A Verdade Sobre Hermione
40 Capítulo 40
Notas iniciais
Apareceram em uma clareira, no meio de uma floresta qualquer, Ron e Harry ainda tentando processar o que acontecia e Hermione, sempre prática, já começava com os feitiços de proteção em volta da pequena clareira onde eles se encontravam.
–Onde estamos exatamente? – perguntou Harry.
–Na Floresta do Deão – Hermione respondeu entre os feitiços. – Acampei aqui com os meus pais uma vez, e foi o primeiro lugar isolado que me passou pela cabeça. Ron, você poderia pegar a tenda?
–Tenda?
–Sim, dentro da bolsa. Harry, vai ajudar ele.
Harry foi até Ron, que estava impressionado com o Feitiço de Extensão Indetectável, e procuraram a tenda no meio das muitas coisas que Hermione trouxera, até que eles finalmente acharam a tenta e se puseram a montá-la.
–Por um momento, quando Mione disse que acampou aqui com os pais, eu pensei...
–Em Bellatrix e Rodolphus? Eu também.
Hermione fingiu que não ouviu a breve conversa deles, anunciou orgulhosa que já tinha acabado com os feitiços de proteção e foi ajudar os garotos com a arrumação no novo lar improvisado deles e quando tudo ficou pronto, os três foram se abrigar do congelante frio que fazia naquela noite na Floresta do Deão.
–Você acha que alguém morreu?
–Seu pai já teria avisado, Ron. Eles estão bem. – Harry disse, provavelmente tentendo se convecer disso e pensando em Gina.
Oh, se ele soubesse.
–Harry tem razão. – Hermione botou a mão no ombro do ruivo – Mas agora temos que pensar em outras coisas... Kingsley disse que o Ministério caiu, isso muda muitas coisas. Não sabemos o que vai acontecer em Hogwarts e A Toca foi invadida. E não temos lugar para ir.
–Isso tudo somado ao fato de você estar grávida do cara que quer nos matar não nos deixa em uma boa posição. – disse Ron, parecendo miserável – E ainda tem essas Horcruxes...
–E precisamos achar um lugar para ficar, e comida. – lembrou Harry.
–O que tem a barraca? Eu estou confortável assim e quanto mais longe da civilização, melhor para nós. E não deve ser tão difícil achar comida, estamos numa floresta e somos bruxos. Vamos dar um jeito. Sempre damos. –Hermione disse, depois levantou-se, pegou a bolsinha e tirou de lá muda de roupas para os três – Vamos, peguem isso. Já volto.
Hermione foi para um quarto e trocou de roupa, não deixando de passar a mão por sua barriga. Ela ainda estava normal, só tinha um mês, mas mesmo assim Hermione sentia que tinha algo, alguém, lá dentro. Sorriu ao tentar imaginar se seria menino ou menina, se iria se parecer mais com ela ou com Tom... Ah, Tom! Como ela desejava estar com ele e não em uma floresta fria com Harry e Ron.
Porém sacrifícios eram necessários.
–Temos um lugar para ir! – Harry exclamou quando ela apareceu na sala – A Casa dos Black! Sirius a deixou para mim!
Hermione deu um olhar nervoso para Harry, lembrando-se de que Sirius e Regulus estavam morando lá e que ambos estavam, para o mundo, mortos.
–Harry eu não sei se isso é seguro... Não acho que Sirius realmente possa ter te passado a casa. Ela, tecnicamente, pertence à minha... mãe.
–Monstro me obedeceu. Dumbledore disse que isso provava que a casa é minha.
–Monstro obedecia Sirius, mas isso não o impediu de passar informações para a Sta. Ciça e Sta. Bella, não é? O que nos garante que elas não apareçam lá?
–Mas o que raios Vol... – Harry ia começar, mas Ron interrompeu ele:
–HARRY! O tabu! – Ron finalmente se intrometeu na conversa – Acho que Harry tem razão, digo, se Monstro obedeceu ele...
–Vocês não entendem! – Hermione bateu o pé no chão.
–Não? Então nos explique? – pediu Harry – Nos estamos no meio de uma guerra e temos que achar as malditas Horcruxes que não fazemos ideia de onde estão! Ah, e ainda temos que descobrir quem foi R.A.B. e onde ele meteu o medalhão! E a Casa dos Black tem recursos suficientes para nos mantermos por um bom tempo e se R.A.B. foi alguém importante, nos vamos descobrir lá!
–Ele tem razão, Mione, escute. Monstro o obedeceu, a Casa é dele. Vamos ficar melhor lá. Pense nas proteções de Dumbledore! Ninguém com a Marca Negra vai sequer ver a casa!
–Acontece, Ronald, — começou Hermione com a voz fria como gelo – que eu também tenho a Marca dele, e o sobrenome dele e até o filho dele. E eu não quero, eu não vou, deixar ele me capturar de novo, OK?
Harry e Ron ficaram assustados com a intensidade de Hermione e começaram a compreender o que significava para ela ser capturada por Voldemort.
–Hermione, nós entendemos, mas, sério, não tem perigo nenhum. – Harry abraçou a amiga – E Monstro também te obedece agora, não é? Ordene à ele que guarde segredo, que revele tudo o que sabe... Nós vamos te proteger.
Ron também abraçou a amiga, mas Hermione se desvencilhou deles.
–Vocês não entendem. Não podemos voltar.
–Por quê? – perguntou Ron – Há algo que você sabe?
Harry olhou para Hermione com desconfiança, pela primeira vez desconfiando da amiga, de que lado ela realmente estaria.
–Não seja bobo, Ron, tudo que eu sei vocês sabem! Mas eu não me sinto confortável com essa ideia! Vamos ficar aqui, até tudo se acalmar pelo menos.
–E quando isso seria? Daqui a um mês? Um ano? – Harry praticamente gritou com a garota, que fingiu se encolher no sofá.
Hermione, vendo que eles não mudariam de ideia tão fácil, disse que estava tarde e sugeriu que eles falassem sobre isso no dia seguinte, isso daria tempo para ela bolar um plano decente. Os garotos concordaram e logo todos foram dormir, Harry e Ron dividindo um quarto e Hermione com o outro.
Depois de duas horas rolando na cama, Hermione viu que não tinha nada em mente e que teria que tomar medidas perigosas para poder falar com a única pessoa que poderia ajudá-la. Era super perigoso que Harry e Ron entrasse na casa dos Black com Sirius e Regulus lá dentro, algo poderia demostrar que alguém estava vivendo lá, uma carta esquecida, uma prova de que duas pessoas mortas passaram os últimos meses vivendo lá.
Depois de estar certa que os dois garotos estavam dormindo, Hermione saiu da barraca, com cuidado para não fazer barulho. Quando estava no lado de fora da clareira e das proteções, Hermione levantou a manga esquerda e chamou seu marido pela Marca Negra. Instantes depois, alguém apareceu atrás dela.
–Tom! – exclamou a garota correndo para o homem e o beijando intensamente.
–Hermione... – Tom conseguiu dizer entre os beijos ardentes que a garota dava.
Depois que Hermione se controlou e se separou de Tom, ela se permitiu sorrir e analisar Tom. Eles estava com as típicas roupas pretas de Comensal e os cabelos arrumados, os olhos azuis brilhavam de curiosidade.
–Fico feliz por te ver, mas porque me chamou até aqui? – ele arregalou os olhos – É algo com o bebê?
Hermione sorriu diante da preocupação de Tom.
–Não, o bebê está ótimo. São Potter e Weasley que estão determinados em ir para a Casa dos Black. Nada que eu disse os fez mudarem de ideia. – Hermione sentou-se apoiada em uma árvore – E Sirius e Regulus estão lá... Os garotos estão com a ideia de que vão descobrir quem é R.A.B. lá.
–Irônico. – Tom comentou enquanto sentava ao lado – Bem, eu vou dar um jeito de que hoje, na primeira luz, a casa dos Black pareça estar abandonada. Era só isso?
–Sim, era... Mas...
–Mas?
–Queria ficar mais tempo com você. – Hermione admitiu, corando – Faz tanto tempo que não ficamos juntos...
–No momento estou sem tempo, querida. Se eu pudesse, passaria o resto dos meus dias com você. E olha que eles são infinitos.
–Eu também. – ela deu um sorriso triste e o beijou – Sentirei saudades, diga a todos que sinto falta deles e que tomem cuidado. – ela passou a mão pelos cabelos dele. – Volte para mim, sim?
–Sempre. – Tom se levantou e ficou na frente dela – Se cuide, você e o bebê.
–Sim, senhor. – ela brincou. – Algo mais?
–Na verdade, sim. Quando chegarem à Casa dos Black, invente uma desculpa e suba até o segundo andar, quando você passar em frente ao quarto de Regulus Arcturos Black, com uma placa com o nome dele, grite aos quatro ventos que achou R.A.B.
–Algo mais? – Hermione perguntou estranhado as instruções de Tom.
–Sim. Depois de um jeito de tirar a placa da parede. Leia o que está escrito atrás. – Tom se afastou se concentrado para aparatar.
–ESPERE! – ela gritou, levantando-se – Por que isso tudo?
Tom deu um sorriso malicioso para ela e disse:
–Por que R.A.B. quer se encontrado.
E, dizendo isso, sumiu, deixando Hermione sozinha na Floresta do Deão.
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