia boa.

— Você vai saber daqui a pouco — Disse meu pai da sala. Soltei um suspiro cansado e me sentei no chão.

Escutei alguém batendo na porta da frente e meu pai se levantou do sofá para ir atender a porta. Olhei ele fechando a porta e me virei para trás.

— Ok, quem foi que ele convidou? — Perguntei a mamãe.

— Yoi e família — Disse ela.

— Chamou a Yoi?

— Sim e a outra amiga sua — Levantei minhas sobrancelhas em duvida e ela soltou um suspiro. — Aquela, que eu não me lembro o nome no momento, que você ensina Japonês.

— O QUÊ??? — Falei encarando ela chocada. — AMANDA, VOCÊS CHAMARAM A AMANDA PARA JANTAR?

— Fala mais baixo criatura — Mamãe brigou comigo, eu olhei dela para a vovó que deu de ombros. Droga.

— Não acredito nisso — Sussurrei e comecei a andar na direção que o papai foi. Escutei passos se aproximando e a voz animada de Yoi falando com meu pai, depois uma voz que eu reconhecia bem agradeceu pelo convite. — Droga.

Voltei para dentro de casa e me enterrei no sofá. Segundos depois escutei a porta abrindo, pus a mão na cara.

— Boa noite Sra. Tanaka e vovó Kaori — Escutei a voz de Yoi da cozinha. — Cadê a Charlie?

— Charlie! Venha aqui! — Falou minha mãe, respirei fundo e me levantei, olhei para o meu vestido e senti meu rosto corar. Andei até a cozinha e Yoi pulou em cima de mim.

— Yoi! — Resmunguei e empurrei ela para longe de mim.

— Oh, você esta tão bonitinha nesse vestido — Disse olhando para ele, senti meu rosto ficar mais corado ainda. Yoi deu uma gargalhada com aquilo, dei um tapa no braço dela e me afastei.

— Boa noite Sr e Sra. Matsumoto — Falei para os pais de Yoi. O pai dela tinha os cabelos na altura dos ombros, tinha a mesma idade que meu pai, era alto, trabalhava como empresário. E a sua mãe tinha os cabelos castanhos claros ate a altura da bunda, seus olhos eram cor de mel e tinha um sorriso encantador igual ao de Yoi.

— Quanto tempo que não te vejo Charlie — Disse a mãe dela colocando a mão na minha cabeça e me dando um sorriso lindo e feliz.

— Verdade — Concordei sorrindo, olhei para o lado e vi Amanda e Anne conversando com meus pais.

— Bem, vamos jantar enquanto a comida esta fresca? — Disse vovó chamando todos para comer. Nossos pais se sentaram na mesa, enquanto nos três, Amanda, Yoi e eu nos sentamos no chão.

— Eu não acredito que eles chamaram vocês — Falei olhando para o prato de comida nas minhas mãos.

— Ficou surpresa? — Disse Yoi apontando para mim com os hashis.

— Claro — Resmunguei. Olhei para Amanda que estava quieta e soltei um suspiro. — Principalmente com você.

— Não achava que eu devia conhecer seus pais? — Disse ela, seus olhos estavam um pouco tristes.

— Não pensei que queria — Respondi sem graça.

— Seu pai ligou para nossa família na hora do almoço — Disse Yoi.

— Era por isso que vocês estavam mexendo no celular — Falei me lembrando de quando vi Amanda ficar feliz e fechar o celular. Ficamos em silencio por um tempinho ate meus pais começarem a falar com Amanda.

— Amanda — Disse meu pai.

— Sim — Disse ela olhando para a mesa.

— Fiquei feliz em saber que era minha filha que ia te ensinar japonês.

— Ah, eu também — Amanda falou em inglês para meu espanto. Meu pai levantou as sobrancelhas para ela.

— Em japonês Amanda — Falei, o rosto dela ficou corado.

— Me desculpe — Disse ela em japonês — Charlie ensina muito bem, apesar que as vezes ela enrola um pouco.

— Eu não sabia que enrolava — Isso era surpresa para mim.

— Só um pouquinho — Disse ela sorrindo. — Yoi também vem me ajudando bastante.

— Isso é bom — Disse mamãe — Quando chegamos aqui tivemos um pouco de dificuldade para entender algumas coisas.

— Eu quem o diga, até hoje me enrolo quando vou pagar as contas — Disse a mãe de Amanda sorrindo e todos sorriram também.

— Você frequenta qual clube no colégio? — Perguntou papai tomando um copo de vinho. — Você deve ser inteligente para ser aceita no colégio no segundo ano ainda mais vindo da Alemanha.

— Obrigada — Disse Amanda ficando sem graça. — Eu só gosto de estudar mesmo e eu participo do clube de artes.

— Artes hein? — Disse o Pai de Yoi. — Gosta de desenhar?

— Ela desenha super bem — Disse Yoi de repente. Eu nunca vi nenhum desenho de Amanda, a coisa mais próxima que eu cheguei a ver foi a tela que ela estava pintando hoje, que não fazia o menor sentido para mim.

— Então você pensa em ser artista? — Perguntou Sra. Matsumoto olhando para ela.

— Eu não sei de certeza ainda — Disse Amanda e deu um sorriso de canto. — Mas eu vou tentar uma Faculdade de artes que tem em Tóquio.

— Interessante — Disse vovó bebendo o vinho.

— Você gosta de que tipo de obras, pinturas em quadros ou desenhos? — Perguntou meu pai, ele estava testando ela para ver se ela gostava de anime que nem eu e Yoi. Yoi percebeu isso também e balançou a cabeça levemente. Meu pai não era contra eu assistir anime e essas coisas desde que eu tirasse boas notas e fosse boa nas atividades físicas. Porem eu sabia que ele não gostava muito do conteúdo de alguns animes.

— Eu gosto dos dois — Disse ela, olhei para Yoi e ela balançou a cabeça de novo. — Eu desenho mais pessoas, caricaturas essas coisas sabe? E pintura em tela também é muito bom, principalmente quando você ta terminando a obra, você se sente tão feliz consigo mesmo.

— Ah, isso é muito bom — Disse meu pai sorrindo. Yoi deu um sorriso de canto e eu fiz o mesmo, Amanda tinha respondi direito a pergunta.

— Bem, se você chegar a cursar a faculdade de artes e fizer pinturas em quadro, nós vamos aceitar comprar alguns para colocar nos nossos hotéis, não é querido? — Disse a Mãe de Yoi para o marido. Os pais de Yoi eram donos de alguns hotéis e casas de praias de Okinawa, Yoi era rica apesar de toda a sua família parecer bem humilde.

— Muito obrigada — Disse Amanda rindo — Não vou esquecer da sua oferta quando eu chegar lá!

— Pode deixar — Disse Sr. Matsumoto sorrindo.

Terminamos de comer, tirei os pratos da mesa e coloquei na pia. Íamos lavar mais tarde, lavei minhas mãos e me juntei novamente as duas. Amanda estava vestindo uma Calça preta e uma blusa rosa de mangas curtas, havia algo escrito em alemão na blusa. Yoi estava vestindo uma saia preta e uma blusa vermelha de manga curta que tinha escrito I LOVE TÓQUIO.

— Vem — Estendi a mão para Amanda e a outra para Yoi. — Deixa eu apresentar a casa para você.

Amanda segurou minha mão e se levantou, ajudei Yoi a se levantar e saímos da cozinha. Apresentei a ela o lago do fundo, a sala, área de limpeza, apontei onde era o quarto dos meu pais e da minha avó e levei elas ao meu quarto.

— Aqui é o meu cantinho — Falei abrindo a porta, Yoi entrou e se sentou na cama, Amanda olhou para o meu quarto e ficou observando. — Bem normal.

— Amanda você não achou que o quarto teria espadas e essas coisas assim achou? — Disse Yoi olhando para ela com um sorriso sarcástico na cara.

— Não, claro que não — Disse dando uma inclinada de cabeça e sorrindo sem graça. Ela pensou! Sorri daquilo e olhei para o chão, foi então que eu vi que eu ainda estava segurando a mão de Amanda. Olhei para Yoi que estava olhando para mim e soltei a mão dela, percebi que Amanda notou também somente quando eu soltei sua mão, seu rosto e o meu coraram e eu fui ate onde estava Yoi.

Me sentei ao seu lado na cama, Yoi me deu um olhar suspeito e eu desviei o olhar. Amanda sentou no chão a nossa frente com uma revista no colo e começou a folhear.

— Fez o que depois que me sujou de tinta hoje?

— Foi me perturbar — Disse Yoi me dando um empurrãozinho com o ombro e sorrindo. — Charlie gosta de encher de vez em quando.

— Eu não. Só não acho justo vocês ficarem assistindo meus treinos e eu não — Falei cruzando os braços.

— Tá certo — Amanda disse sorrindo.

— Depois vocês foram aonde? — Perguntou Yoi olhando para mim — Vi você e Fugi correndo na entrada da escola.

— Ah — Deitei na cama e cruzei as pernas, senti o olhar de Yoi e Amanda em mim. — Fomos a um fliperama.

— Aquele fliperama?

— Sim — Respondi Yoi. Olhei para o lado onde Amanda estava sentada, ela estava me observando e não consegui ler o seu olhar.

— Charlie! — Ouvi minha avó me chamando. Levantei da cama e abri a porta. Olhei para o lado e vi ela acenando para chamar as outras para a sala.

— Ei, vovó esta chamando a gente la na sala — Falei olhando para elas duas. Elas saíram do quarto e fomos para a sala, estavam todos comendo um creme e assistindo Tv. Vovó colocou um pouco para a gente e nos sentamos no chão. Meu pai se levantou para ir pegar água na cozinha, uns segundos depois a apresentadora do jornal começa a falar.

“ Boa noite senhora e senhores, a primeira noticia de hoje será sobre o campeonato nacional que terá as inscrições abertas a partir de segunda-feira da semana que vem”

— Pai! — Chamei, ele veio correndo.

“Nesse Campeonato Nacional os que irão participar são karate, kendo, kyudo, Mahjong, Xadrez e Natação. As inscrições serão abertas para colégios e dojos tanto nas modalidades individuais quanto em grupos. As eliminatórias ocorreram na ultima semana das férias de verão em cada estado japonês e as classificatórias aconteceram na ultima semana de Novembro em Tóquio. ”

Olhei para Yoi e ela olhou para mim. Acho que ela pensou a mesma coisa que eu na hora. Que foi nada mais nada menos que merda.

Notas finais
Entao o que acharam? hsausau esse foi grande kkk.