A Verdade Sobre Hermione
31 Capítulo 31
Notas iniciais
Releu a carta mais uma vez e decidiu-se que aquele era o melhor que conseguiria fazer por ora, não estava totalmente certa de que era boa ideia mandar uma carta aos Granger dizendo que já sabia que era adotada e que conheceu seus verdadeiros pais. Hermione agradeceu aos Granger por terem cuidado dela e prometeu que ainda os amava como antes, talvez até mais. Não botou nenhuma informação que a botaria em risco como dizer que os pais dela eram os Lestrange ou que ela namorava Lord Voldemort. John Granger conseguia ser tão, ou mais, ciumento em relação à Hermione quanto Rodolphus Lestrange.
Ela escreveu uma carta para seus pais, os verdadeiros, contando as novidades e avisando que mandou uma carta aos Granger e o que estava escrito nela. Tinha também uma nota para Tom, dizendo o quanto estava com saudades, e outra para Narcisa contando como Draco parecia interessado em lançar olhares e piscadelas para Gina Weasley quando ninguém parecia estar vendo. Tudo fazia parte do plano, Hermione garantira à tia.
Foi ao corujal sozinha já que Harry estava em algum lugar do enorme castelo fazendo algo que ele não contou á ela, Rony e Lilá estavam muito ocupados vendo quem conseguia enfiar a língua mais fundo na garganta do outro e Gina tinha aula de DCAT. Hermione nem ligou, já estava cansada de aturar aquelas pessoas, só Gina que parecia estar ficando mais suportável com o passar do tempo.
Despachou as duas corujas da escola e seguiu para o almoço, logo depois teria que aturar mais uma hora e meia com Slughorn enchendo a paciência. A garota já estava quase mandando uma carta para Tom perguntado se estava tudo bem ela matar o professor de Poções. Encontrou Gina sozinha na mesa dos leões, a ruiva estava de frente para Draco, que a encarava com um sorriso que Hermione considerava idiota. Malfoy parecia estar se empenhando demais nessa pequena tarefa.
–Posso perguntar por que Malfoy está te olhando com um sorriso idiota? – Hermione perguntou ao sentar-se ao lado da garota.
–Eu também queria saber. Ele vem sorrindo demais na minha direção ultimamente.
Gina nem tirou os olhos de Malfoy ao falar isso, Hermione percebeu as orelhas vermelhas da garota, os genes Weasley fazendo-se presentes.
–Se não fosse o Malfoy de quem estamos falando, eu iria achar que ele está afim de você. É uma boa possibilidade...
–Não, não é. – Gina botou os cabelos atrás da orelha e concentrou-se na amiga – Ele ainda é um maldito Malfoy e eu sou uma maldita Weasley.
Hermione tentou não demostrar a surpresa ao ouvir Gina referir-se como “maldita Weasley”. Ela sabia que a ruiva não gostava muito da família no geral, em parte pela falta de dinheiro já que seu pai recusava-se a sair do departamento onde trabalhava por causa do seu grande amor pelos trouxas, mas Hermione não sabia que o desgosto da garota era tanto para chegar a referir os Weasley como malditos.
–Ainda acho que é uma possibilidade ele realmente gostar de você, ou pode ser só para irritar o Harry. Por falar nele, onde ele e Rony se meteram?
–Esqueceram-se de fazer o dever de Poções e foram fazer agora. Duvido muito que eles conseguirão acabar no tempo.
Hermione concordou com a amiga e começou a comer seu almoço, prestando atenção nos sorrisos de Draco para Gina, pensou que os dois realmente faziam um belo casal. Gina já estava quase cedendo para Draco, o namoro dela com Harry não ia muito bem e Hermione sabia disso, Gina já tinha falado para ela que “namorar Harry não é como eu esperava, ainda penso que somos amigos ás vezes.”. Hermione já estava quase contando para ela que era filha de Bellatrix e Rodolphus Lestrange, ainda não era hora de contar sobre Tom, mas precisava ter ideia da reação da garota.
–Gina, hoje à noite as garotas do meu dormitório vão dormir com as quartanistas. Vai ter uma festa ou algo assim, é aniversário de uma delas. Está sabendo? – Hermione perguntou como quem não quer nada.
–Sim, sei. É aniversário da Eloísa Engelmann. – ela falou o nome da garota com uma cara de desgosto – Não fui convidada, você foi?
–Sim. Ela falou que se eu quisesse poderia aparecer lá. – bebeu um pouco do suco de abóbora – Mas eu não vou.
– Então nós duas teremos o dormitório só para nós hoje.
– Você poderia dormir comigo, no meu quarto! Tenho algo muito importante para lhe contar. Mas você terá que prometer não contar nada para ninguém!
–É claro que não conto. Você sabe que sou sua melhor amiga e sei muito bem guardar segredos.
No fim do almoço, os sorrisos de Draco foram tantos que Gina estava toda corada. Aquilo era um bom sinal para Draco e Hermione. O sino tocou e Luna Lovegood veio chamar Gina para irem juntas à aula de Transfiguração e Hermione foi sozinha para a sala de Poções nas masmorras.
Chegou antes de Harry e Ron, então guardou lugares para eles junto com ela na bancada do meio, onde ela gostava de sentar-se. Preparou seus materiais e esperou pelo professor e seus amigos. Começou a pensar se contar quase tudo para Gina era boa ideia, a garota guardaria segredo, isso era certo, mas Hermione tinha receio de que Gina se afastasse dela após saber tudo. E se ela pedisse para ver o braço de Hermione tudo iria por água abaixo.
Harry e Ron chegaram junto com o professor, Lilá não fazia aquela aula, fato esse que Hermione amava. Os dois garotos sentaram junto com a garota e Harry anunciou que tinha mais um de seus encontros com Dumbledore naquela noite e Ron tinha ronda com Pansy, isso deixaria Hermione e Gina livres para conversar a noite toda.
A aula passou chata como sempre, pelo menos para Hermione que já sabia tudo que Slughorn ensinava, ela fez a poção pedida com perfeição e Harry seguiu as informações do Príncipe Mestiço, que Hermione estava interessada em saber quem era, Slughorn elogiou a poção dos dois e a de Draco também, que estava quase perfeita.
O dia se passou como sempre e quando Hermione se viu na mesa da Grifinória quis dar pulos de alegria. A garota já estava muito ansiosa para contar pra Gina a verdade, ou pelo menos parte da verdade, e ver a reação de Gina. Hermione tinha decidido durante a aula de Transfiguração que se a garota reagisse bem ou entendesse as indiretas que Hermione vinha dando a ela, naquela noite mesmo Hermione ia contar tudo para ela e se fosse sortuda, até o fim do semestre Gina Weasley já teria sua Marca Negra. Quem sabe assim ela e Draco não se ajeitem juntos? Hermione continuava achando os dois um belo casal, e Harry Potter ficaria uma gracinha com chifres.
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Estava sentada na cama, passando o discurso que iria fazer mentalmente quando ouviu batidas na porta e gritou para a pessoa entrar, Hermione sabia que era Gina Weasley. A garota entrou no quarto que Hermione dividia com as garotas do sexto ano da Grifinória, vestia seu pijama e tinha seus cabelos soltos.
–Venha, Gina, sente-se aqui. – Hermione fez um gesto para que a Weasley se sentasse na frente dela na cama.
–O que queria me contar? – Gina foi direto ao ponto. Era curiosa como todo Weasley deveria ser.
–Prometeu-me que não ia contar para ninguém, peço-lhe que se lembre disso, por favor. Eu não sou filha dos Granger, fui adotada. – Hermione começou cautelosa.
Gina ficou surpresa, mas também confusa. Não sabia por que Hermione tinha feito todo aquele mistério só para revelar isso.
–E seus pais são...?
– É aí que está o problema, Gina. – Hermione suspirou e pegou as mãos da amiga. – Eu sou filha de Bellatrix e Rodolphus Lestrange.
Gina puxou suas mãos do aperto de Hermione e olhou para ela assustada. Nunca poderia imaginar que Hermione Granger fosse filha de quem era.
–Mas... Mas como?
–Quando os Lestrange, Bellatrix, Rodolphus e Rabastan, foram presos depois de torturar os Longbottom, Dumbledore invadiu a mansão deles e me tirou de lá, na época com menos de dois anos. Deixou-me na porta dos Granger e deixou falsas pistas para que pensassem que ele tinha me levado para a Rússia. – percebeu que Gina a olhava com pena e sorriu internamente com isso – Eu cresci pensando que os Granger eram meus verdadeiros pais, só muito tempo depois fui descobrir que na verdade eu sou uma mentira. Todos pensam que eu sou uma nascida-trouxa, eu pensava que eu era uma nascida-trouxa, e do nada eu descubro que sou uma sangue-puro. E pior: Meus pais são do Círculo Íntimo de Lord Voldemort. Fiquei tão confusa, Gina.
–E como soube disso? Dumbledore contou-lhe?
–Se dependesse de Dumbledore ainda estaria na ignorância. Bellatrix e Rodolphus contaram-me. No meu quinto ano, durante a batalha do Ministério.
–O que está falando? Você ficou junto a mim durante toda a batalha!
Hermione soltou um riso sem humor e olhou a garota a sua frente. Agora era a hora de jogar o perigoso jogo.
–Já ouviu falar de viagens no tempo? – quando a garota assentiu ela continuou – Eu fiz uma, não me pergunte como e nem o porquê, basta saber que eu fiz. No final do meu sexto ano, fiz o sétimo no passado. Já era para mim ter me formado. Conheci seus avós, os dois, Septimus Weasley e Cedrella Black. Durmi no mesmo quarto que Cedrella e sua irmã gêmea, Calidora, a mãe de Sirius Black, Walburga, a mãe de Snape, Eileen e também com minha avó, Druella, que também é avó de Draco Malfoy. – Gina estava surpresa demais para dizer algo – Fiquei quase um ano lá, sabe? Era tudo desconhecido para mim, fui parar nos anos 40, e todos me tratavam por Hermione Lestrange e eu fiquei na Sonserina. Até hoje sonho com os colchões macios dos dormitórios. Fiz amizade com minhas colegas de quarto e outras pessoas do sétimo ano da Sonserina. Fiquei muito amiga de Abraxas Malfoy e tinha meus dois avôs no sétimo ano, sem contar Druella. Ah, e também fiquei muito, muito amiga de Tom Riddle. Sim, o Lord Voldemort. Sabe, nós estamos namorando.
Gina estava pálida e assustada, Hermione viu que ela olhava para a porta e então segurou as mãos da ruiva.
–Não fique assim, Gina. – ela disse docemente – Eu sei que no fundo do coração, bem nas profundezas do seu ser, você sabe quem vai ganhar essa guerra. Quer estar no lado perdedor, doce Gina? Eu sei que não. Você é sangue-puro e poderosa, sem falar que é bonita, Tom vai lhe receber muito bem. Ele me garantiu isso. Tem tantos benefícios ser do lado vencedor, pergunte para qualquer um. Já temos um lugar perfeito para você.
– Onde?
Gina tentava esconder, mas Hermione via o interesse nos olhos da garota. Foi bem mais fácil que ela esperava, talvez Gina já viesse pensando na possibilidade de virar a casaca.
–Irá me ajudar a passar informações da Ordem, divertido não? – sorriu com entusiasmo – E você também irá ir comigo na Sala Precisa, os Sonserinos são ótimos amigos. Sem falar que vai ser super divertido trair Harry com o Draco, meu primo vem tendo fantasias desse tipo.
Hermione podia ver a incerteza nos olhos de Gina Weasley, mas também podia ver a vontade e a curiosidade neles. Mais cedo ou mais tarde ela acabaria cedendo, Hermione queria que fosse mais cedo, ajudaria muito ter ela ao seu lado.
– Eu não tenho certeza se realmente quero isso. — a ruiva respondeu com um suspiro.
Hermione puxou a garota pelas mãos e ficou com o rosto tão próximo ao rosto da garota que sentia a respiração da ruiva bater na sua pele.
– Eu vi o seu coração, Gina Weasley, eu sei que é isso o que você realmente quer. Todas as glórias que você sonha, todos os seus mais loucos e distorcidos sonhos. Eu vi tudo. Sei que você quer, uma hora irá me procurar e dizer que quer ser do lado vencedor, e aí você terá uma Marca Negra, assim como eu, e vai fazer parte da história. Não como uma garota do lado perdedor, mas como a garota que ajudou na vitória.
Hermione soltou a garota e ajeitou-se na cama. Sorriu para Gina, que ainda a olhava perplexa.
–Agora, doce Gina, nós vamos conversar. Diga-me: há quanto tempo vem pensado em virar a casaca?
–Não sei do que está falando.
–É claro que não. – Hermione sorriu conspiradora. – Vamos então falar sobre minha estadia no passado, que sabe até o fim da noite você não se convence do que realmente quer?
–Não tem medo que eu saia correndo daqui gritando tudo o que sei? – Gina perguntou desafiante.
–Qual parte do “Eu vi seu coração, Gina Weasley, eu sei que é isso o que você realmente quer.” Você não entendeu? –sorriu enigmática para a garota – E eu lancei um feitiço na porta assim que você entrou. Será uma longa noite.
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