A Verdade Sobre Hermione
41 Capítulo 41
Notas iniciais
R.A.B.: Tire a roupa.
H.B.L.: Perdão?
R.A.B.: Tire a roupa.
Quando os três, cobertos pela capa da invisibilidade apareceram no Largo Grimmauld, logo puderam ver o Número 12 aparecer, aparentemente do nada, entre as casas de número 11 e 13. Hermione sentiu uma onde de saudade preenchê-la e sabia que Harry e até Ron deviam também sentir isso. Embora tudo o que aconteceu, eles tinham boas memórias naquela casa, quando tudo era relativamente mais fácil e Hermione confiava nas pessoas que a cercavam, sem saber de nada. Ah, o quão doce é a ignorância!
—Acho que devemos entrar... – Hermione disse, interrompendo os pensamentos dos garotos.
—Estranho que não tenha ninguém... – Observou Ron enquanto eles entravam na casa – E mais estranho ainda é não ter nenhuma segurança.
Os três entraram sem nenhuma dificuldade, como se a casa não estivesse abandonada a meses (Hermione sabia que era mentira, claro, mas não se deu ao luxo de demostrar isso). A casa ainda era a mesma que eles se lembravam, um pouco mais empoeirada, mas ainda a mesma. Era como se a Sra. Weasley fosse aparecer anunciando o almoço, Sirius estivesse com o Bicuço e Jorge e Fred estivessem testando produtos para a loja deles.
—Será que tem alguém? – Perguntou Harry falando baixo e olhando atentamente ao redor.
—Não creio – respondeu Hermione. – Dumbledore era o fiel do segredo e nos contou a localização da casa, e agora como ele morreu nós nos tornamos o fiel do segredo. Porém é melhor fazer uma checagem – ela pigarreou e levantou a varinha. – Homenun Revelio!
Quando nada aconteceu Rony coçou a cabeça de leve.
—Bem, Hermione você está cansada depois de tudo o que aconteceu e considerando o seu estado...
—Não seja tolo, Ronald. O feitiço era para revelar se tem mais alguém nessa casa! Mas como você não acredita em meu potencial vamos nos dividir!
—Hermione, não é necessário – Harry disse.
Hermione revirou os olhos e ignorou o moreno e começou a ditar as ordens:
—Harry você fica com o primeiro andar, eu com o segundo e Ron com o terceiro. Qualquer coisa, gritem.
Ela saiu em direção à escada, sem esperar as respostas dos garotos, que deram de ombros e foram fazer o que a garota mandou. Ron passou por Hermione na escada, a varinha em punho, em direção ao último andar.
Hermione passou por diversas portas, que ela abriu e deu uma espiada só para manter as aparências, até porque sabia que não tinha ninguém naquela casa. Passou pelo quarto de Sirius e reparou na bagunça no cômodo. Depois passou pelo quarto que ela julgou ser de Walburga e Orion, ela entrou e viu uma fotografia dos dois no casamento deles. Ela se permitiu chorar uma lágrima de saudade dos amigos, antes de sair e procurar o quarto de Regulus.
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Não entre
Sem a permissão expressa de
Regulus Arcturo Black
—HARRY! RON! ACHEI!
Logo dois garotos apareceram no corredor, ambos ofegantes, assustados e com as varinhas em punho, prontos para se defender qualquer um. Deram um aliviado suspiro ao encontrar Hermione sozinha, aparentemente intacta, encarando a porta de um quarto qualquer.
—Hermione? Por que nos chamou?
—Olhe! — Hermione mandou arrancando uma placa prateada da porta e colocando na frente do garoto.
— “Não entre sem a expressa permissão de...” -Harry começou a ler — “Regulus Arcturos Black.”
Harry olhou para ela com excitação, finalmente encontraram R.A.B.! Depois olhou para Rony, querendo verificar se o ruivo estava tão alegre como ele.
Mas aparentemente Rony ainda não sabia o porquê de tudo aquilo.
—R.A.B., Rony! — Harry exclamou, pegou a placa da mão de Hermione e balançou na cara de Rony, que aos poucos ia processado a informação. — O irmão do Sirius! Regulus... Espere, tem algo escrito aqui.
Logo os três estavam na mesa de jantar incrivelmente empoeirada tentando descobrir o que estava escrito atrás da placa do quarto de R.A.B. com uma letra pequena demais para ser lida normalmente, os garotos iluminavam a placa com um Lumus enquanto Hermione se ocupava em tentar desvendar o recado.
—Isso é um A e depois é um L.
—Não — Ron disse se inclinando para ver melhor. — Tem um I ali, vê? É A-I-L.
—Isso definitivamente é um I — Harry disse.
—Ok. Então temos um A-I-L... E aquilo é um S, vêem? Depois do S e temos um A novamente.
—Esse S pode ser um R... — Ponderou Harry. — E o último A pode ser um O.
—Então é Ailsa ou Ailro. Acho que Ailsa soa melhor.
—Depois do Ailsa tem um espaço e depois em letra maiúscula vem um C.
—Maiúscula? — Harry perguntou — É um nome?
—E depois um R. Vejam como ele é mais pontudo e anguloso — Hermione mostrou para os dois garotos. — Depois outro A, isso é um I... Seria isso um G? — Hermione deu espaço para Harry e Ron confirmarem.
—Ailsa Craig? -Rony perguntou.
—Ailsa Craig — Hermione confirmou — Uma ilha.
—O que R.A.B. quer em Ailsa Craig?
—Ora, só tem um jeito de descobrir — Hermione disse alegremente, estava seriamente desconfiada do que iria acontecer e a perspectiva de ver alguém da família de novo deixava-a alegre. — Descansem bem hoje, meninos, por que amanhã na primeira luz iremos para Ailsa Craig!
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Demoraram metade do dia explorando Ailsa Craig até acharem uma caverna no meio da mata. Era uma caverna grande, escura e úmida que os deixou apreensivos ao entrar.
Pouca luz entrava na caverna, de modo que Harry, Ron e Hermione tiveram que usar suas varinhas para iluminar o ambiente.
—Olá? — Harry disse alto.
Os três estavam sozinhos naquela escura caverna e Rony logo se virou para voltar para a mata quando uma criatura saiu das sombras e botou a varinha na testa de Hermione, que ficou vesga ao tentar manter a varinha em sua visão.
—Bella? — O homem cabeludo, barbudo e notavelmente mal cheiroso chamou.
—Não... Sr. Black? — Hermione disse polidamente.
Ela sabia que era Regulus, claro, mas o olhar perdido e louco do homem a faz ter um certo receio. Ele parecia, de verdade, louco.
—Não pode enganar-me, Bella. Eu lhe conheço muito bem. És minha prima favorita!
—Hm, senhor? — Harry tentou chamar atenção do homem, mas Regulus apenas mandou-o se calar.
—Eu não sou Bellatrix, senhor Black.
—Sim, você é Bellatrix, Bella. Ainda parece que tem 17 anos! Ouvi dizer que você foi presa... Nunca acreditei nisso. Minha prima Bella nunca iria se deixar ir para Azkaban!
—Bem, senhor Black, eu realmente não sou Bellatrix...
—Tire a roupa.
—Perdão?
—Tire a roupa — ele mandou. — Mostre que você não é a Bella.
Hermione olhou nervosamente para seu antebraço e depois para os garotos.
—Senhor Black, eu não acho que isso vai adiantar... Sabe eu meio que tenho uma Marca Negra.
—E o filho do demônio na barriga — Rony sussurrou para Harry.
Hermione decidiu que iria fazer ele pagar por aquilo depois.
—Tem uma Marca Negra? — Regulus perguntou, apertando cada vez mais a varinha na testa de Hermione. — Bella Bella Bella... Sempre tão orgulhosa de servir ao Lord Vold...
—Não diga! — Harry interrompeu ele.
—Tem um Tabu! — Rony começou a olhar para os lados assustado.
—E eu não sou Bellatrix Black Lestrange! — Hermione disse. — Sou Hermione...
—Hermione...?
—Hermione Black Lestrange. Sua... Prima.
Regulus olhou para ela e, inesperadamente, a puxou para um abraço apertado. Ron e Harry ficaram paralisados com a inesperada reação de Regulus.
—Sim... Eu ouvi que Bella tinha uma filha — ele olhou demoradamente para ela. -Idêntica à ela, tirando os olhos. São de Rodolphus.
E depois ele soltou uma gargalhada desprovida de humor. Hermione, Ron e Harry se olharam, criando um plano e decidindo quem iria falar primeiro com o, suposto, Regulus Black.
—Senhor Black, — Harry começou nervosamente — temos algo de importante para falar com o senhor.
—E você seria...?
—Harry Potter, senhor. E ele é Ronald Weasley.
—O Harry Potter que derrotou o Lord Vold...
—O Tabu, senhor — Harry interrompeu. — O nome dele tem um Tabu. Fale o nome dele e em instantes estaremos cercados por Comensais. E sim, senhor, eu sou esse Harry Potter.
—Não me chame de senhor, garoto. Faz-me sentir mais velho do que realmente sou.
E então Regulus começou a analisar os três, que permaneceram parados sem sequer se olharem. Hermione então começou a analizar Regulus também, como sabia que Harry e Ron estavam fazendo.
Se ela ignorasse a longa barba e o emaranhado de cabelos, ainda era possível ver o Regulus que ela conhecia. Ele assim parecia muito com Sirius, quando saiu de Azkaban, só que Regulus estava um pouco mais gordo.
—Está bem — Regulus disse por fim. — Querem derrotar Você-Sabe-Quem e acharam meu bilhete no medalhão e depois viram a placa na porta do meu quarto.
—Exato — Rony concordou.
—Um feito muito difícil para um trio de adolescentes — depois se virou para Hermione, como se estivesse lembrado de algo. — Sua mãe sabe que você está tentando derrotar o Lord adorado dela e andando na companhia de um Potter e um Weasley?
—Sim, ela sabe. E meu pai também. E ela não adora ele.
Regulus olhou fundo nos olhos dela e ela percebeu uma faísca de malícia no olhar dele.
—E você tem uma Marca Negra, porém quer derrotar ele?
—Certo.
—Se arrependeu, assim como eu?
—Eu fiz contra a minha vontade — Hermione não se demorou no assunto porque sabia que Ron e Harry, Ron principalmente, ficavam estranhos com a simples menção ao antebraço direito de Hermione.
—Bem, vamos entrando. Eu quero saber de tudo. E essa parece ser uma história fantástica.
E andando na frente deles, Regulus os levou até fundo na caverna, onde um pouco de luz entrava por um buraco do tamanho de uma goles. Também havia uma mesa velha, cinco cadeiras e um colchão velho no chão.
—Sentem-se. Infelizmente eu não tenho nada para oferecer para vocês beberem ou comerem.
Logo se sentaram nas cadeiras, a maioria, Hermione notou, bamba, eles começaram a contar sobre a caça as Horcruxes sem se demorar muito na história de Hermione ou de Harry, já que não sabiam se podiam confiar mesmo em Regulus.
—Sim, entendo — ele começou a acariciar a barba longa dele. — Mas não explica por que a filha de Bella, que por acaso tem uma Marca Negra feita contra a vontade, está junto nessa aventura e aparentemente é uma Grifinória.
Ron e Harry olharam nervosamente para Hermione que apenas deu de ombros.
— Talvez seja porque eu fui roubada da minha casa quando meus pais e o meu tio foram presos, e Dumbledore me levou para uma família trouxa, onde eu fui criada como uma trouxa, até o meu aniversário de 11 anos, quando um bruxo apareceu na minha casa falando que eu era uma bruxa. Então eu entrei em Hogwarts com o sobrenome Granger e virei amiga de Harry Potter e Ronald Weasley, e no meu primeiro ano eu ajudei a impedir que o Lord das Trevas retornasse e roubasse a Pedra Filosofal, e no meu segundo ano eu ajudei a descobrir qual é o mostro da Câmara Secreta. Que era um basilisco. No meu terceiro ano eu ajudei seu irmão, a primeira pessoa a fugir de Azkaban, a fugir de um Beijo do Dementador com um hipogrifo, no meu quarto ano eu ajudei o Haarry a ganhar o Torneio Tribruxo. No quinto ano eu descobri meus pais no meio da batalha do Ministério e entrei em uma sala cheia de vira tempos modificados, aí eu sem querer voltei 5 décadas no passado onde eu virei Hermione Lestrange, uma Sonserina. E virei amiga dos meus avós, coisa muito estranha. Já disse que você e Sirius são iguais ao seu pai? Bem, então, eu me apaixonei louca e perdidamente por Tom Riddle...
—O Lord.
—Sim, o próprio. Aí eu, inocente, achei que poderia mudar ele. Nem preciso dizer que eu não consegui. Muitos acontecimentos depois, eu voltei para esse tempo. Muitos outros acontecimentos depois, eu fui raptada, casada e marcada contra a minha vontade. Muitos outros acontecimentos depois, eu fugi. E aqui estou eu, foragida, casada com o Lord das Trevas e grávida.
—Nossa. Foram muitos acontecimentos! — Regulus parecia que tinha ouvido o longo e cansativo relato sobre uma viagem. — Depois quero mais detalhes.
Hermione e os garotos riram, mas logo ficaram sérios e olharam para Regulus com expectativa.
—Vai nos dizer onde está o medalhão? — Perguntou Ron.
—Ah, sim, sim — Regulus sorriu para eles afetivamente. — Eu não poderia sair por aí falando onde eu escondi o motivo de ter feito-me de morto e vivido escondido pelos últimos dezenove anos. Nem mesmo para a família.
E piscou para Hermione, enquanto girava a varinha entre seus dedos.
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