A Verdade por trás desse Meu Jeito
6 A Pirâmide
Apenas uma jornada
Movida de uma esperança ingênua
Ocupações fúteis no plano terrestre
Roteiro incompreensível de um autor que desconheço
Pessoas devassas de ignorância
Seguem seus rumos novamente
Terão a chance de entregar-se ao obscuro
Para que os sentimentos mais profundos da alma voltem a florescer?
O Archon ergue os muros
O Demiurgo pinta o céu
Quem seria invasor da mente humana,
A não ser os pensamentos intrusivos rompendo o véu?
Busca reconectar o homem e sua origem
Teia do conhecimento
Garantia superficial no convívio
No final, somente dor e sofrimento
Entrelaçaram-se nossos corpos
Numa fração de segundo; intenso
Igual a última dança da festa
O ventilador abafava os ruídos
O lençol bagunçado não lavara até hoje
Sua avó ri e te chama de porca
Você só desejava eternizar aquele dia
Sinto como se essa felicidade tivesse sido ontem
Com um abraço conquistou-me
Com um abraço deixou-me
Mal pisquei os olhos e já tive que soltar tua mão
Poderia eu ter segurado mais firme?
Pássaros não nasceram para ficar a vida inteira em gaiolas
Vc foi liberta e eu fiquei vazio
Deslocado, paralisado, absolutamente frio
Tu me preenchia
No camarim, todos felizes
Vesti o figurino, confiante
Foi quando recebi tua mensagem
Meu cérebro interrompeu as lágrimas
Realizei a performance
Louco, desesperado por dentro
Depois da última palma, fugi
Passos descompassados me guiavam quase automaticamente
Os BPMs só cresciam exponencialmente
Cruzei a cidade, aflito pelo fim
Sol quente, fluxo de pessoas e peso
O que me incomodava não era o fardo físico sobre minhas costas
E sim, o tormento psicológico que corroía minha integridade
Feliz por conceder-me a chance de ver seu rosto pela última vez
Nosso "último" encontro, ensolarado
Bruna saiu de cena e eu também tive que sair
O foco sempre foi você
Esperando-me na nova residência
Os coturnos atrasavam a subida daquela ladeira
A qual apelidei de: A pirâmide
Não hesitei; triste, apenas andei
Flashbacks iam e vinham conforme aproximava-me
Finalmente o mais perto suficiente para ter uma conversa decente
A estrelinha sem pecado em teus braços
Não parava de me olhar
Embrulhou-se minhas entranhas
Tua fala era doce mas aquele olhar me penetrava
Atordoado
Escuto o julgamento, sem intervir
Bebo dessa poção amarga cujo efeito me perseguirá até minha morte
Não pude ao menos beijar-te?
Lembro quando pedia que te acompanhasse
Não importa para qual lugar
Só almejava minha presença
E agora me diz o contrário?
Ao sentir o aroma daquele salgadinho
Ou ao ver tua cor preferida
Ressoa a nostalgia
Meu lábio levanta lateralmente
Se reconciliações doem tanto assim, por que não cortaste contato quando tinhas a oportunidade?
Talvez seja porque dói assumir que sou o remédio
Não necessitas de mim para viver, apenas me usou na sua tristeza
Jogou-me fora no meu primeiro deslize
Branca, sou um monstro
Não há perdão para mim, nem em outro mundo
Esqueça-me de uma vez ou volte
Pois não aguento mais essa superficialidade
Ouvidos fadigados de falácias
Minha vontade era de sair rolando ladeira abaixo
Ou simplesmente escorregar
Mas o chão não era liso
Por onde subi, desci
A casa quase construída, desmoronou
Tão envergonhado que até o ácido gástrico recusou-se a sair
Ou mesmo acabado, queria me mostrar forte na sua frente
Não terminarei de assistir tua série
E tu também não terminarás a minha
Guardará algo bom de mim?
Ou ao menos apagará teu ódio?
Me doeu a cabeça em formular hipóteses
O que um homem se torna ao perder sua amada?
Recolhi novamente o ar para armazenar aquela atmosfera
Emoldurei a rua na memória pois nunca mais passaria por ali
Abstrato
Um triângulo
Do vale ao pico
Forma que enfrentei
Do alto ao solo
O fenômeno
Alterado
Foi então que descobri que
Meu maior inimigo sou eu mesmo.
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