A Verdade Sobre Hermione
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Ela piscou, e quando abriu os olhos viu o azul intenso que tanto amava. Estavam deitados na cama de Tom, um olhando o outro. Não falavam nada, não faziam nada. Só se olhavam e aproveitavam um da presença do outro, quando como ficavam sozinhos em algum lugar, quando estavam no passado e tudo era mais fácil. A única grande diferença do passado é que agora eles tinham uma enorme e confortável cama. Estavam quase meia hora assim, quando Tom quebrou o silêncio entre eles:
–Não vai sentir pena?
–De quem? – ela perguntou estranhando a pergunta.
–Das pessoas da Ordem da Fênix. Seus colegas de casa. As pessoas que confiam em você e dariam as vidas delas por você.
–Procuro não pensar sobre isso.
Hermione esquecia-se ou simplesmente ignorava o fato de que mais cedo ou mais tarde, ela iria trair todos que confiaram nela. Ela não sabia se ia sentir falta deles quando eles morressem, porque lá no fundo ela sabia que eles iriam morrer. Tom iria dar uma chance para eles mudarem de lado, é claro, eles não podiam e não queriam derramar sangue bruxo. Mas ela sabia também que eles não iriam mudar de lado, eram, muitos deles, Grifinórios. E Grifinórios eram leais até o último fio de cabelo. Com exceção de Sirius Black. E ela.
Tom não falou nada e Hermione agradeceu-o por isso. Ele se levantou e começou a arrumar sua roupa, que estava amassada e desalinhada, resultadas de várias seções de amassos com Hermione. Quando ele viu que Hermione ainda estava deitada na cama, chamou-a e disse para ficar o mais apresentável possível, tinham visitas.
A garota perguntou-se como ele sabia que tinha chegado alguém na mansão, mas como Tom estava apressado, ela deixou a pergunta para mais tarde. Começou a arrumar suas vestes, uma calça jeans escura com uma blusa de manga longa preta, e passou a mão por seus cabelos para ajeitar os cachos grossos e negros.
Tom ofereceu-a uma capa negra, provavelmente para esconder as vestes demasiadas trouxas que a garota usava. Ela pegou sem contestar e assim que não tinham um fio de cabelo fora do lugar, saíram rumo á sala de visitas.
A sala de visitas era, como tudo naquela mansão, grande. Tinha quatro grades sofás postos em forma quadricular, com uma mesa de centro no meio e postas em diferentes lugares na sala, poltronas postas em duas ou quatro. A sala tinha cores claras e alegres, com o piso de mármore claro, diferente de todas as salas que Hermione já viu na mansão, que eram escuras e sombrias.
– O Lord já está vindo... – ela ouviu a voz de sua mãe dizer – Olha, já chegou! – ela completou quando viu as portas se abrindo.
Dentro da sala tinham três pessoas que Hermione nunca tinha visto na vida, dois homens e uma mulher. Os três pareciam ser de outro país, os homens eram altos, largos e morenos, com uma carranca que parecia ser permanente. A garota, ou mulher, era alta, mas não tão alta como os homens que a acompanhavam, tinha os cabelos da cor do fogo e pele clara. Enquanto os homens vestiam peles e outros tecidos quentes, a garota vestia uma roupa de couro preto colada ao corpo.
–Meu Lord. – os três falaram com um sotaque forte e fazendo uma reverência.
Depois que os três recém- chegados se sentaram, Tom conduziu Hermione para um sofá vazio, que ficava de frente para os convidados. Quando sentaram-se, sempre com a expressão fria que Hermione estava ficando muito bem em fazer, ela arriscou um olhar para seus pais e Rabastan no sofá ao lado e no sofá de frente para esse, estavam Sirius, Regulus e Lucius.
Hermione sentou-se ao lado de Tom, postura reta e fria, como ela sabia que esperavam dela. Tom também assumiu a postura de Lord das Trevas.
–Chegaram cedo. Como vocês não a conhecem: essa é Hermione, filha de Bellatrix e Rodolphus. — Tom falou — Sua futura Lady.
Hermione sorriu mais friamente possível, ela sabia que não poderia mostrar fraqueza ou compaixão com nenhum Comensal. A mulher de cabelos vermelhos deu o mesmo sorriso que ela e apressou-se em se apresentar:
–Sou Natasha Romanoff, é um enorme prazer conhecê-la. Esses dois são Rasalas Heckmann — ela apontou para o homem da esquerda — e esse é Hoyer Pohl — ela apontou para o da direita.
–É um prazer conhecê-la também, Natasha. Igualmente para os senhores.
Ela já tinha ouvido falar das três famílias, é claro. As três eram famílias tradicionais de sangue puro e muitos suspeitavam que eram apoiadores da causa de Lord Voldemort.
–Digam o que tem para dizer. -Tom mandou.
Os dois homens olharam para Natasha, Hermione pensou que ela deveria ser a líder do grupo.
–O Ministério Búlgaro é quase todo seu, meu lord. Temos mais pessoas nossas do que outras lá dentro, e o assessor principal e pessoal do Ministro é um homem do senhor. Viemos aqui para informar-lhe isso e perguntar-lhe se já podemos dá a ordem que fará o assessor do Ministro matar ele, assim o Ministério será todo seu. — a mulher informou prontamente.
Tom e todos naquela sala, inclusive Hermione, gostaram da boa notícia. Se o Ministério Búlgaro fosse deles, Tom iria ficar muito mais poderoso do que já era e com muita mais influência.
–Não dê a ordem ainda. — todos os sorrisos da sala murcharam como bolas quando furadas — O Ministério Búlgaro tem que cair junto com o Inglês, e com o Francês também se eles forem mais competentes. Hermione irá explicar o porquê para vocês.
Ela olhou para Tom espantada, eles não tinham conversado sobre nada daquilo antes. Então compreendeu que era um teste, ela não sabia para o que, mas era um teste. Talvez para mostrar seus conhecimentos sobre a guerra, ou se era uma boa estrategista. Quem sabe para que os convidados soubessem o quão inteligente era, assim poderiam passar a respeitá-la como uma Lady.
Porque ela sabia que a maioria dos Comensais não a respeitava como deveriam. Pensavam que ela era só uma diversão para o Lord, uma garota boba e apaixonada que descobriu seus verdadeiros pais e gosta de brincar de espiã. Ela sempre via isso em cada reunião, tanto no passado como no presente.
Mas todos estavam enganados.
–Assim que o Ministério Búlgaro cair, o nosso Ministério, o Inglês, irá ficar mais alerta e com segurança redobrada. — ela falou como se fosse óbvio — E ficará ainda mais difícil chegar até o Ministro, ouso dizer que mandaria aurores para a Bulgária e retomar o Ministério, mas se os dois Ministérios caírem juntos, nenhum irá saber o que está acontecendo até que seja tarde demais. E como na França as coisas ainda estão instáveis, com o poderio dos dois Ministérios podemos tomar posse do Ministério de lá com uma estratégia um pouco mais... digamos que violenta.
Todos pareceram compreender o raciocínio e começaram a discutir estratégias para obter mais controle da Bulgária enquanto não pudessem matar o Ministro. Tom parecia levar em consideração a opinião de Bella, Rodolphus e Lucius, até Sirius ele parecia ouvir. Regulus e Rabastan pareciam muito mais ocupados olhando Romanoff do que em prestar atenção na conversa.
De fato, Natasha Romanoff era o que muitos classificariam como linda. Cabelos vermelhos, pele branca e um corpo com muitas curvas e a roupa de couro preto colado ao corpo não chegava a ser vulgar. Se ela ainda fosse a Grifinória inocente teria tido ciúmes da mulher, mas agora que era uma Sonserina de corpo e alma e sabia se garantir, não sentia nada. Bem, nada significativamente importante.
Quando a conversa tomou rumos políticos, Hermione já estava cansada de ouvir, então começou a analizar os cinvidados.
Heckmann era grande e forte, cabelos castanhos claros e olhos verdes, parecia só se interessar por questões da guerra e não opinava sobre nada político, Hermione leu em alguns dos livros sobre famílias tradicionais do mundo todo que os Heckmann eram uma das mais importantes e influentes famílias bruxas da Alemanha.
Pohl era mais magro que Heckmann, mas ainda sim não deixava de ser notavelmente grande. Pohl era de uma família búlgara, Hermione sabia, também eram preconceituosos e tradicionais.
Romanoff parecia, e era, a mais interessante dos três. O senhor e a senhora Romanoff só tiveram uma filha, que herdaria toda a fabulosa fortuna da família russa. Foi estudar em Drumstrang, onde tornou-se a melhor aluna de sua série. Quando acabou a escola, foi para o mundo trouxa onde virou uma assassina de aluguel, fez tatuagens e comprou uma motocicleta preta, que segundo Blaise Zabini, sua maior fonte de informação sobre ela, era monstruosa.
Durante muito tempo foi considerada uma traidora do sangue, mas todos ficaram surpresos quando ela apareceu na casa dos seus pais com uma marca negra no braço e um marido morto por ela, e tudo isso com vinte e poucos anos.
Hermione sabia disso tudo porque uma vez perguntara para seus amigos Sonserinos sobre a guerra em outros lugares, descobriu que Zabini tinha uma paixão platônica pela mulher.
– Já podem ir. Espero que sigam as ordens com perfeição.
–Sim, Mestre. — os três fizeram uma reverência e saíram sem olhar para ninguém.
–Hermione querida, eu preciso mandar uma mensagem para Yaxley no Ministério. — acariciou o cabelo de Hermione — Já são três e meia, precisa volta antes que sintam sua falta. Ache Draco e vá com ele.
–Sim. — ela deu um beijo de despedida nele.
Assim que Tom saiu, Bella se apressou e sentar-se no lugar antes ocupado por seu Mestre, ficar mais perto da filha antes dela partir.
–Onde está Draco? — ela perguntou para Lucius.
–Com a mãe dele, nos jardins. — quem respodeu foi Regulus — Se você quiser eu posso ir chamá-lo. E quem sabe ver Natasha antes dela ir...
–Não! -Rabastan quase gritou — Eu que vou! Hermione é minha sobrinha.
–E você adoraria tentar ver Natasha antes dela partir. — disse Rodolphus.
–Mas eu posso! Regulus já está quase noivo, não seria correto com a garota e nem com Natasha. Já eu, sou livre e desimpedido.
–Vá logo então! — exclamou Bella — Antes que Reg lance um feitiço do corpo preso em você.
Rabastan saiu quase dando pulos de alegria e Hermione tinha quase certeza que o tio iria esquecer de chamar Draco para que pudessem ir.
–Quem é a quase noiva de Reg? — Mione perguntou para sua mãe.
–A mais nova Greengrass. — ela respondeu fazendo um gesto com a mão, como se isso fosse insignificante.
–Astoria? Ela tem uns quinze anos!
–Eu fiquei noiva de seu pai com doze. Sua tia Ciça ficou noiva de Lucius com treze. — sua mãe respondeu como se fosse normal.
–Mas isso era antigamente!
–Está chamando sua mãe e eu de velhos, mocinha? — perguntou seu pai, quando Hermione negou com a cabeça ele completou: — E de qualquer forma Sirius já é noivo da Greengrass mais velha, era de se esperar que o irmão mais novo dele e a irmã mais nova dela se casassem.
Hermione conhecia Dafne, era uma de suas amigas favoritas da Sonserina. Loira de olhos azuis claros, falava o que pensava sem se preocupar em ser delicada, mas ainda sim parecia uma princesa.
–Dafne tem minha idade. Você não se acha velho para ela, Sirius?
–O Lord tem idade para ser seu avô e vocês estão quase noivos também. — ele respondeu — E se meu irmão e eu ficarmos noivos delas, esperaremos até que elas terminem a escola, estejam prontas para o matrimônio e tenham algum sentimento. — Hermione estava surpresa, nunca imaginara que Sirius fosse tão cavaleiro e sentimental. Mas é claro que ela estava enganada. Era sobre Sirius Black que estava falando — Porém eu não irei ficar horas sozinho com ela no meu quarto como certas pessoas. Sou um homem descente e inocente.
Depois que parou de rir, despediu-se de todos naquela sala e saiu a procura de Draco. Estava cansada de esperar Rabastan voltar com Draco. Seu pai sugeriu, entre risadas, que seu irmão achou Natasha e estavam em uma sala fazendo coisas que ela só iria fazer depois do casamento.
Achou seu primo nos jardins com Narcisa. Prometeu para a tia que sempre iria escrever e que iria cuidar de Draco.
Aparatou no porão da Dedosdemel, que estava começando a ficar vazia, e passou pela passagem com Draco. Ela saiu primeiro, Draco esperaria mais cinco minutos para ninguém suspeitar. Disse ao primo que dissesse para Dafne que ela queria saber tudo sobre Sirius Black.
Voltou para a Sala Comunal da Grifinória onde encontrou seus amigos, disse-lhes que estava passeando pelo castelo e na biblioteca, eles acreditaram.
Depois de quase um dia todo entre os seus, sendo quem realmente era e com seus verdadeiros amigos, voltar à rotina de fingir ser quem não era a deixava cada vez mais com vontade de acabar de uma vez com aquela guerra. E com o fingimento.
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