A Vida Alheia
7 VII - Blindado
Depois de algumas horas trabalhando, Clarisse já ouvia o barulho dos funcionários saindo do prédio, era sempre assim; ela era a ultima a sair desde o inicio.
Quando percebeu que já estava perto da hora da recepcionista sair, ela pegou sua bolsa e os documentos que ainda não tinha lido e saiu a passos rápidos de sua sala, evitando olhar para os lugares vazios. Para ela era muito ruim ver aquele lugar vazio e tão silencioso, gostava de ver seus funcionários mantendo aquilo em movimento, fazendo barulho e criando.
Assim que chegou a recepção despediu-se do segurança que ainda estava ali e foi até o estacionamento pegar seu carro; mesmo com a claridade das lâmpadas, ela ainda ficava receosa por sair tão tarde.
Dentro de seu carro blindado ela sentiu-se um pouco mais segura para voltar para casa, aquela hora já não tinha transito por ter passado do horário de pico, então pode voltar mais rápido para esperar a chegada de Susana. Entretanto ao chegar em frente a garagem de seu prédio teve que fazer uma das coisas que mais odiava, manobrar, mas havia um carro atrás do seu que estava próximo demais.
Clarisse acelerou um pouco e tentou manobrar melhor para não encostar a traseira do carro no apressadinho que não afastava o carro. Quando estava prestes a entrar na garagem sem bater em nada deu uma ultima ré para endireitar-se melhor, mas não havia olhado o retrovisor e acabou batendo na lateral do outro carro.
O estrondo a fez fechar os olhos e permanecer com eles fechados em quanto desejava que o estrago não tivesse sigo muito grande nem no carro dela e nem no do outro. O carro dela era um BMW X6 importado e provavelmente ela teria que pedir para que as peças fossem mandadas o mais rápido possível, em quanto o dele era um pálio, um carro popular...
Ela abriu os olhos percebendo que não adiantaria fecha-los e acelerou um pouco para afastar os dois carros que fechavam a rua. Quando os carros já estavam afastados e Clarisse já estava com sua bela maquina parada no meio do seu estacionamento, ela ouviu três batidinhas no seu vidro com muitas camadas de insulfilm.
“Ótmo, eu estou atrasada e ainda terei que discutir com um apressadinho, cretino que provavelmente me dirá coisas baixas e eu já não estou com paciência o suficiente para apenas ouvir e dar um cheque para ele cuidar dos estragos da porcaria do carro dele.”, ela pensou apertando o botão para a janela se abrir.
Daniel viu a BMW vermelha a sua frente e pensou em como seu antigo chefe amava ver a BMW estacionada na vaga com letras douradas que formavam a palavra ”C.E.O”, o que lhe deu vontade de dar ré e acelerar sem ligar para os amaços que seu carro teria, mas controlou-se e observou a dificuldade do motorista.
“O que adianta um cara comprar um carro enorme e não saber manobrar?”, ele se perguntou respirando fundo e esperando que o carro entrasse logo na garagem para que ele pudesse ir para seu apartamento. Até que ele viu que já conseguiria entrar em seu prédio, mas assim que acelerou um pouco o outro carro retrocedeu e ele só sentiu o baque e ouviu o barulho da lataria do seu carro amassando, o que fez seu sangue borbulhar.
Ao ver que o outro carro estava afastando, Daniel forçou a porta que não queria abrir por causa do jeito que amaçou, quando ela se abriu quase soltou da outra parte do carro. Ele ficava com ainda mais raiva, a raiva de muito tempo se acumulava e indiretamente ele colocava seu chefe como o dono daquele BMW vermelho.
Ele andou até o outro carro e deu três batidinhas na janela, pronto para iniciar uma discursão.
“Hoje não é o dia de sorte desse cara”, Daniel pensou ouvindo o barulhinho da janela abrindo.
Clarisse evitou encarar o homem do lado de fora do carro e pegou sua bolça procurando um boleto de cheques e uma caneta.
—Quanto quer para manter-se calado e sair daqui?_ Ela perguntou esperando ouvir a quantia.
Daniel reconheceu no mesmo instante em que a janela abaixou que aquela era a mulher da noite anterior, sua surpresa o fez desarmar e só observou a expressão irritadiça dela, que lhe parecia ainda mais bonita do que na noite anterior.
Clarisse virou o rosto pronta para desferir ofensas ao homem que não a respondeu.
—Eu não tenho a noite toda para esperar você decidir quanto quer pelo estrago no seu carro._ Ela falou irritada e o encarou, logo depois percebendo quem ele era e sentindo-se um pouco desconfortável.
“Ela parecia mais educada de longe.” Ele pensou franzindo o cenho.
—Não fale como se eu que tivesse jogado meu carro em cima do seu, você nem devia sair de casa se for dirigir assim...
Clarisse voltou-se para o talão de cheque e preencheu-o, dando-lhe o cheque no valor de oito mil reais, ela achou que era o suficiente. E foi até sua vaga, logo saiu do carro carregando seus papeis e sua bolça e foi ver o estrago em na traseira de seu carro; não estava muito amaçada, mas a pintura estava destruída.
Ela respirou fundo passando a mão pelo pescoço. Daniel ainda a observava e era visível e palpável a tensão de sua vizinha, ele se aproximou.
—Você realmente não tem noção do quanto vai custar para desamassar minha porta né?_ Ele perguntou mostrando o cheque para ela.
—É o custo do concerto, mais o valor para manter advogados longe de mim._ Clarisse Disse referindo-se aos advogados que sempre surgiam para negociar algum processo desde danos morais aos físicos.
Daniel entendeu exatamente o que ela queria dizer, olhou o cheque e se sentiu no dever e no direito de aceita-lo. Ele olhou do parachoque do BMW para a expressão de cansaço no rosto da mulher que pelo cheque descobriu que se chamava Clarisse Safra Villela, ele sentiu que já tinha ouvido falar naquele nome, quase perguntou no que ela trabalhava para saber se era conhecida, já estava obvio que ela tinha posses, mas era formal de mais para ser uma artista...
Ele a olhou por mais algum tempo, mas não conseguiu lembrar-se de ter a visto outras vezes, em outro lugar. Entretanto preferiu não se preocupar muito, afinal moravam próximos, então poderiam ter se visto outras vezes.
—Tenha uma boa noite._ Clarisse disse dando-lhe as costas.
Daniel observou os passos lentos da mulher que lhe parecia extremamente arrogante e bonita na mesma intensidade, o som dos saltos ecoava pelo estacionamento e ele decidiu sair dali e ir resolver seus problemas.
Clarisse entrou em seu apartamento e bateu a porta atrás de si, por ela seu dia terminaria naquele momento, tomaria um banho e dormiria, mas teria que se obrigar a sair com Susana. Ela olhou o relógio em seu pulso só para saber quanto tempo estava atrasada.
Depois de um banho rápido e de uma escolha de roupa mais rápida ainda, Clarisse maquiou-se, perfumou-se e assim que encarou o espelho a sua frente ouviu o barulho do interfone; o porteiro avisou sobre a chegada da Susana e ela pediu para que ele deixasse a subir. Em alguns minutos Susana já estava em sua porta.
—Você está ótima._ Susana falou olhando o vestidinho Calvin Klein preto com um belo decote que Clarisse usava.
—Então já podemos ir._ Ela perguntou pensando que quanto mais rápido chegasse á festa mais rápido poderia voltar para casa.
Fale com o autor