Notas iniciais
Depois de um mês olha quem voltou hehehehe Desculpem-me pela demora em postar, mas eu estava com outras fics e acabei deixando essa um pouquinho de lado. Contudo, não irei abandona-la de forma algumas, ok? Talvez eu demore novamente, farei o possível para que não, mas eu voltarei, prometo =D

Sabe aquele momento paralisador, que você já deve ter presenciado em algum momento de sua vida? Aquele que faz sua frequência cardíaca aumentar, que faz sua respiração torna-se acelerada e descompassada, que deixa seus músculos tensos, que te faz soar, que te dá dor de cabeça, que faz sua boca secar, que deixa sua mente nublada, perturbada... Se você já passou por isso, prazer, pois você já me conheceu. Eu sou o Medo.

Acredite você ou não, eu estou presente 100% em sua vida, desde o seu nascimento até a sua morte. Assustador, não? Eu não sei exatamente como surgi ou quando, mas me tornei um ser extremamente forte logo após a chegada do Amor, e assim acabei me tornando o segundo sentimento, emoção ou sensação mais forte do universo. Perco somente para a Esperança. Admiro-a bastante, pois ela jamais desiste, sempre está um passo a minha frente.

Eu sei que você muitas vezes diz a si mesmo que não sente medo, mas falha miseravelmente quando a situação sai do controle, ou quando o caminho te impulsiona a sair da sua zona de conforto. Você paralisa, soa frio, sente a força se esvair de seu corpo. Eu sei bem como é isso, porque eu sou isso. Não é nada fácil, você se encontra naquele famoso “luta ou fuja”. Seu corpo se prepara para dois resultados possíveis, enfrentar a situação e lutar contra ela, ou sair correndo.

O medo é algo pessoal, pois o que assusta um, pode ser indiferente ao outro. Existem pessoas com medo de espaços pequenos, e quando entram em um elevador, por exemplo, o pânico os consome. Existem pessoas com medo de altura, onde a simples menção de estar em algo que não possua contato com o chão já os faz tremer. Existem pessoas com medo do escuro, algo que atinge principalmente as crianças. Existem pessoas com medo da morte, pois não sabem o que lhes espera no fim. Existem aqueles que possuem medo de palhaços, de animais, de se afogar, de filmes de terror, doenças, solidão. Existem aqueles que passaram por alguma situação traumatizante em algum período da existência, e esses traumas lhes deixaram marcas profundas onde o medo abita sem dó nem piedade. Existem aqueles com medo do futuro, medo de crescer, de ter que tomar suas próprias decisões, de ter que arcar com as consequências de seus atos, de fazer escolhas erradas e que futuramente verá a prejudica-los. A aqueles também que tem medo de amar, alguns por já terem passado por algum relacionamento não muito produtivo, outros por terem medo das consequências que um envolvimento emocional pode lhes trazer, como as decepções, dores devido a afastamentos indesejados, traição, ciúmes... São tantos derivados, com tantas coisas envolvidas que, às vezes esse peso acaba sobrecarregando meus ombros.

O medo é uma mão invisível que se fecha em volta de seu coração, fazendo as batidas se tornarem descompassadas até pararem definitivamente. Mas, se por um lado o medo é ruim, por outro ele é muito bom. Duvidam? Pois vou lhes provar. O medo é um estado de alerta extremamente importante para a sobrevivência humana. Uma pessoa sem medo nenhum pode se expor a situações extremamente perigosas, arriscando a própria vida, sem medir as possíveis consequências trágicas de seus atos. É importante que você saiba que, na estrada da Vida você não deve escolher entre Medo e Coragem. Se você escolher o medo viverá eternamente na indecisão, no escuro. Se escolher a coragem enfrentará todos os obstáculos que a vida lhe impõe, mas isso pode te levar ao fim muito antes do esperando, já que você se arriscará cem vezes mais. Assim como não a luz sem escuridão, nem céu sem tempestade, ou Vida sem a Morte, também não a Coragem sem o Medo. Eu dependo dela e ela depende de mim.

Há Alguns anos atrás eu encontrei um garotinho sentado no banco de uma praça. Era outono e estava fazendo muito frio, ele estava sozinho e tremia levemente. Meio receoso eu me aproximei e depositei sobre seus pequenos ombros meu casaco. Ele deu um pequeno salto no banco, afastando-se de mim. Seus olhos se voltaram para os meus e neles pude enxergar algo muito familiar, algo que eu já estava acostumado a presenciar todos os dias sempre que via meu reflexo no espelho. Era medo.

— Aqui é muito perigoso para uma criança tão pequena como você, sabia? — ele nada diz — Está tudo bem?

— N-Não. — sua voz sai em um sussurro, amedrontada.

— Está tudo bem, eu não vou te machucar. Qual seu nome?

— Andrew.

— É um belo nome. O que você faz aqui sozinho, Andrew?

— Eu não... Eu só... — o pequeno se embaralha com as próprias palavras — Eu fugi de casa. — foi inevitável não arregalar os olhos.

— E por que você fugiu de casa?

— Porque eu... Eu estou com medo. — sua voz vai diminuindo de tamanho conforme fala.

— Medo de quê? — ponho minha mão sobre seu ombro, o incentivando a falar.

— Medo de meus pais não me amarem mais.

— E por que eles não amariam?

— Porque mamãe agora tem outro filho. E eu tenho medo de que eles não liguem mais para mim, você entende? — seus olhos se voltam para os meus.

— Perfeitamente. Sabe? Eu também tenho medo, o tempo inteiro.

— Sério? — a surpresa em seu olhar me faz sorrir.

— Muito sério. E eu sei que o medo muita vezes te faz temer as coisas, mas você não deve duvidar do amor de seus pais. Eles terem tido outro filho não significa que não te amem mais, muito pelo contrario, eles continuam te amando, só que agora dividem esse amor com seu irmão.

— Eu não sei... — seus olhos agora se tornam tristes.

— Vamos garoto, coragem. — o incentivo — Tenho certeza que eles estarão te esperando de braços abertos. — ele sorri e se levanta do banco.

— Obrigado, senhor. — e com essas palavras ele se vai.

— Pode sair, Coragem. — digo e com o canto do olho a vejo sentar-se ao meu lado.

— Como sabia que eu estava aqui? — pergunta sorrindo.

— Você sempre está. — sorrio também.

Sim, ela sempre está. Muitas vezes acompanhada de sua mãe, a Esperança, muitas vezes ela só vem para me dar um “oi”. É isso que vocês devem aprender. Até mesmo os mais corajosos sentem medo, e é justamente o medo que os faz corajosos. Você tem medo de altura, mais mesmo assim sobe em um avião. Você tem medo de lugares pequenos, mais todos os dias entra em um elevador, seja para chegar em casa ou para trabalhar. Você tem medo da morte, mas é a única certeza que tem sobre a vida.

Você deve aprender que, eu sempre estarei lá, não importa quantos obstáculos você enfrente, eu não vou embora. Mas é aí que mora a questão, não faça do medo um empecilho para alcançar seus objetivos, mas sim, algo que não te deixe desistir. Mude sua forma de pensar, para poder mudar sua forma de agir, e ao invés de recuar quando sentir medo, tenha coragem e determinação para supera-lo.

“Não devemos ter medo dos conflitos... Até os planetas se chocam e do caos nascem às estrelas.”

— Charles Chaplin

Notas finais
E então, o que acharam? Espero de coração que tenham gostado, beijão ♥